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	<title>The Pompéia Times &#187; Palmeiras</title>
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		<title>Palmeiras, até breve</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 03:18:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Palmeiras permeia a minha vida mais do que deveria. Torcer para o time de verde e branco não foi uma escolha, no sentido de que eu me sentei em uma mesa, avaliei as possibilidades e escolhi o time que me daria mais benefícios, em forma de títulos e vitórias, a curto, médio e longo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Palmeiras permeia a minha vida mais do que deveria. Torcer para o time de verde e branco não foi uma escolha, no sentido de que eu me sentei em uma mesa, avaliei as possibilidades e escolhi o time que me daria mais benefícios, em forma de títulos e vitórias, a curto, médio e longo prazo. futuro. Longe disso. Optei pelo Palmeiras no mesmo ano em que o Palmeiras completou 17 anos sem ganhar um título. Meus colegas de escola zombavam de mim. Eu não estava nem ai porque o Palmeiras era mais do que o time de futebol. Na verdade, era um laço. O clube unia partes muito diferentes da minha família entre si, dava um sentido de todo. E continua sendo assim até hoje. O Palmeiras é como uma pessoa querida, aqueles tios que agregam a família. Mas, quando pessoas queridas começam a dar mancadas, muitas mancadas, é hora de dizer: ô, meu, assim não dá. E se ela continuar dando mancadas, ai não tem jeito. Têm de tomar um gelo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nos últimos anos, a trajetória do Palmeiras é errante. O clube consegue proezas inacreditáveis. Como perder para o Asa de Arapiraca na Copa do Brasil ou a vaga na Libertadores no último jogo, em casa, contra um time sem aspirações no campeonato. Ao mesmo tempo, passa por um processo acelerado de modernização. As cotas de patrocínio aumentaram, o sistema de relacionamento com o torcedor (bilheteria, lojas) melhorou, a administração não concede autoentrevistas, os times mudaram de patamar. Até 2006, o Palmeiras lutava para não cair. Hoje, briga pelo título. Ou brigava, não sei.  É imprevisível. Os fracassos e os sucessos, no Palmeiras, são irmãos siameses. Porque o Palmeiras é o time do presidente intelectual _que dá vexame dizendo que vai bater no juiz. O Palmeiras é o time que reabilita um jogador desacreditado, Obina, enquanto assiste à debaclê de um técnico supervalorizado, Muricy, e de um jogador incrivelmente desmotivado, Vagner Love. O Palmeiras é o time que tinha cinco pontos de vantagem sobre os concorrentes e perde para as equipes da zona do rebaixamento. O Palmeiras é uma ótima história, mas um tormento futebolístico. Tudo pode acontecer no Palestra Itália. O acaso tem um peso sobre o time que faz do Palmeiras um clube absurdamente humano.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Tal como acontece nas nossas vidas, aconteceria no Palmeiras. O Palmeiras teria dificuldades para encontrar o amor da sua vida. Faria análise. Seria parado na imigração do aeroporto. Falaria besteira. Se arrependeria. Teria problemas de relacionamento com o chefe. Beberia demais na festa da firma. Provavelmente, estouraria o limite de pontos da carteira e o limite do cartão de crédito. O Palmeiras daria muito vexame. Mas o Palmeiras não é gente. O Palmeiras é o meu clube de futebol e anda me dando problemas práticos ultimamente. Eu não consigo dormir com as derrotas fragarosas, meu humor muda, tendo a achar que derrotas do Palmeiras são sempre sucedidas por dias mais frios e mais gelados. Eu gosto muito do Palmeiras, mas vou ter de, pelo menos por enquanto, separar o Palmeiras da sua essência. Vou ter me convencer que o Palmeiras não é gente (vejam a que ponto chegamos) e, portanto, pode prescindir do meu apoio fervoroso por um tempo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Depois de um esforço sem tamanho, escrevo esse texto sem saber o resultado do jogo contra o Sport. Só vi o primeiro tempo, o que me motivou a escrever esse texto. Vou tentar me manter alheio ao resultado enquanto puder. Vou dar um gelo no Palmeiras para ver se ele se volta aos eixos, recupera a dignidade esquecida em algum canto do jardim. Embora não tenha muitas esperanças. Se bem que nem é esse o caso. Eu vou voltar para o Palmeiras logo, logo. Só que a prioridade, agora, é prática. Preciso dormir sem ter pesadelos com a cabeça-de-área, chuveirinhos para a área, passes errados, gols bestas no meio de campo. Não vai ser fácil. Vai ser mais difícil para mim do que para você, Palmeiras.</div>
