11 de setembro de 2009
Os congestionamentos terrivelmente crus
“A autoestrada do sul”, conto do escritor argentino Julio Cortazar, descreve um congestionamento colossal no sul da França que se transforma, aos poucos, em uma comunidade de motoristas com ares de vila do interior. Como os veículos passam dias sem sair do lugar, aos pouco a irritação que acomete as pessoas presas a uma longa fila de automóveis cede lugar à resignação, ao companheirismo e, em alguns casos, ao flerte. As pessoas passam a viver em seus carros. Os congestionamentos de São Paulo não têm o mesmo charme de uma estrada francesa nem as doses de fraternidade de uma história de Cortázar. São terrivelmente crus.

Tem um conto do Luiz Fernando Veríssimo que ele fala do dia em que o trânsito de São Paulo vai parar e as pessoas vão começar a alugar seus carros para moradores. Kombi é mais caro.
Um congestionamento paulistano está mais para uma passagem do Inferno, da Divina Comédia.