A mão que lê a Nova é a mesma que caleja

É público e notório que a Revista Nova é voltada para aquela mulher que é tão chata que não consegue manter um namorado por muito tempo, tentando, assim, pegar aquelas dicas de como segurar o seu (dela) homem através da ninfomania desvairada.

Da mesma forma, a Men´s Health, que só fala sobre como pegar garotas e ter uma barriga tanquinho, obviamente é destinada a adolescentes gordos que não pegam ninguém (eu fui um deles, diga-se). É a lei do jornalismo da Abril, é a lei da vida.

Falo (ups!) sobre a Revista Nova porque hoje confessei em pleno cafezinho pós-almoço que essa revista foi deveras importante para meu desenvolvimento púbere quando eu tinha lá meus 12, 13 anos. E que chuva de exclamações ocorreu quando confessei isso. Meus colegas engasgaram com seus respectivos cafezinhos, os engravatados das mesas ao lado me olharam de soslaio, atônitos, e até o garçom ensaiou um sinal da cruz em protesto.

Explico. Eu ia à biblioteca lá de Jundiaí, onde havia (há até hoje) uma estante repleta de jornais e revistas. Eu lia a maioria delas e confesso que minha vida mudou para melhor quando eu peguei uma Nova com uma daquelas manchetes ao estilo 462 maneiras de enlouquecer um homem através do sexo oral.

Porra, acho que eu nem sabia o que era sexo oral. Se me perguntassem à época, eu provavelmente responderia que deveria ser o tele-sexo que aparecia no intervalo da Sexta Sexy na TV Bandeirantes. E aí me caía no colo a Nova e seus pseudo-infografinhos ilustrados com fotos de casais se amassando e mulheres fazendo cara de “sou muito fodona na cama”. Foi pra mim uma janela para o infinito.

Meses depois, uma tia achava que a gente lá de casa tinha cara de entulho de revistas velhas e de tempos em tempos despejava uma porção delas no canto da sala. E acho que ela acertou, porque eu fuçava no entulho, tirava as Nova´s e me deleitava com as experiências sexuais das leitoras (que, posteriormente fui descobrir, eram muito mais legais no lendário Fórum da revista Ele & Ela).

Foi na Nova que descobri, por exemplo, a existência do Ponto G – na verdade ninguém descobriu até hoje se ele existe, mas foi a primeira vez que ouvi falar dele. A reportagem (hehe) tinha uma sexóloga (acho) como fonte a dizer que o homem achava o ponto G da mulher quando sentia como se “uma calda de chocolate quente caísse sobre o seu pênis”. Amigos, relembro até hoje com carinho o furor hormonal que senti ao ler aquelas mal diagramadas linhas.

Lembro de uma outra cuja tradicional chamada de capa sobre sexo trouxe algo como “257 posições sexuais para enlouquecê-lo na cama”, seguida de misteriosos parênteses: “(não deixe de tentar a 52)”. Abri, desesperado, o tal guia lacrado (era um guia lacrado) para saber como era a 52. E o resultado foi uma decepção, nada demais: algo como a mulher alternar, com alguma rapidez, lambidas no mastruço do cidadão e beijos na boca dele. Ou seja: um mistério enorme pra algo que deveria dar mais dor nas costas pra mulher que propriamente prazer.

Enfim, antes de ler a Nova, o pouco que eu sabia de sexo era que o homem tinha um cabinho, e a mulher, uma fechadura, e que ambos tinham que se encaixar pra se fazerem os filhos. Cresci lendo a Nova ao mesmo tempo em que lia umas Playboys e suas genéricas (e aqui, ressalta-se: a Sexy era muito mais legal). A Nova me ensinou como era o outro lado da coisa. Aprendi muito na teoria. Na prática, demoraria um pouquinho ainda, mas foi bem mais legal.

Longa jornada joelho adentro

Na manhã de 4 de abril de 2002, eu entrava no hospital 9 de Julho, em São Paulo, para fazer uma ressonância magnética do joelho esquerdo, possivelmente lesionado. Três dias depois, com o joelho inchado e urrando de dor, dei entrada no pronto-socorro de outro hospital diretamente para a internação. Tinham início os 44 piores dias da minha vida.

Essa é uma história de erros médicos, acima de tudo. O primeiro deles talvez tenha sido o do próprio exame. Há 10 anos, as ressonâncias magnéticas precisavam de uma injeção de líquido de contraste no corpo do paciente para que pudessem indicar o mapeamento do joelho. Apesar do procedimento padrão para desinfetar a região a receber o contraste, a injeção levou para dentro do meu corpo uma bactéria chamada Staphylococcus aureus, que imediatamente começou a comer as cartilagens do meu joelho.

