Frei Betto, Yoani Sanchéz e o Copyright

Envelheçam, meus filhos, envelheçam, dizia Nelson Rodrigues aos escritores que corriam atrás dos seus conselhos. É impossível discordar. Envelhecer faz bem. A infância é a idade da ignorância. A adolescência, da estupidez. A juventudade, da superficialidade. Não há obra que preste feita de ignorância, estupidez e superficialidade. Os personagens saem caricatos. Os diálogos têm a profundidade das obras completas de Roberto Justus. O enredo é um amontoado de fatos que gritam, mais do que contam. Só que o envelhecimento cobra um preço. A sabedoria. Se a pessoa envelhece, tem de ficar esperta. Não apenas sobre ela, mas sobre o mundo ao redor. De que adianta conhecer o caminho se a pessoa vai sempre se perder no cruzamento?
É o que deve ter acontecido com Frei Betto, o tiozão da Sukita da esquerda brasileira. Ontem à noite, um dos meus amigos publicou no Twitter um link para um texto chamado “A blogueira Yoani e suas contradições”. Frei Betto, o autor, é um antigo defensor do governo de Cuba e nos conta de uma ilha onde não há moradores de rua, os cidadãos tem casa e comida, cantam e dançam como no filme “Buena Vista Social Club”. Mas não se trata do milésimo retrato idílico da ilha da família Castro de autoria de Frei Betto. O artigo serve, supostamente, para denunciar as contradições da blogueira Yoani Sanchez, do blog Generacion Y, que faz o que a maior parte dos jovens no mundo ocidental que tem um blog faz: fala de platitudes da rotina e critica governos, empresas e pessoas das quais não gosta. Normal, claro, para quem vive sob uma democracia.
Ditaduras sempre cedem diante de um dos sete pecados capitais: a vaidade. Não toleram críticas. A liberdade de dizer o que bem entende contra o governo é “reacionário”, “contrarevolucionário”, “inimigo do povo”. Ditaduras também não resistem à ira: punem com a cadeia ou linxamento moral seus inimigos. O artigo de Frei Betto nos conta de uma Yoani que não aguentou viver na Suiça e decidiu voltar para Cuba, insinua, sem provas, sem fatos, sem nada, sobre a existência de favores que ela supostamente estaria recebendo de pessoas e governos que estariam descontentes com o maravilhoso mundo cubano como se isso fosse um crime de lesa-pátria. Frei Betto tenta nos convencer de que Yoani Sanchéz é incoerente. É um excelente elogio. Democracias são incoerentes, são permeáveis às mudanças do tempo, democracias envelhecem e se renovam. Ditaduras, não. Elas são sempre muito claras sobre o que são e aonde querem chegar. Alguém tem de pagar um preço por toda essa coerência. Geralmente, os direitos civis.
O  artigo do Frei Betto é que ele não para em pé. É preciso ter estacionado em algum lugar dos anos 60 (e ter um bocado de boa vontade) para acreditar na Cuba descrita pelo frade. Quem é responsável pelas estatísticas de pobreza e desigualdade social de Cuba? Um turista pode viajar livremente por todos os cantos do país? Por que Cuba não permite que as pessoas tenham liberdade para sair do país, se são assim, tão felizes? De onde ele tira os dados que estão pendurados em seu texto? São cuidados básicos que o frade não toma. Ele prefere se juntar aos blogueiros governistas cubanos que estão promovendo o linxamento moral contra Yoani na rede. Parece voltar uns 40 anos no tempo para fazer piquete virtual contra os “inimigos da revolução”.
Frei Betto, tudo indica, não acompanha a explosão da internet. Apesar do cerco dos governos, as pessoas conseguem, sempre com muitas dificuldades, furar o bloqueio virtual. Se Cuba tivesse o dinheiro da China, provavelmente já teria construído seu grande “Firewall”. Como não tem, usa uma forma de censura meia-boca: o atraso tecnológico. Yoani pode escrever o que quiser _desde que ela consiga, claro, se conectar à rede. As pessoas ao redor do mundo, como mostrou o caso do Irã, não estão muito dispostas a dizer sempre “sim” ao governo de turno. O frade envelheceu, mas parece não ter aprendido com o passar dos anos. Exceto por um ponto.
A incoerência.
Frei Betto, do paraíso socialista, protege seu texto sobre o Copyright, essa invenção do capitalismo. Eis o que está escrito no seu pé biográfico: “Autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros. Copyright 2009 – FREI BETTO – É proibida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]”. É o único dos autores do site Adital que proíbe a reprodução do seu texto.  Bem vindo à democracia, Frei Betto.

