<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>The Pompéia Times</title>
	<atom:link href="http://anivelde.org/thepompeiatimes/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 10 Aug 2010 23:16:03 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1-alpha</generator>
		<item>
		<title>O futebol é coisa nossa</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/08/10/o-futebol-e-coisa-nossa.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/08/10/o-futebol-e-coisa-nossa.htm#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 23:16:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=923</guid>
		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<a href='http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/08/10/o-futebol-e-coisa-nossa.htm/dsc03944' title='DSC03944'><img width="150" height="150" src="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/08/DSC03944-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="DSC03944" title="DSC03944" /></a>
<a href='http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/08/10/o-futebol-e-coisa-nossa.htm/dsc03959' title='DSC03959'><img width="150" height="150" src="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/08/DSC03959-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="DSC03959" title="DSC03959" /></a>
<a href='http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/08/10/o-futebol-e-coisa-nossa.htm/dsc03975' title='DSC03975'><img width="150" height="150" src="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/08/DSC03975-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="DSC03975" title="DSC03975" /></a>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/08/10/o-futebol-e-coisa-nossa.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A vida secreta das burcas</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/29/a-vida-secreta-das-burcas.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/29/a-vida-secreta-das-burcas.htm#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 16:19:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Londres]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[burca]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Irã]]></category>
		<category><![CDATA[véu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=918</guid>
		<description><![CDATA[Uma amiga minha, nascida e criada em uma vila de 60 pessoas no interior da Dinamarca, contou dia desses sobre um jantar na casa de uma das colegas dela, do mestrado em uma grande universidade de Londres. A anfitriã era muçulmana. Como alguns dos convivas eram homens, muitas moças, também muçulmanas, estavam de véu. Outras, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma amiga minha, nascida e criada em uma vila de 60 pessoas no interior da Dinamarca, contou dia desses sobre um jantar na casa de uma das colegas dela, do mestrado em uma grande universidade de Londres. A anfitriã era muçulmana. Como alguns dos convivas eram homens, muitas moças, também muçulmanas, estavam de véu. Outras, de burca. Depois do jantar, as meninas foram para o quarto da anfitriã, que queria mostrar a elas algumas aquisições recentes. Os meninos ficaram na sala, conversando. Normal. Minha amiga pensou que sua colega fosse mostrar sapatos novos, roupas, qualquer coisa. Fazia sentido, a menina vinha de uma família abastada de algum país do Oriente Médio. Enquanto ela listava o que imaginava encontrar, suas faces coraram. Ela sorriu, envergonhada, e pediu desculpas por ficar tão vermelha. “Eu sou da Dinamarca, nasci em uma cidade pequena, mas estudei na capital. Eu e minha amigas, mesmo em Copenhague, nunca fizemos o que as meninas fizeram ali.”</p>
<p>No quarto, as meninas foram logo tirando o véu. A anfitriã abriu os armários. Havia uma vasta coleção de vibradores e roupas íntimas, assim, no genérico. Segundo a minha amiga, a coleção de roupas criativas da menina era maior do que o guarda-roupas da dinamarquesa, em geral _incluindo calcinha e sutiã. Exibida a coleção, a anfitriã não só provou roupa por roupa como mostrou o funcionamento de cada um dos vibradores e convidou as meninas a experimentar os brinquedos. As meninas de véu aceitaram _minha amiga recusou, achou melhor não, despistou. Segundo ela, a recusa foi vista com espanto. Faz sentido. A história da Dinamarca, como disse o <a href="http://anivelde.org/sorryperiferia/">Sorry Periferia</a> dia desses, também é a história da pornografia moderna. Talvez as meninas tenham convidado a minha amiga imaginando que ela pudesse dar algumas dicas bastante interessantes, produtos novos no mercado, essas coisas, esses clichês que a gente tem na cabeça quando imagina alguns países. O fato é que a minha amiga ficou atônita. Eu também.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/513aeRyzO5L._SS500_.jpg" alt="" width="500" height="500" /></p>
