(este assunto mereceria um texto mais sério) O Facebook é um lugar. Tal como ler uma revista de celebridades, a gente entra nesse lugar para saber as novidades da vizinhança –ou, no caso, do universo de pessoas conhecidas, ali denominadas “amigos”. Se todos merecem ou não o epíteto, acho que há consenso: é claro que não. [...]
É bom ver que o tempo gasto em uma atividade serviu pra alguma coisa. E é engraçado ver que coisas horríveis podem ter lindas conseqüências. No caso, algumas fotos em preto e branco que eu fiz de Paris foram usadas pelo meu vizinho no projeto de fim de ano dele. Veja só, conheci-o porque algo [...]
Pedro e Inês Inês comia um sanduíche de coração sentada no balcão do bar quando Pedro chegou esbaforido. Ela levantou a sobrancelha como se dissesse “que foi, viu um fantasma?”. – Não, subi correndo, ainda tô destreinado. O pão francês pálido esmigalhava-se sobre o prato coberto com um daqueles guardanapos que não servem pra nada, [...]
Os peixes voavam fazendo lambança no chão de terra do largo na frente da porteira do sítio. Eram brancos com umas manchas pretas, peixes-dálmata, lembravam linguados, mas meio felinos. Pululavam saltando os fios elétricos. Catei um e espetei com um pauzinho, pus em cima de umas brasas que estavam lá perto da touceira de mamona [...]
Remexendo em e-mails antigos, encontrei uma carta do prof. Pedro Paulo Funari comentando um artigo sobre literatura pornográfica que publiquei no finado caderno Sinapse da Bolha de S.Paulo. Dizia ele: “‘o gosto romano pelas imagens pornográficas’, como na chamada da página 20, apenas reforça um estereótipo sobre os romanos que, na verdade, viam no sexo [...]
As lolitas são fartas na música de Gainsbourg. Já mencionei a idolatria que ele tinha pelo livro de Nabokov em “Jane B”. Em “Chez Les Yé-Yé”, 1963, rendição ao ritmo contagiante dos anos 60, ele dizia non rien n’aura raison de moi/ j’irai t’ chercher ma Lolita/ chez les yé-yé (não, nada decidirá por mim/ [...]
Ok, então vou contar: desde a primavera daqui, não sei exatamente porque, mas a Itália e os italianos cruzam meu caminho a torto e a direito. Já mencionei minha atração pelas cantoras daquele país. Até aí, a Itália é aqui do lado e italiano tem em tudo quanto é canto (por que?). Mas parece mais [...]
Este é um post que eu espero que a minha mãe não leia. Porque, afinal, o que será mais doloroso? A filha, quando se pergunta se aqueles barulhos que a mãe faz no quarto à noite poderiam não ser de dor? Ou a mãe, quando, ao espiar pela janela que dá pra rua, vê [...]
“l’amour est aveugle et sa canne est rose” (o amor é cego e sua bengala é rosa) S.G. Os primeiros contatos que tive com a chanson française devem ter sido com o CD duplo da Edith Piaf que minha irmã mais velha ouvia no volume máximo em seu aparelho estéreo enorme. Seu quarto sempre [...]
Sim, estamos na era da informação, podemos pesquisar sobre tudo e qualquer coisa na internet, blá blá. Mas daqui o mundo tem mesmo outra perspectiva. A primeira coisa que me impressionou ao assistir à televisão francesa foi quão frequentemente se falava sobre a África. Sim, aquele continente imenso, que a gente acha que é [...]
(trilha sonora: a versão original, molhadaça e long time escondida –foi gravada em 1967 e liberada só em 1986– de “je t’aime moi non plus” gainsbourg + bardot) Já que eu já entrei no j’ai baisé, vamos continuar no hardcore porque sacanagem é bom e eu gosto. Uma das melhores coisas para se [...]