A Usp, os legalismos e o medo
Eu já estava no ponto de ônibus que ia me levar ao 91º DP quando minha família me ligou me pedindo pra não ir. “Não vá. Está perigoso”. Eu, que sempre desobedeço, resolvi respeitar o medo e compartilhar isso com vocês, porque achei que era uma história que deveria ser contada. E já.
Eu ia à porta da delegacia juntar minha voz ao coro dos protestos que pedem a libertação dos estudantes da USP que foram presos hoje cedo por ocuparem a Reitoria. Eu ia pro-tes-tar. E me pediram para não ir. Não porque não concordassem com a minha causa, com o meu sentimento. Mas porque têm medo da reação que a polícia pode ter aos protestos.
Compreendem a perversidade da ação da Polícia Militar agora?
Os homens e mulheres que foram presos hoje ocupavam a Reitoria como um protesto político, concordemos ou não com essa estratégia de luta. Concordermos ou não com a sua causa. Pois mesmo que a miopia de muitos (incluindo a deles próprios, que levaram sua causa à ação direta no pior timing da história do movimento estudantil) leve a acreditar que eles ocuparam a Reitoria porque queriam defender o uso da maconha na USP, eles não estariam necessariamente errados. Estariam protestando contra a política anti-drogas que vigora no país. Um protesto político, pois, como a Marcha da Maconha, queridinha dos modernos progressistas que agora querem ver esses jovens linchados.
Por isso, não me venham com legalismos. Movimentos sociais não ocupariam prédios vazios do centro da cidade de São Paulo se fossem obedecer às leis. Não ocupariam terras improdutivas se fossem obedecer às leis. Eu, você, sua mãe, sua família, seus vizinhos sequer votariam se pessoas não tivessem saído às ruas, seqüestrado embaixadores, se organizado em guerrilhas e desobedecido às leis em vigor.
Crime, meu caro, é não compreender que a desocupação da Reitoria com a prisão dos estudantes é uma repressão política. Uma repressão que agora ecoa no medo dos meus familiares e amigos, que temem que minha voz na porta da delegacia termine num habeas corpus ou em um leito de hospital.
É triste demais…
Eu entendo o seu ponto de vista. Mas, sem querer discutir a minha opinião a validade de desobedecer leis, penso que nos protestos deve se observar sim a estas; por uma questão de estratégia mesmo, para não justificar uma ação repressora. O reitor fez um pedido de reintegração de posse. Ele precisa de uma desculpa para usar a força. Se os protestos observarem leis fica mais difícil justificar uma ação policial. A mídia ( e suas manipulações) é outra coisa que tem que ser levada em consideração na hora de planejar uma manifestação.
O problema não é a ação da policia, pois ela se faz necessária em todos os lugares inclusive dentro da Universidade, já ouvi, de estupros, assassinatos, assaltos e muitos furtos.
Falta de juízo de quem consome droga, no Brasil é crime e debate sobre a liberação ou não deve ser em outro local apresentando um projeto a câmara dos deputados.
Agora pela liberdade de tão poucos que usam de drogas ilicitas, desproteger a maioria é um absurdo, a liberdade não é libertinagem, pessoas estudando, que tenham pelo menos o entendimento e discernimento maior que a maioria deveria saber, que a droga é produzida ilegalmente, transportada ilegalmente e consumida ilegalmente; e neste trajeto, há o pequeno agricultor explorado por quadrilhas, há os traficantes, as pessoas que vendem pra usar e a maioria na ponta final (sem trocadilho) de filhinhos de papai, que não tiveram limites em casa e continuam sem eles fora dela, a questão não é se você tem direito ou não de usar droga que é uma questão particular, o problema é que existe Lei contra o uso e todo cidadão deve respeita la.
Se achar acima da lei, ou eu posso eu quero eu faço, é ridiculo.
Marco, como está escrito no texto, os alunos não protestavam porque querem ter direito de fumar Maconha na USP. E se somos contra a PM no Campus é porque acreditamos que existem outras formas de evitar e controlar a violência. Eu, particularmente defendo o desarmamento da população e da polícia. Mas, infelizmente a população defendeu que a compra e a posse de armas continuasse a ser legal no Brasil. Mais do que quem fuma maconha – o que não é meu caso – acredito que o dedo no gatilho das mortes, extermínios e assassinatos, seja também de responsabilidade de quem votou contra o desarmamento no Plebiscito. Hipocrisia é não assumir isso.