“O Arco da Velha”, de Zora Louise Randolph Olen
“O Arco da Velha” de Zora Louise Raldolph Olen
por Vítor Dudu
Talvez a vida pessoal da Zora Louise Randolph Olen, 92, apelidada carinhosa e internacionalmente de “Madame Zora” seja ainda mais incrível e impressionante do que o periélio assombroso que os seus trabalhos polêmicos e fascinantes percorrem há sete décadas. A agradável velhinha russo-americana, numa entrevista por telefone, abriu-nos o tarô das suas memórias repletas de situações romanescas, casamentos, quedas de monarquias, boicotes estadunidenses, Nepal, ataques soviéticos e brioches.
Madame Zora lançou esta semana “O Arco da Velha” após os sucessivos escândalos editorias provocados nos últimos anos pelo espírito do anarquista Edgar Helen Rocha psicografado por nossa ocultista sucessivamente em “Morri, e Daí?”, uma crítica ácida à empáfia dos vivos, “Videoclube Satânico”, soberba denúncia dos suplícios do Inferno, local onde há quarenta locadoras e em todas apenas dois filmes, “Doutor Jivago” e “De Volta Para a Lagoa Azul”, embolorados e copiados em VHS, “To Pagando Aluguel Até Hoje”, uma comédia acerca da última crise imobiliária e, finalmente, “Vice-Versa” cáustico libelo em que o polemista revela que Deus e Marx são a mesma pessoa.
Zora Louise aparentemente apostando no filão comercial aberto por Dan Brown em seus trabalhos aparentemente ficcionais apresenta-nos uma interessantíssima enciclopédia daquilo que a História não viu. O próprio título indica, sapiente, que a publicação não traz anedotas “do arco da velha”. É o próprio “arco da velha”, uma coleção de prosa e versos “tortos, recusados, sujos de poeira”, uma pesquisa assombrosa feita onde a nossa vã filosofia nem ousa conceber, no além túmulo, em outros planetas, no passado, no presente e no futuro.
O prefácio deste lançamento sensacional assinado pelo respeitado historiador brasileiro Victor Leonardi adianta-nos algumas das suas surpresas: “os poemas que Tomáz Antônio Gonzaga deveria ter escrito, mas não chegou a escrever, em seu exílio Moçambicano, algumas sátiras que Bocage deixou de redigir em noites quentes de Goa e Macau. E muitas cartas inéditas de Flaubert, pensamentos tortuosos que ele não ousou enviar a ninguém, resquícios do processo movido por seu Madame Bovary, confissões de Alighieri durante o exílio, de Cervantes na prisão.”
A numeróloga afirmou esta semana nas rádios e televisões norte-americanas que algumas cenas e citações lhe foram mostradas clarividentemente através da luz astral. Outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas na sua própria letra. Sonetos dos Mestres ou apócrifos essênios materializavam-se em papéis.
A taróloga espetacular revelou-nos, exclusivamente, que centenas de conjunções astrais provaram-na inequivocamente que o momento de escrever, comprar e distribuir este livro era mesmo o ano de 2009 e que os iluminados saberão porque. Zora Louise Randolph Olen garantiu ainda ao seu entrevistador que o seu próximo lançamento será a sua tão esperada autobiografia.
A respeitável sibila promete contar, enfim, toda a verdade sobre a famosa briga que teve com o Paulo Coelho no início dos anos 80 além de detalhes escabrosos a respeito de vinte e uma das suas vidas passadas.
Até agora tudo o que sabemos acerca da célebre querela astral da década de Ronald Reagan é que a cartomante lançara “Eu Nasci Há Dez Mil Anos” o jingle do seu programa televisivo numa emissora californiana e que um ano depois o brasileiro fazia sucesso no seu país reprisando quase todas as sílabas e as solfas da ocultista. O místico acrescentara, apenas, uma espirituosa redundância no título e no refrão.
A velha quiromante, desde 1989, afirma ter matado o nosso suposto acadêmico trocando o seu “invólucro material” pelo do roqueiro Raul Seixas. Atualmente um campeão de vendas de manuais de culinária esotérica.
“O Arco da Velha”
Autora: Zora Louise Randolph Olen
Editora: Primer Impacto
Páginas: 1026
Quanto: R$ 299,00
Onde Comprar: nas principais livrarias ou, de acordo sábias predições de Zora Louise “nas grutas do Tibete, o país das montanhas azuis, na pirâmide de Quéops, no além, no Atol das Rocas, no cosmos”