Lula deixaria a presidência?

No início do ano, antes da piora no quadro clínico de José Alencar, corria entre os corredores do planalto que o presidente Lula estava disposto a deixar a presidência da República em nome de Dilma.

A idéia do presidente era percorrer o Brasil divulgando sua candidata do coração, sem precisar dar satisfação à oposição e sem precisar enfrentar a lenga-lenga do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No último final de semana estive com uma enfermeira do Sírio-Libanês, que me confirmou ou óbvio: as idas e vindas de Alencar ao hospital não são mais as mesmas. O vice-presidente, que antes do tratamento nos Estados Unidos chegava sorridente, feliz e bem-humorado ao hospital, hoje já não esbanja tanta vitalidade e dá sinais claros de abatimento. E entrega.

Perguntei a ela se José Alencar sobreviveria até outubro de 2010. A resposta foi lacônica: “Vindo dele, tudo se pode esperar. É um guerreiro. Mas o futuro só pertence a Deus”.

Na semana passada, a revista Veja trouxe uma excelente entrevista com Alencar. Arrancou-me lágrimas o relato dele sobre a vida, a gratidão, a incapacidade de realizar qualquer tarefa sem ajuda e a ansiedade de encontrar os pais. Foi uma entrevista de cortar o coração. Um depoimento emocionante de quem já se prepara para a morte.

Se Alencar falecer antes de outubro de 2010, Lula estaria disposto, mesmo que apenas quinze dias, largar a presidência para fazer campanha e ajudar Dilma?

Estaria o sapo barbudo disposto a deixar, mesmo que provisoriamente, o país nas mãos do PMDB de Michel Temmer, que é o segundo na linha sucessória?

A resposta, caros leitores, veio de um grão petista de alta plumagem, o qual um vizinho deste condomínio definiu semana passada como “alguém que manda muito e a imprensa não fala”:

- Lula está disposto a se ausentar da presidência.

Até junho de 2010, quando começam as campanhas de fato, muita água vai rolar. Dilma pode melhorar nas pesquisas e nem precisar de tamanho sacrifício do chefe. Mas Dilma também pode cair ainda mais nas pesquisas e precisar de todo o apoio do patrão. Ou até de uma operação resgate.

Mesmo que Alencar não morra, é arriscado deixar o governo na mão de uma pessoa tão doente. Mais cedo ou mais tarde, Alencar se ausentará e o PMDB ocupará a cozinha, como ratos que são.

Suicídio político para Lula ou ato estratégico? Cartada política ou ato de desespero?

 Quem saberá?

Concreto de fato só temos uma coisa: é bom não duvidar das palavras de Lula. Os números do PIB no 2 trimestre mostram que o cara tem uma boca santa, muito santa. Foi o único que apostou em crescimento substancial do Brasil em 2009. É o único que diz, desde o início do ano: ‘Vou fazer meu sucessor, custe o que custa’.

Numa frase que gosto muito: “Quem viver, verá!”

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