Faculdade de Jornalismo é uma grande bazófia
Considero este tema bastante desgastado e não pretendia comentar o assunto, mas às vezes algumas bizarrices surgem e o fígado fala mais alto. O fato é que, embora eu odeie ter que concordar com Gilmar Mendes, o jornalismo – em sua estrutura, e não em sua importância – pode sim ser comparado a dos cozinheiros.
Vejamos: você pode fazer faculdade de gastronomia, mas, antes de qualquer coisa, pode ser um ótimo cozinheiro porque tem conhecimento e/ou habilidade para tal, sem ter feito faculdade para isso.
Se você quer bons argumentos contrários à faculdade de jornalismo, sugiro a leitura dos posts dos jornalistas Maurício Stycer e André Rosa, o Marmota. Eles pregam um curso de especialização para qualquer pessoa com um diploma universitário em mãos. Regulamentaria a profissão. Stycer e Marmota não deixam muito a complementar e humildemente assino embaixo.
Mas o que me incomoda no assunto é que o argumento mais comum a favor da obrigatoriedade da faculdade de jornalismo entre jornalistas é: “Então eu paguei mensalidade por quatro anos para ser comparado a um cozinheiro?” Ouvi isso qualquer coisa entre 80 e 90 vezes desde quarta-feira, quando o STF chancelou a escolha.
Primeiro é bom lembrar que um cozinheiro, tal qual o cachorro do ex-ministro Antônio Rogério Magri, também é gente. Aliás, cozinheiros podem ser ótimos jornalistas e vice-versa.
Segundo, este é um argumento puramente egocêntrico: EU me dei mal porque paguei quatro anos de mensalidade para nada. É verdade, eu, Fernando Vives, também me dei mal nessa, mas este é um problema puramente nosso.
Terceira, convenhamos, o que aprendemos bem na faculdade de jornalismo além das técnicas da profissão? Minha passagem pela Faculdade Cásper Líbero entre 2001 e 2004 está mais para uma compra parcelada do diploma do que propriamente para um curso superior. Se lá aprendi alguma coisa foi por conta dos bons professores jornalistas com quem tive aula (e cujo conteúdo deveria ser ministrado num curso de especialização, ou acabaria aprendendo de qualquer forma nas redações ), entre os quais o próprio e excelente Maurício Stycer, e os poucos professores de cultura geral que realmente tinham interesse em dar aula, contra a maioria de mestrandos e doutorandos que aguardam ansiosamente o mundo acabar em barranco para morrerem encostados com um livro do Claude Lévi-Strauss em mãos. E em praticamente todas as outras faculdades de jornalismo é assim.
No mais, as faculdades deste ramo só fazem levar a cabo o famoso lema cujo autor me foge: “Jornalismo é como salsicha: se todo mundo soubesse como é feito, ninguém leria mais jornal”. Eis mais uma frase para provar que jornalismo e cozinha realmente têm tudo a ver.
BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA
admito não ter me aprofundado muito no tema, mas fica esse post a coisa mais sensata que li sobre isso até agora.
boa, Bibes.
“Se lá aprendi alguma coisa foi por conta dos bons professores jornalistas com quem tive aula (e cujo conteúdo deveria ser ministrado num curso de especialização, ou acabaria aprendendo de qualquer forma nas redações ) e os poucos professores de cultura geral que realmente tinham interesse em dar aula, contra a maioria de mestrandos e doutorandos que aguardam ansiosamente o mundo acabar em barranco para morrerem encostados com um livro do Claude Lévi-Strauss em mãos.”
ISSO.
Quando eu tinha 17 anos eu, de fato, esperava com ardor que ficar sentada ouvindo o Edmílson ler um livro de antropologia fosse mudar a minha vida para melhor. Por isso, eu entendo que quem está neste momento na faculdade ache mesmo que isso vá fazer alguma diferença. *Eles* eu entendo.
Mas qualquer um que já pisou numa grande redação, que já fez jornalismo de verdade, ao lado de gente muito boa sem diploma, não pode levar a sério essa papagaiada. Cultura geral é importante, mas eu não aprendi nada disso sentada numa salinha ouvindo abobrinha de um professor de “Introdução a alguma coisa”. Quem acha que aprendeu teoria da comunicação com o Laan, de boa, melhor rever seus conceitos.
Uma coisa é ser a favor da regulamentação. Outra desse diploma que só serve para enriquecer faculdades caça-níqueis — nas quais eu incluo a toda poderosa Cásper Líbero — e para alegrar as nossas mães.
Não me arrependo de ter feito faculdade, pois foi através dela que eu me inseri no mercado. SÓ. Mas pessoas boas que se insiram de outras maneiras, em outros cursos, são MUITO bem-vindas.
(Também não me arrependo por que foi na faculdade que conheci o grande Fernando Vives e o vi dar seus primeiros passos nessa vida desregrada que hoje leva. Histórico.
)
Também acho que não é necessário uma faculdade de jornalismo. Mas, se for levar a ferro e fogo, muitas faculdades de humanas não precisam existir. Afinal, não é em sala de aula assistindo o professor que se aprende cultura geral, certo?
Mas, não pode mesmo qualquer um virar jornalista. É necessário alguma formação acadêmica. Jornalista não precisa ter diploma de jornalismo, mas algum diploma o cara tem que ter. Se não vai virar ainda mais o samba do crioulo doido…
Só acho que ninguém está fazendo a pergunta certa. Quem vai se beneficiar com essa história?
Geiza, de fato, penso que Relações Públicas, Publicidade, Relações Internacionais e tantas outras não têm muito sentido também, diferente do caso de História, Ciências Sociais, Letras, Filosofia e adjacentes.
Prof. Vives, por favor, responda-me:
Com o diploma de Jornalismo, o direito à cela especial continua valendo?
Eu consigo pensar em argumentos contra e a favor do diploma. O curso é mal estruturado e os professores são uns fanfarrões. Por outro lado acho q uma formação superior voltada pra comunicação é necessária. Acho q um curso de história, com pessoas com objetivos diferentes, não seria a mesma coisa. Talvez um curso curto de jornalismo de dois anos ou um, fosse o ideal.
Mas não consigo ver que vantagem o fim da obrigatoridade traz pros profissionais. Vantagem pras empresas tão picaretas quanto nossos professores, em compensação, tem várias.
Dando um exemplo pessoal e colocando em evidência esse mal-estar umbigóide do “eu perdi quatro anos da minha vida e paguei blablabla” você não só achou uma maneira diferente pra falar sobre o tema, como evidenciou uma reforma que tem que ser feita na sequência: o fim dos bacharelados específicos em cursos de comunicação.
O meu diploma nunca serviu pra nada (nem como titulação, nem como publicitário) e a sensação de vazio é imensa se eu pensar que poderia ter estudado alguma coisa de verdade por quatro anos. Que tivesse utilidade teórica e prática.
Depois, quando os pais obrigam os filhos a fazer direito, viramos paladinos da liberdade. Mas na real, essa indicação pra outros caminhos tinha que ter vindo do meu pai, já que eu tinha 17 anos quando quis fazer publicidade e qualquer escolha àquela altura daria em merda. Como deu.
Abraço
“Eis mais uma frase para provar que jornalismo e cozinha realmente têm tudo a ver.”
E basta essa.. hahahaha!
Vives,
Quer jantar comigo?
Eu cozinho!
Beijos na virilha!
Eu não acredito que fazer faculade esteja errado.
Pois para tudo na vida se precisa especialização.