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	<title>The Pompéia Times &#187; jornalismo</title>
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		<title>Dizem por ai que somos estúpidos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2008 02:36:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Humberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e Entretenimento]]></category>
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		<description><![CDATA[(O texto é um pouco longo, mas você, nerd amigo, vai encontrar motivo para se alegrar) Alguns dos meus amigos costumam dizer que os imbecis tomaram conta do mundo, proposição bastante razoável para quem trabalha com comunicação e é bombardeado diariamente por releases obtusos, notícias bizarras e telefonemas inoportunos. Tanto que tivemos a idéia de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(O texto é um pouco longo, mas você, nerd amigo, vai encontrar motivo para se alegrar)</em></p>
<p>Alguns dos meus amigos costumam dizer que os imbecis tomaram conta do mundo, proposição bastante razoável para quem trabalha com comunicação e é bombardeado diariamente por releases obtusos, notícias bizarras e telefonemas inoportunos. Tanto que tivemos a idéia de criar uma consultoria de bom senso, para aconselhar as pessoas a não tomar decisões estúpidas.</p>
<p>Soube hoje que Mark Bauerlein, professor da Universidade de Emory, nos EUA, acha a mesma coisa. A sua conclusão é que a geração a qual pertenço, os sub-30, é formada pelas pessoas mais estúpidas de todos os tempos. Ele lançou o livro The Dumbest Generation&#8221; (&#8220;A geração mais estúpida&#8221;), cujo subtítulo é bastante óbvio sobre o conteúdo: &#8220;Como a era digital embasbaca os jovens americanos e põe em risco nosso futuro. Ou, nunca confie em ninguém com menos de 30&#8243;. A tese de Bauerlein é que a tecnologia faz jovens e adultos estudarem menos e provoca a perda de memória cultural, já que os indivíduos recebem tantas informações sobre o presente que vivem em um moto contínuo (é a mesma tese de Umberto Eco), sem nenhuma ligação com o passado.</p>
<p>Claro que o fato de os mais velhos olharem para os mais novos com desdém não é nenhuma novidade. À medida que o tempo passa, vemos o mundo em que crescemos ruir aos poucos. A melhor proteção é atacar a prole recente, e alguns até fizeram piada com isso. Os tropicalistas (Gil, Caetano, Betânia e Gal) formaram os &#8220;Doces Bárbaros&#8221;. O diretor Denys Arcand olhou para a sua geração, alguns criados em 68, e fez um filme chamado &#8220;Invasões Bárbaras&#8221;. O problema é que, desta vez, até quem faz parte dessa geração acha que os seus pares são estúpidos.</p>
<p>O escritor francês Martin Page lançou, em 2002, aos 27 anos, o livro &#8220;Como me tornei estúpido&#8221; (no Brasil, foi publicado em 2005).  Conta a história de Antoine, um jovem de 25 anos que tenta desesperadamente se tornar obtuso. Ele chega à conclusão de que só os imbecis são felizes. Seu livro foi um sucesso, traduzido para mais de 19 idiomas. Leiam, é interessante. Mas hoje, aqui em casa, cheguei à conclusão de que ele está errado.</p>
<p>A internet, a abundância de informações, apenas permitiu que mais imbecis se expressassem. Antes, eles existiam, mas não tinham blogs, orkut. O mercado financeiro merecia pouca cobertura. O jornalismo falava de menos assuntos. A TV chegava a poucos lugares. O que existe é a sensação de que há mais imbecis. Eles sempre existiram. Em Caieiras, por exemplo, alguns amigos costumavam fazer algumas apostas entre si: ver a aula de matemática só de cuecas, colocar bombas de cloro no banheiro da lanchonete, encher de água o estojo de caneta do amigo mais bobo (isso tudo, claro, homens acima de 16 anos).</p>
<p>Eu acho, na verdade, que a tecnologia fez bem às pessoas legais. Nerds tímidos, como eu e alguns dos meus melhores amigos, tem agora espaço para falar internet afora e publicar livros desancando os imbecis. Talvez, no futuro, abrir consultorias de bom senso e tirar dinheiro deles.</p>
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		<title>A semelhança entre Roraima e Buenos Aires</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 04:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Humberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[índios]]></category>

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		<description><![CDATA[A reserva Raposa Serra do Sol. Quando eu era criança, índios e Peter Pan habitavam o mesmo planeta, a Terra do Nunca, onde viviam os ianomâmis, a Sininho, o Tio Patinhas, o Cebolinha e o Homem-Aranha. Quando cresci um pouco, lá pelos 10, 11 anos, vi um &#8220;Globo Repórter&#8221; sobre índios da Amazônia. Logo depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A reserva Raposa Serra do Sol. Quando eu era criança, índios e Peter Pan habitavam o mesmo planeta, a Terra do Nunca, onde viviam os ianomâmis, a Sininho, o Tio Patinhas, o Cebolinha e o Homem-Aranha.</p>
