partidas
e aí você descobre que começou a se despedir quando senta em um banco, em southbank, e acha graça nos artistas de rua, pela primeira vez. fotografa casais apaixonados e crianças correndo sob a luz de um quase outono. e não reclama da chuva constante e do frio disfarçado. você descobre que começa a se despedir quando acha puffy pastry uma delícia e, apesar de ter comido raras vezes, diz que vai sentir muita falta. e vai sentir muita falta da cidra e do pint disponíveis em qualquer esquina, ao lado da biblioteca, ao lado de casa. e quer comer o último yorkshire pudding com o gravy sem gosto mais gostoso feito da ale mais saborosa. e quer comprar livros de culinária de délia, a ofélia da bbc, pra mostrar pros amigos do lado de lá o que eles perderam de ter comido no mcdonald’s e ao invés de terem experimentado uma traditional pub food. e você se pega querendo levar oxo cubs, quando passou sua temporada inteira em londres sonhando em ter caldo maggi. e você se pega se lamentando de ter morado a quatro quadras do british museum e não ter conhecido ele todo. e começa a comprar as coisas que odeia ver os turistas comprando. e começa a odiar os turistas que não estavam aqui no inverno, mas lotaram a cidade no verão só pra não deixar a gente se despedir direito e ter que pegar fila, pela primeira vez, para entrar no museu de história natural. dói ir embora de casa. dói partir…

