Dois dias depois (um antes da internação), urrando de dor, fui ao pronto-socorro do hospital Edmundo Vasconcellos de madrugada. O plantonista disse, tirando o corpo fora, que poderia ser uma reação qualquer dentro do joelho, mandou tirar um inútil raio-X e pediu para eu marcar uma consulta com meu médico. Era, de fato, uma reação dentro do joelho: uma infecção. Ele me mandou de volta para casa. Eu poderia ter perdido os movimentos da perna ali.

No dia seguinte, no mesmo horário, a plantonista, mais preocupada em tratar que me despachar, pediu exames aprofundados e descobriu a infecção. Fez uma punção – ou seja, enfiou uma agulha – no meio do joelho e tirou seis seringas de pus. E me internou no próprio Edmundo Vasconcellos, hospital em que fiquei duas semanas.

No Edmundo, uma burocracia entre médicos relegava minha saúde a segundo plano. Eu tinha uma infecção no joelho, e, por ser no joelho, quem me tratava era o ortopedista, não o infectologista, como seria o normal. E o ortopedista me dava os antibióticos errados. Fugi do hospital duas semanas depois.

Na Beneficência Portuguesa, onde me refugiei, dois médicos, o infectologista Jacyr Pasternak e o ortopedista Valdo Lino Jr., deram um jeito na situação. Mas o veredito era difícil de aceitar aos 21 anos: eu iria perder o movimento da perna esquerda. Em uma situação extrema, eu poderia ter uma infecção generalizada e, daí, um abraço. Eu que era tão irriquieto, que não conseguia parar em casa e sempre procurava o que fazer, de repente me vi com um dreno acoplado ao joelho e sendo obrigado a ficar 44 dias dentro de um quarto, e cuja única atividade física era pegar a cadeira de rodas e ir de um canto ao outro no andar para ver o movimento na Av. 23 de maio, que era a vista que eu tinha nos dois hospitais nos quais fiquei internado.

Lembro de ver minha mãe aos prantos a cada conversa com os médicos enquanto eu me obrigava a engolir seco o que sentia pra ajudar a confortá-la. Vi meu pai envelhecer dez anos em um mês. Foram muitas situações muito difíceis que não convêm serem relatadas aqui, mas que por muito tempo estiveram presentes nas noites de pesadelo e que eventualmente ainda me procuram quando minha cabeça está virada de problemas.

No dia 23 de maio, depois de três cirurgias, toneladas de vancomicina, um cateterismo, uma hepatite medicamentosa, uma fadiga de veias e dez quilos a menos, eu deixei o hospital.

Por algum motivo, as bactérias acabaram por não destruir as cartilagens do joelho totalmente, caso que chegou, segundo o médico, a ser estudado em aula de medicina da Unicamp.

Não sei exatamente porque conto isso aqui, passados exatos dez anos. Talvez inconscientemente seja uma maneira de tentar ficar de bem com isso na minha vida – não que esteja ruim. Não seria um objetivo emendar aqui uma moral de fábula clichê, mas o fato é que sair do hospital tentando ser uma pessoa melhor não foi exatamente uma alternativa, e sim a única opção. Eu tinha que lidar com aquilo. Lidei. Sair melhor dessa experiência não foi uma vitória, foi apenas a consequência inevitável da causalidade que me assaltou. Quando tudo começou a voltar ao normal, a sensação era como em O resgate do soldado Ryan, quando o capitão dizia para o pesonagem do Matt Damon: Faça por merecer (o que soa muito piegas, é claro).

Desde que saí do hospital, raramente contei essa história a fundo, mesmo aos amigos mais próximos. Guardadas as devidas proporções, entendi um pouco aquela sensação do sujeito que volta da guerra e nunca mais quer comentar o que fez por lá. Essa foi a minha guerra particular, a que eu não venci – hoje tenho artrose e meu esqueleto se deteriora com certa força por conta das sequelas dos eventos de dez anos atrás. Outras cirurgias virão. A gente acha que não vai conseguir lidar, mas sempre consegue, até porque não existe outra opção. Meu joelho ainda me ensina muito sobre toda essa experiência a que chamamos de humanidade.

Dois sonhos

1. Urso Negro

Sonhei que fazia uma ponta em Cisne Negro. Não no filme, e sim no balé, mas o balé era mesmo com a Natalie Portman. Meu papel era basicamente ficar de cueca dentro de um box que havia no meio do palco. A um sinal de Natalie, quando ela virarava o cisne negro, eu ligava o chuveiro e tomava um banho. E era só isso. Tomei uns cinco banhos durante uma exibição de Cisne Negro.

2. Fernandão do BBB

Sonhei que estava assistindo a TV na casa da minha tia-avó. Detalhe: minha tia-avó morreu há muito tempo e a casa em questão já foi demolida há uns bons 20 anos. Mas era a casa e a tevê dela. É como se eu hoje estivesse vendo TV em 1985. Passava o TV Fama, que tinha uma repórter na balada a entrevistar… eu mesmo.