<p>Quando cresci um pouco, lá pelos 10, 11 anos, vi um &#8220;Globo Repórter&#8221; sobre índios da Amazônia. Logo depois chegou uma &#8220;Superinteressante&#8221; a relatar os índios gigantes, que pareciam jogadores da NBA e viviam no norte de Mato Grosso. Resolvi ler mais sobre índios. Ganhei um exemplar sobre as civilizações antigas. Achei os &#8220;maias&#8221; avançados, tentava imaginar como construíram os templos.</p>
<p>Quando vi uma família de índios, que vivem aos pés do Pico do Jaraguá, em São Paulo, tomei um susto. Era uma reserva sem muito charme. Lembro que uma das minhas tias dizia que sempre levava pães aos índios. Eu procurava as lavouras de subsistência e as tabas. Só achei gente vestida com farrapos.</p>
<p>A minha fase indígena logo passou. Voltou, brevemente, quando eu tinha pouco mais de 17 anos. Eram as comemorações sobre os 500 anos de descobrimento do Brasil. Eu lembro dos protestos dos índios transmitidos pela TV na Bahia e as professoras do colégio falando que, caso índios caíssem na redação do vestibular, seria de bom tom escrever que eles são os primeiros donos da terra do Brasil.</p>
<p>Roraima sempre foi uma incógnita. A gente sacaneia os norte-americanos por acharem que a capital do Brasil é Buenos Aires. Responda com honestidade: Boa Vista é a capital de Roraima ou Rondônia? Qual Estado era território até a Constituição de 1988? I </p>
<p>Hoje, o Jornal da Globo me mostrou a briga ente índios e governo de um lado, arrozeiros e políticos de Roraima do outro, por um pedaço gigante de terra chamado reserva Raposa Serra do Sol. O William Waack fala que não existe conflito entre brasileiros e índios, que somos todos brasileiros. Daí mostra o índio moreno e desnutrido e o arrozeiro gordo, mas castigado pelo sol, imigrante da pobreza gaúcha de meados dos anos 70.</p>
<p>Eu tenho a impressão que eu e o William Waack sabemos o mesmo sobre índios. Especialmente sobre índios e Roraima. Mas eu não dou opinião, o que ainda me confere certa dignidade.</p>
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		<title>Perguntas ao Juca Kfouri</title>
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		<pubDate>Fri, 02 May 2008 04:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Humberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro Juca Kfouri, na sua coluna de 1º de maio, na Folha de S. Paulo, você escreve que o Luxemburgo custa mais caro do que os benefícios que propicia. Pois bem, sou palmeirense, fiquei chateado com a goleada sofrida contra o Sport, no Recife, e também tenho lá minhas críticas ao Luxemburgo. Mas vou tentar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Juca Kfouri, na sua coluna de 1º de maio, na Folha de S. Paulo, você escreve que o Luxemburgo custa mais caro do que os benefícios que propicia. Pois bem, sou palmeirense, fiquei chateado com a goleada sofrida contra o Sport, no Recife, e também tenho lá minhas críticas ao Luxemburgo. Mas vou tentar ser justo. Só algumas perguntas, para igualarmos os pesos e as medidas.</p>
<p>1)Você escreveu no final do ano passado, no UOL, que o Valdívia já estava acertado com o São Paulo. Ele não foi. Você custa mais caro à Folha e ao UOL do que os benefícios que propicia?</p>
<p>2) No ano passado, no mesmo dia em que o Corinthians apresentava o Paulo César Carpegiani como técnico, sua coluna na Folha dizia que o Carpegiani nunca seria técnico do Corinthians. Você custa mais caro à Folha e ao UOL do que os benefícios que propicia?</p>
<p>3) Seu último furo foi compartilhado com o Bob Fernandes, do Terra Magazine. Era o inquérito da Polícia Federal sobre o esquema MSI/Corinthians. O Bob deu a história no site, no sábado, você publicou na Folha no domingo. Você custa mais caro à Folha e ao UOL do que os benefícios que propicia?</p>
<p>4) Você apoiou o governo Fernando Henrique Cardoso e a Lei Pelé, o governo Luiz Inácio Lula da Silva e o Aldo Rebelo. Se há governo, você começa a favor e termina contra. Você não acha que o leitor tem todo o direito de duvidar seriamente de um jornalista que erra tanto a avaliação? Você custa mais caro à Folha e ao UOL do que os benefícios que propicia?</p>
<p>5) Juca, qual foi a última história que você trouxe em primeira mão? Qual foi o último time que você acertou a ascensão ou a derrocada? Qual técnico tem o melhor esquema tático da atualidade? Com quantos técnicos você conversa por semana, como faz o Paulo Vinicius Coelho? Quantas horas por dia você passa ao telefone apurando uma história? Você custa mais caro à Folha e ao UOL do que os benefícios que propicia?</p>
<p>6) Se dentro de um ano o Ricardo Teixeira deixar a presidência da CBF para ceder seu lugar, digamos, ao Gerdau e a dom Mathias (abade do Mosteiro de São Bento), homens dispostos a profissionalizar e moralizar o futebol, sobre o que você vai falar? Você tem algum outro assunto para as colunas que não a moralização do futebol e um texto recheado de impressionismos irônicos? Você custa mais caro à Folha e ao UOL do que os benefícios que propicia?</p>
<p>É isso. Se algum dos selecionados leitores deste blog tiver o e-mail do Juca, por favor, repasse a ele as perguntas. Seria um prazer publicá-las aqui.</p>
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