“The Bling Ring” e o desalento de uma geração

Sofia Coppola chega ao seu quinto filme com “The Bling Ring” – uma cinematografia relativamente curta, mas extremamente consistente. Mais uma vez, a diretora se debruça sobre os dilemas da juventude, inspirada por uma matéria da Vanity Fair sobre jovens que invadiram e roubaram casas de artistas de Hollywood.

O tema parece fútil, mas o filme está bem longe disso. Roupas grifadas e baladas exclusivas são apenas o pretexto para tratar do vazio e da desolação de toda uma geração. Com delicadeza – e sem juízo de valor – o filme retrata as motivações desses atos. Os personagens não têm condições de comprar todas as peças de marca que desejam, mas o que os move não é apenas o fato de tê-las. O que está em jogo é atitude ligada a elas. Circular na casa de uma celebridade e sentir-se íntimo dela – mesmo que ela não esteja lá – vale mais do que qualquer peça comprada em uma loja.

Os garotos contam em festas e publicam seus feitos na internet – uma atitude que beira a ingenuidade, mas que na verdade reflete uma necessidade obsessiva por reconhecimento. Se antes da era das redes sociais as pessoas assim tendiam a se frustar na busca por serem populares, agora é mais fácil e controlável se expressar na internet. Quem é tímido encontra um espaço para se expor; quem é “esquisito” pode transformar isso em estilo. Há espaço para todos.

Esse sentimento de inadequação dos protagonistas é reforçado a todo momento. Entramos então em uma espécie de paradoxo: embora busquem a legitimidade em seus pares, o grupo parece bastar-se em si mesmo para se divertir. Sequer é preciso interagir de fato – basta publicar a coisa certa e esperar os louros (“likes”). A relação com os demais é apenas para construir o mito, o fetiche de ter o que todos querem ter e estar onde todos querem estar. A ideia é ser querido sem que as pessoas conheçam as suas nuances e os seus defeitos.

Em contraponto a um mundo tão calcado na força da imagem, o texto de “The Bling Ring” é sutil, complementando e nunca repetindo ou banalizando o que é visto na tela. Exemplo de uma ótima frase muito bem colocada é a entrevista da personagem de Emma Watson, quando ela diz que Lindsay Lohan (uma de suas vítimas, ironicamente presa na mesma cadeia que ela) vestia a mesma roupa laranja que as outras detentas. O ciclo se inverte e se fecha.

Os delinquentezinhos podem ter sido condenados a detenções e multas, mas ninguém pode dizer que não foram longe. Assim como ninguém menos que Maria Antonieta, ganharam um filme de Sofia Copolla. Não é pouca coisa.

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