Paulo Coelho: o filme pior que o livro
Nunca escondi que na adolescência fui leitor de Paulo Coelho. Por pertencer a uma família de pouca instrução, quem deseja escapar dessa situação tem logo que se apoiar naqueles mais letrados. Uma das minhas tias era fascinada por Paulo Coelho e, sempre que terminava de ler, fazia questão de me repassar os livros. Foi assim que, com conhecimento de causa, descobri a literatura fraca praticada por Paulo Coelho.
Não é novidade pra ninguém que Coelho é o que é por pura estratégia de marketing, aliada ao misticismo facilmente confundido com auto-ajuda. Dos cinco livros que li de Coelho, os melhores, ou melhor, os menos piores, foram “O Demônio e a Srta. Prim” e “Verônica decide morrer”. Livros curtos, de fácil digestão para quem está aprendendo a ler. Nas duas obras existe uma atmosfera de suspense que realmente prendem o leitor. Nada novo e nada já não praticado por Agatha Christie ou Stephen King, duas outras referências literárias lá de casa.
Esse último livro, “Verônica…”, trata de uma jovem com depressão que vai parar num manicômio. Ela se envolve com um esquizofrênico e os dois vivem um romancezinho, que justamente vai fazer a moça desistir de se matar.
Lamentavelmente o livro acaba de ganhar uma versão cinematográfica. Para minha surpresa, escolheram Sarah Michelle Gellar como protagonista. Pra quem não sabe, ela é a mesma atriz da série “Buffy, a caça-vampiros”, além de participações em filmes como “Pânico 2” e “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”. Três exemplos de frenesi adolescente dos anos noventa. Três exemplos péssimos que deveriam ser escondidos do currículo de quem se diz uma boa atriz.
Ao escolher essa jovem e bonita atriz, o diretor do filme faz a exata escolha de Paulo Coelho ao escrever. O marketing em detrimento a qualidade. Entre tantas atrizes de Hollywood, seria difícil escolher alguém menos ligada a essas fúnebres marcas? Acho que não, né? Ao assistir o trailer do filme, fiquei com a mesma impressão que tive quando vi o Mercadante defendendo José Sarney na tribuna do Senado: conseguiram piorar o que já era ruim.
Nunca fui fã da máxima “Não vi e não gostei”. Porém, nesse caso faço questão de até pular a crítica do jornal a respeito do filme.
Comparar Paulo Coelho a Stephen King foi sacanagem.