<p>O Palmeiras permeia a minha vida mais do que deveria. Torcer para o time de verde e branco não foi uma escolha, no sentido de que eu me sentei em uma mesa, avaliei as possibilidades e escolhi o time que me daria mais benefícios, em forma de títulos e vitórias, a curto, médio e longo prazo.  Longe disso. Optei pelo Palmeiras no mesmo ano em que o time completou 17 anos sem ganhar um título. Meus colegas de escola zombavam de mim. Eu não estava nem ai porque o Palmeiras era mais do que o time de futebol. Na verdade, era um laço. O clube unia partes muito diferentes da minha família entre si, dava um sentido ao todo. E continua sendo assim até hoje. O Palmeiras é como uma pessoa querida, aqueles tios que agregam a família. Mas, quando pessoas queridas começam a dar mancadas, muitas mancadas, é hora de dizer: ô, meu, assim não dá. E se ela continuar dando mancadas, ai não tem jeito. Têm de tomar um gelo.</p>
<p>Nos últimos anos, a trajetória do Palmeiras é errante. O clube consegue proezas inacreditáveis. Como perder para o Asa de Arapiraca na Copa do Brasil ou a vaga na Libertadores no último jogo, em casa, contra um time sem aspirações no campeonato. Ao mesmo tempo, passa por um processo acelerado de modernização. As cotas de patrocínio aumentaram, o sistema de relacionamento com o torcedor (bilheteria, lojas) melhorou, a administração não concede autoentrevistas, os times mudaram de patamar. Até 2006, o Palmeiras lutava para não cair. Hoje, briga pelo título. Ou brigava, não sei.  É imprevisível. Os fracassos e os sucessos, no Palmeiras, são irmãos siameses. Porque o Palmeiras é o time do presidente intelectual _que dá vexame dizendo que vai bater no juiz. O Palmeiras é o time que reabilita um jogador desacreditado, Obina, enquanto assiste à debaclê de um técnico supervalorizado, Muricy, e de um jogador incrivelmente desmotivado, Vagner Love. O Palmeiras é o time que tinha cinco pontos de vantagem sobre os concorrentes e perde para as equipes da zona do rebaixamento. O Palmeiras é uma ótima história, mas um tormento futebolístico. Tudo pode acontecer no Palestra Itália. O acaso tem um peso sobre o time que faz do Palmeiras um clube absurdamente humano.</p>
<p>Tal como acontece nas nossas vidas, aconteceria no Palmeiras. O Palmeiras teria dificuldades para encontrar o amor da sua vida. Faria análise. Seria parado na imigração do aeroporto. Falaria besteira. Se arrependeria. Teria problemas de relacionamento com o chefe. Beberia demais na festa da firma. Provavelmente, estouraria o limite de pontos da carteira e o limite do cartão de crédito. O Palmeiras daria muito vexame. Mas o Palmeiras não é gente. O Palmeiras é o meu clube de futebol e anda me dando problemas práticos ultimamente. Eu não consigo dormir com as derrotas fragarosas, meu humor muda, tendo a achar que derrotas do Palmeiras são sempre sucedidas por dias mais frios e mais gelados. Eu gosto muito do Palmeiras, mas vou ter de, pelo menos por enquanto, separar o Palmeiras da sua essência. Vou ter me convencer que o Palmeiras não é gente (vejam a que ponto chegamos) e, portanto, pode prescindir do meu apoio fervoroso por um tempo. E é fervoroso mesmo: sou sócio do clube, pretendo continuar sócio quando voltar ao meu país e continuar indo aos jogos.</p>
<p>Mas, por enquanto, é hora de deixar a nossa relação em suspenso. Depois de um esforço gigantesco, escrevo este texto sem saber o resultado do jogo contra o Sport. Só vi o primeiro tempo. Vou tentar me manter alheio ao resultado enquanto puder. Vou dar um gelo no Palmeiras. Espero, sinceramente, que ele volte aos eixos, recupera a dignidade esquecida em algum canto do jardim. Embora não tenha muitas esperanças. Se bem que nem é esse o caso. Eu vou voltar para o Palmeiras logo, logo. Só que a prioridade, agora, é prática. Preciso dormir sem ter pesadelos com a cabeça-de-área, chuveirinhos para a área, passes errados, gols bestas no meio de campo. Preciso ir para a faculdade, encarar o vento gelado e a rotina longe das pessoas que eu mais amo sem pensar o dia inteiro que fulano ou siclano não consegue dar um passe de dez metros. Não vai ser fácil. Vai ser mais difícil para mim do que para você, Palmeiras. Olha onde você me fez chegar&#8230;</p>
