O cachorro assado, as eleições e o “estado policial”

“Você comeu cachorro?” Quer ouvir essa pergunta pelo resto da sua vida? Fácil: passe um tempo na China. O país tem cinco mil anos, um bilhão e trezentos milhões de habitantes, 56 etnias, uma economia que beira o surrealismo kafkiano, mas o diabo do cachorro assado continua no “top 5″ das perguntas que se faz sobre ele na volta ao patropi. É até compreensível, vendo a forma como muita gente trata seus bichos de estimação em São Paulo. Seria uma espécie de canibalismo incestuosamente cruel.

“Mas o que isso tem a ver com as eleições?”, pergunta o arguto leitor. Alguém falou em eleições aqui? Ah, o título do post. Desculpem. Adiante.

Isso tem a ver com as eleições, sim. Porque a impressão deste humilde blogueiro é de que tem muita gente perguntando aos eleitores se eles já comeram cachorro. A começar pelos maravilhosos argumentos sobre política externa. Ulysses Guimarães, o aqualouco mais radical do Brasil, já disse: “O Itamaraty só tira voto no Burundi”. Mas a galera insiste. Insiste em impor uma “discussão” sobre Irã, Venezuela, Cuba… Moçada, desculpa decepcionar, mas a maioria esmagadora do país não tá nem aí pra isso. Deveria estar? Não sei. Um agricultor do interior do Paraná – que sabe exatamente o que plantar na sua terra quando começa a esfriar – vale menos porque não sabe quem é Raúl Castro?

A desfilar na passarela da argumentação besta, temos ainda o “bolsa esmola”. Dar uns trocados pra essa gente é estimular a vagabundagem, certo? Afinal, se o sujeito não tem o que comer, o governo não tem nada a ver com isso. O importante é que essas pessoas continuem no Nordeste e não venham para cá “inchar as cidades” – sim, a choradeira contra programas sociais tem, no fundo, um ódio de morte aos estados mais pobres. Mas também não queremos dar dinheiro pra eles pararem de trabalhar. Afinal, com 70 pratas o sujeito que sustenta uma família inteira pode parar de trabalhar. É, praticamente, um magnata. Mais uma vez, coisa que quem não conhece nada de boa parte do país onde mora. E menospreza qualquer cidadão do Brasil que não tenha padrão de vida parecido.

E aí temos o “estado policial”. Pouca gente sabe direito do que tá falando, mas repete a cantilena de que estamos em um “estado policial”, sem liberdades, sem direitos, sem respeito. Mentira da grossa. Já me perguntaram muito sobre o cachorro assado, mas poucos perguntaram como é viver em um “estado policial”. É ruim pacas, amigos. Tão ruim, mas tão ruim, que não perde dinheiro quem apostar na maravilha que seria pra uma certa parcela da população brasileira. Mendigos? Tiramos da cidade à força. Ladrões de carteira? Pena de morte. Direitos humanos para prisioneiros? Nem a pau. Migrantes “inchando as cidades”? Não, é proibido por lei e tem verificação policial. Sentiram como o pessoal que brada contra, na maioria, adoraria viver em um verdadeiro “estado policial”?

4 Comentários

Assine o feed RSS dos comentários deste post.
  • Boa noite… com todo respeito… só tenho à dizer que p mim a única coisa que tem de engracado nisso tudo é as pessoas terem a coragem de votar em um palhaco como é o caso do tiririca… francamente até qdo qdo vamos ter palhacos no palco de piadas que é a politica… ? Qdo vamos procurar um emprego todos avaliam nossa postura, nossa experiencia, enfim, agora pq que na politica é diferente? Não estou aqui p julgar a pessoa do Tiririca que sem dúvida é muito querido e tem muito conhecimento, estou aqui para manifestar minha indignacao para com os eleitores que à cada dia que passa contribuem para que esse tipo de coisa aconteca… é um absurdo meus fihos pagarem por uma decisao tao cretina por parte do povo que prefere reconlher papel na rua por sua falta de opcao de candidatos e escolher em quem vai votar na hora sem nem mesmo pesquisar a vida do candidato e suas propostas….. aliais alguem já pegou por exemplo a proposta de um dos candidatos que vc mencionou que quebrou a fuca p verificar a importancia da plataforma e do pensamento dessa pessoa? Tem um exemplo de um candidato que se chama Lima Babalu que muito me interessa… que é o apoio que ele esta dando as gestantes e as mulheres no geral…. mas é claro é dificil para algumas pessoas darem valor à pessoas que estao escondidinhas, querendo fazer nosso pais, nosso estado ou somente nosso bairro mudar…. fazer o que… é facil criticar o dificil é reconhecer a capacidade e a boa vontade em fazer a diferenca… é mais facil votar naquele que todo mundo conhece, p mim isso se chama, falta de responsabilidade, criatividade….. aqui fica só uma observacao ao eleitores!!! Agora que fizeram essa grande escolha e elegeram um palhaco é só aguentar o espetáculo e a tiracao de sarro!!! Parabéns povo brasileiro!!!!! Deixa eu rir para os palhacos nao perderem a graca!!! kkkkkk

  • Thanks for sharing O cachorro assado, as eleições e o “estado policial” – Prêmio Osso with us keep update bro love your article about O cachorro assado, as eleições e o “estado policial” – Prêmio Osso .

  • Kudos to that!

  • I was very pleased to find this website. I wanted to thank you for your time for this excellent post!!

1 Trackback

Comente

Seu email não será exibido. * Campos obrigatórios

*
*
*