música, diretor!

Esse domingo estréia finalmente, na Rai Uno, o documentário no qual trabalhei de assistente de câmera em julho de 2009, ‘La visita meravigliosa’, um road movie mambembe sobre o compositor Nino Rota, responsável pela trilha sonora de quase todos os filmes de Federico Fellini.

Amarcord

8 e 1/2

Casanova

Entrevistamos várias pessoas que conheceram Rota: seus alunos do conservatório em Bari; especialistas na genealogia da família; Nicola Piovani, incumbido da difícil tarefa de substituí-lo no posto de compositor ao lado de Fellini depois que Rota morreu em 1979 (e que levou o Oscar em 1998 pela trilha de ‘A Vida é Bela’, de Roberto Benigni; Piovani foi aluno de Manos Hatzidakis, que por sua vez também conquistou a mesma estatueta pela canção grega interpretada por Melina Mercouri em ‘Nunca aos Domingos’, outro clássico); entre outros.

O ‘personagem principal’ do filme é o sobrinho-neto de Rota, Jean Blanchaert, figura que não consegue passar desapercebida. Ele tem uma galeria de arte em Milão especializada em vidro. Convivemos os quatro (Jean, o diretor, o câmera e eu) por dez dias no espaço exíguo do trailer dos anos 70 no qual cruzamos a Itália de Milão a Bari. Daquelas coisas que, de tão incríveis, a gente às vezes não acredita que fez parte.

Jean aguardando o almoço num restaurante na Puglia

De todas as obras de Rota, que também compôs muita coisa boa fora do mundo do cinema, a mais famosa é mesmo a valsa do Poderoso Chefão, de Coppola.

Outra dele que, ao ouvir, remete imediatamente ao filme, é o tema de Romeu e Julieta, de Zeffirelli.

O que seria de Fellini sem Rota? Com certeza seus filmes teriam um essencial diferente. Algumas colaborações entre diretor e compositor são tão perfeitas, imagem e som são tão complementares, que é impossível pensar em um sem lembrar do outro. A música é a alma do filme.

Mais alguns exemplos de boas parcerias, embora quase sempre mais pontuais:

Michel Legrand e Jacques Demy

Todos os diálogos do filme ‘Os Guarda-Chuvas do Amor’, de Jacques Demy, são cantados. O tema da despedida corta qualquer coração empedrado.

Legrand e Demy fizeram juntos também ‘Lola’ e ‘Les Demoiselles de Rochefort’ –onde a irmã rock’n'roll da Catherine Deneuve, Françoise Dorléac, faz par com Gene Kelly.

Aliás, quando quer, Michel Legrand tem essa capacidade de estimular os canais lacrimais como ninguém. Mais um nó na garganta: Verão de 42

Claude Lelouch e Francis Lai

Talvez a composição mais ligada à imagem que se tem do amor à la française.

Francis Lai tem uma ficha corrida longa que muitas vezes descamba pro mela-cueca mais irresponsável. Vide Love Story e Bilitis, soft porn lésbico do fim dos anos 70, também dele.

Georges Delerue e Godard

Atenção, mulheres: caso em período de TPM, preparem o lencinho.

Sergio Leone e Ennio Morricone

Eu tinha colocado aqui antes o Morricone com Giuseppe Tornatore e o Cinema Paradiso. Mas quem aguenta aquela trilha ainda? Já essa… nunca sai de moda… viva o western spaghetti!

Blake Edwards e Henry Mancini

1 comentário

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  • enhorabuena mujer!!! tô curiosíssima.

1 Trackback

  • [...] A Visita Maravilhosa (Itália) Produzido pela amiga e vizinha de A Nível de Lorelei Lee, é uma viagem particular em busca da história do grande compositor Nino Rota, responsável pela trilha de diversos filmes de Fellini e do clássico “O Poderoso Chefão”. As paisagens e os personagens são poéticos e exuberantes e os entrevistados falam do maestro com aquela deliciosa franqueza que só os italianos têm. Embalado pela música vigorosa de Nino Rota, o filme é solar e afetuoso. Lorelei conta mais sobre esta experiência aqui. [...]

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