Teatro é isso

Sem comentários

Quero destacar um artigo do “Observatório da Imprensa”, postado pelo professor Eugênio Bucci. O assunto principal do texto é a quantidade de ofensas que se pode ler nos comentários de blogs pela internet. A minha turma sempre tem um comentário maldoso sobre essa galera, que não tem muito o que fazer e só quer mesmo é azucrinar a vida alheia, sem um pingo de educação.

Mesmo nesse humilde blog é possível verificar alguns comentários ofensivos, sempre encobertos pelo anonimato. Nunca irei apagá-los, afinal, essa é a magia que popularizou a internet. A pluralidade e liberdade são necessárias, desde que feitas de forma civilizada, sem barbárie. Saibam que, assim como Bucci, esse blogueiro também perde o sono com ofensas. Goste ou não, esse blog é feito por alguém de carne e osso. Por isso, leiam o artigo antes de saírem por aí atirando contra pobres e indefesas caixas de comentários, que nada têm a ver com suas frustrações pessoais. 

hhttp://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=529JDB001

Estranhos votos de amizade

Do blog da “Bárbara Gancia”:

“Tem site novo e importante no pedaço. É o do meu queridíssimo Caio Túlio Costa, a quem eu considero como uma verdadeira mãe.”

Tal mãe, tal filha.

O retorno está próximo

 Los Hermanos – O Vento

A nível de mudança

Está chegando o momento de realização do sonho da casa própria.

Eu twitto, você twitter?

Coisas belas e sinceras

Navegar na internet é sempre uma surpresa. Entre tantas coisas toscas, raramente se vê algo que interessa de verdade. A última é uma carta publicada no blog do Leo Lama, nome artístico do filho de Plínio Marcos. Ode ao talento paterno. 

Bravo!!!


Nesse fim-de-semana tive a oportunidade de rever o espetáculo Avenida Dropsie, que integra a programação de 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, no Teatro Popular do Sesi. 

A primeira vez que vi essa peça foi em 2005, no mesmo teatro. Guardava lembranças maravilhosas dessa encenação que mistura várias obras do genial Will Eisner, cartunista criador de diversas HQs como Spirit. Nessa segunda vista, o espetáculo me pareceu ainda mais interessante do ponto de vista dramático e da preparação dos atores. 
No ano de 2005, Leonardo Medeiros, Guilherme Weber e André Frateschi ainda não tinham ganhado a mídia com participações de sucesso em novelas, séries globais e filmes. Mesmo assim, já se destacavam em suas performances. A única que estava em evidência naquela época era Magali Biff, a Ernestina da novelinha Chiquititas, do Sbt. Por conta desse enorme sucesso, chega a incomodar o número de pessoas que comentavam durante o espetáculo sobre ator X ou Y ser mais gordo, magrou ou bonito do que na tv ou cinema. Comentários que por vezes desviavam o foco para o que acontecia em cena. 
Mas esse não é um privilégio da Sutil Cia. Até quem costuma ir ao teatro e é do underground teatral de São Paulo costuma observar mais a atuação dos, digamos, atores mais conhecidos do grande público. Apesar de tudo isso, Avenida Dropsie não é um espetáculo em que um só ator se destaca. Com poucos diálogos e muita expressão corporal, é uma peça de articulações, onde atores, efeitos visuais, cenografia e música se fundem para mostrar justamente a engenhoca que gira toda grande cidade no mundo.
A Avenida Dropsie é qualquer avenida do mundo. O período em que suas histórias se passam é qualquer um, mas é especialmente o que vivemos agora. Judeu de família imigrante, radicada em Nova York, Eisner nasceu no Brooklyn e é um cidadão essencialmente urbano. A peça dirigida em São Paulo por Felipe Hirsch mostra uma série de observações feitas pelo cartunista durante sua vida na Big Apple. Principalmente no período de sua infância, auge da crise econômica de 1929.
Na faculdade de Jornalismo estudamos os “flâneurs”, aqueles sujeitos que costumavam andar pelas ruas de Paris fazendo observações sobre a cidade e seus habitantes. O trabalho de Eisner é justamente esse: o de pairar invisível por uma grande cidade, testemunhando os “pequenos milagres” que acontecem diariamente numa grande metrópole, como o próprio autor classifica.
Para um jornalista essas sutilezas são  peculiares a profissão. Talvez por isso fiquei tão fascinado diante da perfeita reprodução dos episódios cotidianos no palco. Embora muito se critique a forma fechada que o diretor Felipe Hirsch e o ator Guilherme Weber, fundadores da Sutil, conduzam o grupo, o resultado em cena é o que de melhor pode haver em teatro comercial no país.
A cenografia de Daniela Thomas (a mesma do filme Linha de Passe) é acachapante. Um prédio de três andares que leva para o palco situações que nos 110 minutos de espetáculo estão acontecendo em todos os lugares e, com certeza, já aconteceu ou acontecerá com você. Tudo isso de forma mágica, rica em efeitos visuais.
Gostoso também ouvir a voz de Gianfrancesco Guarnieri, que em 2005 ainda estava vivo e narrou as historietas, representado Will Eisner. De repente deu saudades do velho engajado, com sua voz rouca capaz de encantar dentro e fora de cena.
Caro leitor, se você não viu Avenida Dropsie, você pode estar perdendo um espetáculo único, que eleva a obra de Eisner com muita grandeza. Programa daqueles que lembraremos pra sempre.
Serviço: Avenida Dropsie – Teatro Popular do Sesi
Temporada: 18 a 22 de março
                       25 de março a 05 de Abril
Horário: 20h00 (quarta a sábado) ou 19h00 (domingo)
Preço; R$ 10,00 (inteira) ou R$5,00 (meia)
Endereço: Centro Cultural da Fiesp – Av. Paulista, 1313 

