partidas

e aí você descobre que começou a se despedir quando senta em um banco, em southbank, e acha graça nos artistas de rua, pela primeira vez. fotografa casais apaixonados e crianças correndo sob a luz de um quase outono. e não reclama da chuva constante e do frio disfarçado. você descobre que começa a se despedir quando acha puffy pastry uma delícia e, apesar de ter comido raras vezes, diz que vai sentir muita falta. e vai sentir muita falta da cidra e do pint disponíveis em qualquer esquina, ao lado da biblioteca, ao lado de casa. e quer comer o último yorkshire pudding com o gravy sem gosto mais gostoso feito da ale mais saborosa. e quer comprar livros de culinária de délia, a ofélia da bbc, pra mostrar pros amigos do lado de lá o que eles perderam de ter comido no mcdonald’s e ao invés de terem experimentado uma traditional pub food. e você se pega querendo levar oxo cubs, quando passou sua temporada inteira em londres sonhando em ter caldo maggi. e você se pega se lamentando de ter morado a quatro quadras do british museum e não ter conhecido ele todo. e começa a comprar as coisas que odeia ver os turistas comprando. e começa a odiar os turistas que não estavam aqui no inverno, mas lotaram a cidade no verão só pra não deixar a gente se despedir direito e ter que pegar fila, pela primeira vez, para entrar no museu de história natural. dói ir embora de casa. dói partir…

Beijo Azul

No começo deste ano tomamos um susto. Tomamos, plural, por que somos eu e mais uma média de 8 amigas que se conhecem há onze anos. E que nunca se perderam umas das outras – ok, às vezes, nos perdemos, mas o que importa é que a gente sempre consegue se reencontrar. Tomamos um susto. Uma das partes desse nosso corpo, a fer, descobriu que tinha uma doença rara e eu e mais 8, pelo menos, ficamos com o coração apertado.

A Fer descobriu que tem Hipertensão Pulmonar. E quando você digita isso no google, chora muito. Eu chorei bastante. De medo e de tristeza de não estar por perto. O medo passou, porque a doença vai acompanhar a fer pra sempre, com todas as limitações que ela impõe, até que descubram a cura. Não existe tratamento ainda, mas nossa amiga, aventureira como sempre foi, está participando de uma série de pesquisas testando novos medicamentos pra ajudar a vencer a hipertensão.

A tristeza a gente diminui com pequenas coisas como essas:

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Explico.

A fer mantém um blog incrível, o “Andanças Vagarosas”, onde ela conta sobre o seu dia-a-dia com uma leveza e um bom-humor que me faz lembrar muito o “Assim Como Você”, do Jairo Marques. Em comum, as limitações de deslocamento, já que o maior ‘não’ do hipertenso é a fadiga e o seu maior alento, a cadeira de rodas. Mas sobre isso vocês ficam sabendo melhor no blog da fer.

O beijo azul, aprendi com ela. É uma campanha de conscientização da Associação de Hipertensão Pulmonar do Reino Unido. O diagnóstico é difícil por que a HP é rara. Sem ele, sem o tratamento e os cuidados necessários, a doença pode matar.

Por isso, mando meu beijo azul, símbolo da campanha, e levo, comigo, o batom azul pra fer. Não te disse que eu encontrava ele por aqui? É seu! Fique com o beijo provisório, fervai, que o presencial chega daqui a pouco!!!

=*

find the venue you never knew existed

sou fã de britpop, mas quando vi The Joy Formidable pela primeira vez, não gostei lá muito (ok, era show do paul mccartney e eu queria mesmo era ver ele cantando umas 5 horas). é legal conhecer uma banda nova do país de gales. ainda mais com menina cantando, cheia de atitude. mas a verdade é que achei o som monótono. mas vá lá. é a banda do momento e eu tinha que contar pra vocês. além do que, eles fazem propaganda do meu novo vício: Kopparberg Cider.

pois é. nada de cerveja no verão. a moda é beber muita cidra, de todos os sabores e com muito gelo. e, ah, como vou sentir falta da minha cidrinha on the rocks em terras tupiniquins. como vou…

verão, ping pong e bicicletas

E quando você pensa que o verão não pode melhorar, aparecem duas novidades na cidade: mesas de ping-pong all around e é inaugurado o sistema de bicicletas à barcelonesa. Tudo justificado pelas Olimpíadas de 2012.

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Querem mais gente jogando ping pong (ou se interessando por) e aliviam o sistema de transporte público para os jogos (já que aqui, ao contrário de barcelona, os não-moradores também poderão usar a bike – poderão por que ainda não podem).