Envelheçam, meus filhos, envelheçam, dizia Nelson Rodrigues aos escritores que corriam atrás dos seus conselhos. É impossível discordar. Envelhecer faz bem. A infância é a idade da ignorância. A adolescência, da estupidez. A juventude, da superficialidade. Não há obra que preste feita de ignorância, estupidez e superficialidade. Os personagens saem caricatos. Os diálogos têm a profundidade das obras completas de Roberto Justus. O enredo é um amontoado de fatos que gritam, mais do que contam. Só que o envelhecimento cobra um preço. A sabedoria. Se a pessoa envelhece, tem de ficar esperta. Não apenas sobre ela, mas sobre o mundo ao redor. De que adianta conhecer o caminho se a pessoa vai sempre se perder no cruzamento?

É o que deve ter acontecido com Frei Betto, o tiozão da Sukita da esquerda brasileira: veste a roupa da juventude, mas não esconde as rugas ideológicas. Ontem à noite, um dos meus amigos publicou no Twitter um link para um texto chamado “A blogueira Yoani e suas contradições”. Frei Betto, o autor, é um antigo defensor do governo de Cuba e nos relata uma ilha onde não há moradores de rua, os cidadãos têm casa e comida, cantam e dançam como no filme “Buena Vista Social Club”. Mas não se trata do milésimo retrato idílico da ilha da família Castro de autoria de Frei Betto. O artigo serve, supostamente, para denunciar as contradições da blogueira Yoani Sanchez. A autora do blog Generacion Y faz o que a maior parte dos jovens no mundo ocidental que tem um blog faz: fala de platitudes da rotina e critica governos, empresas e pessoas das quais não gosta. Normal, claro, para quem vive sob uma democracia.

Ditaduras sempre cedem diante de um dos sete pecados capitais: a vaidade. Não toleram críticas. A liberdade de dizer o que bem entende contra o governo é “reacionário”, “contrarevolucionário”, “inimigo do povo”. Ditaduras também não resistem à ira: punem seus inimigos com a cadeia ou o linxamento moral. O artigo de Frei Betto diz que Yoani não aguentou viver na Suiça e decidiu voltar para Cuba, insinua, sem provas, sem fatos, sem nada, sobre a existência de favores que ela supostamente estaria recebendo de pessoas e governos que estariam descontentes com o maravilhoso mundo cubano. Ele estranha até mesmo o fato de o blog de Yoani ter tradução para diversas línguas (talvez Frei Betto nunca tenha ouvido falar do trabalho colaborativo chamado Wikipedia). Frei Betto tenta nos convencer de que Yoani Sanchéz é incoerente. É um excelente elogio. Democracias são incoerentes, são permeáveis às mudanças do tempo, democracias envelhecem e se renovam. Ditaduras, não. Elas são sempre muito claras sobre o que são e aonde querem chegar. Alguém tem de pagar um preço por toda essa coerência. Geralmente, os direitos civis.

