Tributo a Mercedes Sosa

Partilho com vocês a música “Volver a los 17″, composição de Violeta Parra, interpretada por Mercedes Sosa, Gal Costa, Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento.

É uma montagem de vídeo antigo com áudio remasterizado. Vale pelo som, sublime.

Abaixo, a letra original:

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín

Reflexão olímpica

Posto este texto exatamente às 11h09 da sexta-feira, 02 de outubro de 2010, pra dizer que, se o Rio for o indicado para a Olimpíada de 2016, Lula vai poder dizer, assim que a cerimônia acabar em Copenhague: “Nunca antes na história desse país um presidente teve o **** virado pra lua por tanto tempo”.

Explico matematicamente: descoberta de petróleo + Conquista de sede da Copa + cenário favorável à retomada pós-crise. E ainda a Olimpíada?

É muita sorte? Ou podemos colocar um quê de capacidade nesse cenário?

Um choque de boas inspirações

Imagino que o pior dia da vida de alguém seja aquele em que a pessoa não mais encontra uma razão suficientemente boa pra continuar viva. E esse sentimento de vazio, de falta de sentido pra vida, é uma praga que tem afetado de maneira contundente a realidade de muita gente. E tem dias que até o mais fervoroso dos fieis se pega procurando um norte.

Sinto que temos sido vítimas de um marasmo travestido de agilidade. De fato, não ficamos parados. A rotina é corrida, a notícia é atualizada, a tecnologia é inovada. Vivemos correndo. Mas pra onde estamos nos movendo? Qual é a meta?

Penso que precisamos (eu, inclusive) renovar nossos projetos de realização pessoal e comunitária. O mundo carece de um choque de boas inspirações. É hora de nos lançarmos numa realidade mais harmônica, sem disputas, sem rixas. Pra mim, esse choque tem uma fonte: a espiritualidade. Cada um, na sua liberdade, no seu contexto, procure a melhor maneira de se rever por dentro, de aprumar a rota.

Que a gente saiba, sempre mais, cantar a beleza da vida.

A virtude no “Mênon”, de Platão

À primeira impressão, Mênon pode ser definido como um tratado sobre a virtude. O texto sugere uma alentadora questão inicial sobre a capacidade de se ensinar alguém a ser virtuoso. Esta indagação parece desdobrar-se num estudo minucioso sobre as origens da virtude e o potencial transformador da mesma no ser humano. Entretanto, a dimensão dialogal do Sócrates platônico provoca uma oscilação pendular entre estímulo pela pesquisa do tema e inquietação pela demora no avanço do raciocínio. Estilística à parte, o texto torna-se lapidar por trazer à tona questionamentos que raramente seriam colocados no cotidiano. E Mênon cumpre este papel usando como substrato a maiêutica de Sócrates.

O recurso socrático dá as caras logo no início do texto, quando da alteração proposta por Sócrates para os rumos do diálogo. Interrogado inicialmente por Mênon sobre a possibilidade de se ensinar a virtude, o filósofo pondera que é necessário primeiro descobrir o que é a virtude em si para, assim, determinar se – e como – ela pode ser transmitida. Neste ponto, o embate entre os dois interlocutores ganha estofo e passa a se dar, da parte de Mênon, com a busca por uma definição exata de virtude, enquanto Sócrates, por sua vez, articula a refutação das tentativas de Mênon, buscando mostrar as fragilidades conceituais das respostas oferecidas.

Na quarta tentativa de definir a virtude, Mênon afirma que “a virtude é desejar as coisas belas e ser capaz de consegui-las” (77b). Para criticar esta resposta, Sócrates se esquiva da relação entre definendum e definens e passa a uma discussão ética, na qual postula que todos almejam as coisas belas e que, assim, não haveria pessoas não-virtuosas. As tais “coisas belas” – justiça e prudência, por exemplo –, Sócrates faz Mênon enxergá-las como partes da virtude. “Então, resulta, a partir do que admites, que fazer o que quer que se faça com uma parte da virtude, é isso a virtude”. Depois dessa sequência de refutações, Mênon é colocado em aporia – reconhecimento de total ignorância sobre o tema – por Sócrates.

A partir deste vácuo de conhecimento sobre a virtude, Sócrates inicia uma articulação no sentido de demonstrar a teoria da reminiscência, na qual a aquisição do conhecimento se dá por meio de rememoração e reconstrução de referenciais já apreendidos. A demonstração dessa teoria se dá com o diálogo entre Sócrates e um escravo de Mênon: num primeiro momento, pela condução do escravo ao estado de aporia; depois, por meio de um interrogatório – em que a maiêutica entra de novo em cena. O serviçal – que só tinha a língua grega como referencial de intelecção – é estimulado por Sócrates a construir uma teoria geométrica por meio de noções cotidianas e do resgate de conceitos já processados em algum momento anterior. Ao retomar a conversa com Mênon, Sócrates recorda que a ciência é atributo da alma e que, tanto no escravo quanto em qualquer outra pessoa, “tanto no tempo em que ele for quanto durante o tempo em que não for um ser humano, deve haver nele opiniões verdadeiras que, sendo despertadas pelo questionamento, se tornam ciências” (86a).

