Alborghetti no purgatório
Outro dia, ninguém perguntou pra mim “pô, você ainda mantém aquele blog?”. Putz, o blog. O tempo tá escasso (mentira, eu vou é pro boteco quando devia estar escrevendo) e o ânimo tá complicado (verdade. Você entenderia se estivesse nesse calor senegalês que faz em Salvador, Bahêa). De qualquer modo, abandono mais uma vez a Genivalda – minha rede – e vamo que vamo.
O fim do ano na capital baiana está interessante. A temperatura esquenta a cada minuto que passa. As emissões de gases-estufa, pelo que percebo, são fichinha perto das emissões da fumaça de dendê das barracas de acarajé. O Bahia comemora a permanência na Série B, o Vitória comemora a permanência na zona da Sul-Americana, os motoristas de ônibus comemoram a permanência no lado de fora de um hospício e por aí vai… Mas não era disso que eu ia falar.
Quero fazer, aqui, uma homenagem a Luiz Carlos Alborghetti, morto hoje na bonita e joiada capital paranaense. Enquanto muitos xingam, não sem razão, o grande Dalborga (apelido auto-atribuído, uma mistura de “dom” e “Alborghetti”), parto para a defesa de um dos aspectos fundamentais deste grande comunicador – adoro essa palavra.
Alborghetti era uma das coisas mais engraçadas de toda a baixa mídia brasileira. E da alta também. Era um trapalhão sem igual na categoria “reacionários-que-perdem-a-modéstia”. Se não, vejamos como Dalborga noticiou o surgimento do ET de Varginha, parente do vice-presidente de Juiz de Fora:
Assistiu ao vídeo? Pois bem. Agora, imagine um sujeito do naipe de Diogo Mainardi fazendo isso. Impossível. Falta-lhe a fibra. Aquilo que ele faz em suas – vá lá – colunas é um arremedo de ironia, com traços inconfundíveis de babaquice arrogante. Não chega perto de uma coisa dessas, aqui, ó:
No caso acima, Alborghetti consegue, em uma tacada só, dar mal a notícia, assassinar Ary Barroso e divertir as massas com humor de qualidade duvidosa. O tal CQC não faz nada muito diferente. Em certa altura da carreira, Dal assumiu seu lado Milton Neves e resolveu aceitar uns merchans pra tirar “uns cascaio”, como diria seu discípulo mais famoso, Carlos “Ratinho” Massa:
Para encerrar essa chonga, vamos tentar evitar xingamentos de leitores nos comentários. Dalborga era um reacionário miserável? Sim, claro. Defendia pena de morte e outros absurdos? Sim, defendia. O que pensava Alborghetti não era importante, nunca foi, nunca será. Agora, raciocinem aí: tou errado quando acho mais engraçado ver Alborghetti cantando Aquarela do Brasil do que um episódio de Zorra Total? Eu pergunto, Dalborga responde:
vender maconha, sua capivara?
Adoro como ele vende chá como se estivesse falando sobre a “vadia” do último clipe. Impagável