Silvio Santos e o Doutor Abobrinha são a mesma pessoa

Depois do seriado “Chaves”, o Castelo Rá-tim-bum é, de longe, o programa mais reprisado da tv brasileira. As filmagens do infantil terminaram em 97, mas desde então os 90 episódios da série são reprisados exaustivamente pela Tv Cultura. Assim como acontece no SBT, as aventuras da família Stradivarius continuam sendo a maior audiência da emissora pública paulista. Em 40 anos de existência, a única vez que a Tv Cultura atingiu 12 pontos de audiência foi justamente com a exibição do Castelo Rá-tim-bum.

Nesse anos todos, a maior façanha do programa dirigido por Cao Hamburger foi ter misturado entretenimento com educação, sem cair na chatice dos infantis pedagógicos e politicamente corretos. O infantil é excelência até hoje no imaginário das crianças e gerou peças de teatro, filme e até exposição de arte.

Castelo Rá-tim-bum também é responsável por alçar ao estrelato atores como Cássio Scapin (Nino), Cinthya Rachel (Biba) e Luciano Amaral (Pedro), que estava esquecido desde “Mundo da Lua”.

Porém, a maior herança do infantil se chama Pompeu Pompilho Pomposo. Interpretado pelo ator Pascoal da Conceição, o “Dpascoal da conceição 3outor Abobrinha”, como silvio santosé conhecido, é um dos vilões mais caricatas da tv brasileira e conhecido por três ou quatro gerações de crianças e adolescentes.

Ao contrário dos outros personagens centrais, como Nino, Pedro e Zequinha, o doutor Abrobrinha foi o único preservado na versão cinematográfica da série, em 2000, com o mesmo ator.

Foi graças à série infantil que Pascoal da Conceição ficou conhecido pelo grande público e, mais tarde, foi convidado para trabalhar na Tv Globo. Ele interpretou o escritor Mário de Andrade na minissérie “Um só Coração” e na última novela das oito, “Caminho das Índias”, ocupou um papel terciário,ao lado de Chico Anysio.

O que pouca gente sabe na trajetória de Pascoal da Conceição é que o doutor Abobrinha foi inspirado em outro grande ídolo da tv: Silvio Santos. A revelação me foi feita pelo próprio ator, durante a cerimônia de lançamento do ‘Vale Cultura’, em São Paulo. Vestido de Mário de Andrade, personagem que o próprio Conceição admite que não conseguiu se desvencilhar, o ator disse que nunca entendeu a obcessão do dono do Baú em comprar o teatro Oficina e transformá-lo em um shopping center. “É uma idéia tão megalomaníaca que foi irresistível não aplicar no personagem”, conta o doutor Abobrinha.

Como pertencia desde os anos 80 à trupe dirigida por José Celso Martinez Corrêa, o ator conta que acompanhou de perto a briga do diretor com o dono do SBT. Para quem não se lembra ou nunca assistiu, a obcessão do doutor Abobrinha era comprar o castelo da família Stradivarius e transformá-lo num prédio de cem andares. O bordão preferido e repetido pelo vilão era “um dia esse castelo será meu”, que reproduz a exatamente a noção que Pascoal da Conceição tinha de Silvio Santos: “Imaginava que ele tramava pelos cantos e dormia imaginando novas formas de derrubar o teatro”, brinca.

O próprio Pascoal da Conceição conta que, no início, achava graça da briga entre Silvio Santos e o amigo Zé Celso. Porém, ao presenciar de perto o embate, viu que a intenção megalomaníaca do dono do Baú era para valer. “Naquele momento o Silvio Santos era pra mim o exemplo mais concreto do especulador imobiliário”, conta.

A conversa que tive com Pascoal da Conceição foi absolutamente informal, feita no corredor do Teatro da Fecomércio, no Centro de São Paulo. Porém, de tanto pensar achei a história absolutamente relevante e, graças a vizinha Mirella, que se autodenomina um crepe suzette, resolvi registrar nos anais da história.

Depois da conversa com o ator, esse humilde blogueiro começou a comparar as roupas extravagantes, os planos malévolos e a garganhada do doutor Abobrinha. O personagem remete à Silvio Santos em tudo, mesmo que involuntariamente.  