E a repórter perguntava pra mim:

– Como foi participar do BBB?

Minha resposta:

– Foi esquisito, porque os caras tiveram que me sequestrar pra me jogar lá dentro. Depois eu me acostumei e foi legal.

– E o que mudou na sua vida depois da fama, Fernando?, replicara a repórter. E eu:

– Não mudou muita coisa não, mas o que eu mais estranho é que as pessoas deixaram de me chamar de Vives pra me chamar de Fernandão do BBB.

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O medo é que meu inconsciente esteja me pedindo pra dançar balé ou assistir ao Big Brother.

Convém não mais sonhar.

Unidos do Caralho a Quatro é “Os Imperdoáveis” do samba-enredo

Os filmes western (ou filmes de farveste, como os denominava o meu avô) ouviram o chamado da História já no fim dos anos 1960 – e por “ouvir o chamado da História” entenda que entraram num processo de decadência que nunca mais foi revertido pelo cinema. Mesmo sem ninguém arriscando o gênero, por longos 20 anos os westerns passaram insepultos, numa espécie de coma cinematográfico, talvez à espera de alguém que os ressuscitasse e voltasse a investir naqueles caras durões que chegavam do nada, resolviam a parada, apaixonavam mocinhas virgens de família, e iam embora para o lugar nenhum, deixando um rastro místico pelas areias do vilarejo que normalmente tinha um nome em espanhol – algo como Los Ratos, Guadalupe Heights ou Puerto Peñasco.

Pois se havia uma perspectiva de ressurgimento do western, ela se dissipou totalmente quando Clint Eastwood dirigiu e atuou em Os Imperdoáveis. O ano era 1992, Clint já não era um mocinho e pegou cada pedaço do quebra-cabeça do western para montá-lo exatamente ao contrário.

Assim, ele é o protagonista do filme no qual, em vez de ser um cara durão, é um ex-bandoleiro regenerado pela mulher. Ele cria porcos (e toma olé deles) no quintal. As mulheres do filme não são as wasp´s loiras exemplares e trabalhadoras, e sim um grupo de prostitutas que tenta contratar o personagem de Clint Eastwood para matar um assassino que retalhou uma amiga delas. E a partir daí a trama se desenrola.

Ou seja, Os Imperdoáveis vira do avesso os pontos primordiais dos filmes de velho oeste. Reconstrói um filme do gênero negando-lhe os pontos pelos quais entrou para a História. O resultado: um clássico que fechou o caixão do western. Filme de bang bang hoje, quando existe, não tem nada a ver com aquilo mais.

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Os sambas-enredo nunca estiveram entre os tipos mais nobres de samba, musicalmente falando. No entanto, existem desde os anos 1940, provavelmente (me corrijam se estiver errado), e acabaram protagonistas do samba de avenida que vem a ser a marca registrada do carnaval brasileiro que, como você sabe, é o maior de todos os carnavais.

Os sambas-enredo tiveram grandes momentos. Cartola chegou a compor alguns deles nos primórdios da Mangueira. A Império Serrano em 1982 fez um desfile bem mais ou menos (dizem), mas o samba-enredo Bumbum Paticumbum Prugurundum levantou as arquibancadas e deu o título pra escola. Cinco anos depois, em 1987, foi uma temporada particularmente feliz para os sambas-enredo (meu pai tem o LP e o escutamos até hoje): a Imperatriz Leopoldinense homenageou Dalva de Oliveira com A Estrela Dalva, lindíssimo. A Mangueira tinha o Jamelão cantando Carlos Drummond de Andrade, e a Estácio de Sá cantava o Sapoti (“Que tititi é esse?”). Enfim, o carnaval era um momento especial para o samba.

Depois, a partir do fim dos anos 1990, toda aquela coisa de carnaval na avenida passou a ser pra gringo ver. É como querer visitar a Alemanha pra conhecer a Oktoberfest e, ao chegar lá, descobrir que a maior parte dos alemães acha aquilo um troço totalmente turístico que eles não curtem mais há gerações. Hoje, aquela história da comunidade empenhada o ano inteiro para um desfile perfeito no Carnaval já é quase parte do passado. Na tevê, tudo é plástico, mas quem manda é a Cacau Show patrocinando o samba-enredo sobre chocolate, Roberto Justus pagando para ser homenageado, essas coisas.

Na esteira disso, os sambas-enredo têm cada vez mais autores (geralmente, uns oito, dez) e estão padronizados, com ausência quase total de espontaneidade. Acho que o último samba-enredo bom pra valer do Rio de Janeiro foi aquele da Salgueiro de 1993. Não por coincidência, o samba minguou a partir dos anos 1980 assim como os filmes western o fizeram duas décadas antes.

