Prefiro a ignorância à hipocrisia

Estou na sala de informática da Universidade. Ao meu lado, a Fenomenologia da Percepção de Merleau-Ponty. Estou com um dicionário de Filosofia aberto na tela, tentando entender o que se passa na cabeça do francês. Confesso: não entendi. Eu me rendo.

Do meu lado, um sujeito busca desesperadamente alguma citação na Wikipedia que possa salvar seu trabalho sobre a Ética a Nicômaco – para uma disciplina que não estou cursando.

Essa cena me faz pensar sobre o papel de um curso de Filosofia, de um estudante de Filosofia. O que é mais importante: incentivar uma construção do pensar crítico ou promover um academicismo de fachada, que privilegia o “quem-disse-o-quê-sobre-tal-coisa” em detrimento do debate sobre os impactos do pensamento na vida humana?

Aos que lêem agora, uma constatação: eu estudo pouco. Sou relapso. Leio com mais carinho o que me cativa.

Defendo uma Filosofia libertadora. Prefiro a ignorância lapidada à hipocrisia disseminada.

Deus é bom!

Justamente hoje, em que inauguro a nova imagem do cabeçalho, o dia amanheceu meio nebuloso na minha consciência. Um misto de angústia, preguiça e fastio.

Não deveria estar sentindo isso! Tudo vem caminhando bem, a faculdade está engrenando, as novas atribuições pastorais são um desafio gostoso… Mas existem sentimentos que a reta razão não é capaz de conter.

Meu refúgio é saber que Deus é bom! E Ele acaba de me dar um presentão: a chance de rever, ainda que virtualmente, os irmãos Leandro e Bárbara, direto de Londres.

Um papo de quase 40 minutos – o Leandro inclusive é que guiou o processo pra trocar a imagem aí de cima. Chance de estar perto de gente especial, que sente coisas bacanas pela gente. Momentos que a gente só valoriza quando perde.

Aos amigos londrinos – agora batizados de George e Victoria – meu desejo de felicidade e sucesso na empreitada de vocês.

E a você, meu amigo, minha amiga, que lê essas linhas, meu abraço carinhoso – independente do tempo que não nos vemos.

Paz!

Reconhecer a fraqueza: sinal de humanidade

Você já olhou pro céu num dia estrelado? Já reparou como o universo é grande, como são incontáveis as estrelas que podemos ver? E você já sobrevoou uma região bem urbanizada num dia sem nuvens? Já notou como um terreno gigante, como o de um autódromo ou de um estádio de futebol, se transforma num pontinho insignificante visto do alto? Pois é. Olhando de cima ou de baixo, o homem repara a grandeza do que está a seu redor. E isso é fascinante. Mas parece ter um bloqueio sensorial pra perceber a sua pequenez.

Somos fracos. Essa realidade nos angustia tanto que fazemos questão de não enxergá-la. E o planeta dos seres que ignoramos esse fato promove uma espécie de cataclisma simbólico, no qual as sensações e as verdades são atiradas na direção de manter firme a muralha que nos impede de ver nossas limitações.

Os membros das comunidades cristãs são incentivados, nesse tempo de Quaresma, a desatarem o tapume que venda o olhar interior e prceberem o quanto são limitados, frágeis, necessitados do Amor-doação que vem do coração de Deus, mas que brota na alma do próximo.

Reconhecer-se limitado e dependente do outro é um sinal supremo de humanidade e, ao mesmo tempo, um motivo de alegria no coração do Criador. Que Ele nos ajude a atravessarmos o deserto que esse processo cria em cada um de nós. Que assim seja!

A linha tênue entre opinião e achaque

Após tomar conhecimento do mais recente episódio do imbroglio envolvendo o jornalista Mauricio Savarese, o blogueiro Carlinhos Medeiros e o professor Sérgio Amadeu da Silveira, quero aqui partilhar uma reflexão com você, estimado leitor.

Já defendi a liberdade de expressão por muitas vezes nesse modesto cafofo virtual, inclusive no campo religioso, no qual agora estou ingressando de forma mais atuante. Ser livre para se expressar é um direito do Estado democrático. Ponto pacífico.

A academia corrobora essa tese. Tanto que são incontáveis os artigos que tratam da autoridade da opinião. O professor Luís Mauro Sá Martino, em Mídia e Poder Simbólico, lembra, na página 62: “Tanto o alcance quanto a legitimidade de uma opinião são função direta da consagração institucional do sujeito emissor”. Foi por conta dessa consagração institucional que o professor Sérgio Amadeu, no afã de defender a liberdade de expressão, disseminou meia-verdade na web e trouxe prejuízos à integridade de um profissional de imprensa.

Esse fato me faz lembrar as palavras de minha vó Carmem, no alto dos seus 81 anos: “Cuidado, boquinha, com o que fala”. Longe de censura, meu amado! “Cerceamento” e “Responsabilidade” são verbetes separados por muitas páginas tanto nos dicionários quanto na cabeça dos seres humanos sensatos.

Tudo isso pra dizer o seguinte: aquela coisa chata de checar a informação antes de publicar, que a gente aprende na primeira aula de jornalismo, também vale na blogosfera. Em qualquer artigo opinativo e na disseminação das informações, cabe ainda um outro valor importante – o respeito à integridade do outro. Esse, no entanto, não se aprende na escola.

Dica de viagem: Florianópolis

Graças ao amigos (que incentivaram a ida e nos hospedaram em casa), passei o carnaval em Florianópolis. Cheguei na capital catarinense no sábado de manhã e voltei na terça-feira no final da tarde. No esquema “pitadinhas” – inspirado no Papo de Bola do meu amigo Edu Cesar – vamos às dicas de viagem:

* No transporte, ponto positivo pra Viação Catarinense (pontual no horário de partida e na qualidade do ônibus leito) e pra Azul Linhas Aéreas;

* A ponte Hercílio Luz, que está em reforma, é um belo cartão postal. À noite, mesmo com uma iluminação simples, a imagem é bem bonita;

* Pra comer, Florianópolis tem exclentes opções, com preços acesíveis. Nos três lugares em que fizemos refeições, fomos bem atendidos e o cardápio agradou. Todas as dicas logo abaixo:

* O almoço no Racho da Jackie custou R$ 12,00 com self-service à vontade no buffet de saladas e pratos quentes. Destaque para o camarão na moranga, bem temperado;

* Numa das noites, a opção foi o Boka’s III. A generosa 1/2 porção de frutos do mar empanados acompanhou arroz, fritas e serviço à vontade no buffet de saladas – que, por ser incluído no preço do prato, estava bem servido. O custo, muito aceitável. R$ 17,00 por pessoa, rachando uma Coca 2L;

* Excelente opção na Rua das Ostras é o Freguesia das Ostras. A casa tem preços bem justos (R$ 20,00 na meia sequência de ostras, que serve 18 unidades, e R$ 38,00 na tainha grelhada pra 3 pessoas, com arroz, pirão, salada  e fritas) e o simpático Zé Bagrinho, dono do restaurante, é quem serve, tira os pedidos e pergunta sobre o atendimento. É o diferencial de uma casa pequena – são só dez mesas no salão. De lambuja, ainda experimentamos o omelete de camarão – que também estava bem saboroso;

* Sobre as praias, todas muito limpas e agradáveis – destaque para a água gelada das praias do sul da ilha, como a do Riozinho. Na praia do Rio Tavares (conhecida pelos surfistas como Rififi), encontramos o campeão de surfe Fábio Silva, cearence que reside em Floripa há 6 anos, treinando para as próximas etapas do WCT;

* Visitamos ainda a badalada Jurerê Internacional. Uma verdadeira praia europeia, com vendedores de champagne passando com seus carrinhos pela areia que serve de quintal das casas do luxuoso condomínio, com casas avaliadas em, no mínimo, R$ 1,7 milhão. Das três praias em que estive, Jurerê é que a tem o mar mais tranquilo para banho. Vale a visita, com certeza;

* Um passeio a pé pelo centrinho da Lagoa da Conceição e pela Barra da Lagoa também valem a pena.

Queria ter ficado mais tempo, pra conhecer mais coisas. Pela amostra de três dias, já coloco a cidade como um destino bem agradável para as férias.

Obs.: Como ainda não comprei uma câmera digital, estou refém dos registros fotográficos dos amigos que foram comigo. Por isso, não postei mais fotos. Fico devendo…

Pastor-narrador

O espaço mais recomendado para acessar bizarrices do mundo da publicidade neste condomínio é, notadamente, o Loser’s Archive, da minha amiga Cráudia.

Todavia, caro leitor, esta semana, durante um trabalho missionário nas periferias de Campinas, ouvi numa rádio de programação evangélica (não me perguntem qual, porque não sei) um formato um tanto pitoresco de evangelização: o culto futebolístico.

Trata-se de uma nova modalidade de apresentação de conteúdo religioso, na qual o ministro da igreja modula a voz e o discurso de tal modo que se pareça com uma transmissão de futebol.

Vale pela dimensão exótica do áudio. A lamentar.

Diverti-vos, amados!

Pastor-narrador

Quando…

…não se tem mais nada, nem chão nem escada,
escudo ou espada, o seu coração acordará!

Quando estiver com tudo, lã, cetim, veludo,
espada e escudo, sua consciência adormecerá!

Quando se acabou com tudo, espada e escudo,
Forma e conteúdo,
Já, então, agora dá para dar amor”
                                                                                                                (Nando Reis, Mantra)

Esvaziar-se para amar,
Partilhar-se  no pouco (no nada): o tom maior de um mantra para a felicidade

Zilda Arns chega ao céu pra renovar nossa esperança

As imagens do Haiti são um cruel retrato da morte. As tristes feições que acompanhamos pela TV e os sempre emotivos relatos de correspondentes ou pessoas envolvidas com a tragédia apunhalam o coração daqueles que, de longe, não conseguem nem imaginar o que é perder tudo – inclusive a vida de amigos e familiares – num piscar de olhos.