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		<title>A nova camisa do Palmeiras é bonita. E um equívoco</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 00:59:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Depois da enxurrada de comentários neste blog, vamos falar de algo realmente interessante. O Palmeiras. A nova camisa azul é muito bonita, mas é um equívoco. Evocar as raízes italianas não faz sentido. O clube extrapolou os limites da colônia e ficou maior do que ela. Que raios significa a Cruz de Savóia para os descendentes do mosaico de nacionalidades que formou o país e escolheram o Palmeiras para torcer?  Que tipo de identificação os descendentes da terceira geração de italianos, como eu e alguns amigos, netos e bisnetos de quem saiu da miséria em que a Itália se encontrava no começo do século, têm com a decadente nobreza do Piemonte? A resposta para ambas é nenhuma.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Palmeiras angariou torcedores porque era a “Academia de Futebol”. Pelos jogadores habilidosos e polêmicos que encantam os jardins suspensos: Cesar Maluco, Edmundo, Djalminha, Kleber. A deferência à história do clube expressa na nova camisa caberia melhor em um museu e na galeria de conquistas, abertos a todos os torcedores, o que o Palmeiras, infelizmente, ainda não tem. Levar a família para conhecer a sala de troféus, como fiz recentemente, é se embrenhar em um baixio de burocracia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">São tempos difíceis para o Palmeiras: não tem a maior torcida nem é o maior vencedor da década. Vive cercado de desconfiança de que pode se recuperar e amealhar títulos. Mas evocar o passado, ainda mais na camisa, para amainar as frustrações do presente não é o melhor caminho. Um clube que sobreviveu à xenofobia, ao provincianismo e à pequenez que assolaram São Paulo durante a Segunda Guerra, inclusive com mudança de nome e ameaça de ter o estádio confiscado, consegue construir uma identidade renovada. E um dos caminhos é reforçar o time. E vencer o Brasileiro, cáspita!</div>
<p>Depois da enxurrada de comentários neste blog, vamos falar de algo realmente interessante. O Palmeiras. A nova camisa azul é muito bonita, mas é um equívoco. Evocar as raízes italianas não faz sentido. O clube extrapolou os limites da colônia e ficou maior do que ela. Que raios significa a Cruz de Savóia para os descendentes do mosaico de nacionalidades que formou o país e escolheram o Palmeiras para torcer?  Que tipo de identificação os descendentes da terceira geração de italianos, como eu e alguns amigos, netos e bisnetos de quem saiu da miséria em que a Itália se encontrava no começo do século, têm com a decadente nobreza do Piemonte? A resposta para ambas é nenhuma.</p>
<p>O Palmeiras angariou torcedores porque era a “Academia de Futebol”. Pelos jogadores habilidosos e polêmicos que encantam os jardins suspensos: Cesar Maluco, Edmundo, Djalminha, Kleber. A deferência à história do clube expressa na nova camisa caberia melhor em um museu e na galeria de conquistas, abertos a todos os torcedores, o que o Palmeiras, infelizmente, ainda não tem. Levar a família para conhecer a sala de troféus, como fiz recentemente, é se embrenhar em um baixio de burocracia.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 304px"><img src="http://globoesporte.globo.com/Esportes/foto/0,,21711296-EX,00.jpg" alt="Diego Souza e Wendell vestidos como típicos italianos. Desnecessário" width="294" height="241" /><p class="wp-caption-text">Diego Souza e Wendell vestidos como típicos italianos. Desnecessário</p></div>
<p>São tempos difíceis para o Palmeiras: não tem a maior torcida nem é o maior vencedor da década. Vive cercado de desconfiança de que pode se recuperar e amealhar títulos. Mas evocar o passado, ainda mais na camisa, para amainar as frustrações do presente não é o melhor caminho. Um clube que sobreviveu à xenofobia, ao provincianismo e à pequenez que assolaram São Paulo durante a Segunda Guerra, inclusive com mudança de nome e ameaça de ter o estádio confiscado, consegue construir uma identidade renovada. E um dos caminhos é reforçar o time. E vencer o Brasileiro, cáspita!</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 474px"><img src="http://www.crocerealedisavoia.it/images/stories/Ordinidinastici.JPG" alt="Cruz de Savóia. Para que, para quê..." width="464" height="338" /><p class="wp-caption-text">Cruz de Savóia. Para que, para quê...</p></div>
