Pequena definição sobre memória

“O passado só é bom porque a memória é generosa”, contou.

“Primeiro, ela apaga os acontecimentos desagradáveis. Quando isso é impossível, separa as sensações dos fatos. Finalmente, provoca o cérebro a seguir, sem perceber, a linha que o deixa cada vez mais indiferente e distante dos fatores que provocaram aqueles momentos desagradáveis. Quando tudo isso é impossível, ela apela e mente, com tanta convicção que muda os sinais. O que era ruim passa a ter valor. O que era bom fica ainda melhor. Aos poucos começa uma pequena migração dos sentimentos, que atrai para um passado que nunca existiu”, concluiu, enquanto me mostrava uma calça que comprara naquele domingo.

(pedaço de um texto que ainda está recebendo o telhado, o reboco e o piso)

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