O direito de ofender

Xuxa e Luciano Huck se comportam na internet como se estivessem diante de um abismo, em turismo de férias. Eles colocam as mãos em volta da boca e gritam alto, forte.  Então se viram de lado e esperam para ouvir a própria voz repetidas vezes. Só que a internet não é uma paisagem paradisíaca com ecos e nativos disciplinados, subservientes, personagens de uma historieta de conquistadores do século 18. Em vez do eco, Xuxa e Huck foram avacalhados por uma multidão de internautas.  Eles aprenderam que “sena” não se escreve com “s” e Brazilian é com “z”, não com “s” _ fora a sucessão de adjetivos e piadas. Os internautas não são mais ou menos educados do que as pessoas comuns. Eles são pessoas comuns que escrevem e sacaneiam pessoas comuns e famosos a partir de casa, do trabalho, de lan-houses. Eles se comportam na rede como se estivessem na casa deles, entre amigos, e se relacionam com comuns e famosos do mesmo jeito, sem deferência ou gritos histéricos. Na internet, todo nick é igual.
Os senadores, deputados e seus assessores poderiam tomar o exemplo de Xuxa e Huck. A rede não é jornal, televisão, rádio. Não é um instrumento, um mecanismo, um sistema. É a reprodução, em escala planetária, de comportamentos humanos antes restritos a botecos, vilas, encontros no ônibus ou no metrô. É um amplificador. Na vida real, as pessoas se ofendem, brigam, desafiam, ironizam as pessoas que estão ao lado delas. Na internet, elas fazem a mesma coisa com pessoas que estão a quilômetros de distância. As pessoas conquistaram o direito de se expressar em casa com xingamentos. De dizerem o que bem entendem quando bem entendem e sobre quem bem entendem. Quem não gosta pode ir à Justiça clamar seus direitos. Querem impedir que blogs manifestem preferência por um ou outro candidato é como impedir as pessoas de falarem de política em casa. Você pode fazer a lei. Ela não será cumprida.

Xuxa e Luciano Huck se comportam na internet como se estivessem diante de um abismo, em turismo de férias. Eles colocam as mãos em volta da boca e gritam alto, forte.  Então se viram de lado e esperam para ouvir a própria voz repetidas vezes. Só que a internet não é uma paisagem paradisíaca com ecos e nativos disciplinados, subservientes, personagens de uma historieta de conquistadores do século 18. Em vez do eco, Xuxa e Huck foram avacalhados por uma multidão de internautas.  Eles aprenderam que “sena” não se escreve com “s” e Brazilian é com “z”, não com “s” _ fora a sucessão de adjetivos e desaforos. Os internautas não são mais ou menos educados do que as pessoas comuns. Eles são pessoas comuns que escrevem e sacaneiam pessoas comuns e famosos a partir de casa, do trabalho, de lan-houses. Eles se comportam na rede como se estivessem na casa deles, entre amigos, e se relacionam com comuns e famosos do mesmo jeito, sem deferência ou gritos histéricos. Na internet, todo nick é igual.

Os senadores, deputados e seus assessores poderiam tomar o exemplo de Xuxa e Huck. A rede não é jornal, televisão, rádio. Não é um instrumento, um mecanismo, um sistema. É a reprodução, em escala planetária, de comportamentos humanos antes restritos a botecos, vilas, encontros no ônibus ou no metrô. É um amplificador. Na vida real, as pessoas se ofendem, brigam, desafiam, ironizam as pessoas que estão ao lado delas. Na internet, elas fazem a mesma coisa com pessoas que estão a quilômetros de distância. As pessoas conquistaram o direito de se expressar em casa com xingamentos. De dizerem o que bem entendem quando bem entendem e sobre quem bem entendem no metrô. Não há polícia de bate-papo. Quem não gosta pode ir à Justiça clamar seus direitos.  Impedir que blogs manifestem preferência por um ou outro candidato é como impedir as pessoas de falar de política em casa. Você pode fazer a lei. Ela não será cumprida. Simples assim.

6 Comentários

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  • Resumindo: você vai votatar na Xuxa e fazer campanha por ela em seu blog. Ah, safadão!
    (belo texto)

  • Oba, Leandro!
    Aqui podemos xingar? rsrsrs
    E xingando, continuaremos pensantes? rs
    Beijinhos,

  • Não, xingar não pode. Mas ofender é seu direito.

  • “As pessoas conquistaram o direito de se expressar em casa com xingamentos. ” (By Leandro)

  • Pois é. Direito é direito. Tanto que só eliminei os comentários com palavrões e ameaças de morte. Você pode atestar lendo os comentários nos posts sobre Manaus. O mundo é livre.

  • Atestei, Leandrinho, e acho belo você defender o que Voltaire também o fez…rs
    “Direito é direito. Tanto que só eliminei…” (Ops, censura? rs)
    Mas, para quem critica os xingamentos você meio que defende nesse post os feitos contra outrem…
    Dois pesos?
    Mudando um pouco de assunto… você gosta de jazz? Estou interessada em quem tenha links da dupla sueca Koop (jazz eletrônico)…rs
    Descontrair, sabe?! Aprendi durante a ditadura que algumas coisas não se discute (é claro que não concordo, mas em alguns momentos prefiro utilizar a dita…rs).
    Beijinhos,

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