O  artigo do Frei Betto não para em pé. É preciso ter se abandonado em algum lugar dos anos 60 (e ter um bocado de boa vontade) para acreditar na Cuba descrita pelo frade. Como são feitas as estatísticas de pobreza e desigualdade social de Cuba? Um turista pode viajar livremente por todos os cantos do país? Por que Cuba não permite que as pessoas tenham liberdade para sair do país, se são assim, tão felizes? De onde ele tira os dados que estão pendurados em seu texto? São cuidados que o frade não toma. Ele prefere se juntar aos blogueiros governistas cubanos que estão linxando, moralmente, Yoani na rede. Frei Betto parece voltar uns 40 anos no tempo para fazer piquete virtual contra os “inimigos da revolução”.

Frei Betto, tudo indica, não acompanha a explosão da internet. Apesar do cerco dos governos, as pessoas conseguem, sempre com muitas dificuldades, furar o bloqueio virtual. Se Cuba tivesse o dinheiro da China, provavelmente já teria construído seu grande “Firewall”. Como não tem, usa uma forma de censura meia-boca: o atraso tecnológico. Yoani pode escrever o que quiser _desde que ela consiga, claro, se conectar à rede. As pessoas ao redor do mundo, como mostrou o caso do Irã, não estão muito dispostas a dizer sempre “sim” ao governo de turno. Elas estão mostrando por que a liberdade é um direito humano universal. O frade envelheceu, mas parece não ter aprendido com o passar dos anos. Exceto por um ponto.

A incoerência.

Frei Betto, do paraíso socialista, protege seu texto sobre o Copyright, essa invenção do capitalismo tão contestada pelos jovens de hoje. Eis o que está escrito no seu pé biográfico: “Autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros. Copyright 2009 – FREI BETTO – É proibida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]”. É o único dos autores do site Adital que proíbe a reprodução livre do seu texto.  Bem vindo à democracia, Frei Betto.

11 Comentários

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  • centenças

  • Gostaria que fosse respondida apenas uma pergunta: e4ra melhor aos tempos de Fulgenzio Batista?:
    Saudações

  • Camarada Betto non e mais que un agente castrista, un activista do comunismo internacional………. su palabra e desacreditada en todo o mundo por defender os crimenes do comunismo e castrismo. Agora ataca con mismas palabras que usa castrismo a una escritora de la libertad. Basta ya colaborador de asesinos, no hagas mas daño al mundo.

  • GRACIAS!!!

  • Uma das melhores discussões que já li.

    Parece que ‘até qu enfim’ as possoas conseguem gostar de Cuba como eu gosto, da música, da Cultura, do povo, mas discordar da ditadura velha e enclausurada e ainda dar votos a uma mulher que sabe se expressar e que acima de tudo sabe lutar por seu País.. que seja dito, não é de Fidel e sim do povo!

  • Conheci Yoani em Havana em 2008. Em uma frase, ela derrubou qualquer visão idealizada que eu pudesse ter sobre Cuba. “Estamos cansados de ser a utopia dos outros”, disse ela. Percebi ali que, felizmente, estava mais próximo dela do que dos ídolos envelhecidos de outrora.

    Aproveito a deixa para recomendar o material que fizemos em Cuba naquela oportunidade – uma série de entrevistas que retratam justamente essa parcela da população cubana com a qual nos identificamos (Yoani entre eles): http://www.garapa.org/desdecuba/site/

  • Belo texto, doutor

  • OS ERROS DE FREI BETTO
    Rudá Ricci
    Doutor em ciências sociais, diretor geral do Instituto Cultiva, do Fórum Brasil do Orçamento. E-mail: ruda@inet.com.br . Blog: rudaricci.blogspot.com

