A marolinha de dioguinho

Diogo Mainardi cometeu um texto peculiar. Tá, isso não é muita novidade, mas vamos adiante. O sujeito, agora, publicou um libelo pró-waterboarding (a tortura com simulação de afogamento usada pela CIA). Mas não é um escrito qualquer. Vejamos:

“Essa foi uma das técnicas de interrogatório empregadas por agentes da CIA contra os terroristas da Al-Qaeda – a técnica do afogamento.”
Terroristas. Todos os interrogados pela CIA, TODOS, são terroristas. Não sou ninguém para duvidar de Diogo Mainardi, muito menos para colocar em questão os métodos utilizados pelos humanistas da agência de inteligência norte-americana, mas algo aí me soa muito estranho para quem vive a defender o “estadodemocráticodedireito”.

“Barack Obama está certo: é tortura. Uma tortura mansa, dócil, amena, tanto que alguns jornalistas se submeteram espontaneamente a ela. E se um jornalista encara o sofrimento, é sinal de que qualquer um pode encará-lo.”
Usar os adjetivos “mansa”, “dócil e “amena” para qualificar “tortura” é sinal de uma mente, digamos, excepcional. Mas Diogo tem mais para você, caro leitor. Ele aproveita para tirar uma casquinha da profissão que lhe dá asco, nojo, pavor: o jornalismo. Afinal de contas, jornalistas são fracos, canalhas, baixos e pouco resistentes ao sofrimento. Ao contrário dos pseudo-cineastas, fortes, impávidos e opinativos, prontos para encarar tudo o que a vida lhes reserva sem abaixar a cabeça ou fugir para a Europa com o dinheiro do papi.

Aliás, aqui está um vídeo de um dos jornalistas que se submeteram ao waterboarding para, sei lá, tirar um barato, segundo Mainardi. A diferença é que, para os terroristas, os torturadores não dão essa boiada de “podemos parar quando você quiser”.

“(…) é mais imoral torturar um terrorista ou permitir um atentado? Porque esse é o melhor argumento usado por Dick Cheney”
Bom, dizer “o melhor argumento usado por Dick Cheney” é como dizer “o melhor jogador de bridge da ilha dos Açores e região”, mas vamos em frente.

O parágrafo seguinte, inteiro, é uma piada de mau gosto. Mainardi baba o ovo da CIA por torturar um sujeito 183 vezes, dizendo que “deu resultado” porque ele dedurou 17 outros fanáticos religiosos islâmicos que pretendiam realizar uma “nova onda” de atentados nos EUA. Acontece que Khalid Sheikh Mohammed confessou participação em TRINTA E UM planos terroristas, segundo a transcrição de seu julgamento. Desde um complô para tentar matar o Papa João Paulo II até explodir baladas na Tailândia, bota tudo na conta do Khalid. E tudo o que Mainardi conseguiu para defender a tortura foram 17 malucos que, como quase todos os malucos do mundo, queriam explodir alguma coisa nos EUA. Mansa, dócil e amena a conclusão do caro colunista.

“Os interrogadores da CIA foram comparados aos torturadores de Pol Pot. Do mesmo modo que a guerra no Iraque foi comparada às Cruzadas, Gaza foi comparada ao gueto de Varsóvia e a crise financeira do ano passado foi comparada à de 1929. Nós estamos numa era de embustes históricos, usados para camuflar a propaganda eleitoreira.”
Assim como a guerra no Iraque (guerra?) foi comparada à libertação de um povo que vivia sob o regime de um tirano pelo seu ídolo, Dick Cheney, e por seu colega do grupo dos falcões da Casa Branca, Donald Rumsfeld. Curiosamente, Rumsfeld não achava ruim quando Saddam usava armas de destruição em massa durante a guerra Irã-Iraque. Se for pra listar embustes, podemos ficar aqui pro resto da vida só fazendo isso. Mas é melhor rotular qualquer crítica às ações dos EUA como “embuste” e seguir adiante.

Para fechar com chave de ouro seu texto em defesa do uso da tortura, Mainardi alivia o caro leitor, dizendo que a técnica deve ser usada de forma “limitada” (183 vezes, pelo que entendi) e por um período “limitado”. Isso pode salvar centenas de vidas, segundo as idéias perturbadas do sujeito.

Como sou amigo do povo das teorias da conspiração, outra leitura pode ser feita: Nosso herói não está exatamente falando da Al Qaeda. Nem dos Estados Unidos. Muito menos dos jornalistas. O waterboarding, que Diogo chamaria de “marolinha” se tivesse um dedo a menos na mão, pouco importa. O que importa é que terrorista pode ser torturado. Ponto. Quem foi terrorista no Brasil, segundo Mainardi e outros colunistas do tipo? Como diz o chapeleiro, entenderam ou preciso desenhar?

9 Comentários

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  • e pensar que o Mainardi provoca tantos suspiros na burguesia quanto o padre Fábio de Melo…

  • Ele fala isso por que nunca encarou um tanque pra lavar roupa.

  • Até hoje os nossos ditadores dizem que livraram o BRasil de atentados comunistas. Engraçado a semelhança.

  • desenha aí velho

  • É a ditabranda da Folha, a tortura mansa do Mainardi, o que mais falta?

  • o mainardi é um verme repugnante. só não é pior do que os fãs dele.

  • O Mainardi tem que ser lido como entretenimento.

  • Hahahahah. Perfeito o comentário do Rafael: “Mainardi tem que ser lido como entretenimento”. E é por aí mesmo. E fica tudo ainda mais engraçado quando se assiste ao Manhattan Connection e as argumentações absurdas dele, um declarado office-boy de Rolex .

  • E o pior: o jornalista do vídeo aguentou tipo uns… 12 segundos. Que maricas!

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