A conta do leite e a extorsão da tarifa em SP

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Sou o filho mais velho e orgulhoso de uma empregada doméstica, mais tarde faxineira, mãe de cinco filhos. A primeira operação matemática que aprendi na vida, a duras penas, foi a conta do leite. Ela é simples e minha mãe repetia a cada escândalo que eu dava pra poder ir num passeio da escola, ou comprar o brinquedo ou roupa da moda.

Explicava a minha mãe:

– Se eu der R$30,00 pra você ir no zoológico com a escola, deixarei de comprar duas caixas de leite para os seus irmãos. Você prefere ir num passeio ou ver seus irmãos chorando de fome?

O aumento de R$0,30 nas passagens de ônibus e metrô, para uma mãe de família que pega os dois transportes diariamente pra ir e pra voltar do trabalho, significa R$1,20 por dia. R$6,00 por semana, R$30,00 num mês de 25 dias.

Parece bem pouco pra nós, gente de classe média, que gasta muito mais em chopp e em balada. E pelo preço atual do leite, talvez compre pouco menos que uma caixa com 12 litros de leite.

Mas pergunte pra qualquer mãe pobre a diferença que uma caixa de 12 litros de leite faz pra uma família de dois, três filhos menores.

Por isso, o aumento da passagem promovido por Alckmin, Haddad, Pezão e Lacerda (BH), sob qualquer aspecto, é imoral. Fruto de uma classe política alienada, que considera apenas planilhas, não gente e nem famílias.

Isso sim é vandalismo.

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