    Frei Betto acaba de escrever um artigo em que ataca a jovem cubana Yoani Sánchez. Betto procura desqualificar as críticas de Yoani ao regime castrista. Críticas que expõe em um mero blog, Generación Y (http://www.desdecuba.com/generationy/), que o leitor brasileiro pode provar um aperitivo com a coletânea de postagens que recentemente a Editora Contexto publicou em livro (“De Cuba, com carinho”).
    Principal argumento de Betto: ela morou na Suíça e implorou para voltar para Cuba. Argumento secundário: ela não posta em seu blog fotos de pobres e mendigos porque não há pobres e mendigos em Cuba. Como não tem outro recurso além do blog, Yoani não tem como se defender.
    Daí, fiquei intrigado até a medula. Não é estranho que uma blogueira cause tanto transtorno nos governantes de um país? Eu mesmo sou crítico a vários governos e nunca fui tolhido. Até Fidel chegou a citar Yoani no prólogo do livro “Fidel, Bolivia y algo más”, no mesmo tom adotado por Betto. E o blog de Yoani tem apenas dois anos de existência! Não seria sinal de problemas políticos sérios na Ilha?

    Desta dúvida emergiram outras.
    Não é estranho que um escritor brasileiro fique tão preocupado com uma blogueira que apenas posta notas na internet? Não haveria correspondência com o que o próprio Frei Betto disse, uma vez, sobre o governo Lula (que seria governo, mas não poder)? Yoani teria, enfim, mais poder que o governo cubano?
    Ou, ainda: o que Frei Betto queria dizer quando afirma que Yoani implorou para retornar à Ilha? Que é uma espiã? Que é incompetente? Que deveria ter ficado na Europa? Conheço a Europa e não gostaria de viver no Velho Mundo. Eles não têm nosso humor e se levam muito à sério.

    Obviamente que quem tem um mínimo de militância política sabe que a crítica de Betto não é apenas dirigida à Yoani. É dirigida à toda dúvida e crítica ao regime castrista. Nasce do medo à pluralidade na esquerda.

    Então, gostaria de fazer o inverso e abrir o debate com Betto. Entre duas pessoas de esquerda que acreditam em projetos opostos. Mas quero abrir este debate publicamente por motivos que exponho abaixo:

    1) Minha motivação é abrir um franco debate, pela esquerda, sem medo de ser feliz. Durante a abertura política, evitamos abrir publicamente nossas diferenças, que remontam às estruturas clandestinas e concepções vanguardistas dos anos 70, temendo que pudéssemos gerar alguma perseguição. Atacávamos quase que clandestinamente. Contudo, estamos mantendo por muito tempo o grande público neste silêncio que o rodeia, o que não parece ser nada transparente ou mesmo alimentar empoderamento. Este silêncio está se revelando nefasto para a democracia do país e principalmente para as organizações sociais de base que estão mergulhadas num profundo rebaixamento político e intelectual. Nada que se relacione com a fulanização do artigo de César Benjamin. Também não se vincula a nenhuma disputa entre partidos (não sou mais filiado a qualquer partido). Trata-se de debate político entre esquerdas e não de moralismos e ataques pessoais;

    2) A teoria etapista ainda viceja entre as esquerdas de alto coturno. O problema com esta velha e carcomida teoria é que o futuro é patrimônio de quem opera a evolução das etapas. O etapismo desconsidera os desejos individuais e o diálogo entre diferentes porque define, escatologicamente, o que deveremos ser. O etapismo não dialoga com a franca e aberta
    participação no controle das políticas e ações públicas porque se entrelaça com a tutela. Assim, o etapismo forja cidadãos de naturezas distintas: aquele que sabe o que deve ser o futuro (e não fala com transparência porque mede cada passo a ser matematicamente calculado) e aquele que terá seu futuro já prescrito revelado na hora certa, pelo primeiro cidadão. Parece algo nascido da compaixão pelos incautos. Mas é apenas arrogância política, elitismo, vanguardismo;

