o céu era um teto de nuvem,

mas ela nem percebia.

todo dia amanhecia com o sol dentro de si.

brinquedinho.


faz uns meses apareceu no meu reader um post sobre um LP de um projeto chamado little toys. passaria despercebido se a capa do LP não fosse um cantinho da casa da frida kahlo, em coyoacan. e eu sou sensível à frida, todomundo sabe.

baixei o arquivo e ele ficou umas semanas abandonadinho no desktop. belo dia resolvi ouvir e foi de cara foi aquele arrebatamento. ‘frida & diego viveron en esta casa’, é uma delícia. cheio de referências e delicadezas.  dá pra identificar yann tiersen, beirut, arcade fire. mas ao mesmo tempo é uma lufada de novidade que não dá pra comparar com nada que se tenha ouvido ultimamente. um exercício de doçura, lembranças de sons de infãncia. dá pra baixar o álbum todo aqui. atenção especial pra ‘declaration of war’, pra faixa-título e pra ‘el día de la independência’. (a qualidade das gravações não é muito boa).

declaration of war, de ‘frida y diego vivieron en esta casa’

o homem por trás do little toys é pablo maqueda, um cineasta espanhol inquieto de 24 anos. nascido e vivido em madrid, foi pra londres mudar de ares e agora, depois de gravar em casa (a clareza da gravação deixa um pouco a desejar) seu primeiro LP “frida and diego vivieron en esta casa” e um novo EP “con músicas para bailar” a ser lançado em dezembro, ele se prepara para voltar para a espanha.

entre gravações do novo EP, ligações de colaboradores para seu próximo projeto de cinema na internet e empaquetamento dos seus brinquedos para a mudança, pablo (doce de gente) respondeu  uma entrevista exclusiva para este blog (caham).

não-coisa: quando e como começou a sua relação com a música?
pablo maqueda: eu comecei fazendo as trilhas dos meus curtas-metragem quando eu tinha 15 anos e mais tarde, quando eu já tinha 20, decidi compor minhas próprias músicas. eu era louco pelo yann tiersen e queria tentar aquele tipo de melodia que eu gostava tanto e, mais tarde, buscar meu próprio estilo musical.

não-coisa: como estão relacionados seus trabalhos com música e com o cinema?
pablo maqueda: o cinema é minha paixão e meu trabalho. a música é meu hobby, mas eu decidi ir em frente e tentar criar as músicas que eu gostaria de ouvir.

ñc: quais as obras que mais te marcaram e que de certa forma te motivaram a seguir a trajetória de música e cinema?
pm: em música, a discografia de yann tiersen, sigur ros e arcade fire. pensando em filmes… o fabuloso destino de amelie poulain e a nouvelle vague que eu adoro, com françois truffaut e jean-luc godard.

ñc: o que da espanha e o que da Inglaterra estão presentes nas suas obras?
pm: eu moro em londres já faz um ano. na semana que vem volto para a espanha, para a minha cidade – madrid. estou muito muito feliz em voltar para meus amigos e minha família, então acho que isso sim vai afetar minhas próximas músicas.

ñc: o que te inspira a fazer música?
pm: como você pode ver, a fonte da inspiração é bem diferente em cada música. pinturas, livros, cinema… meu próximo EP que será lançado em dezembro é completamente diferente de “frida & diego vivieron en esta casa”, mais eletrônico. mas isso também não significa que eu não vou voltar para as canções acústicas.

ñc: qual a relação que você tem com o trabalho da frida?
pm: ela sempre foi e será minha artista favorita em toda a história. o quadro “la pelona” mexeu muito comigo no ano passado. foi quando decidi fazer esse tributo a ela.

ñc: que pergunta você faria se se encontrasse com ela?
pm: perguntaria se ela amou diego rivera tanto quanto diego rivera a amou.

el día de la independência, de ‘frida y diego vivieron en esta casa’

ñc: você tem alguma relação com a cultura brasileira ou latina?
pm: eu gosto de filmes brasileiros,da língua portuguesa e também de filmes portugueses. eu gosto de manoel de oliveira, joão cesar monteiro…
todo o meu trabalho tem um laço muito forte com a américa do sul e a cultura latina. meu novo EP “the night we loved nikola tesla” tem esse single “moctezuma”. espero que você dance muito com essa música. tem apenas 4 palavras na letra: “moctelife, moctesun, moctewar, moctelove…” e a melodia é similar aos trabalhos de delorean, animal collective, panda bear… mas obviamente com meus brinquedos e meus sintetizadores e samplers.

ñc: que músicas você anda ouvindo?
pm: o novo album do julian casablancas, little boots, moldy peaches, o novo do noah & the whale, ayrton senna – esse album do delorean, tudo de beirut, killers, strokes…

ñc: o que tem te encantado no novo cinema?
pm: a inovação. sou obcecado com isso. criar novos pontos de vista, histórias, personagens nunca vistos antes. não fazer nunca as coisas triviais e “filmar o que nunca foi filmado”. é uma das minhas frases favoritas.

