Lucas Lima para ministro

Por Thiago Varella

O brasileiro tem uma certa nostalgia com um tipo de jogador que, dizem, não existe mais. É o tal do camisa 10. O meia clássico. Cerebral. Elegante. Que cadencia o jogo e arma as jogadas para o centroavante.

Foto: Lucas Lima comemora golaço na vitória contra o XV de Piracicaba (foto: Ricardo Saibun/Santos FC)

Foto: Lucas Lima comemora golaço na vitória contra o XV de Piracicaba (foto: Ricardo Saibun/Santos FC)

Que saco! Para mim, meia clássico tem um erro grave de concordância. Na verdade, o correto é meia clássica, que se refere àquela peça de roupa que utilizamos com sapatos pretos. Meia cerebral seria um jogador que faz um exame neurológico antes de uma partida? E um meia elegante aquele que só dá entrevistas com terno italiano?Pois nos últimos jogos surgiu na Vila Belmiro um meia com as características tão desejadas pelos sebastianistas do futebol. Lucas Lima seria o herdeiro do Judas Paulo Henrique Ganso no meio-campo santista. Ou do messias Giovanni. Um armador habilidoso que pode vestir com tranquilidade a camisa 10.

Mais ou menos. Lucas Lima é o jogador certo no time certo. Ele tem muitas características do “enganche” argentino que todos desejam, mas, o importante mesmo, é que é o meia ideal para o Santos. Por três motivos: arma bem, segura bem a bola e joga com raça. Precisa de mais? Se, em vez de ficar preocupado se o sujeito é o 10 que todos esperam, a gente observasse apenas o futebol apresentado pelos jogadores, Danilo, aquele do Corinthians, seria titular da seleção brasileira há anos.
Mas o preconceito dos puristas atrapalhou Danilo, Alex, Raí, e pode muito bem prejudicar Lucas Lima. Aliás, nada mais chato do que esses sujeitos. Os nostálgicos do futebol são tão insuportáveis quanto os “especialistas”. Sejam eles experts em jazz, vinhos, cerveja, ou qualquer outra coisa.
Lucas Lima é a cerveja gelada que refresca num dia de sol. Tanto faz se tem muito milho ou não. Se fosse político, seria o nome ideal para assumir a articulação política do governo Dilma. Em sua maneira discreta e eficiente, faria Levy trabalhar em conjunto com as tendências de esquerda, com o PMDB, acabaria com a oposição e deixaria o caminho livre para Dilma governar.
Como é jogador, Lucas Lima deixa Ricardo Oliveira na cara do gol e ainda abre espaço para Robinho e Geuvânio. A volta do já-não-mais-tão-menino Robinho para o segundo jogo da final do Paulista é fundamental para o título do Santos. Mas não se iluda, o caminho para a conquista do campeonato será guiado por Lucas Lima.

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