Que modernidade, cara-pálida ? (Ou R$3,80 é a solução do atraso)

haddad + alckmin

Em meados de 2015 os adoradores do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foram ao orgasmo com as várias citações do mandatário paulistano nos jornais internacionais, que classificaram o petista de “moderno” e “visionário”, por conta da política de ciclovias na cidade. O mesmo está se dizendo agora sobre a alternativa dada por Haddad para regulamentar o serviço Uber em SP e o suposto projeto pra enterrar fios.

Pelo lado tucano, eleição atrás de eleição, os adoradores do PSDB martelam na propaganda política que o governador Geraldo Alckmin é igualmente um administrador “moderno”, “arrojado” e “destemido”.

Onde estão tantas qualidades na hora que se precisa realmente delas?

Num contexto de crise econômica e desemprego, o cidadão esperava justamente soluções criativas e a altura da modernidade vendida pelos aduladores da corte. Mas o aumento da tarifa anunciado por eles é a solução de sempre, só que agora combinada entre Prefeitura e Estado para que os dois dividam o ônus político do desgaste.

De alguém intitulado – ou autointitulado – “moderno” e “visionário” se esperava soluções criativas que pudessem segurar as tarifas ou gerassem aumentos menores, dando benefícios e alternativas aos cidadãos que enfrentam falta de emprego e dificuldades financeiras.

E exemplos não faltam no mundo inteiro sobre isso.

Em Madrid e Barcelona a diferenciação é por zonas e linhas. Em Vancouver por regiões, com tarifa conjunta e única de metrô e ônibus.

Pra não precisar ir tão longe, nossos próprios vizinhos latino-americanos podem nos dar exemplos de criatividade. Ficando apenas no exemplo de Santiago do Chile, onde estive nas últimas festas de Natal, me impressionou o fato do metrô da capital ter três diferentes tarifas pra cada hora do dia.

Em Santiago o horário de rush, entre 07h e 09h, custa $720 pesos chilenos (cerca de R$3,90 a R$4,00), enquanto que depois das 20h45 o preço cai para $610 (R$3,40 a R$3,50) e durante o meio do dia o valor é $660 (R$3,70). Por lá, a tarifa paga no metrô não é cobrada novamente no ônibus, como acontece em São Paulo, onde é acrescentado mais R$1,95 ao usar os dois transportes.

Além de beneficiar o bolso do cidadão, tarifas diferenciadas servem para descongestionar os horários de rush e equilibrar o fluxo de passageiros no sistema.

Quem não é alucinado e delirante compreende que existe custo de operacionalização do sistema de transporte paulista e que ele aumenta com a inflação, como tudo na economia.

O que não se compreende é por quê Alckmin e Haddad não usam as qualidades auto-imbuídas para propor caminhos alternativos, fora do óbvio, do fácil e do comum?

O aumento que começa a vigorar neste 09/01 equipara Haddad e Alckmin a Maluf, Pitta, Serra, Fleury e tantos outros, que optaram por esse mesmo caminho fácil e óbvio do aumento de tarifas.

Como repete sempre um amigo, a crise do Brasil é de ideias, não de ideologia.

Tucanos e petistas se autodestroem porque, no espelho, são a face um do outro. E o que é pior: a face do óbvio, do comum e do arroz com feijão. Coisas que já não dão conta da complexidade da evolução da sociedade brasileira.

Que os protestos comecem e se multipliquem. É pouco pra Alckmin e Haddad, que não aprenderam nada com o passado recente.


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