eu queria dizer
Poucos dias antes de receber um convite para integrar este honorável domínio, tive uma conversa que me marcou, relacionada ao ato de escrever. Eu estava com uma das minhas melhores amigas aqui em Paris num café na região do Marais. Como em todo café por aqui, a gente pede só um cafezinho mesmo e fica horas sentado, sem ninguém olhando feio com cara de “e aí, vai liberar a mesa ou precisa de convite impresso?”. Fez sol, choveu, abriu o tempo de novo, continuávamos lá.
Falávamos dos prazeres e agruras da vida parisiense e ela lembrou de algo que seu pai lhe disse durante uma de suas crises de saudade e nostalgia.
(Parênteses para uma breve contextualização: eu moro aqui desde setembro do ano passado; ela, há pouco mais de dois anos. Seus pais moram no Brasil, mas conheceram-se aqui durante o movimento estudantil de 1968 –a mãe é francesa e o pai, mineiro.)
Ele disse algo assim, contou-me ela: “nenhuma cidade é como Paris. Nem Paris, quando você voltar. Porque a gente vai praí viver uma fase da vida que não será igual a nenhuma outra. O que você viver em Paris agora será algo muito importante na sua vida depois, algo que vai te marcar de maneira muito forte.” E ela terminou dizendo: “escreve sobre isso. Você tem o poder das palavras, algo que não é todo mundo que tem. Use-o!”
Semana seguinte, aparece o Bibes na minha caixa de entrada.
Depois do Fornicare Aude Ut Sapias, finado em 2006, mantive um outro blog bissexto com acesso para alguns pouquíssimos amigos. Escrevo lá assim, bissextamente, embora de alguns meses pra cá me dei conta de como escrever foi um ato cotidiano para mim numa época… e não era mais. Eu me perguntava o que aconteceu, porque foi assim.
Poxa, eu tive poucas certezas na vida, e uma delas é que eu gostava de escrever. Porque parei, então? Auto-sabotagem?
Existiram muitas razões, mas elas não importam mais. Importa que agora eu tenho algo a dizer em palavras e preciso dizê-lo. Farei-o aqui. Quem quiser acompanhar, que seja bem-vindo.
caraca, esse post foi um balde de água fria na minha preguiça criativa. rs.
Mucho Gusto, Well, Well, Well…
Lauretta, caríssima, é um prazer vê-la de volta ao mundo bloguístico, ainda mais no “A Nível de”. :)
le plaisir est tout à moi :)
adorei.
Pronto, comecei! rs……………..
E queria comentar que o termo “melhores amigas” é um dos clichês bobos que mais me aconchegam porque, ainda que não esteja falando exatamente de mim, sei que pertenço a esta classificação tão cor de rosa! hahahahahahahahaah!!!!!!!!!!
Que delícia! Li tudo, de cima pra baixo, rs.
(quero tanto falar francês e escrever mais..)