Há muito que eu já deixara de apreciar escolas de samba, mas abandonei pra valer os desfiles quando ouvi, lá por 2005, o G. R. E. S. Unidos do Caralho a Quatro, sátira do falecido humorístico Hermes e Renato, da MTV.

A ideia foi genial: pegou-se um samba-enredo igualzinho a todos os outros, com as mesmas estruturas de rima, só que para falar de… caralhos. A canção começa pelo início, literalmente: “Desde os tempos mais primórdios, o caralho está aí”, o puxador grita, depois de soltar um ALÔ, TORCIDA CARALHENSE… CHEGOU A HORA!!!!!!!!!!!!!. E, no fim da primeira estrofe, até uma rima de com na Sapucaí desponta, este que é um dos grandes clichês de todos os tempos do samba-enredo.

G.R.E.S. Unidos do Caralho a Quatro é o Os Imperdoáveis do carnaval de avenida. Depois dele, é impossível levar a sério qualquer tipo de samba-enredo nos moldes atuais. O Hermes e Renato foi para a Record, virou Banana Mecânica e diz agora fazer um inexplicável “humor do bem”, mas devemos eternamente a eles pelo esculacho definitivo da expressão popular que se perdeu.

G.R.E.S. Unidos do Caralho a Quatro:

Primeiro Prêmio Cágado de Literatura

Simpatizo muito e considero salutar a realização de um prêmio que indique quais foram os grandes autores nacionais da última temporada, como é o caso do Prêmio Jabuti de literatura. No entanto, também seria de bom tom laurear os best-sellers-moleque, os best-sellers-arte, que são os livros ruins que a rapeize anda lendo por aí.

Daí que surgiu a iniciativa da criação do Primeiro Prêmio Cágado de Literatura, cujo resultado foi divulgado em primeira mão via twitter, com a apresentação especial do ator Nuno Leal Maia, ícone Caras Durões.

Os laureados estã0 abaixo:

Padre Marcelo leva o prêmio na categoria “poemas para email em PPT” pela obra Ágape. Premiação: uma atualização do Windows.

Gabriel Chalita é laureado com o prêmio na categoria “Ruim pra cacete” por conta do conjunto da obra. Premiação: dois reais.

 Spencer Johnson é o vencedor da categoria “Quem mexeu no meu queijo” com a obra “Quem mexeu no meu queijo”. Premiação: um queijo.

Zíbia Gasparetto fatura na categoria “Arquivo Morto” pelo conjunto da obra. Prêmio: uma sessão espírita.

Dr. Ray Hollywood leva na categoria “Homoerotismo marombado” com seu “Body by Rey” .  O prêmio: uma noite de amor com o Anderson Silva.

Carpinejar vence na categoria “Encheção de Saco nas Redes Sociais”. Premiação: uma conta nova no Orkut (LOTADO)

E o Prêmio Cágado de melhor literatura do ano vai para o jornalista e imortal Merval Pereira, pela obra O lulismo no poder. O prêmio: Um jantar na churrascaria com a Miriam Leitão.

 

Maiores informações e entrevistas de bastidores a qualquer momento numa rede social perto de você.

Steve Jobs e os deslumbrados pela Apple

Elogios após o anúncio da aposentadoria do executivo fazem dele quase um Moisés do mundo moderno, com os gadgets no lugar dos mandamentos

*Texto publicado aqui em 26 de agosto último, na ocasião da aposentadoria do chefão da Apple

Quando a notícia da aposentadoria de Steve Jobs percorreu a internet no fim da tarde da última terça-feira (24), faltou pouco para muitos applemaníacos estragarem seus ipads ao derramar-lhes as mais sentidas lágrimas. Steve Jobs, atualmente o mais cultuado homem de negócios do planeta, deixou o cargo de CEO da Apple para cuidar de sua saúde – aos 56 anos, sofre de um tipo raro de câncer de pâncreas e já passou por transplante de fígado.

Boa parte dos grandes portais do Brasil e do mundo trataram a aposentadoria de Jobs nas principais manchetes, o mesmo espaço que seria usado em caso de morte de presidentes de países importantes. A idolatria ao chefão da Apple também é endossada por comentaristas de tecnologia. Um importante (e, normalmente, acima da média) articulista do ramo declarou em seu blog que “Steve Jobs é o John Lennon” de nossa geração. Mais que exagerada, compare-se abacaxi com galinha.

Houve também quem dissesse que a aposentadoria é mais uma chance para Steve Jobs “se mostrar genial”, num caso clássico de tietagem mais próximo de fãs clubes do que de imprensa especializada. Outra frase pinçada: “Ao renunciar ao cargo, ele (Jobs) deu apenas uma demonstração de lucidez” e que a aposentadoria “traria nova dimensão à sua genialidade”. Lucidez em relação a quê é impossível entender, uma vez que o guru deixou o cargo exclusivamente por conta dos graves problemas de saúde pelos quais enfrenta.