Grande mulher

Esse espaço não é reservado para demonstrações sentimentalóides de seu autor. Entretanto, a de se fazer justiça em casos de “estado de sítio” e “calamidade pública”. 

Desemprego é um desses estados mais incapaz na história do homem moderno. As crises econômicas  da humanidade geraram muitas histórias de superação exemplo e invenção para o mundo. Mas geraram também histórias trágicas e infelizes, pois as sociedades do capital educam seus filhos apenas para o trabalho, as ambições e o  consumo. 
Na atual fase, só quem tem alguém por perto, mesmo que de lados opostos do rio da vida, pode transformar um período trágico na fábula mais encantadora de se contar aos filhos. Sendo assim, para a minha “morena dos olhos d’água, meus mais puros, ternos e sinceros sentimentos. 
Ira! e Chimarruts são o oposto do romantismo. Mas o que importa são os versos simples, feitos pelo coração que espera uma ligação pra preencher as tardes vazias.  

O Brasil de Glauber e Hebe Camargo


“O povo brasileiro é analfabeto. Mesmo os intelectuais são analfabetos”. 

Amigos leitores. Sei que esse não é o melhor jeito de começar um post. Não se trata de um manifesto do Partido Comunista ou do PSTU. A frase acima é de Glauber Rocha, que neste sábado completaria 70 anos se vivo estivesse. A efeméride glauberiana coincide com outra data importante para o país: o aniversário de Hebe Camargo.
Quem tem tempo de sobra, ou está desempregado como eu, deve ter percebido que desde o último domingo pilulam nas tvs, jornais e revistas notícias sobre os “80 anos da diva da tv brasileira”. Hebe recebeu homenagens na TV Record, na Bandeirantes e, é claro, no próprio SBT, canal onde trabalha. A rede de Silvio Santos colocou no ar várias propagandas em homenagem a sua maior estrela. Até aqui não há problema. Com exceção da Tv Globo, que não falou de Hebe na programação, mas mandou Lily Marinho na festa de aniversário, todos os canais mostram homenagens a Hebe, que ocupou lugar de destaque também em todos os jornais paulistas, além de Veja São Paulo, Época, Vogue RG, Istoé, Caras, Flash, Istoé Gente, e diversas outras revistas de celebridades ou não. 
A festa de aniversário na casa da irmã Lucília Diniz, do Pão de Açucar, foi mais disputada que palanque de igreja em corrida eleitoral. Roberto Carlos, Júlio Iglesias, José Serra e Maluf. Toda a nata artística e política esteve no jardim Europa para saldar  a “mulher dos selinhos”. Até o presidente Lula mandou mensagem de “parabéns” a velha loira. 
Gente minha, a pergunta que não quer calar é a seguinte: qual a importância de Hebe Camargo para o Brasil? Com respeito aos seus oitenta anos, ela só fala futilidades sem interesse e emite opiniões que não passam do senso comum. Sua trajetória de vida pode ser até admirável, já que ela estudou até a quarta série e hoje é uma das milionárias da tv. No entanto, o que justifica tantos fogos de artifício?
No início da semana a coluna da Mônica Bergamo, na Folha/Ilustrada, trouxe trechos dos discursos na festa da casa dos Diniz. Eis as pérolas:
A apresentadora Glória Maria fica cara-a-cara com a aniversariante. “Hebe, você não sabe! Há alguns meses, fui parada na alfândega de Paris. Eu disse [ao funcionário francês] que era apresentadora de televisão no Brasil. E ele: “Ah! Outro dia parei aqui uma outra apresentadora brasileira, com uma bolsa cheeeeia de joias. E três relógios que estavam entre os mais caros que eu já vi na vida.” Eu disse a ele: “era uma loira, não era?'”. As duas caem na gargalhada. “Era eu mesma”, confirma Hebe.”

                                                                                  

“Hebe sobe ao palco montado no jardim da casa. “Todos vocês vão ter que vender joias para pagar essa festa para a Lucília!”, diz. Começa a cantar: “Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo…”. E intercala anúncios, piadas. “Também o Tom Cavalcante faz aniversário hoje.” Tom pega o microfone: “Tem criança aqui? Não, né? Então eu digo: 47 anos e pinto duro!”. Hebe aplaude.”
 
“E continua: “A imprensa acabou comigo dizendo que tô fazendo 80 anos. Quem vai querer uma “veia” dessas?”. Um homem grita: “Eu quero. É mole!”. E Hebe: “Se é mole, nem me apresenta!”. Gargalhadas. Hebe canta para Lucília: “Como é grande o meu amor por você…”. A empresária se ajoelha.”
Mas a frase que coroa exatamente o que é Hebe Camargo é a seguinte: “Uns podem e não têm, outros têm e não podem. Nós que temos e podemos, vamos aproveitar!”.  
Peço desculpas aos meus leitores por me alongar tanto no assunto, mas o que me parece é que o Brasil aproveitou a efeméride de oitenta anos de Hebe para celebrar as delícias de ser rico aos oitenta anos. Hebe Camargo não significa nada para o país. Apenas uma idosa com vitalidade e dinheiro para gastar cinquenta mil reias em apenas uma jóia. Ela é uma mulher rasa, que simboliza os ricos do país e que tantas vezes apoiou Maluf nos seus programas de tv. 
A frase do “ter e poder” li na Gazeta Mercantil, que também entrou na onda do “Viva a loira”, sem perceber que reproduzia o desrespeito aos tantos pobres, analfabetos e famintos desse país. Nos onze anos que frequentei colégios estaduais em São Paulo, jamais ouvi falar de Glauber Rocha por professores, funcionários ou amigos de escola. Agora, se perguntarmos em qualquer escola do país quem é Hebe Camargo, todos saberão de seus oitenta anos, seus selinhos e suas frases de “gracinha”. 
Um dos vídeos que mais me emociona na internet é o discurso de Darcy Ribeiro no enterro de Glauber. O sociólogo e intelectual por várias vezes se inclui com muita humildade nos “intelectuais analfabetos” do amigo cineasta. Durante o sepultamento conta como o velho amigo perdeu uma manhã inteira chorando pelos futuro inglório dos famintos brasileiros. A imagem dos amigos de Glauber chorando é a reprodução de uma país cada vez mais infectado por Hebes, órfãos da vibrante vontade de mudança de um Rocha.

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