Para Pascol da Conceição, o personagem do Castelo Rá-tim-bum é também uma crítica ampla aos grandes especuladores imobiliários de São Paulo. Pra mim, entretanto, vai ser difícil olhar para o doutor Abobrinha sem fazer comparações. Na minha cabeça, Silvio Santos e Doutor Abobrinha são a mesma pessoa a partir de agora. Ponto final.

Pequenos nazismos

"A Onda": terapia coletiva sobre o autoritarismo individual

"A Onda": terapia coletiva sobre o autoritarismo

Há tempos escrevi nesse espaço sobre o meu encanto pelos filmes alemães. Não sei se por nossa sorte ou por questões artísticas, as produções germânicas que chegam ao Brasil são pequenas pérolas cinematográficas. Adeus, Lenin!, Os educadores, O túnel e A espiã são só alguns exemplos de ficções que são verdadeiros documentos históricos não só sobre a Alemanha, mas dos períodos mais obscuros vividos entre o Nazismo e a Guerra Fria.

Junta-se a essa galeria o novo filme A onda, dirigido por Dennis Gansel. Como o francês Entre os muros da escola, a trama alemã também é ambientada num colégio de segundo grau onde os alunos não vêm muito sentido em estudar. A aula é de “autocracia” e os estudantes acham um saco ter que ouvir, pela milésima vez, a história do nazismo.

No diálogo com o professor um dos alunos diz: “Que culpa temos nós do nazismo?”

A partir dessa frase, o professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) tenta mostrar na prática, através de exercícios pedagógicos, como o nazismo dominou as mentes da sociedade alemã. Aproveitando-se da falta de confiança dos jovens alunos nas instituições políticas e nas relações sociais de agora, o professor instaura um movimento de unificação na sala de aula. Os decotes e roupas coloridas dão lugar à camisa branca e à calça jeans, que se tornam por uma semana uniforme, extinto nas escolas públicas alemãs que desde o final dos anos 90.

A partir daí, o movimento denominado A Onda toma corpo e logo extravasa os limites da escola e do bairro, gerando inclusive atritos com gangues neonazistas e punks alemães.

Antes de ver o filme, esqueça tudo que os jornais e revistas disseram sobre A onda ser baseada na experiência do professor norte-americano Willian Ron Jones, em 1967. A única semelhança entre os dois casos é o lugar escolhidopara as duas experiências pedagógicas: duas escolas.

A onda é pura ficção, mas bem que poderia ser a mais verossímil das verdades. Ao expor as raízes dos regimes autoritários, o professor alemão Rainer Wenger faz uma terapia coletiva sobre a anulação voluntária que o cidadão se submete para dar corpo a um regime ditatorial. Além de expor os alemães a uma análise individual do nazismo, o filme chama atenção para o carácter autoritário que existe dentro de cada cidadão.

O roteiro é baseado justamente na autoridade central do professor Rainer Wenger. Por ser atleta, gostar de rock, ter posições políticas que no Brasil chamaríamos de “esquerda”e ser o técnico do time de pólo-aquático, Wenger tem o respeito e admiração dos alunos. É considerado um “igual”, ponto fundamental da personificação autocrática.

O fuhrer do colegial consegue conduzir os alunos da mesma forma que Hitler ou Mussolini fizeram na Europa.

No momento que o mundo passa por uma das piores crises de desemprego da história, partilhando do medo coletivo do terrorismo talebã e norte coreano e vendo a política doméstica desmoronar diante dos olhos, o filme de Dennis Gansel serve para abrir os olhos do mundo e, principalmente, da juventude desenganada, que prefere Susan Boyle à Angela Merkel, Sarkozy ou Obama.

“A onda” serve também ao Brasil, que assiste atônito ao desmoronamento da terceirização política promovida por todos nós, desde a abertura democrática. A julgar pelos comentários que se lê e ouve na internet, a mais nova obra prima alemã deveria ser obrigatória em todos os vestibulares brazucas.

Cinco estrelas.

Obs.: não confundir o filme de agora “A Onda”(Die Welle, Alemanha, 2008) com o “A Onda”( The wave, EUA, 1981). Ambos têm a mesma temática e se passam dentro da escola. Entretanto, são abordagens diferentes. Variações sobre o mesmo medo.