Jobs é, de fato, um cara muito talentoso e isso não se discute. Ele fundou a Apple em 1976 e foi um dos responsáveis por diminuir o tamanho dos microcomputadores, fato que permitiu a invasão deste aparelho pelo mundo corporativo ainda nos anos 1970 e, a partir da década seguinte, as casas dos Estados Unidos e do mundo. A Apple quase faliu quando ele deixou a empresa, mas, com sua volta já nos anos 1990, ela se tornou referência com os Macintosh e, na última década, com os ipods, iphones e ipads. Hoje as marcas de aparelhos eletrônicos seguem sempre a tendência lançada pela Apple.

E esses não são os únicos fatores que fazem o ex-CEO ser retratado como uma espécie de Moisés do mundo corporativo, com seus gadgets no lugar dos mandamentos. Ele é bom no gogó e fez apresentações muito empolgadas no lançamento de seus produtos. Usa sempre as mesmas roupas pretas e tênis simples, vendendo uma imagem limpa e cool de si, a mesma que dá aos seus aparelhos.

O problema é que o gênio high tech também tem feitos discutíveis, o que foi amenizado (ou esquecido) nas epígrafes sobre sua carreira.

O primeiro é que, apesar da qualidade dos aparelhos que produz, a Apple vai exatamente de encontro às tendências open source da tecnologia atual. É como se você comprasse um carro de uma marca e fosse obrigado a comprar todos os equipamentos dele como bancos, rádio, pneus e combustível exclusivamente fabricados pela mesma marca. E só conseguisse comprar estes equipamentos nas lojas da fabricante do carro. A Apple é assim. Enquanto várias empresas concorrentes usam sistemas que, em parte, podem ser modificados e aprimorados por usuários, a Apple é totalizadora das tecnologias e dos direitos em usar seus sistema.

Os beatos de Steve Jobs também não falam que sua empresa mantém parceria com a fábrica taiwanesa Foxconn, terceirizada que produz os componentes da Apple. A Foxxconn virou notícia mundial por conta dos altos índices de suicídio entre funcionários no ano passado. Entre janeiro e maio de 2010, 16 empregados da fábrica tiraram a própria vida, a maioria dos quais se atirando do alto da sede da empresa. Como boa parte das fábricas da China e de Taiwan, a Foxxconn, segundo amplamente veiculado pela imprensa, tem uma gestão considerada militarizada, na qual os funcionários da linha de produção trabalham demais e ganham pouco, normalmente em condições aviltantes de trabalho. A Apple, assim como Dell, Nokia e Sony, que também terceirizam a produção com a Foxxcom, seleciona muito imprudentemente as empresas com as quais trabalha.

Parece que, de alguma forma, Steve Jobs tem outro mérito indiscutível: sua capacidade de fazer com que analistas de tecnologia se transformem em fãs e releguem a segundo (ou nenhum) plano os temas polêmicos de sua carreira. Talvez nem John Lennon tenha alcançado tal feito.

PR: de encosto aliado a ressentido ‘independente’

O cinismo como componente fundamental da prática política no Brasil seria ótimo tema para teses acadêmicas que aprofundam a história do País. Um capítulo exemplar para esta tese seria a saída do PR, o Partido da República, da base aliada do governo Dilma Rousseff. O PR parece ter o cinismo como uma espécie de mantra particular subentendido a cada movimento político que o próprio partido faz. Os argumentos utilizados pelos integrantes do PR para deixar a base governista na terça-feira 16 de agosto, após meses em que a opinião pública ainda digere os fatos, são, antes de qualquer coisa, cínicos.

Pincemos algumas frases. O senador Alfredo Nascimento (AM), um dos cabeças do partido e ex-ministro dos Transportes que caiu após o escândalo, declarou o seguinte: “Não fazemos política cultivando ressentimentos, mas também não abrimos mão da construção e manutenção de relações de confiança, respeito e lealdade junto àqueles a quem prestamos nosso apoio”. Ou seja: ele diz que não está ressentido para, logo depois, dizer que o governo não lhe é leal e que, por isso, deixa a base aliada. Portanto, está ressentido.

Mas o ressentimento é o de menos nesta história toda. Prosseguiu o senador Nascimento. “No momento que tais condições (a lealdade do governo) não mais se colocam como base do nosso relacionamento, entendemos ter chegado o momento de atuar com mais autonomia”.

Recapitulemos. A revista Veja publicou, em 2 de julho, uma denúncia de que funcionários graúdos do Ministério dos Transportes, então comandado por Alfredo Nascimento, cobravam propinas a empresas prestadoras de serviço, como empreiteiras e consultorias, para que tivessem uma ajuda na hora de disputar uma licitação. Segundo a denúncia, este dinheiro iria para o próprio PR nas mãos do secretário-geral do partido, o deputado Valdemar da Costa Neto (SP).