Pra encontrar sua mesa de ping-pong, clique aqui e insira seu postal code.

cycle

Pra pedalar, tem que pedir uma chave (3 libras cada uma) e escolher o sistema (24h, uma semana, um ano). É só entrar no site, se inscrever, pagar a conta e eles te mandam a chave pelo correio. Quando as nossas chegarem, conto sobre a aventura de pedalar nas ruas londrinas.

bééééééé

olha, depois dessa tem quem vá achar que moramos na roça e não no centro de londres.

mas essas são nossas vizinhas de porta.

nossas amáveis vizinhas de porta.
=)

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cute devendra

devendra-banhart

devendra banhart é toda uma performance ney matogrosso, meu muso. ao vivo, dá pra viver essa intensidade com tanta força que é impossível não se apaixonar. além dos pés descalços e de tocar sentado no chão do palco, ele passou o show inteiro que fez aqui na KOKO cantarolando “I wanna dance with somebody”, da withney houston. e, bom, teve um momento que ele se jogou na balada e fez um cover de uma música bate-cabelo que, olha, não consigo me lembrar qual era (pois é, pessoa demora quase um mês pra escrever sobre o show e não anota nada no caderninho).

enfim, só passei aqui pra compartilhar uma das outras fofo features desse rapaz.

no meio do show, em um daqueles momentos em que a banda vai tomar uma “água” ali atrás, ele convidou alguém do público para se apresentar no palco. “alguém aí tem uma música inédita, que nunca teve coragem de mostrar pra ninguém?”. “gente, tem que ser de verdade”. como um rapaz insistia – pasmem, era o único – ele acreditou na profissão de boa fé e o convidou pra subir. emprestou sua guitarra, o apresentou ao público e voltou uns minutos depois, mais fofo do que nunca. taí o videozinho horroroso que fiz (das limitações materiais da vida, né, seus ricos!).

open stage: a gift from devendra from Pés de Amora on Vimeo.

a groupie que realizou meu sonho

Em 1965 Sue Baker tinha 15 anos.

Como toda garota inglesa de sua época, ela era uma Beatlemaniac e sonhava conhecer John, Paul, George e Ringo (our beloved Ringo). Um belo dia, ela fez a Mafalda e teve uma iluminação. Depois de ler uma matéria em uma revista dos Beatles, que descrevia a casa de Paul, começou um jogo de caça ao tesouro incansável. E, como toda heroína de romance, ela foi recompensada pelo deus das groupies: encontrou o doce lar de Paul perdido em meio a uma porção de casas que são, aos meus olhos nada ingleses, absolutamente iguais.

Boa moça que era, sempre levava o irmão mais novo a tiracolo – taí Luciana Gimanez de testemunha do que pode acontecer com uma moça solteira quando fica amiga de um rock star.

Bom, só sei que ela passou a ir na casa do Paul todo final de semana, até que um dia ele perguntou se ela visitava os outros bítus. NÃO?! Olha, não sei se Paul tem um bom coração ou se queria se livrar da louca (fico com a segunda opção), só sei que ele pegou o primeiro pedaço de papel que viu na mão e anotou o endereço de TODOS os outros culégas (isso é que é amigo, né, não?).

Ai, Sue, tão sortuda! Os meninos abriram as portas das casas deles pra ela, serviram chá e bateram papo. E, quando eles não estavam em casa, quem a recebia eram as esposas.

Ela deu esse rolê todo final de semana durante dois anos, gastando toda moedinha que ela guardava no cofrinho. O registro dessas visitas está sendo leiloado agora por uma Sue já avó. Entre as recordações, está o envelope onde Paul, o travesso, anotou os endereços dos culégas. Confiram:

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hohoho

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o hermanito

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John

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RINGO!

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george =)

A história inteira está no Daily Mail.

E, bem, como podem reparar, Paul já estava morto.

Por que, né? Cadê a foto dele com ela, minha gente?

free the zebras – update

gajos,

comprei a briga, mas não contei o fim da história.

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essa foi a zebra ferida de estética. e daí que eu tirei ela da porta – pra não parecer que eu estava insultando meus queridos amigos alemães – e deixei um recadinho:

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e eles foram doces. tão doces que eu quase derrubei outra lágrima infantil. analisem:

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e daí, gente, que eu amaciei meu coração e não torci contra a espanha no domingo. e, de quebra, ganhei uma nova zebra, bem brasileirinha, pra decorar meu azul-hospital e dar vida nova, de novo, a esse corredor de portas iguais.

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a vida é boa novamente =)

verão

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roubei daqui

Free the zebras!

A Copa do Mundo acabou no domingo de manhã.

Um mês antes, eu queria uma casa mais bonita. Uma casa com mais cara de casa. Com detalhes bonitinhos por todos os lados. Com uma decoração que a diferenciasse de todas as outras casas, tão iguais nessa vila quase soviética onde moro. Estava cansada de tantas portas azuis-turqueza. Achei uma figura de zebra linda e colei na porta. “Qual é o número do quarto de vocês?”. “É só bater na zebra”. Criei nossa identidade. E sorria toda vez que abria ou fechava nossa porta e via a simpática zebrinha colada no fundo azul.

Na madrugada do sábado para o domingo a zebra sofreu um atentado. Eu, na minha ânsia de torcer contra a Argentina, colei um post-it rosa sobre a zebra com os dizeres: “Go Germany!”. Queria me vingar dos argentinos que se infiltraram na torcida brasileira no último jogo, aqui no Hall, e torceram contra até o último segundo. A Alemanha era minha esperança (segurança, na verdade). Dela, NO PASÁRAN!

Me esqueci de retirar o post-it, tão datado. E, domingo de manhã, estava lá a zebra, pichada com os dizeres “Fuck Germany, Go Spain!”.

OI?!

Quase derrubei uma lágrima infantil por ter perdido nossa zebrinha. Ela, que tornava nossas vidas mais doces, foi vítima de um grupo covarde de torcedores espanhóis que a atacou de madrugada, enquanto dormia.

Minha Copa do Mundo acabou ali. A porta doce, também.

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