Paulo Coelho: o filme pior que o livro

Nunca escondi que na adolescência fui leitor de Paulo Coelho. Por pertencer a uma família de pouca instrução, quem deseja escapar dessa situação tem logo que se apoiar naqueles mais letrados. Uma das minhas tias era fascinada por Paulo Coelho e, sempre que terminava de ler, fazia questão de me repassar os livros. Foi assim que, com conhecimento de causa, descobri a literatura fraca praticada por Paulo Coelho.

Não é novidade pra ninguém que Coelho é o que é por pura estratégia de marketing, aliada ao misticismo facilmente confundido com auto-ajuda. Dos cinco livros que li de Coelho, os melhores, ou melhor, os menos piores, foram “O Demônio e a Srta. Prim” e “Verônica decide morrer”. Livros curtos, de fácil digestão para quem está aprendendo a ler. Nas duas obras existe uma atmosfera de suspense que realmente prendem o leitor. Nada novo e nada já não praticado por Agatha Christie ou Stephen King, duas outras referências literárias lá de casa.

Esse último livro, “Verônica…”, trata de uma jovem com depressão que vai parar num manicômio. Ela se envolve com um esquizofrênico e os dois vivem um romancezinho, que justamente vai fazer a moça desistir de se matar.

Lamentavelmente o livro acaba de ganhar uma versão cinematográfica. Para minha surpresa, escolheram Sarah Michelle Gellar como protagonista. Pra quem não sabe, ela é a mesma atriz da série “Buffy, a caça-vampiros”, além de participações em filmes como “Pânico 2” e “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”. Três exemplos de frenesi adolescente dos anos noventa. Três exemplos péssimos que deveriam ser escondidos do currículo de quem se diz uma boa atriz.

Ao escolher essa jovem e bonita atriz, o diretor do filme faz a exata escolha de Paulo Coelho ao escrever. O marketing em detrimento a qualidade. Entre tantas atrizes de Hollywood, seria difícil escolher alguém menos ligada a essas fúnebres marcas? Acho que não, né? Ao assistir o trailer do filme, fiquei com a mesma impressão que tive quando vi o Mercadante defendendo José Sarney na tribuna do Senado: conseguiram piorar o que já era ruim.

Nunca fui fã da máxima “Não vi e não gostei”. Porém, nesse caso faço questão de até pular a crítica do jornal a respeito do filme.

Jornal do Senado ensina faxina ideal

Parece piada. Ou como diria o Zé Simão, “o país da piada pronta“.

Existia uma piada muito em voga nos anos 90 que imputava à grafica do Senado as maiores atrocidades com o dinheiro público. Quando um senador era apontado como corrupto, diziam queesse pertence a gráfica do Senado“, que durante muito tempo era no subsolo do plenário.

Pela edição de 22 de junho do “Jornal do Senado“, parece que nada nessa importante casa de leis escapa intacta da esbórnia com o nosso dinheiro. Enquanto a crise acontece no andar de cima, o nobre jornal ensina como fazer uma faxina ideal. Cidadania é isso !

http://www.senado.gov.br/jornal/noticia.asp?codEditoria=521&dataEdicaoVer=20090622&dataEdicaoAtual=20090622&nomeEditoria=Especial+Cidadania&codNoticia=85333

Uma foto. Um slogan

DILMA 2010: A FORÇA NA PERUCA!!

DILMA 2010: A FORÇA NA PERUCA!!

A melhor entrevista da minha vida também é a pior

Sempre tive um enorme fascínio pela geração de 68. No Brasil pelo combate a Ditadura. No mundo pelas transformações sociais e comportamentais vistas até hoje. Pela Primavera de Praga, a Revolução dos Cravos, o Maio em Paris. Não sei bem o que essa gente tem, mas, mesmo hoje, ao se encontrem com seus pares da época, ainda mostram uma amizade incomum para os tempos de hoje. Talvez pelas dores que sentiram, que até hoje calam à alma e justificam o injustificável.

Pela ausência de família, sempre me apeguei muito aos amigos. Poucos deles sinto que são sólidos realmente, capazes de resistirem às tempestades oriundas da passagem do tempo, das mudanças sociais. E acho que por isso me chama atenção essa relação estreita entre a turma da revolução.

Dia desses, me incumbiram de fazer uma série especial sobre as greves do ABC, que completaram 30 anos. Como qualquer repórter que presa o mínimo de qualidade no trabalho, corri a assistir todos os documentários sobre o assunto. Do “ABC da Greve” a “Peões” foram pelo menos sete deles, além da consulta em jornais da época e vasta literatura acadêmica sobre o período.

Quatro dias depois do início das pesquisas, estava com a história do sindicalismo e da redemocratização do país na ponta da língua. Sonhei até entrevistar o personagem principal dessa época, o até então apenas Luiz Inácio da Silva.

Obvio que não consegui. Porém, a ausência do barbudo me levou a casa de seu braço direito na época: Djalma de Souza Bom.

Naqueles tempos, Djalma também era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema. Em vários documentários e filmes que assisti, lá estava ele, sempre ao lado de Lula. Sempre na linha de frente dos piquetes.

Era, certamente, o personagem certo a se ouvir.

Marcada entrevista, descobri que ele morava duas ruas atrás da minha casa. A conversa se daria numa quinta-feira às 10h00, uma manhã muito ensolarada. Embora localizado em área nobre, o apartamento de Djalma era simples. Uma cozinha americana e uma sala ampla. Um quarto e um escritório. Os móveis rústicos, tal qual se espera da casa de uma pessoa que se aproxima dos setenta anos.

Djalma não escondia a felicidade de ter sido lembrado (de novo) para falar daquela data tão importante pra ele e também para o Brasil. Ao contrário de Lula e outros petistas inveterados, Djalma acabou entre os anônimos da época das greves. Tanto que foi escolhido por Eduardo Coutinho para fazer parte do filme “Peões”, que justamente resgata as raízes desse sindicalismo que se confunde com a história pessoal do nosso presidente.

Acostumado a entrevistas sobre o período para tccs e projetos acadêmicos, Djalma esquematizou em várias folhas de papel tudo que queria e precisava falar sobre aquelas greves. Da inscrição no sindicato à luta contra o governo militar, passando pela fundação do PT e do cargo de deputado federal que ocupou duas vezes.

A letra era de alguém de pouco instrução. Garranchos, mas sem os erros de português que se percebia na falta dos “ésses” ao final de cada frase. Marcas de todos os sindicalistas daquela época, que Djalma Bom carrega até hoje, mas que não o impediram de ser o que é. Personagem vivo da nossa história recente.

O papo melhorou apenas depois que, instigado, largou os papéis e mergulhou no emaranhado de lembranças sobre o período.

Ouvi tudo com muita atenção até o momento que Djalma lembrou do exemplar do livro “Germinal”, de Émile Zola, que ganhara de um amigo do sindicato anos antes da greve. Tive a oportunidade de ler o romance de Zola ainda adolescente e, de fato, me lembrei que a luta dos mineiros franceses, engolidos pela terra diariamente, tinha muita semelhança com as greves do ABC. Não só com a greve dos metalúrgicos, mas de qualquer greve no mundo por melhores condições de trabalho, como bem lembrou o próprio Djalma.

Inspirado nos trabalhadores da mina de Voeux, Djalma teve a idéia de criar um fundo de greve semelhante ao criado pelo forasteiro Ethiene, personagem central de “Germinal”. Tal qual o livro escrito em 1881, os alimentos arrecadados no ABC possibilitou que as greves de 79 e 80 durassem mais de quarenta dias, mesmo com a prisão de seus líderes.

Se é verdade que a arte imita a vida, nesse caso a vida retribuía com louros a inspiração artística. Percebi que a história recente do país estava ao meu alcance. Ao contar sobre as assembléias no estádio da Vila Euclides, os olhos de Djalma marejaram e a emoção tomou conta da sala. E do próprio repórter, que não se agüentou e logo sentiu o embaçar das vistas e o embargar da voz, sempre seguido por um pigarro…

As lágrimas também me correram, não pude evitar. Naquele momento todas as imagens que vi nos filmes não eram simplesmente recontadas, mas revividas como se aquela fosse uma quinta-feira de 78. Como se o estádio da Vila Euclides novamente fosse invadido pela orda de mais de cem mil trabalhadores famintos e explorados.