    3) Nos anos 80, Frei Betto criou um conceito rebaixado e estranho de “movimento popular”, que agregaria gregos e troianos. Não, se fossem só gregos e troianos não haveria problema. Ele agregou, num mesmo saco, movimentos sociais, entidades populares, partidos e sindicatos. Dizia que eram “ferramentas” da luta dos povos oprimidos. Como poesia, este conceito é até sedutor. Mas politicamente é um profundo equívoco. E perigoso.
    Explico: este conceito é o que criou o caldo de cultura para a partidarização de sindicatos e movimentos sociais brasileiros, ao longo dos anos 80 e nos 90. Porque se todos são instrumentos, e se na teoria marxista o partido é a expressão maior da organização dos que desejam a transformação (o restante estaria no plano da luta econômica, do
    interesse), obviamente que a noção de autonomia, fundamento da origem do PT, teria que desaparecer. Ora, este é o cerne da mudança do PT dos anos 80 para o dos anos 90 e atual. Porque a sociedade pode pensar que sempre foi o mesmo, com discurso oportunista no início. Mas não foi. Houve uma disputa surda que mudou o rumo original. Foi o renascer do etapismo num partido hegemônico da esquerda brasileira, tal como figurou quando o Partidão era hegemônico entre as esquerdas tupiniquins;

    4) Grande parte das lideranças sociais e sindicais do país tem origem nas organizações da igreja católica filiadas à Teologia da Libertação, que bebeu nos ensaios de Frei Betto. Hoje, o fruto colhido é a profunda partidarização e imenso desprezo das cúpulas pelo debate franco com a base social. À base caberia o didatismo e a paixão, já que os “de baixo” não teriam condições de compreender as manobras necessárias que envolvem os “de cima”. Uma espécie de leninismo revisitado onde não apenas a teoria viria de fora, da cúpula, mas tudo o mais que necessita ser prescrito. Aliás, os discursos são rebaixados. Recentemente, participei de uma mesa de debates com um dirigente da CUT que me deixou estarrecido. Ao apresentar esta crítica de como as centrais sindicais brasileiras são, todas, expressões de partidos, o dirigente da CUT afirmou que foi por conta dos outros partidos, porque a CUT sempre desejou tê-los unidos na central. Não é verdade. Basta analisarmos o que ocorreu no 4o congresso da CUT. Mas muitos sindicalistas sentados na platéia da escola sindical 7 de Outubro desconheciam os meandros das disputas de cúpula. O dirigente da CUT me travou, porque me colocou a responsabilidade de desvendar e desmistificar a história da CUT. Eu fiquei preso ao dilema de ser a Cassandra de lideranças sindicais honestas que me ouviam. Preferi me calar. E errei, percebo, agora;

    5) Enfim, Frei Betto tem direito de defender o regime castrista. Um regime centralizador, autoritário, que não respeita a pluralidade, que até então não respeitava a sexualidade de quem não era a imagem e semelhança da virilidade guerrilheira (e que agora começa a mudar com a firme posição de Mariela Castro em defesa da pluralidade). Um regime militarizado, assim como o chavista. Mas Betto deve confessar a todos este desejo de país. Sem apelar para argumentos aparentemente ingênuos de que em Cuba não há fome e todos estudam. Primeiro, isto não é verdade. Basta andar poucos quarteirões pelas ruas das cidades cubanas para ser atropelado por olhos esbugalhados que desejam algum gênero de primeira necessidade do estrangeiro. Segundo, o ser humano não vive apenas de comida. Vive de diversão e arte. E muito mais. Rebaixar a vida humana à condição de animal quase irracional não é projeto de esquerda. E nunca foi. Talvez, num momento de transição. Mas já se passaram décadas e tudo continua no mesmo lugar. Terceiro, porque Betto deve cuidar para não ser “diretor da consciência alheia” (este termo tão caro à Foucault), uma tentação ao acrescentar ao seu nome um título que remete à religião. Se deseja discutir um projeto político deve ter o cuidado de evitar esta tentação e colocar-se no mesmo andar que os que são mortais abrindo argumentos racionais;