<p>Seria fácil dizer que achamos tudo normal. Afinal, por que teríamos de esperar que elas fossem jovens senhoras recatadas? Mas não dá. Quando caminho pelas ruas da cidade e vejo mulheres de burca, de véu, roupas que cobrem o corpo inteiro, sinto um grande desconforto. É difícil imaginar que debaixo daquele véu está a Madonna do Iêmen, a Lady Gaga dos Emirados Árabes, a Beyoncé do Paquistão, a Ivete Sangalo do Irã. O véu e a burca impõe a distância. No mercado, quando a moça que me atende está usando o véu ou a burca, fico sem saber o que fazer: cumprimento? Não cumprimento? O que é ofensivo? O que não é ofensivo? É um curto-circuito momentâneo. É sempre a mesma sensação, um incômodo, de lidar com uma pessoa estranha a mim e, supostamente, aos meus valores.</p>
<p>Porque é óbvio que algumas moças são obrigadas a usar o véu. É óbvio que nem todas as moças vestidas com a burca têm uma coleção de vibradores. E também deveria ser óbvio que algumas moças querem usar o véu <strong>E </strong>ter uma coleção de vibradores. O problema é esse “<strong>E</strong>”, esse aditivo. Ele não é óbvio, mas é importante. Ele faz a conexão entre o nosso mundo e o mundo das moças de véu. Ele certamente é um dos milhares de <strong>“Es”</strong> entre o meu mundo e o mundo delas. São esses “E” que, no final, mostram que temos muito mais coisas em comum do que coisas que nos separam. Deveria ser óbvio, mas não é.</p>
<p>Há algum tempo, eu nunca imaginaria que esse “E” fosse tão óbvio, apesar de eu ter visto <a href="http://www.imdb.com/title/tt0808417/">Persépolis </a>e ter lido “<a href="http://www.amazon.co.uk/Passionate-Uprisings-Irans-Sexual-Revolution/dp/0804758565/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1280417103&amp;sr=1-1">Passionate Uprisings: Iran&#8217;s Sexual Revolution</a>”. Filmes como Persépolis e livros como “Passionate Uprisings” mostram como as pessoas vivem, desejam, imaginam em uma ditadura islâmica que proíbe o consumo de álcool, diz que mulheres despidas provocam terremotos e chicoteiam adúlteras. Mostram que essas pessoas não são zumbis. Mas existe uma longa distância entre os relatos de um país distante e a história que uma amiga conta num bar, que poderia ter acontecido em qualquer lugar desta cidade.</p>
<p>É por isso que a decisão francesa de proibir o uso dos véus é tão problemática. A lei parte do princípio de que o véu ou a burca são chibatadas, símbolos de opressão. Ao mesmo tempo, o argumento dos relativistas, de que temos de respeitar a cultura do véu, da burca e da mutilação genital é abominável. Com palavras mais bonitas (e às vezes incompreensíveis, juntas), os relativistas simplesmente dizem: “eles que são selvagens que se entendam”. Na realidade, esses dois princípios são muito próximos, embora com conseqüências diversas. Eles enfatizam as diferenças entre nós e as moças de véu. Eles nos distanciam, nos afastam, realçam aquilo que nos separa. Reafirmam o “nós” e o “eles”. Por isso que o melhor princípio é garantir que ninguém seja obrigado a fazer o que não quer (ou vestir o que não quer): Quer usar burca? Use. Quer ser a Madonna do Iêmen? Ok. São princípios como esses que separam o que, de fato, é irreconciliável: a civilização da barbárie. Quando governos como os da França fazem leis como essas, o planeta caminha um pouco mais para a barbárie. Quando o presidente do Brasil se recusa a condenar uma chibatada, a barbárie bate à porta. Quando o Irã chicoteia uma mulher supostamente adúltera, a barbárie está consumada.</p>
<p>PS: Acabei de voltar de um jantar com um amigo, que trabalha num país muçulmano. Ele conta que as moças comparam o tecido das burcas: &#8220;Cadê o brilho da sua burca?&#8221; &#8220;Que tecido ruim&#8230;&#8221; Faz sentido. No Chelsea, um dos bairros mais ricos de Londres, com as lojas mais caras da cidade, a paisagem é dominada por mulheres de véu fazendo compras.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/29/a-vida-secreta-das-burcas.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Campanha 2010</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/25/campanha-2010.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/25/campanha-2010.htm#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 19:27:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=911</guid>
		<description><![CDATA[Cartazes para as eleições 2010]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Cartazes para as eleições 2010</strong></p>