ñc: por que “little toys”?
pm: porque eu sempre adorei caixinhas de música, sons esquisitos. e brinquedos e instrumentos de criança, como xilofones, glockenspiels… achei que seria uma forma interessante de experimentar com música.

ñc: e quando você era criança? quais eram teus brinquedos preferidos?
pm: boa pergunta. não consegui responder de pronto e tive que pensar muito, então acho que os brinquedos não eram tão importantes assim na minha infância. acho que eu gostava mais da tv com todos os filmes. filmes da disney. sou um grande fã da disney.

ñc: de todos os teus projetos deste ano, qual foi o mais desafiador?
pm: welovecinema.es acho que é o projeto que mais me orgulha. estou trabalhando muito nele. eu juntei profissionais, amigos e muitos talentos em diferentes áreas: cinema, crítica de cinema, design e fotografia num projeto com um único foco: “meu amor ao cinema”. sstou muito feliz com ele. vamos lançar o site em 1º de janeiro de 2010 com um especial sobre “o cinema espanhol no novo milênio” com 31 artistas dando suas opiniões sobre o mais importante filme da década. 31 diretores, designers, animadores e fotógrafos que vão dar seu ponto de vista artístico para “meu amor ao cinema”, além de vários críticos que vão escrever sobre o novo cinema espanhol. como diretor dessa inicativa, posso dizer que estou muito orgulhoso.

ñc: o que você estava fazendo antes de responder essas perguntas? o que vai fazer depois?
pm: antes, mandando emails para os críticos do projeto welovecinema. depois, vou ao cinema.

ñc: alguma coisa que eu esqueci e você gostaria de comentar?
pm: nada em especial. muito obrigado por ouvir minha música e espero ir ao brasil logo, pra apresentar minhas músicas e dançar com vocês.

de nada! =)

ticket to ride

um dia o amor pegou o ônibus errado. ficou um tempo sumido, ninguém sabia dele.

um outro dia o amor voltou. sujismundo e minguado. tinha a cara amarela e os dedos sujos de terra. ninguém nunca soube por onde o amor andou.  o amor nunca falou sobre isso.

o amor dificilmente sai da cama. o amor não gosta mais de queijo. o amor não suporta ficar muito tempo no mesmo lugar.

o amor voltou esquisito.

vermelho piscante

nunca é você.

viro e mexo tropeço nas quinas daquela história. uma por uma das quinas daquele amor. o amor que você deixou. justamente por ter tantas quinas. eu nunca soube lidar com as tuas quinas. e você sempre teve tantas delas. você sempre soube do meu desjeito. sempre soube que uma hora ou outra meu passo torto ia se espatifar numa daquelas quinas. as quinas que você deixou. aqui comigo. dentro de mim. em todos os cantos da minha alma.

e o dedinho dói.  o dedinho dói o dedinho dói o dedinho dói. o dedinho dói.

pela configuração espontânea das coisas

22 de julho de 2009.

.2009

vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.
(chacal, ‘rápido e rasteiro’)

feliz tudo, todomundo, tudo de novo. =)

.

o amor é um ofício que escolhemos todos os dias.

… después, más tarde, conté los billetes y esta­ban los que había dejado. entonces entendí que alexis no respondía a las leyes de este mundo; y yo que desde hacía tiempos no creía en dios dejé de creer en la ley de la gravedad. al día siguiente nos fuimos a sabaneta y en adelante siguió conmigo hasta el final. y al fi­nal dejó el horror de esta vida para entrar en el horror de la muerte. “a la final”, como dicen en las comunas.”

fernando vallejo, la virgen de los sicários.

es.que.cer v. 1. tr. dir. deixar sair da memória; perder a memória de; olvidar. 2. pron. tr. dir. não fazer caso de. 4. tr. ind. e intr. escapar da memória, ficar em esquecimento. 5. tr. dir. descurar-se de. 6. pron. perder a ciência ou a habilidade adquiridas. 7. pron. descuidar-se.

está no dicionário como se fosse das coisas mais fáceis do mundo. como se não exigisse um aprendizado. como se esquecer fosse involuntário, natural e acidental. perdeu, escapou, descuidou-se e kaput. mas não. o esquecimento é uma criança ligeira que exige atenção e esforço contínuos. é preciso que deixe as portas sempre abertas pra que, uma por uma, as imagens saiam. é preciso que eduque a atenção e que barre as sinapses que, ante qualque estímulo sensorial, chamam os esquecidos todos de volta. é preciso que mude o olhar. é preciso que doa. é preciso disciplina. é preciso que não tenha volta.

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