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		<title>O Palmeiras é boa literatura, mas uma experiência perigosa</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2009 21:16:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Palmeiras é boa literatura, mas uma experiência perigosa. O time mais vitorioso do século 20 é capaz de evoluções controversas e finais surpreendentes. As derrotas são inevitavelmente fragorosas, como Vasco 4 x 3 Palmeiras, Copa Mercosul, ou, mais recentemente, Atlético-MG 3 x 1 Palmeiras, último jogo do Campeonato Brasileiro de 2007. A conclusão que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Palmeiras é boa literatura, mas uma experiência perigosa. O time mais vitorioso do século 20 é capaz de evoluções controversas e finais surpreendentes. As derrotas são inevitavelmente fragorosas, como Vasco 4 x 3 Palmeiras, Copa Mercosul, ou, mais recentemente, Atlético-MG 3 x 1 Palmeiras, último jogo do Campeonato Brasileiro de 2007. A conclusão que espreita nas entrelinhas, bem amarrada por algum escritor maroto, se revela em lampejos soltos ao longo do enredo (um gol perdido do Alex Mineiro aqui, uma bola do Pena pela lateral acolá, um chutão do Caio Firula para a linha de fundo), difíceis de reconhecer antes de o árbitro soprar o apito e pedir a bola. Para o mal. E para o bem.</p>
<p>No dia 21 de maio de 1999, peguei uma van com alguns amigos e fomos para a cidade de Piracaia, no interior de São Paulo. A nossa viagem terminaria em um sítio, onde passaríamos um final de semana bastante divertido _mas eu estava aflito. Naquele dia, uma sexta-feira, o Palmeiras jogou contra o Flamengo pela Copa do Brasil. Eu sabia que as ondas do rádio fraquejariam diante das montanhas. Minha única preocupação era que o Palestra definisse a partida antes de o sinal desaparecer. </p>
<p>Acompanhei o jogo aflito e só desliguei quando o ruído se impôs. A partida estava empatada em 2 a 2, aos 30 minutos do 2º tempo, e tínhamos pelo menos mais 40 minutos de viagem. O resultado arrancaria o Palestra da próxima fase. O time precisava de mais dois gols. Emudeci.</p>
<p>Chegamos ao sítio e corri para a sala. Não tinha TV. O rádio não funcionava. Ninguém dispunha de um celular e a internet discada se resumia ao centro da cidade.  Apenas no outro dia, quase na hora do almoço, soube da vitória maravilhosa, conquistada nos minutos finais: Palmeiras 4, Flamengo 2.</p>
<p>Ontem, sai da redação aos 18 minutos do 2º tempo. Entrei no carro da editora e, infelizmente, não consegui escutar o jogo no rádio até chegar à portaria do apartamento. Coloquei o fone de ouvido e encarei os ecos da narração dentro do elevador. Atravessei o corredor. Abri a porta de casa e ouvi o narrador da CBN gritar: “Que golaaaaaaaçooooo!” Senti a espinha gelar até a expressão salvadora:  “Gol do Palmeiras!!!!!!!!!!!” Paro eufórico em cima do capacho e faço algo pouco habitual: berro. Depois do êxtase, entro em casa, olho para o chão e vejo uma revista. É a publicação bimestral enviada pelo clube (sou sócio do Palmeiras). A capa da revista é Cleiton Xavier, o autor do gol salvador. </p>
<p>Como disse o Marcão: assim, meu coração não aguenta.</p>
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		<title>Pierre e a elegância da destruição</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 04:19:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A elegância de Pierre e a arte, a elegância do desarme. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pierre é um incompreendido. Dono de um desarme preciso, ainda é visto  apenas como um bom cão de guarda, um Galeano com nome francês. Nada mais injusto, tanto com ele quanto com Galeano (que fez gols decisivos pelo Palmeiras, especialmente contra o Corinthians, na Libertadores).</p>