A presidenta confiou a um partido aliado um ministério importante para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de grande orçamento e também com grandes problemas para resolver. Na melhor das hipóteses, Alfredo Nascimento tinha um vasto esquema de corrupção sob o próprio nariz e não viu. Seu partido não foi leal ao governo que o colocou lá. Mas agora conclama a suposta ausência de lealdade do governo para deixar a base aliada.

As melhores declarações ainda estavam por vir. Alfredo Nascimento afirmou que o partido não aceita ser tratado como “aliado de pouca categoria” ou “fisiológico.” E que por isso deixa a base aliada do governo. Aqui o ex-ministro recorre novamente à inversão de valores: se o partido fosse ideológico, certamente se manteria na base aliada, emitiria um pedido de desculpas e assumiria o compromisso de expurgar seus componentes supostamente envolvidos nas propinas dos Transportes. Perder as tetas de um ministério e sair reclamando por conta disso é um comportamento clássico de fisiologismo político. O PR agiu como um cunhado chato que teve que dividir a mesma casa com o governo federal e, após aprontar todas, é convidado a se retirar e ainda sai reclamando que o governo não teve espírito de família.

A relação do PR com o Ministério dos Transportes não tinha nada de ideológica. Nem sequer é conhecida alguma estratégia do partido para este setor fundamental para o desenvolvimento do País – e aqui cabe uma crítica aos governos do PT, que raramente hesitam em alimentar a sanha voraz de aliados por cargos estratégicos importantes em nome da governabilidade.

Mas não podemos dizer que o PR, partido que surgiu da junção do PL e do Prona, seja um partido sem ideologia. Como boa parte de seus integrantes são da bancada evangélica neopentecostal radical, o partido adora destilar seu preconceito contra os direitos das minorias homossexuais.

O senador Magno Malta (ES) já declarou que a leia de criminalização da homofobia iria criar um “império homossexual” no Brasil. Seu colega Anthony Garotinho já fez chantagem contra o governo para que tirasse de pauta o kit homofobia, que buscava a conscientização escolar sobre os direitos homossexuais. Disse ele, no meio da crise envolvendo Antonio Palocci, em maio:  “Hoje em dia, o governo tem medo de convocar o ministro Antonio Palocci (então chefe da Casa Civil). Temos de sair daqui e dizer que, caso o ministro da Educação não retire esse material (kit de combate à homofobia nas escolas) de circulação, todos os deputados católicos e evangélicos vão assinar um documento para trazer o Palocci à Câmara“.

Como se vê, se a saída do Partido da República da base governista torna mais difícil a negociação dos projetos de Dilma no Congresso, também é verdade que o PR era um encosto moral na vida da administração federal. Longe das tetas do governo, é possível que o partido perca ainda mais relevância. O que, vamos combinar, não seria exatamente um desserviço à política do Brasil.

*publicado originalmente aqui.

Cem mil anos de putaria

O que aprendemos lendo História da Sexualidade, de Peters N. Stearns (Ed. Contexto):

– Na pré-História, a mulher muito gorda provavelmente era a preferida pelos homens. Gordura em tempos de caça, coleta e nomadismo significava boa saúde e disposição para se ter filhos.  Chegaram a esta conclusão baseando-se em gravuras e esculturas em calcário encontradas em diversas regiões do planeta.

– Já foram encontrados resquícios de tintas que serviam como espécie de batom feminino que datam de 70 mil a. C. – ou seja, uns 77 mil anos antes do auge da civilização egípcia. Aparentemente a idéia do batom é tornar a boca da mulher mais parecida com uma vagina, um sinal de disponibilidade sexual.

– Um mito da criação egípcia diz que o rio Nilo foi criado quando Atum (Atum!), o deus-sol, masturbou-se na água. O rio foi criado a partir de sua ejaculação. Também um mito sumério dá conta de que o sêmen de um deus encheu os rios Tigre e Eufrates.

– Nas tribos nômades da pré-História, as mulheres tinham poucos filhos e os amamentavam até por volta dos seis anos de idade – a amamentação tardia diminui quimicamente a probabilidade de a mulher engravidar novamente, o que era importante em tempos nos quais o homem era caçador e também a caça.

– Posteriormente, com o advento da agricultura e a necessidade de mão de obra em lavouras, a regra mudou: quanto mais filhos, melhor. A mudança do homem caçador/coletor nômade para o homem agricultor fixo talvez tenha sido a mudança de maior impacto na história da humanidade.

– Algumas tribos indígenas em Moçambique têm homens que se vestem de mulheres e utilizam seios de madeira. São tratados como mulheres e, para os nativos, têm poderes mágicos.