<p><a href="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/07/napoleão.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-914" title="napoleão" src="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/07/napoleão.jpg" alt="" width="183" height="275" /></a><a href="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/07/caverna.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-912" title="caverna" src="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/07/caverna.jpg" alt="" width="259" height="194" /></a><a href="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/07/global-warming.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-913" title="global warming" src="http://anivelde.org/thepompeiatimes/wp-content/uploads/2010/07/global-warming.jpg" alt="" width="259" height="194" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/25/campanha-2010.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Tempo real do Super-Homem indiano</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/20/ao-vivo-do-super-homem-indiano.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/20/ao-vivo-do-super-homem-indiano.htm#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 23:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Procrastinação]]></category>
		<category><![CDATA[Bollywood]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=908</guid>
		<description><![CDATA[Tudo pronto para mais um duelo clássicos dos filmes de Bollywood: Super-Homem e Mulher-Aranha contra as forças do Requebrado Discreto 23s- Super-Homem e Mulher Aranha dançam no ar, com os pés assim, sincronizados. Impressionante! 45s &#8211; Olha o beijo da Mulher-Aranha&#8230; pra fora! 1m &#8211; Eles vão até o chão! Essa foi por pouco 1m11 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo pronto para mais um duelo clássicos dos filmes de Bollywood: Super-Homem e Mulher-Aranha contra as forças do Requebrado Discreto</p>
<p>23s- Super-Homem e Mulher Aranha dançam no ar, com os pés assim, sincronizados. Impressionante!</p>
<p>45s &#8211; Olha o beijo da Mulher-Aranha&#8230; pra fora!</p>
<p>1m &#8211; Eles vão até o chão! Essa foi por pouco</p>
<p>1m11 &#8211; A dança do cotovelo. Pode, Arnaldo?</p>
<p>1m18 &#8211; Momento quebradeira-eira-eira-eira. Vai que é sua, Super-Homem!</p>
<p>2m05 &#8211; Beijinho de esquimó. As forças do Requebrado Discreto estão começando a gostar do jogo.</p>
<p>2m10 &#8211; Eles voam, vão mais alto, mais alto, mais alto. Amarelo neles.</p>
<p>2m20 &#8211; O amor no ar é interrompido. Super-Homem indiano em ação, carrinho legal, na bola.</p>
<p>2m47 &#8211; Quando as vítimas são salvas, o que você faz? Dança.</p>
<p>3m26 &#8211; Super-Homem lembra Netinho cantando &#8220;Ô Mila!&#8221;. Diretor reclama com o árbitro. Forças do Requebrado Discreto avançam.</p>
<p>3m50 &#8211; Eles ficam invisíveis, minha gente. É disso que o povo gosta.</p>
<p>4m09 &#8211; Começa a balada. É a rave dos super-heróis. Super-Homem joga bem. O Gol é questão de tempo!</p>
<p>4m54 &#8211; É Gol! É Gol de Bollywwod!!! Con-fi-ra-co-mi-go-no-re-play.</p>
<p>5m30 &#8211; O Super-Homem agora só toca de lado e segura o resultado.</p>
<p>5h43 &#8211; É o fim do espetáculo. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bollywood">Bollywood </a>soma mais três pontos no torneio. Super-Homem é eleito o melhor em campo.</p>
<p>Confira os melhores momentos da partida:<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/f5Pjo0WjBcs&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/f5Pjo0WjBcs&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/20/ao-vivo-do-super-homem-indiano.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Brincando de Loser&#8217;s Archive</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/19/brincando-de-losers-archive.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/19/brincando-de-losers-archive.htm#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 19:53:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[cartazes]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Londres]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=904</guid>
		<description><![CDATA[Uma das galerias da Tate Modern, ao lado das obras do Andy Warhol, exibe uma coleção de cartazes soviéticos. Muitos deles foram feitos e afixados nas ruas do país durante a 2ª Guerra Mundial.  São pedaços impressionantes de papel. Em um deles, que não consigo encontrar na internet, um fio de sangue escorre da boca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das galerias da <a href="http://www.tate.org.uk/modern/">Tate Modern</a>, ao lado das obras do Andy Warhol, exibe uma coleção de cartazes soviéticos. Muitos deles foram feitos e afixados nas ruas do país durante a 2ª Guerra Mundial.  São pedaços impressionantes de papel. Em um deles, que não consigo encontrar na internet, um fio de sangue escorre da boca de uma criança. Ela estava deitada no chão e uma bota, inclinada, acaba de pisar na sua cabeça. Na sola desta bota está estampada uma suástica.</p>
