A internet ainda não é um bom negócio

Muito se fala sobre o avanço da internet em substituição às publicações impressas. Porém, do ponto de vista publicitário, o papel continua a mídia preferida dos anunciantes. O levantamento recente do IBOPE / Nielsen mostra que, apesar da web estar ganhando território, vai demorar um bocado para as empresas de mídia começarem a ganhar dinheiro de verdade com suas plataformas online.

Jornais e revistas perderam espaço desde 2008.  Porém, num ritmo muito menor do que se imaginava. Com exceção dos grandes grupos, as médias e pequenas empresas de mídia consideram a internet  um negócio ainda muito caro. Falta anunciantes e os poucos e grandes que investem pesado nessa categoria dividem as verbas publicitárias com redes sociais e links patrocinados no Google.

É muito mais barato e tem muito mais efeito, segundo alguns diretores comerciais consultados por N-Ideias.

Pela pesquisa IBOPE, a internet fechou o primeiro semestre de 2009 com apenas 3% da fatia publicitária no país. TVs, jornais e revistas tiveram, respectivamente, 54%, 23% e 8%.

Os leitores podem argumentar que a internet ainda não tomou corpo e engatinha. Mesmo assim, a participação financeira é muito pequena pelo barulho que se faz até aqui.

Suspeito que a internet seja um negócio lucrativo apenas para empresas de vendas, como livrarias, lojas de departamento e agências de viagens, por exemplo.

Do ponto de vista da informação a web vai demorar a ser um negócio rentável como são os jornais, revistas e emissoras de televisão. Como muitas pessoas já dizem por aí, a internet veio para acabar de vez com o atual modelo concentrado de negócio das empresas de mídia. Mesmo assim, qualquer um que criar um site de informação terá que se digladiar com páginas de humor, de games, redes socias, youtube e tantos outros que existem e existirão daqui pra frente.

Tudo isso pra dizer o seguinte: o atual modelo de trabalho do jornalista tende acabar ou se deteriorar ainda mais com a net. Tanto do ponto de vista do ofício, com equipes reduzidas, como do ponto de vista do salário, que, penso eu, jamais alcançarão o patamar de um jornal ou revista.

Conversando com um bamba do jornal “O Dia”, do Rio, ele me contou que a internet é um negócio que ainda não se sustenta monetariamente . Segundo ele, sem o apoio da redação do jornal impresso, o site não conseguiria manter uma equipe minimante razoável para fazer o básico do jornalismo.

Aos amigos que trabalham ou trabalharam em grandes sites, como Terra, IG e UOL, repasso uma pergunta: a rotina de trabalho se assemelha a uma redação de impresso em número de repórteres, editores e redatores? Esses profissionais tem salários maiores ou menores que o de seus pares do jornalismo offline?

- Os investimentos em publicidade no Brasil

 

Meios

1°Semestre 2009

1°Semestre 2008

Investimento (milhões de R$)

Partic. (%)

Investimento (milhões de R$)

Partic. (%)

TV

15.042.034

54

13.378.801

50

JORNAL

6.326.263

23

6936566

26

REVISTA

2.262.168

8

2.243.210

8

TV POR ASSINATURA

2.199.949

8

2.045.632

8

RÁDIO

1.289.134

5

1181039

4

INTERNET

784.649

3

649.322

2

CINEMA

177.123

1

170.799

1

OUTDOOR

26.012

0

32.092

0

TOTAL

28.107.331

100

26.637.460

100

Fonte: Ibope/Nielsen Online (01/jan/2009 à 30/jun/2009)

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