Regras que eu não entendo, pratos que não comi
12h03
O vento frio e forte supera o casaco que faz algum tempo não saía do armário.Quero chegar logo ao trabalho, mas não posso. O sinal está verde, está para mim. Mas o policial do Deic não deixa. Não é uma birra comigo e com as minhas olheiras.Nem com a simpática senhora nas cadeiras de roda. Nem com outro senhor que deixou o Lapa/Socorro comigo. O policial do Deic pára todo o trânsito. Os policiais estão armados. Algumas viaturas passam correndo. A sirene alta. Alguma perseguição. O corpo gela, mas não é do frio. Qualquer barulho. Você sabe que, em um estalo, se instala o pânico. É o momento antes da bomba e do tiro.
Mas não tinha nenhum bandido. Era escolta de autoridade.
14h47
Peço meu almoço. Quero um “risotto ai funghi”. Um polpetone também.O garçom me explica que o polpetone vem junto com o prato de penne. Eu digo que tudo bem, eu pago por um polpetone o preço de um prato com polpetone e penne (a inflação dos alimentos não chegou a esse restaurante, e tudo é estranhamente barato). Mas quero risotto e polpetone. Meu prato vem à mesa. O risotto, ok. O polpetone, junto com o penne. Não adianta recusar o penne. O polpetone e o penne vêm colados. Uma peça só. Penne e polpetone. Há dias em que até sua comida se revolta.