<p>Hoje, eu e a <a href="http://www.anivelde.org/pesdeamora">Pés de Amora</a> descobrimos uma loja de produtos vintage no Soho. Há centenas de reproduções de cartazes britânicos das duas grandes guerras. Alguns deles estão disponíveis na rede. Um deles, o &#8220;Keep Calm and Carry on&#8221; é um hit na cidade. Há xícaras, pratos, toalhas, um universo de &#8220;Keep Calm and Carry On&#8221;. Alguns são até divertidos (especialmente o dos porquinhos). Apesar da cidade sob bombardeio, as pessoas mantinham punhados de senso de humor (ao menos os funcionários do departamento de propaganda&#8230;). É nessas horas que dá vontade de ter um carro do &#8220;De volta para o futuro&#8221;,  só para ver como as pessoas reagiam a esses cartazes.</p>
<p>PS: <a href="http://anivelde.org/losersarchive/">Loser&#8217;s Archive</a> é um dos blogs prediletos deste blog. Entre lá e saiba o porquê.</p>
<p>Alguns deles vão abaixo:</p>
<p><img class="alignnone" src="http://davidsudworth.files.wordpress.com/2010/01/keep-calm-and-carry-on.png" alt="" width="426" height="600" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://jeffreyhill.typepad.com/.a/6a00d8341d417153ef0128776b904d970c-800wi" alt="" width="402" height="620" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.st-andrews.ac.uk/~pv/pv/courses/posters/images1/parttime.jpg" alt="" width="330" height="394" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Daddy_in_the_great_war.jpg" alt="" width="468" height="714" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.st-andrews.ac.uk/~pv/pv/courses/posters/images3/fightnow3.jpg" alt="" width="640" height="433" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.st-andrews.ac.uk/~pv/pv/courses/posters/images3/deserve.jpg" alt="" width="307" height="480" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.st-andrews.ac.uk/~pv/pv/courses/posters/images4/talkless.jpg" alt="" width="431" height="600" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.st-andrews.ac.uk/~pv/pv/courses/posters/images4/fougbar.jpg" alt="" width="374" height="600" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://sherlockholmes.stanford.edu/2007/250_issue12/John_Bull.jpg" alt="" width="334" height="496" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.library.georgetown.edu/dept/speccoll/britpost/p13l.jpg" alt="" width="519" height="753" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.library.georgetown.edu/dept/speccoll/britpost/p25l.jpg" alt="" width="499" height="759" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/19/brincando-de-losers-archive.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Coerência não é virtude</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/17/coerencia-nao-e-virtude.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/17/coerencia-nao-e-virtude.htm#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 18:18:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[PMDB]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=891</guid>
		<description><![CDATA[Na semana passada, o jornal The Boston Globe publicou um texto sobre por que temos tantas dificuldades em mudar de ideia. O ensaio se baseia em uma pesquisa da Universidade de Michigan e vale a leitura, apesar de um problema sério. Os pesquisadores provavelmente não conhecem o PMDB. O que me chamou a atenção na reportagem, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Na semana passada, o jornal The Boston Globe<a href="http://www.boston.com/bostonglobe/ideas/articles/2010/07/11/how_facts_backfire/?page=full"> publicou um texto sobre por que temos tantas dificuldades em mudar de ideia</a>. O ensaio se baseia em uma pesquisa da Universidade de Michigan e vale a leitura, apesar de um problema sério. Os pesquisadores provavelmente não conhecem o PMDB. O que me chamou a atenção na reportagem, apesar dessa grave deficiência do campo (se pudesse nomear um diretor para a estatal Plutão &#8211; Planeta Brasileiro, o PMDB aprovaria uma moção no Senado declarando que o Sol está no centro do Universo), é o fato de ela relacionar a incoerência com a democracia. Faz todo sentido. A virtude está em fazer e pensar as coisas certas, não em fazer e pensar as mesmas coisas sempre.</div>
<div>Algumas ideias são tão sedutoras quanto o gol do Romário contra o Corinthians, quando ele deu um elástico no Amaral na ponta da grande área e encobriu o Dida. Ou o gol do Diego Souza contra o Atlético-MG, no Brasileirão de 2009, um chute de primeira, do meio campo. Ou até mesmo o não-gol de Gana contra o Uruguai, quando Suárez colocou a mão na bola no último minuto da prorrogação. Esses gols, como algumas ideias, estabelecem um padrão, uma espécie de limite muito difícil de ser superado. Essas jogadas passam a fazer parte do nosso repertório comum para explicar por que o futebol é tão fascinante.</div>
<div>Quando alguém diz que não vê beleza em 22 marmanjos correndo atrás de uma bola, eu sempre penso: “Não viu o Romário dar um elástico no Amaral”. Ou argumento: “Você viu o gol do Diego Souza contra o Atlético?” “E o Uruguai na Copa?” São jogadas que bastam para explicar por que o futebol é fascinante. Algumas ideias cumprem o mesmo papel, como a coerência.  Ela está sempre lá, na lista de qualidades de uma pessoa, especialmente em época de eleição: “Fulano é corajoso e coerente” ou “A coerência dela é admirável”. Como se o simples fato de ser coerente fosse uma qualidade. Mas, diferente do Romário, do Diego Souza e do Uruguai, a coerência não é uma qualidade em si mesma. Coerência não é virtude porque seu oposto, a incoerência, também pode ser uma virtude. Tente aplicar o princípio ao futebol. O oposto de um gol do Romário é um carrinho do Cocito. Nesse caso, um gol do Romário resiste, com louvor, ao teste do oposto.</div>
<div>A coerência, não. O sujeito pode ser fascista a vida inteira e ser absolutamente coerente. Pode ser corrupto a vida inteira, uma corrupção absolutamente coerente. Pode ser fiel aos absurdos mais absurdos do governo de turno, mantendo a coerência inalterada. Pode defender a quebra de sigilo fiscal, a censura, a truculência e o preconceito sendo cristalinamente coerente.  Pode defender há 30 anos uma ditadura decrépita e sanguinária. A coerência pela coerência é uma daquelas ideias que merecem ser arduamente combatidas. Elas confundem a virtude com o vício. O PMDB, aliás, é bastante coerente, mas na arte de mudar de ideia.</div>
<div>PS: Este post não defende o relativismo. Eu realmente acho que algumas coisas merecem uma defesa intransigente. Tipo: tortura é sempre tortura e tem de ser banida, ponto. Só que ser coerente não tem nada a ver com se opor à tortura.  Ser contra a tortura é virtude em si.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/17/coerencia-nao-e-virtude.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As palavras que fazem falta &#8211; accountability</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/14/as-palavras-que-fazem-falta-accountability.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/14/as-palavras-que-fazem-falta-accountability.htm#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 14:44:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[accountability]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=888</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Unfortunately, there is no word for accountability in Portuguese. The closest word is responsabilidade, which conveys the idea that, if something goes exceptionally wrong, the person in charge will assume responsability. In modern democratic practice, however, accountability carries broader connotations. It implies that all financial records will be routinely subject to inspection and that it [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Unfortunately, there is no word for accountability in Portuguese. The closest word is responsabilidade, which conveys the idea that, if something goes exceptionally wrong, the person in charge will assume responsability. In modern democratic practice, however, accountability carries broader connotations. It implies that all financial records will be routinely subject to inspection and that it is the obligation of the officials who use public funds to follow transparent procedures. (&#8230;) The concept is used to help draw boundaries between acceptable use of public funds for public purposes the the unnaceptable use of public funds for private purposes.&#8221;</p>
<p><strong>Problems of democratic transition and consolidation : southern Europe, South America, and post-communist Europe </strong>/ Juan J. Linz and Alfred Stepan. Baltimore : Johns Hopkins University Press, 1996.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/14/as-palavras-que-fazem-falta-accountability.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>De volta para o futuro</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/13/de-volta-para-o-futuro-2.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/13/de-volta-para-o-futuro-2.htm#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 01:09:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=886</guid>
		<description><![CDATA[A biblioteca da LSE tem uma coleção online de cartazes políticos do Reino Unido e da União Soviética, do começo do século 20, aqui. Alguns exemplos: I&#8217;m bored at home; I&#8217;m happy in the creche! Correct carrying of a 3 month old baby&#8230; Radical pierrots]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A biblioteca da LSE tem uma coleção online de cartazes políticos do Reino Unido e da União Soviética, do começo do século 20, a<a href="http://www.flickr.com/photos/lselibrary/sets/?&amp;page=2">qui</a>.</p>
<p>Alguns exemplos:</p>
<p><strong>I&#8217;m bored at home; I&#8217;m happy in the creche!</strong></p>
<p><img class="alignnone" src="http://farm4.static.flickr.com/3488/3268808891_7e666bd907.jpg" alt="" width="500" height="405" /></p>
<p><strong>Correct carrying of a 3 month old baby&#8230;</strong></p>
<p><img class="alignnone" src="http://farm4.static.flickr.com/3309/3269630880_9c5d0b58d1.jpg" alt="" width="500" height="388" /></p>
<p><strong>Radical pierrots</strong></p>
<p><strong><img class="alignnone" src="http://farm4.static.flickr.com/3262/3258029788_9f86f60aef.jpg" alt="" width="500" height="389" /></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/13/de-volta-para-o-futuro-2.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Por que a Inglaterra não ganha a Copa?</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/10/por-que-a-inglaterra-nao-ganha-a-copa.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/10/por-que-a-inglaterra-nao-ganha-a-copa.htm#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 15:27:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Londres]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=879</guid>
		<description><![CDATA[A Inglaterra, vamos dizer assim, tem um grande déficit futebolístico. Como diz o Sorry Periferia, a Inglaterra inventou o futebol e não foi muito além disso. Antes da Copa, os jornais, as rádios e as emissoras de televisão fizeram a autopsia das edições anteriores do mundial para entender por que o país que inventou o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">A Inglaterra, vamos dizer assim, tem um grande déficit futebolístico. Como diz o <a href="http://anivelde.org/sorryperiferia/">Sorry Periferia</a>, a Inglaterra inventou o futebol e não foi muito além disso. Antes da Copa, os jornais, as rádios e as emissoras de televisão fizeram a autopsia das edições anteriores do mundial para entender por que o país que inventou o futebol só ganhou uma vez o torneio, em 1966, em casa. Há uma desculpa para cada habitante desta ilha. A preferida para a derrocada deste ano é a cansaço dos jogadores. A Premier League exigiria demais dos atletas ingleses. Mas também há outras desculpas, mais originais.</div>
<div id="_mcePaste">Como se sabe, este é o país do “Diz estudo britânico”. Aqui se pesquisa a relação de tudo com tudo: “Três bolachas de chocolate no café da manhã aumentam risco de infarto agudo do miocárdio, diz estudo britânico.” Ou “Pular com uma perna só no verão melhora desempenho sexual, diz estudo britânico”. Pois no futebol é a mesma coisa (<a href="https://docs.google.com/viewer?url=http://www2.lse.ac.uk/LSEMagazine/pdf/Summer%25202010/EnglandLosers.pdf">leia aqui</a>).</div>
<div>Um dos estudos afirma que os jogadores britânicos não sabem chutar com as duas pernas. O pesquisador estudou os times que chegaram às semifinais das últimas edições da Copa e concluiu que a maioria dos jogadores dos times campeões do mundo poderia chutar de direita ou de esquerda. Menos os britânicos.</div>
<div>Outro pesquisador quis entender por que é mais fácil ser campeão em casa. Ele demonstrou que os árbitros, geralmente, dão mais minutos de acréscimo quando o time da casa está perdendo e menos, claro, quando ele está ganhando.</div>
<div>Outro estudo relacionou o local de nascimento dos jogadores com a produtividade futebolística. Chegou à conclusão de que times com jogadores de diversas regiões de um mesmo país são melhores do que times com jogadores de uma região só, ou de poucas regiões.  Bem, nenhum destes estudos explica por que a Inglaterra empatou com a Argélia nesta Copa, ou por que a Inglaterra perdeu para o time amador dos EUA na Copa de 1950. São interessantes, mas não são muito úteis. Talvez eles não precisem ir tão longe para entender por que raios o time que inventou o futebol produz um Rooney para cada 30 jogadores que têm uma relação questionável com a bola.</div>
<div id="_mcePaste">Hoje de manhã, sábado, calor. Eu e meus colegas fomos jogar futebol. Tentamos o Coram Fields, um maravilhoso campo sintético que fica em frente de casa. Fomos expulsos. “Este é um parque só para crianças”. “Mas não tem ninguém jogando. Se as crianças chegarem, nós vamos embora.” “Este não é um parque público e adultos só podem entrar neste parque quando estão acompanhados de crianças. Me desculpe.” “Mas&#8230;” “Este é um parque para crianças.”</div>
<div>Ok, vamos tentar a praça ao lado, com um gramado bastante razoável (certamente é melhor do que o da Vila Belmiro). Começamos a jogar. Eis que surge a zeladora do parque. “Vocês não podem jogar futebol aqui. Neste parque, os jogos com bola são proibidos.” A gente conversa, fala, tenta dizer que, se alguém chegar ao parque, quiser correr com o cachorro, o que seja, a gente vai embora. “Jogos com bola são proibidos neste parque.”</div>
<div>Bem, sempre existe a Russel Square, com um gramado, esse sim, sensacional _parece o da Pacaembu. Jogamos por 20 minutos. De novo, o zelador. “Jogos com bola são proibidos e blá blá blá”. Terceira tentativa: Lincoln&#8217;s Fields. O parque é gigante. Havia três ou quatro meninas tomando sol, uma fazendo topless e nós, um exército de marmanjos, querendo jogar bola. Desta vez, jogamos por meia hora. De novo, o zelador. “Jogos com bola são proibidos&#8230;” Esse, pelo menos, deu cinco minutos de canja&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Não é preciso pesquisar muito para arriscar uma hipótese sobre os fracassos da Inglaterra em Copas do Mundo. Há inúmeros espaços públicos, bem-cuidados, bem-tratados, amplos, bem diferentes da minha infância em Caieiras, em que a gente jogava bola na rua de paralelepípedo (meus pés que o digam. A <a href="http://anivelde.org/pesdeamora/">Pés de Amora</a> acha que eles são esteticamente desfavorecidos) porque não tinha outro lugar para jogar futebol (eu me lembro da primeira vez que fui à Avenida Paulista, quando era criança. Eu só pensava como os moleques de São Paulo eram felizes porque as ruas deles tinham asfalto, lisinho, fácil de jogar).</div>
<div>O futebol aqui é encarcerado em alguns espaços públicos muito claros, delimitados, não muito fáceis de chegar. Não pode jogar na rua, não pode jogar no parque, só pode jogar onde o governo deixa você jogar. Eu admiro ainda mais o Rooney, o Lampard. Os atletas dos Três Leões são sobreviventes de um esquema de regulamentação bem burro _o que mostra claramente o poder da caneta do governo. O país do liberou geral das finanças proíbe as pessoas de jogar bola no parquinho. Nenhum dos dois casos deu muito resultado, é bom dizer. O país está quebrado nas finanças e no gramado.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/10/por-que-a-inglaterra-nao-ganha-a-copa.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os piores argumentos do mundo</title>
		<link>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/05/os-piores-argumentos-do-mundo.htm</link>
		<comments>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/05/os-piores-argumentos-do-mundo.htm#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 13:53:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[AMB]]></category>
		<category><![CDATA[juízes]]></category>
		<category><![CDATA[London Evening Standard]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anivelde.org/thepompeiatimes/?p=872</guid>
		<description><![CDATA[Uma notícia peculiar foi oferecida pelo London Evening Standard: os deputados britânicos estão dormindo no Parlamento. Para sair da recessão, a Inglaterra gastou o que tinha e o que não tinha. Resultado? Um déficit gigantesco. Há várias maneiras de lidar com esse déficit, mas o governo atual, dos conservadores, resolveu seguir a receita clássica: cortar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma notícia peculiar foi oferecida pelo London Evening Standard: <a href="http://www.thisislondon.co.uk/standard/politics/article-23851708-sleepless-in-westminster-mps-bed-down-at-work-after-losing-perks.do">os deputados britânicos estão dormindo no Parlamento.</a> Para sair da recessão, a Inglaterra gastou o que tinha e o que não tinha. Resultado? Um déficit gigantesco. Há várias maneiras de lidar com esse déficit, mas o governo atual, dos conservadores, resolveu seguir a receita clássica: cortar gastos de tudo quanto é lado. Pois bem, esses cortes atingiram o Parlamento. Os deputados que moram em Londres, ou a pelo menos a uma hora da capital, perderam o benefício da segunda casa. Eles não têm mais uma verba especial, separada do salário, para pagar uma residência em Londres, ou pelo menos um hotel. Some-se a isso que muitos deles usam o transporte público para voltar para casa e o resultado está dado: quando a sessão acaba e o metrô está fechado (ou quando a casa deles está com um déficit parecido com o do país), os deputados dormem em camas improvisadas no Parlamento, escondidos da segurança (que proíbe a estadia noturna).</p>
<div>Pegue esse ponto e pense agora no conceito de flanelinha. Basicamente, você paga por um serviço bastante peculiar: não ter o seu carro riscado, os pneus, furados, ou seja lá o que for, pela pessoa que você está pagando. Não é propina, porque você não está comprando uma facilidade. Também não é um serviço, porque você não está ganhando nada com isso. Você está pagando para que as coisas continuem exatamente como estão, para que o seu carro continue são e salvo. Você está pagando para alguém não cometer um crime contra você. Obviamente, é possível discutir se é certo ou não que as pessoas estacionem seus carros nas ruas ou a situação humilhante de quem vive desse tipo de serviço. Mas são dois pontos separados que não escondem o quão bizarro é pagar para que alguém não cometa um crime.</div>