<p>Pierre foi o líder no quesito passes certos no Campeonato Brasileiro de 2008 e é um dos melhores neste arte no Campeonato Paulista. Quem acompanha futebol mais pelos estádios do que pela televisão sabe que vários dos ataques do Palmeiras começam com um passe do jogador. Ele se coloca soberano diante dos zagueiros. É um dos poucos atletas que fazem a torcida do Palmeiras, acostumada com os tempos da Academia de Futebol, comemorar um carrinho. Porque os carrinhos de Pierre não são destrambelhados. Guardam a elegância da destruição. A seu modo, Pierre lembra um soldado da Resistência Francesa. Yves Montand teria feito uma música a Pierre. </p>
<p>Ele passou por maus momentos em 2008. Ficou afastado dos gramados após a morte do filho recém-nascido e uma série de lesões. Jogou no sacrifício, fora de sua função. Tinha de se desdobrar em campo para marcar pelos atletas do meio e pela zaga remendada, que se acostumou a tomar goleadas no Brasileirão. Mas Pierre também saboreou o Paulista, o seu primeiro título com a camisa verde. Depois de Valdívia e Kléber, é a melhor contratação do Palmeiras na década de 2000. Nenhum jogador, com a exceção de Marcos, parece mais palmeirense do que Pierre. Foi o único que teve brios para desarmar o Ronaldo na partida contra o Corinthians. </p>
<p>Esta noite, contra o Sport de Recife, Diego Souza brilhou. Mas Pierre ganha o troféu Homem-Aranha: grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Vou ouvir Prokofiev em homenagem a Pierre.</p>
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		<title>O uniforme de Luxemburgo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 13:52:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Humberto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Palmeiras]]></category>

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		<description><![CDATA[O técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, não usou ternos nos jogos contra o Paulista e o Mirassol. Estava agasalhado com uniforme da equipe. Se eu tivesse fontes bem-informadas, próximas ao treinador, eu diria que isso significa alguma coisa. Como não tenho, registro e me resigno. Eu, particularmente, não me lembro da última vez que vi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, não usou ternos nos jogos contra o Paulista e o Mirassol. Estava agasalhado com uniforme da equipe. Se eu tivesse fontes bem-informadas, próximas ao treinador, eu diria que isso significa alguma coisa. Como não tenho, registro e me resigno.</p>
<p>Eu, particularmente, não me lembro da última vez que vi Luxa sem terno em um banco de reservas. Nem em 1996, quando o time fez mais de 100 gols em um Campeonato Paulista.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Palmeiras, 1999, Palmeiras, 2008</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 03:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Humberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas vezes, as coisas dão tão certo que a desconfiança grassa entre os de temperamento calejado. Mas, por enquanto, vou guardar a pulga na gaveta em vez da orelha. É hora de festejar. E esquecer a pulga, claro. Às vezes as coisas dão certo mesmo.   Foi o que aconteceu domingo, e nos últimos três domingos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas vezes, as coisas dão tão certo que a desconfiança grassa entre os de temperamento calejado. Mas, por enquanto, vou guardar a pulga na gaveta em vez da orelha. É hora de festejar. E esquecer a pulga, claro. Às vezes as coisas dão certo mesmo.  </p>
<p>Foi o que aconteceu domingo, e nos últimos três domingos, quando o Palmeiras venceu o São Paulo e por duas vezes a Ponte Preta e interrompeu um jejum de nove incômodos anos sem ganhar um título.</p>
<p>Ver cinco gols da janela. Depois, sair cantando &#8220;The Magical Mistery Tour&#8221; com os amigos, como fora combinado muitos anos antes daquele domingo, provavelmente em alguma noite igualmente fria mas muito menos alegre. Gritar &#8220;É campeão&#8221; com a sua irmã que fez aniversário no mesmo dia do título. Comemorar um título com os mesmos companheiros com os quais lamentou tantas desclassificações. Futebol amolece o coração. Futebol te faz colocar uma bandeira nas costas, se cobrindo com ela. E te tira as palavras quando o principal jpgador do seu time faz um golaço na sua frente.</p>