O debate sobre a ciência na alma faz Mênon retomar a pergunta que iniciou o diálogo: “se é como coisa que se ensina que é preciso tratá-la, ou como coisa que advém por natureza, ou como coisa que advém de que maneira afinal, quando advém aos homens, a virtude” (86d). Entre os indícios que são verificados para caracterizar a virtude, está a depuração de que, se a ciência é virtude, há mestres que a ensinam. E quem seriam então esses preceptores da virtude? Platão coloca na boca de Ânito uma feroz crítica aos sofistas e ao método mercenário de cultivo da filosofia. O novo interlocutor de Sócrates responde que os mestres da ciência ‘virtude’ são os cidadãos que a praticam.  Sócrates refuta a afirmação, mostrando que os descendentes de grandes cidadãos não repetiram os feitos virtuosos de seus pais.

Dessa análise de casos particulares, Sócrates passa a pensar a fundo sobre as origens da virtude. E infere que “… a opinião verdadeira, em relação à correção da ação, não é nada inferior à compreensão. E isso é o que agora negligenciamos sobre que tipo de coisa é a virtude”.  A diferença estaria, segundo Sócrates, no fato de que a opinião é menos duradoura que a compreensão. Além disso, a ciência encadeia novas descobertas, novas investigações. A opinião estaria restrita, nesse aspecto.

O diálogo parte, então, para uma síntese em que os interlocutores parecem chegar num consenso: a virtude não é natural do ser humano. A dúvida sobre o caráter cientifico ou especulativo da virtude permanece até o ponto em que os debatedores concluem que não há mestres de virtude. Portanto, esta não é ciência e está no campo da opinião.

O leitor que termina a análise de Mênon já escolado com a leitura da República não mais se espanta com as últimas frases socráticas sobre a virtude. Sócrates postula que é impossível determinar se a virtude é algo que se ensina antes de saber o que ela é em si. É o mesmo discurso de quando é questionado sobre o bem da justiça no diálogo da República. Sem conclusão, mas com uma valiosa e profunda abertura para a análise dos temas.

Registros rápidos

Faz tempo que não uso o estilo de pitacos pros textos aqui do blog. Então, pra não deixar o modelo caducar, vamos lá!

* A Veja desta semana traz uma matéria sobre o comportamento escuso de Nelsinho Piquet. Quemtiver acesso, vale a pena ler. Mesmo com a tendência da FIA em isentar o piloto brasileiro de punição, concordo com o editor que diz no final da matéria: “A carreira de Nelsinho não tem futuro”. E aí?

* Sugestão de leitura: A Fala, do antropólogo Georges Gusdorf. Um belo material para entender a influência da linguagem na constituição do homeme e no relacionamento entre pessoas e culturas;

* Ainda no campo da literatura: ganhei de aniversário A Cabana, de William P. Young. Muita gente já falou bem dele. A conferir;

* Falando em aniversário, agradeço às manifestações de tantos amigos por conta do meu aniversário, inclusive aos vizinhos aqui do A nível de – registro aqui minha gratidão especial aos amigos Leandro, Bárbara, Maurício, Mirella e Rodrigo Rodrigues. Obrigado, pessoas!

* Ao som de Nova Granada de Espanha, João Bosco

Câmara de Campinas arquiva passe universitário. Vereador denuncia “conluio com o prefeito”

A Câmara Municipal de Campinas arquivou o projeto de lei que pretendia estender o desconto no transporte público municipal aos estudantes universitários. As comissões de Educação, Cultura e Esportes; Política Urbana;  Orçamento e Finanças decidiram pelo arquivamento da proposta.

O verador Petterson Prado (PPS), um dos autores do projeto, enviou uma mensagem aos estudantes divulgando o arquivamento da proposta e denunciando o que chamou de “manobra dos veradores em conluio com o prefeito”.  Na mensagem, o vereador afima ainda que o  prefeito Dr. Hélio (PDT) trabalhou pessoalmente para derrubar a proposta.  Segundo o vereador, os principais beneficados com o arquivamento são “os empresários de ônibus de Campinas que já ganham milhões todo ano de subsídio, desconto de IPTU, ITBI e ISS e que agora não terão de devolver nada disso para os contribuintes de Campinas”. O vereador termina a nota dizendo que vai apresentar outro projeto da mesma natureza.

Abaixo, a íntegra da mensagem enviada pelo vereador:

Manobra dos vereadores em conluio com o prefeito arquiva o passe universitário!!

O projeto de lei do passe universitário foi arquivado!!