Nesse cenário desolador, todas as nações procuram por notícias de seus filhos. Não é diferente com o Brasil, que já chora a morte de 12 pessoas – 11 militares e a sempre querida Dra. Zilda Arns.

O irmão de Dra. Zilda e  arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Paulo Evaristo Arns disse, na nota de imprensa que divulgou: “Não é hora de perder a esperança”. Sábias palavras, de fato. Mas, em meio a tanta desolação, tanta destruição, tanta dor, como é possível fazer brotar essa tal esperança?

A fé cristã  e a Escritura Sagrada nos recordam:  “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (1Coríntios 15, 19). A nossa esperança deve ser depositada na vitória definitiva da vida sobre a morte, no triunfo da luz sobre as trevas, na força do Amor sobre tudo aquilo que divide as pessoas.

No hoje das nossas vidas, episódios como o do Haiti nos revelam, mais uma vez, nossa insignificância diante do mundo, nosso estado pueril diante do universo. E nos provocam a pensar sobre nosso comportamento, nossas atitudes, nosso proceder diante do outro, da natureza.

Numa perspectiva mais ampla, os fatos e as perdas de hoje nos recordam  uma lição de igual potência. Existem dois caminhos para seguir na trajetória do ser humano: o da morte e o da vida. Zilda Arns escolheu a melhor parte. Por isso, hoje choramos sua perda, mas nos alegramos com o céu pela presença de mais uma alma que passou pelo mundo fazendo o bem.

As perguntas sobre “Lula”

Na faculdade, sempre fui um fiasco nas disciplinas de opinião. Não tenho dom pra editorialista, articulista… pra crítico cultural então, menos ainda. Mas ontem eu fui assistir ao filme “Lula, o filho do Brasil” e saí do cinema com um sonoro “e aí?” ecoando na cachola.

Não entendo lhufas de técnica cinematográfica, mas fiquei positivamente surpreso com a fotografia nas cenas iniciais, na Caetés de 1945. A transição entre filmagem e imagens jornalísticas de arquivo também foi uma sacada bacana. O pseudo-locutor-de-rádio-tipo-dalmácio-jordão também mandou bem, apesar de os textos estarem um pouco fora do estilo de rádio de notícias que havia naquele tempo.

Mas o que importa mesmo é que o filme poderia ter respondido perguntas. Por exemplo: afinal, a greve de 1979 foi tão fracassada assim? Como foi a negociação dos sindicalistas do ABC para ocupar as Igrejas e fazer delas instrumentos de mobilização? De onde surgiu Lurian? Como foi esse episódio da vida de Luiz Inácio? Lula, pelo que me lembre, foi deputado constituinte. Nem nas letrinhas do final do filme colocaram essa informação.

“Larga de ser chato, pô! É uma obra de ficção!”, vai dizer o astuto leitor. Concordo. Mas o tom documental percorre toda a fita. E informações relevantes como essa – e fundamentais para entender a biografia de Lula – não poderiam ter faltado.

Fica, no fim, uma sensação meio propagandesca. O filme peca por excesso ao mostrar um Lula “que teimou”. E peca pela falta ao inculcar um Lula que nunca errou. E errar é condição primeira para ser plenamente humano.

Devaneios sobre os primórdios de 2010

* O ano começou agitado. Os impactos das fortes chuvas no litoral do sudeste e em cidades como Cunha e São Luiz do Paraitinga (SP) trouxeram um clima chato ao tradicional otimismo dos começos de ano. Feliz ano novo mesmo tiveram os comerciantes, que superaram – na maioria dos setores – as vendas em relação a 2008 (ainda que o impacto da crise tenha de ser considerado);

* 2010 promete ser daqueles porretas em termos de movimentação. Com Copa do Mundo e eleições o noticiário vai ferver. E, com certeza, muita gente vai usar o clima de auê da copa pra tentar ludibriar o eleitorado com vistas ao pleito de outubro. Por isso defendo a mudança das eleições para os anos ímpares. Assim, o impacto emocional da Copa e das Olimpíadas não afetaria tanto o nosso povo mais simples;

* Ainda sobre as eleições, já começaram a pulular mensagns que têm o objetivo de revelar dados sobre Dilma Rousseff, a candidatra do presidente Lula, cujo passado é desconhecido de muita gente. Hoje meu pai recebeu hoje um e-mail com a imagem a seguir, que seria da suposta ficha criminal de Dilma Rousseff:

 A ficha da Dilma

O e-mail traz, a seguir nomes e fotos de supostas vítimas do “grupo terrorista”: o jornalista Regis de Carvalho; o almirante Nelson Gomes Fernandes; o soldadoMario Keozel Filho; o tenente Alberto Mendes Junior e o capitão Charles R. Chandler, do Exército dos EUA.

Parece que a vida de Dilma como candidata oficial não vai ser tão fácil quanto parece. A estratégia do famoso “teu passado te condena” ainda funciona com muita gente. Aguardo a contribuição dos amigos sobre o tema.

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