coração tão branco.
dei por mim que, caso essa situção permaneça por mais algum tempo, é capaz d’esse fel todo me matar um dia. como aquelas histórias que a gente ouve, das esposas que envenenam seus maridos um pouco por dia até que eles caem de cara e se afogam num assado qualquer. e elas sorriem baixinho, as esposas. por um segundo elas sorriem muito, antes de vestirem o luto e fazerem aquelas cenas. dizem que é mais comum do que se imagina.
e deve ser mais ou menos a mesma coisa com a tristeza, um soro amarelo e espêsso se multiplicando dentro da gente, até-que-um-dia.
eu daria a vida pra estar lá e ver se você sorriria, apesar de todo o paradoxo da situção.
porque eu carreguei toda a culpa, trouxe pra mim a responsabilidade do feito, pra que você sofresse mais leve. pra que conseguisse se levantar todas as manhãs e dar o seu passo pra longe de mim. eu drenei o fel que eu produzi em ti, diluí em destilado e bebi aquela solução amarga até não sobrar gota.
e eu fiquei com todos os restos, não saí daquela casa. eu alinhavei todo o estrago pra costurar depois com linha grossa. e furei todos meus dedos. fechei todas as portas. lavei os lençóis e depois os comi, como comi um a um de todos os vestígios de nós. eu comi as palavras e seus ecos. comi os planos. no caso de você fraquejar e querer voltar. você tinha aquele desespero e não via nada. eu tinha a culpa e a urgência de te tirar daquele lugar.
isso foi há muito tempo. e a doçura sempre esteve em ti. mesmo antes de eu comer e beber o resto apodrecido de tudo o que fomos. mesmo antes. sempre, sempre e só em ti. nunca tive nada em mim que me pudesse ajudar a digerir tudo aquilo. é o tipo de coisa que se deveria constatar antes, não acha?
agora você vê, não vê?






escrevendo cada vez mais lindo.
mas não gosto de fel. fel é uma palavra tão feia quanto o amargo que ela significa.
nhom
<3
… OLO
´
nessas horas seria importante fazer regime. mas é tão difícil..
oi geo. adorei o nome do teu blog. =)
a maioria dos meus pensamentos (sentimentos?) acabam sendo gástricos.
gente, que saudade de te ler… eu era do ultrasensitive. wordpress, lembra?
bom te achar!
lerei todos os textos!
beijo!