– Pesquisa realizada nos Estados Unidos dos anos 1940 mostrou que um quarto dos homens que viviam em áreas rurais daquela época já haviam praticado a zoorastia (ou zoofilia), ou seja, já tinham dado um tapa na peruca da cabrita no barranco.

– Para evitar a concepção, os gregos colocavam meio limão dentro da vagina da mulher pós ato sexual. No Egito, o mesmo ocorria com excremento de crocodilo.

– Alguns sacerdotes da Mesopotâmia usavam a prática do sexo anal como meio de conexão com os deuses.

– Nas regiões agrícolas em torno do Mar Negro, homens do povo tinham o hábito de beber urina de éguas prenhes para refrear seus hormônios masculinos e manter uma aparência menos máscula – uma aparência um tanto feminina tinha conotação espiritual.

– Previa o Código de Hamurabi, na Mesopotâmia: “Se alguém apontar o dedo para a esposa de outro alguém a acusando de adultério, mesmo que ela não tenha sido pega em flagrante com outro homem, ela deverá ser amarrada e jogada dentro do rio”. A ideia é que se a mulher fosse inocente, ela não se afogaria.

– A China Clássica produziu os primeiros manuais sexuais conhecidos, normalmente escritos através de expressões poéticas. O falo era simbolizado como a cauda do dragão celestial ou a haste de jade. O orgasmo era uma explosão de nuvens. A expressaão “dividir um pêssego” era metáfora do sexo anal.

– Por volta de 500 a. C., em Mileto (Grécia), surgiu uma manufatura de consolos feitos de madeira e almofadados. Eram usados por mulheres e homossexuais com azeite de oliva como lubrificante.

– Alguns filósofos gregos incentivam a prática da masturbação por acreditarem que era um gesto de autossuficiência.

– Em camadas mais abastadas da Grécia Antiga, havia o apadrinhamento homossexual: um homem mais velho e mais experiente pegava o filho de uma família nobre por volta dos 14 anos e o iniciava na vida sexual. Posteriormente, este mancebo se voltava para as práticas heterossexuais.

– Alguns escritores gregos louvavam a prática homossexual. Um chegou a exaltar atos homoeróticos como excelentes exercícios para o moral dos soldados. Zeus era retratado como alguém com forte interesse pelos efebos. Platão afirmava que era mais provável que o amor verdadeiro só era possíve entre dois homens, um mais velho e outro mais jovem, e não entre homem e mulher, porque dois homens poderiam misturar zeussexo e um melhor nível intelectual. Já Aristóteles incentivava a homossexualidade por acreditar que, com isso, as mulheres não tinham a oportunidade de ter poder em demasia.

– Na Roma Antiga, as relações homossexuais só eram permissivas se fosse entre um senhor e seu escravo, este último no papel passivo.

– Na Índia Antiga, o papel do sexo era central. Os indianos salientavam que o homem tinha a obrigação de saciar os desejos sexuais da mulher, bem como os dele mesmo.

Conclusão:

A permissividade da sociedade quanto ao adultério, castração, zoofilia e homosexualidade sempre variou conforme o povo. O que nunca mudou é que a mulher sempre se deu mal.

E descolorirá

Não tenho notícia de um só cidadão nascido nos anos 1970 e 1980 que não conheça a canção Aquarela, do Toquinho, nem que seja somente das propagandas de lápis de cor da Faber Castell.

Toquinho foi por uma década parceiro de Vinícius de Moraes. Juntos tiverem composições que estão na nata da MPB, como a Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, Regra Três e No Colo da Serra, entre outros – eu ia citar Tarde em Itapoan, mas me parece uma canção menor da dupla, apesar da fama. Acontece que nem a parceria com o maior letrista romântico da música brasileira fez tanto sucesso quanto a singela Aquarela, gravada em 1983, criada exclusivamente por Toquinho três anos após a morte do parceiro.

Aquarela é umas canção com um óbvio apelo infantil por enumerar pequenos desenhos criados através de traços com o lápis de cor, remetendo a uma sensação de felicidade ingênua que talvez só a própria infância e seus descompromissos com regras sociais e contas a pagar permite (crescer nos faz ter outras concepções de felicidade). No entanto, é uma canção que também carrega uma ideia de finitude que, na infância, é triste.

Explico. A canção possuei 12 estrofes, com as 9 primeiras rementendo ao jogo de cores e figuras geométricas. Mas as penúltimas dizem exatamente isso:

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar…

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá…

Ou seja, a canção tem uma noção de plenitude da vida que não parece ser exatamente coisa de criança. O futuro que não avisa a hora que chega e que ninguém controla, e a vida que temos que construir mas que um dia descolorirá.