Impossível para alguém como eu se manter isento, principalmente quando Djalma contava sobre as dificuldades de se trabalhar em fábricas sem as mínimas condições de segurança e por salários baixíssimos. Muitos trabalhadores acabaram mutilados e lutar por melhores condições de vida era preciso, mesmo com a polícia na porta de casa e o exército sobrevoando o sindicato de helicóptero.

Tempos difíceis, que, segundo Djalma, “só foram superados pela amizade e pelo desejo de um Brasil melhor para todos”.

Quase uma hora depois de iniciado o papo, percebi que a fita do gravador tinha acabado. Ao checar, descobri que poucas daquelas ricas histórias tinham sido registradas.

A emoção me traíra. Transformou aquela que seria a melhor entrevista da minha, na pior de todos os tempos.

Encabulado em pensar sobre o que o entrevistado acharia daquela falha grave, não pedi para ele repetir. Também não precisava. Jamais conseguiria transmitir aos meus ouvintes as quase duas horas de entrevista que se seguiram no pequeno apartamento da rua João Moura.

Certamente é uma história de como não se portar em uma entrevista. Apesar disso, voltei pra casa com a sensação de ter conhecido a alma que existe por trás das histórias registrada nos livros. A porção humana que move qualquer acontecimento. A face que realmente vale de qualquer grande momento histórico.

Nelson Rodrigues pode ganhar instituto

Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues completaria 100 anos em 23 de Agosto de 2012. Para comemorar o centenário do dramaturgo, um grupo de diretores teatrais de São Paulo e Rio articulam a fundação de um instituto em homenagem a ele. A idéia é organizar textos, fotos e vídeos que simbolizem a trajetória do “anjo pornográfico”. O grupo é liderado pelo diretor Marco Antonio Braz, que venceu a última edição do Prêmio Shell de Teatro em São Paulo. Braz faturou o prêmio de melhor direção com  “A Alma Boa de Setsuan”.

Carioca radicado em São Paulo, o diretor ficou conhecido por suas montagens das tragédias de Nelson.  A ideia do instituto ainda é embrionária, mas já conta com o apoio de grandes nomes do teatro, como Antunes Filhos, Aderbal Freire Filho e Zé Celso Martinez Corrêa.  A conferir.

“Álbum de família” moderno é fenômeno no Youtube

Como já disse aqui há alguns posts atrás, a atual fase do cinema brasileiro permite filmes muito ousados e criativos. O Corpo, A festa da menina morta, Cheiro do Ralo e Estômago são alguns deles. Uns fracos, outros muito bons. Fato é que a produção nacional segue com o forno aquecido, ainda na banguela do crescimento do mercado no ano passado, que foi surpreendido em outubro igualmente pela crise. Quem não conseguiu finalizar ou captar recursos até o ano passado, esse ano ficou muito mais difícil.

É o caso do novo filme de Aluizio Abranches (“Um copo de cólera” e “As três marias”), que está em fase de finalização, após penosa captação de recursos. Mesmo sem assistir, arrisco colocar “Do começo ao fim” como legítimo representante dessa nova safra. Seja ele bom ou ruim. Abranches conta a história de dois irmãos gays que se apaixonam e resolvem viver esse amor após a morte da mãe. Se não é criativo, certamente é muito corajoso.

Quem assistiu qualquer montagem de “Álbum de Família”, peça mais polêmica de Nelson Rodrigues, certamente não se chocará com qualquer tentativa de polêmica oriunda do seio familiar. Porém, a escolha de Aluizio Abranches em contar essa história de amor desde a infância vai deixar as entidades de proteção aos valores familiares de cabelo em pé, como aconteceu na estreia da primeira montagem da peça de Nelson Rodrigues, em 1967. A peça foi liberada pela Ditadura apenas 19 anos depois de escrita, justamente por trazar ao palco o incesto entre a filha e o pai, entre os filhos e a mãe.

