Dunga repete o erro de Felipão, que repetia erro de Dunga, que…gol da Alemanha

A série invicta de Dunga à frente da seleção brasileira caiu por terra como cai um mito. Quando é jogo jogado, e não amistoso pra encher bolso de patrocinador, a seleção brasileira é ainda um remedo de time de futebol. Mudou o técnico, mudaram alguns (menos do que deveriam) jogadores, mas o espírito é o de sempre.

Nos quatro últimos jogos oficiais, o time tomou 12 gols e marcou três – para tristeza dos milhões de brasileiros que acreditavam em mudanças após verem o boleiro João Dória Jr. assumir o comando da comitiva.

Durante a concentração, os empresários dos marmanjos seguem urinando de porta aberta. Ao menos uma negociação foi fechada entre um treino e outro. O sujeito entra em campo como jogador de um time e, no outro, está vendido.

Não fosse a oferta de carnes nobres motivo suficiente para a dispersão, a principal arma do time corre o risco de ser preso por suposto estelionato e corrupção na transferência para o Barcelona. Ainda assim, vai a campo – e dá no que dá.

Neymar, é bom reconhecer, é um gênio que, em campo, não precisa provar nada a ninguém. Mas a Neymardependência começa a fazer mal a ele. Na estreia da Copa América, ele acertou uma cabeçada e um passe a gol, mas foi campeão de jogadas que atrasavam o lance ou terminavam nos pés do adversário. Os outros dez correm de bobo, e a culpa é de quem escala a equipe num esquema neymarcentrista: 0-0-0-1-0.

Nunca na história desse país uma seleção foi tão dependente de um único jogador. Ronaldo tinha Rivaldo. Romário tinha Bebeto. Zico tinha Falcão. E Sócrates. E Junior. Pelé tinha Garrincha. Ou Rivellino. Ou Tostão.

Do time atual, a distância entre Neymar e qualquer bom jogador de clube é a distância de Eric Clapton para o Chimbinha. Bote os dois na mesma banda e tente ver no que dá. Com Neymar é a mesma coisa, e o time desaprendeu a jogar sem ele.

O erro de Dunga 2.0 é o mesmo de Felipão 2.0, que já era o mesmo de Dunga 1.0: não há plano B. Ambos apostaram todas as fichas num único time e não há plano de fuga em caso de incêndio ou apagão – como contra a Holanda em 2010 ou contra a Alemanha em 2014.

Nos últimos anos, o Brasil criou tanta dependência de Neymar que não aprendeu a jogar sem ele. Da última vez que teve de se reinventar sem o craque, tomou sete gols. Não há costas nem nervos que suportem tanto protagonismo. Nem tanta aposta equivocada.

O melhor esquema, para quem gosta e tem saudade de seleção e de futebol, é torcer para não encontrar, de novo, a Alemanha no caminho. A receita para a tragédia está toda desenhada. Amanhã será maior.

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