Alguns vereadores, a mando do Prefeito ( Dr. Helio) e do Secretário de Transportes (Gerson Bittencourt) fizeram uma manobra covarde e arquivaram o projeto nas comissões para não ir a Plenário e impedir a votação. O Prefeito e esses Vereadores, que vou elencar, com medo da democracia e da justa pressão política dos estudantes, pais e professores foram pelo caminho do tapetão, dos bastidores, dos atos covardes.

Destaque para o Vereador Miguel Arcanjo que chegou a ir ao plenarinho fazer uma  “media” com os estudantes e a apresentar uma emenda ampliando o benefício para finais de semana e  depois na comissão de educação, pasmem senhores estudantes, foi ele o relator que arquivou o projeto, é um ato de traíção sem precedentes!!!!

E ainda o vereador Zé Carlos que teve a coragem de escrever que não encontrou “nenhum argumento favorável à proposta”. Vocês acreditam nisso?!!?

Veja agora os vereadores que, nas comissões, votaram contra o projeto, com o objetivo de  matar o nosso projeto de lei, juntamente com as cópias das comissões:
 
COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTES:
*Miguel Arcanjo – PSC-  Relator
*Cidão Santos – PPS
*Prof. Alberto – DEM
 
Cópia desta comissão:
http://a.imagehost.org/0649/CECE01.jpg

COMISSÃO DE POLÍTICA URBANA:
*Zé Carlos – Presidente e Relator PDT
*Campos Filho – DEM
*Leonice da Paz – PDT
*Josias Lech – PT

Cópia desta comisssão:
http://a.imagehost.org/0137/CPU01.jpg
http://a.imagehost.org/0442/CPU02.jpg

COMISSÃO DE FINANÇAS E ORÇAMENTO:
*Francisco Sellin – PDT- relator
*Paulo Oya – PDT
*Luiz Henrique Cirillo –PPS
 
Cópia desta comissão:
http://a.imagehost.org/0744/CFO01.jpg
http://a.imagehost.org/0060/CFO02.jpg

Quem está muito contente?
O Prefeito Dr. Helio que trabalhou pessoalmente para  derrubar o projeto junto com o Secretário  de Transportes Gerson Bittencourt.

E quem mais está feliz com esses Vereadores e com o Prefeito??
 Os empresários de ônibus de Campinas que já ganham milhões todo ano de subsídio, desconto de IPTU, ITBI e ISS e que agora não terão de devolver nada disso para os contribuintes de Campinas.

Medo e vergonha!!!

O que vamos fazer????   Vamos apresentar um novo projeto que precisa de 17 assinaturas para poder ir a votação, mas vamos precisar das mobilizações dos estudantes pais e professores para isso.
 
Petterson Prado
Vereador PPS

Dica de boa música

Belo som! Osesp, Banda Mantiqueira e Mônica Salmaso interpretam “Aquarela do Brasil” na Sala São Paulo.

A mão católica que assina acordo é a mesma que se estende aos necessitados

Escrevo este post em cordial resposta ao meu amigo e vizinho Luiz Raatz, que escreveu sobre o acordo assinado entre Brasil e Vaticano, aprovado pela Câmara dos Deputados e que segue para o Senado.

Raatz, meu amigo. Respeito sua postura em relação à assinatura do acordo, mas me reservo o direito de, como católico e candidato a ministro desta Igreja, responder a suas perguntas. Antes, porém, de entrar no mérito delas, partilho aqui texto do cardeal Odilo Pedro Scherer, que fornece  alguns dados importantes sobre o trabalho das mãos católicas que assinaram o acrodo bilateral em questão:

O setor social da CNBB (Cõnferência Nacional dos Bispos do Brasil) é coordenado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, composta de cinco bispos. A ela estão ligados uma série de organismos e um conjunto de pastorais sociais específicas.

Entre os organismos se destacam:

Caritas Brasileira, presente em mais da metade das dioceses do Brasil, que em 2006 completou 50 anos de presença ininterrupta no país. Atua tanto em calamidades, como através de programas no serviço especialmente dos mais pobres, no sentido de sua organização e busca de autonomia. É filiada à Caritas Internationalis.

A CBJP – a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, voltada à defesa e promoção dos direitos humanos, tendo-se destacado no combate à corrupção eleitoral.

O IBRADES – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, que se dedica à formação de agentes das pastorais sociais e oferece assessoria a movimentos e organizações;

CEFEP – Centro Nacional de Fé e Política Dom Hélder Câmara, criado recentemente e que se dedica à formação de políticos e militantes cristãos leigos, através de Escolas de Formação Política, na linha da Doutrina Social da Igreja.

CERIS – Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais: mantém um sistema estatístico atualizado “on line” da Igreja Católica no Brasil, publicando regularmente um Anuário Católico e realizando estudos sobre temas como o trânsito religioso (passagem de uma religião a outra).

MEB – Movimento de Educação de Base, criado nos anos 60. