Geraldo Alckmin: a coerência engrandece a pessoa, não é?
A política dá voltas. Muitas e rápidas voltas, já diria o velho lugar comum. No caso do PSDB, não precisou mais de uma eleição para que esse ditado se concretizasse.
Quem acompanhou o pleito para prefeito de São Paulo, em 2008, se lembra da disputa ferrenha entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab. A briga dividiu a base do partido tucano em São Paulo e colocou serristas e alckministas de lados opostos do ringue. Representados por Walter Feldman, o lado serrista do tucanato foi de Gilberto Kassab. Os alckmistas tiveram Gabriel Chalita e a Canção Nova, Edson Aparecido e Aécio Neves. Mediando o embate: FHC, que nunca foi simpático aos alckmistas, diga-se de passagem.
Acuado com a falta de verba e apoio do partido a sua candidatura, os ataques de Geraldo Alckmin foram centrados em Orestes Quércia, cacique do PMDB paulista e principal responsável pela vitória de Kassab nas eleições de 2008. Na mais dura propaganda contra Kassab, Alckmin ligava o atual prefeito à Quércia, Maluf e Pitta, dizendo que todos eles eram farinha do mesmo saco.
Pra quem não se lembra, a propaganda está disponível no final do post. Ela termina com uma colossal pergunta: “A coerência engrandece a pessoa, não é?”
Para o espanto de todos, no último dia 11/09 a Folha de São Paulo trouxe a seguinte informação: Alckmin e Quércia fecharam acordo de colaboração e mutuo apoio para as próximas eleições. Disse Mônica Bergamo: “Os ex-governadores Orestes Quércia (PMDB-SP) e Geraldo Alckmin (PSDB-SP) já acertam os ponteiros. Os dois se encontraram recentemente na casa de Quércia e discutiram a chapa estadual para a campanha de 2010 em São Paulo, com Alckmin candidato ao governo e Quércia, ao Senado. Quércia, que firmou acordo para apoiar o candidato do PSDB no próximo ano, sempre manifestou sua preferência por outro tucano, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que disputa a indicação do partido com Alckmin. A escolha de Alckmin como candidato, no entanto, pode beneficiar o peemedebista: o tucano ficaria fora da disputa pelo Senado em 2010. E Quércia seria então o candidato forte da chapa PSDB-PMDB para o parlamento.”
Nessa hora cabe uma pergunta capciosa à Geraldo Alckmin: “A coerência engrandece a pessoa, não é, governador?”