Quer coisa mais triste pra uma criança dizer, por exemplo, que seus pais um dia vão morrer? A letra de Aquarela é genial justamente porque faz uma criança querer soltar a imaginação ao mesmo tempo em que estampa a finitude da vida, exatamente como é. Tem muito mérito esse Toquinho.

 

O assassino do Realengo venceu

Se as pessoas soubessem o quanto é difícil fazer jornalismo em um momento de pressão extrema como foi a última quinta-feira, dia da chacina do Realengo, certamente seriam menos críticas quanto aos erros de jornais e portais. É fácil falar enquanto os outros se matam de trabalhar, sem saber ao certo o que está acontecendo e tendo que tomar uma série de decisões delicadas em poucos minutos.

Não, não é fácil, mas também, por outro lado, há erros e erros. Boa parte da cobertura da imprensa cometeu deslizes que a gente insistentemente ouve que não é pra fazer. Há erros cometidos porque somos humanos e falhamos. Mas há também cláusulas pétreas que são atropeladas pelo calor de momento e medo de ficar atrás dos outros, sobretudo vindos de cima para baixo, das grandes chefias. Associo isso ao que chamo de síndrome do busão chegando no ponto.

Vou explicar.

Você que anda de ônibus regularmente já passou por isso. O bumba tá vindo ali, e todo mundo no ponto fica ouriçado. Só que a rua está congestionada, o busão tá a 50 metros do ponto, já dando seta pra encostar assim que o trânsito andar. Você pensa em ir até o ônibus antes de todo mundo pra garantir um lugar sentado, porque a galera vai subir nele em peso. Mas não, você quer exercer sua cidadania e esperar o ônibus no lugar que ele deve parar. Só que aí dois ou três sujeitos do ponto já saem correndo rumo ao ônibus, cujo motorista abre a porta. Então todo mundo, inclusive você, corre atrás para não ficar por último e ficar de pé dentro do bumba, se achando tão certinho quanto otário.

Na cobertura da tragédia da escola do Realengo, foi mais ou menos isso que ocorreu. Ouvimos insistentemente durante a faculdade que não se divulga carta de suicida nem se mostra cadávares, sobretudo assassinados, salvo circunstâncias extremas – é claro que se o presidente da República comete suicídio, é obrigação estampar a carta dele, como ocorreu com Getúlio Vargas, mas não era o caso do assassino da escola. Ao fazer isso, você dá a ideia a outros potenciais suicidas que estão vendo tudo pela TV. De quebra, passa a mensagem que o assassino gostaria que todos lessem.

E foi então que os diretores de redação de internet e TV se depararam com fotos do assassino morto e a carta de justificativa dele divulgada pela polícia – e veja só que merda de polícia é essa que joga a carta de despedida de um suicida para a imprensa como se fosse carcaça para tubarões. Eram os jornalistas no ponto se segurando pra não ir atrás do ônibus com os detalhes que garantiriam a audiência do mês inteiro. Não dá pra dizer que foi o primeiro a estampar a cara do suicida e manchetar a carta dele, mas o fato é que quase todo o restante foi atrás do ônibus. É como se um que descumprisse desse o aval para todos fazerem o mesmo, sob o risco de não ficar atrás – por fim, todos ficaram por baixo.

Outro ponto importante levantado pelo amigo Corazza é a divulgação da foto do assassino morto como se fosse um troféu (alguns sites com a cínica mensagem “imagem forte” no link). Sempre houve a norma de não se divulgar imagens do morto em respeito a ele. Só que, no caso, o monstro era um assassino, então mostra-se o que restou do corpo dele para saciar a sanha dos espectadores, que, embasbacados, diziam “bem feito, que se faça picadinho desse maldito”. Como se a regra não valesse para todo mundo, sem distinção.

Por fim, existe uma tradição em grandes tragédias que é chamar de jornalismo a arte de fazer fofoca com a vida dos que morreram, o que acontece a cada acidente aéreo, a cada catástrofe, a cada fato horroroso como a chacina do Realengo. Tal qual uma espécie de Revista Caras da morbidez, conta-se como era a vida de cada vítima, diz-se que a fulana queria ser bailarina, que o menino era fã do Ronaldinho, que a outra queria ser professora. Fatos não relevantes para ninguém fora do círculo de vida das vítimas, que apenas dão corda para os fãs do Datena permanecerem ligados na TV masturbando psicologicamente a tragédia ao longo do dia.

No caso do Realengo, o assassino Wellington Menezes de Oliveira venceu. Louco, queria cometer um assassinato em massa para compensar suas frustrações, ser conhecido, ter seu nome dito no Fantástico, ter sua foto na capa da Veja, ter sua mensagem ouvida pela imprensa inteira. Ele conseguiu tudo isso. No maior desafio de sua vida, o mais torpe, alucinado e cretino de seus desafios, ele venceu.

 

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