O promo do filme de Abranches já caiu no youtube a cerca de um mês. Até agora foi visto por quase 500 mil internautas., o que é um fenômeno para qualquer produção nacional. Ao ler os comentários postados no site de vídeos, já se pode ter uma ideia das  discussões que se avizinham. Arrisco o palpite que trata-se do filme mais polêmico do país desde os tempos de “Tropa de Elite”, de José Padilha.

Assim como aconteceu com Wagner Moura, João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso, os dois irmãos gays de “Do começo ao fim”, terão lugar garantido em qualquer produção nacional após esse longa. A presença de Julia Lemmertz, Fábio Assunção e Louise Cardoso também legitimam esse que deve ser o mais novo fenômeno de público dos cinemas brasileiros. A conferir. Estreia em 29 de Agosto.

Site oficial: http://www.pequenacentral.com.br/cinema/docomecoaofim/

Trailer:

\”Do começo ao fim\” – Aluizio Abranches

Notas curtas

Confiança:  Embora o candidato do PSDB à sucessão de Lula ainda dependa das prévias do partido, o governador de São Paulo, José Serra, já anda cantando vitória por aí. No lançamento do Instituto Vladimir Herzog, na última quinta-feira, 25, o governador foi abordado por uma amiga jornalista que atuou na campanha dele em 2002. Esse repórter, de orelhas atentas, acompanhou o diálogo:

– Oi, governador. O sr. lembra de mim?

– Claro que sim, das campanhas!

– Pois é, ano que vem tem eleição, né?!

– E dessa vez nós vamos ganhar…! (risos)

Barbada: Outro tucano que parece não se importar com a indefinição do partido sobre o candidato à sucessão em São Paulo é Geraldo Alckmin. O secretário de Desenvolvimento de São Paulo anda se encontrando semanalmente com o marqueteteiro Raul Cruz Lima, que assumiu de última hora a conturbada campanha à prefeitura do tucano. Alckmin ficou fora do segundo turno em 2008, mas é consenso entre os alckministas do partido que Raul e sua equipe não foram os culpados pela amarga derrota para a máquina kassabista.

Vende-se: A Rádio Kiss FM (102,1MHz), única emissora do país especializada em clássicos do rock, já não é mais a mesma. Com  a audiência e o faturamento em baixa, está a venda e logo pode sair do ar. Pertencente ao grupo Mundial de Comunicações, dono de uma porrada de rádios de São Paulo como Tupi, Atual, Mundial, Terra, entre outras, a Kiss pode ser arrendada pela bagatela de R$350 mil mensais. Os compradores potenciais, como sempre, são igrejas e sindicatos. Quem pagar mais leva.

Clone 1: O mais recente passo da Rede Record no processo de clonagem da Tv Globo é o dominical “Esporte Fantástico”. Concorrente do “Esporte Espetacular”, o programa deve estrear no próximo domingo, 05 de julho. O apresentador mais cotado para fazer dupla com Milena Ceribelli, ex-Globo, é Reinaldo Gottino, que comandava o policialesco “SP Record”. Gottino foi substituído por Carla Cecatto no comando do vespertino há cerca de um mês, para descansar a imagem. A escolha da emissora é uma tentativa de não naufragar a audiência do esportivo logo na estreia, já que não tem os direitos de transmissão do futebol, alma de qualquer programa esportivo. Por conta da escolha de Reinaldo Gottino, a piada que corre na emissora é que, nem bem estreiou,  o novo departamento de esporte da emissora virou “caso de polícia”. Antes de Gottino, o mais cotado era Eduardo Elias, da ESPN, que teria recusado o convite da emissora de Edir Macedo.

Clone 2: Aliás, especula-se na emissora da Barra Funda a criação de um “Record Rural”, cópia descarada do “Globo Rural”, transmitido todas as manhãs pela Globo e líder de audiência do horário.

Clone 3: E por falar em Record, a emissora também deve estrear logo mais o R7, cópia do portal G1 da Globo. A colunista Fabíola Reipert, da Folha/Agora, foi vista andando pelos corredores da emissora várias vezes e pode ser um reforço para o site da emissora evangélica.

Sinais do fim dos tempos 1

Livro ou ameaça? Eis a questão...

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