Cidadão Joel e o enigma Bidedu

Um espectro ronda o futebol mundial: o espectro de Joel Santana, técnico carioca da seleção da África do Sul.

Pra você que entende tanto de futebol quanto de criados-mudos de mogno, explico que Joel é um treinador não lá muito chegado em táticas nem em futebol-força ou futebol-arte, mas mesmo assim eventualmente consegue ressuscitar um clube carioca (geralmente o Flamengo) à beira do abismo para um título estadual, uma vaga na Libertadores ou, mais comum, fazê-lo com que não seja rebaixado à Série B do Brasileirão.

Há muitas teorias a respeito do sucesso de Joel Santana. A minha é que ele compensa a falta de tática com churrascos pra rapaziada e muita vela pro santo dele, o que lhe garante amizade e comprometimento de todos os jogadores, do craque marrento até o perna-de-pau ruim que dói, ganhando assim todos os polpudos bichos no fim do jogo – bicho é o bônus que os atletas ganham após uma vitória. A ajudinha do Além complementa a situação.

O fato é que agora o professor Joel está treinando a inóspita seleção da África do Sul, anfitriã da Copa do Mundo a ser disputada em um ano, e teve que aprender inglês nos últimos doze meses. O resultado, como esperado, é modesto, conforme trechos da entrevista que virou funk acima não deixam mentir.

No entanto, um fator enigmático, cabalístico – ouso dizer sobrenatural? – é a mais nova discussão do futebol mundial: o que Joel Santana quis dizer a 1:05 do vídeo acima com a frase “I don´t want to bidedu”? Bidedu está para o futebol mundial assim como Rosebud está para Cidadão Kane.

Dizem que Cristiano Ronaldo, antes de acertar os salários com o Real Madrid, perguntou aos dirigentes espanhois: “Afinal, o que é bidedu?”

Reza a lenda que Charles Müller, quando trouxe o futebol ao Brasil há mais de 110 anos, colocou a primeira bola no centro de um jardim de grama no Rio de Janeiro, gritou: “I don´t want to Bidedu” e chutou-a para o infinito.

No dia 16 de julho de 1950, quase 220 mil pessoas lotavam o Maracanã para ver Brasil e Uruguai decidirem o Mundial daquele ano. Foi quando Antônio Fagundes viajou numa máquina do tempo e se postou atrás do gol do brasileiro Barbosa e gritou o nome dele que o atacante uruguaio Alcides Gigghia marcou o gol que calou o Brasil, correu até o ator global e disse a ele: “Yo no soy Bidedu”.

Joel mais do que nunca, deu vazão ao mito. Bidedu vive. I don´t want to Bidedu.

7 Comentários

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  • Ta aí, exemplo de que não é só em português que os caras falam asneiras a respeito do jogo. Agora, o de Joel foi em dobro. Pelo que vi do jogo os jogadores na verdade jogaram ” tiu de front ande tiu de bihinde, e não de righti ande de lefiti como num jogo de pebolim. Essa história vai longe ainda.

  • hauhauhauahuahauhauha!
    Muito bom ter esse blog de volta. =)

  • “Esquema de pebolim” foi ótima!

  • Ah, o que posso dizer…I don´t want to bidedu, fazer o q?

  • Quebrei a cabeça loura tentando encontrar um verbo em ingles q pudesse ser esse bidedu.

  • Olha, pode ser algo como “I don´t want to be the dull” (eu não quero ser o burro)
    A pronúncia não bate, mas com uns acertos in de midiu frond berraind, tudo se resolve.

  • O Joel é o melhor técnico do Brasil… e não tem porque criticá-lo no inglês, pois ele mandou muito bem! A maioria dos brasileiros não falam inglês e tentam tirar onde de que falam fluentemente…. enfim, o tal “bidedu” que ele quis dizer no final da entrevista é “Bid adieu”, utilizado na África do Sul e Canadá pela influência do francês, que significa “goodbye”. Então, não critiquem sem antes saber o que é… a ignorância é a maior das arrogâncias.

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