<div id="_mcePaste">Com o caso dos parlamentares ingleses e dos flanelinhas na cabeça, vamos para a terceira situação:</div>
<div><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0307201008.htm">No sábado, a Folha publicou dois artigos sobre a aposentadoria dos juízes.</a> Em um deles, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil defende que os juízes se aposentem com 100% do salário. Hoje, os juízes se aposentam com 80% dos rendimentos. Não vou discutir o mérito, se é certo ou não que as pessoas se aposentem com 80%, 70%, 38,7%, 100%, 110% do salário, se eles têm de aplicar em fundo de pensão, o que seja. O meu problema é outro. É o argumento do presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros ) para defender a aposentadoria integral.</div>
<div id="_mcePaste">O argumento dele é bastante simples. Se você quer uma justiça imparcial, correta, decente, a sociedade tem de tratar os juízes como uma carreira especial. A sociedade tem de pagar o juiz, no presente e no futuro, na carreira e na aposentadoria, para que ele não se corrompa. A honestidade é apresentada como um bem que só se preserva com salário alto e aposentadoria alta, não como uma condição essencial da carreira de juiz. É mais ou menos o argumento do flanelinha. Em vez de pagar o juiz para fazer o seu trabalho, a sociedade pagaria o juiz para ele não prejudicar a sociedade. Seria uma espécie de seguro contra a corrupção.  Eis as palavras do presidente da AMB na Folha:</div>
<div id="_mcePaste">“A garantia de uma justa remuneração aos integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público jamais deve ser confundida com privilégio, uma vez que o juiz imparcial e imune a pressões políticas e econômicas representa uma garantia para a democracia e para toda a sociedade brasileira.”</div>
<div>No artigo, o presidente da AMB levanta uma série de argumentos para defender seu ponto. Por exemplo: “Há de se ter em conta que as carreiras típicas de Estado, como são a magistratura e o Ministério Público, exigem de seus agentes privações e rigores, como a alteração frequente de domicílio, o dever de residir na sede de sua comarca, a dedicação exclusiva com proibição de exercício de outras atividades profissionais e a vedação de atividade político-partidária. Além disso, exigem a reserva social e a conduta social e pessoal irrepreensíveis, as limitações ao direito de expressão e a sujeição diuturna à fiscalização, entre outras”. Esses argumentos não resistem a um sopro.</div>
<div>Existe alguma carreira nesta vida que não tenha exija de seus “agentes privações e rigores?” Jornalistas não podem se candidatar a cargos públicos enquanto cobrem campanhas eleitorais. Não faz sentido que um executivo administre uma empresa residindo a 1000 quilômetros da sede da companhia. Mudar de casa várias vezes? Pergunte o que sofrem as aeromoças. Por fim, em diversas áreas da vida, é de se esperar que as pessoas tenham “conduta social e pessoal irrepreensíveis”. O que o presidente da AMB coloca como características sofridas da vida de juiz fazem parte da rotina de todos os trabalhadores e trabalhadoras do planeta. Seria muito engraçado, por exemplo, ler o artigo de uma aeromoça com o seguinte argumento: <em>&#8220;Os passageiros deveriam pagar, além da passagem, 10% de gorjeta (sobre o preço da passagem) para cada uma das pessoas que trabalham durante o vôo. A carreira aérea é muito sofrida. Não temos moradia fixa. Vamos dormir em São Paulo e acordamos em Bangladesh. Não temos tempo para as nossas famílias, para os amigos. Sem essa gorjeta, vocês sabem, é muito difícil se concentrar no trabalho. É muito difícil prestar atenção a itens essenciais. Segurança, por exemplo. A gorjeta seria um estímulo para que a gente prestasse mais atenção na segurança dos voos”.</em></div>
<div id="_mcePaste">Obviamente, acho que os juízes devem ser bem remunerados. Eles fazem um trabalho que dispensa comentários sobre a sua importância. Não existe país decente sem Judiciário decente. Não sei qual seria o salário ideal, o regime de previdência. O meu problema não é dinheiro, é o argumento para defender os salários altos e um determinando regime de previdência. O argumento do presidente da AMB é de gelar a espinha. Ainda mais quando a gente olha para o caso dos parlamentares ingleses e percebe que é possível manter a democracia funcionando com parlamentares ganhando tão pouco que precisam dormir no gabinete. Ou quando a gente pensa na semelhança entre o argumento do presidente da AMB e dos flanelinhas.  É bizarro chegar ao ponto em que o compromisso com o seu caráter e com a sociedade tenha de ser remunerado.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anivelde.org/thepompeiatimes/2010/07/05/os-piores-argumentos-do-mundo.htm/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