<p>Há nove anos, quando o Palmeiras ganhou a Libertadores, último título de expressão, eu não conhecia nenhuma das pessoas que estava comigo no domingo passado. Eu morava em Caieiras, ainda não queria ser jornalista, não sabia o que era namorar mais de três meses, ainda não fizera meu primeiro discurso em público (a timidez, para atos com mais de dez pessoas, só foi vencida em 7 de setembro de 1999), era ao mesmo tempo o nerd que jogava basquete, o rebelde filho da coordenadora pedagógica do colégio e me definia politicamente como &#8220;socialista não-petista&#8221;. Quando o Palmeiras ganhou a Libertadores, naquele junho gelado, a minha classe tinha sete garotos: dois palmeirenses, dois corintianos, dois sãopaulinos e um flamenguista. Eu e meu colega palmeirense penduramos bandeiras do Palmeiras pela sala inteira. Mais tarde, fomos para a aula de processamento de dados (eu fiz colegial técnico). Eu ainda não tinha começado a flertar com uma menina da minha sala: as conversas duraram nove meses e o namoro, três meses, bem depois do título, quando a fila já começara e eu ainda não sabia.</p>
<p>Naquela época, eu ainda não tinha lido Borges. Mas tinha feito a rapa em João Cabral, Lins do Rego, Carlos Drummond, Monteiro Lobato e em alguns livros de teologia. Eu continuo católico até hoje. Também ia pouco ao cinema, que ficava muito longe de casa. Teatro, nem se fala. Eu ainda não podia escrever dois parágrafos decentes em inglês. E estava fazendo um jornal pela primeira vez, de quatro páginas, diagramado no word e impresso em uma gráfica atrás da Igreja de Santo Antônio. Também nunca tinha feito um plebiscito contra a dívida externa, trabalhado em uma campanha política como secretário de organização e escrito em um blog. Internet mal tinha chegado na minha casa. Eu ia pouco a estádios, que também ficavam muito longe. Eu nunca tinha trabalhado. Passava algumas tardes de bobeira vendo o trem passar embaixo da montanha.</p>
<p>Esse texto me deixou muito sentimental. Aqueceu meu coração na madrugada mais fria do ano. É melhor eu parar por aqui. Minha pieguice está ficando incontrolável. E a chance de só eu gostar de ler esse texto é muito grande. Daqui a pouco eu vou acabar contando sobre a concha acústica de Caieiras&#8230;</p>
<p>Tomare que o Palmeiras nunca mais entre na fila.  </p>
<p> </p>
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		<title>Palmeiras e São Paulo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 23:53:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Humberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Palmeiras]]></category>

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		<description><![CDATA[  Este blog cede às fotos e publica com exclusividade imagens do vestiário do Palmeiras logo após o primeiro jogo com o São Paulo, depois do gol de mão de Adriano.   Ao centro, Valdívia. Com um enorme P no peito, o goleiro Marcos. Aos pés de Valdívia, o zagueiro Gustavo, que falhara no segundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;"><a href="http://thepompeiatimes.files.wordpress.com/2008/04/jair.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-15" src="http://thepompeiatimes.files.wordpress.com/2008/04/jair.jpg?w=228" alt="" width="228" height="300" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;">Este blog cede às fotos e publica com exclusividade imagens do vestiário do Palmeiras logo após o primeiro jogo com o São Paulo, depois do gol de mão de Adriano. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ao centro, Valdívia. Com um enorme P no peito, o goleiro Marcos. Aos pés de Valdívia, o zagueiro Gustavo, que falhara no segundo gol do tricolor.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;">O resultado é conhecido. Uma semana depois, o Palmeiras venceu o São Paulo e se classificou. Como eles não conseguiram tomar o estádio em 1942, tentam interditá-lo até hoje.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;">obs. Ao centro está Jair da Rosa Pinto, à direita dele o goleiro Oberdan. Quando tinha uns 10, 11 anos, comprei uma revista Placar sobre a história do futebol. Essa foto estava lá. Ela me fez gostar mais do meu time. Mais imagens históricas do Palmeiras neste <a title="Palestrinos" href="http://palestrinos.sites.uol.com.br/Galeria_Fotos/00-Indice_fotos.htm" target="_self">site</a>.</span></p>
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<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
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