    6) Assim, as diferenças entre projetos de esquerda em nosso país devem ser escancaradas. Devemos parar com esta pasteurização que desconsidera a inteligência da base social e de tantos militantes sinceros das lutas pelos direitos sociais. Esta infantilização do discurso, que encobre erros históricos que se acumulam e que deságuam, de tempos em tempos, na perplexidade sincera frente à escândalos e posturas sem nexo histórico, deveria acabar de imediato. Porque vivemos, hoje, lacunas na história tortuosa de várias organizações populares do país. Uma central que cria estruturas paralelas à oficial (os vários departamentos da CUT) e que centrava toda sua energia na organização no local de trabalho e que, de um dia para o outro, decide voltar-se para a conquista da estrutura oficial, ingressar em câmaras setoriais e esquecer a organização de base. Um partido que se organizava pela base, em núcleos e que adotava uma metodologia participativa para elaborar programas de governo e que, de um dia para o outro, contrata empresas de marketing para definir cores de gravatas e de livros-programas, se enredando em acordos pelo país afora que não são discutidos pelos militantes. Um governo que se inicia por audiências públicas discutindo o seu Plano Plurianual e adota equipes educacionais e comitês gestores (o controle social) do seu programa mais propalado, o Fome Zero, e que, de um dia para o outro, abandona audiências públicas e qualquer mecanismo de controle social. O que pensaram as quebradeiras de coco de babaçu e os militantes do semi-árido (a ASA) quando viram o programa de Lula e a transposição do São Francisco? Ficaram indignados, mas não entendiam onde se processara a mudança na cúpula.

    Por este motivo, Frei Betto errou e continua errando. Porque sabe de suas responsabilidades. E se deseja ao Brasil o controle sobre blogueiros no velho estilo castrista, é preciso que diga com todas as letras. Para que num futuro – que temo que se realize tal como os etapistas racionais planejam à portas fechadas – não sejamos surpreendidos e nem nos vejamos na extrema ignorância que nos levará a perguntar em que momento o destino tramou esta tragédia para os pobres mortais.

  • Conozco a fondo la vida de Yoani porque estoy escribiendo un Knol sobre ella:

    http://knol.google.com/k/yoani-s%C3%A1nchez#view

    El artículo de Frai Betto contiene muchas inexactitudes. Por ejemplo, dice:

    “Detalhe: o nicho Generación Y de Sánchez é altamente sofisticado, com entradas para Facebook e Twitter. Recebe 14 milhões de visitas por mês e está disponível em 18 idiomas! Nem o Departamento de Estado do EUA dispõe de tanta variedade linguística. Quem paga os tradutores no exterior? Quem financia o alto custo do fluxo de 14 milhões de acessos?”

    El blog de Yoani, Generación Y, está alojado en la empresa Strato. Strato es una de las mayores empresas de alojamiento de internet de Europa. Tiene 1,4 millones de clientes. Para darles un servicio eficiente, Strato tiene que disponer de un ancho de banda muy superior al de toda Cuba. Además gestiona 35.000 servidores y unos 4 millones de dominios.

    Ahora mismo Strato está ofreciendo alojamiento en la red a un precio de 1,5 euros por mes. Ese es el precio aproximado de mantener el blog Generación Y.

    Todos estos datos se pueden consultar en la página de Strato:

    http://www.strato-alojamiento.es/hosting/

    La página de Yoani se traduce a 17 idiomas de forma completamente gratuíta gracias a la colaboración de traductores que están repartidos por todo el mundo.

    En el siguiente link, Yoani explica como se puede lograr eso:

    http://youtube.com/watch?v=gXhNdyz76Oo

    Yoani dispone de miles de admiradores que están dispuestos a ayudarla en todo lo posible. Por ejemplo, el 3 de diciembre de 2009, Yoani pidió ayuda a través de Twitter para que alguién en el extranjero ayudase a un blogero cubano a subir a Twitter mensajes mandados por SMS. En pocas horas recibió más de 11 ofertas de ayuda de todo el mundo.

    Esto se puede comprobar consultando Twitter. Yoani tiene 18,110 seguidores en Twitter, por lo que no es nada raro que respondan rápidamente a sus peticiones de ayuda.

  • Ditadura é ditadura. Mané é mané.

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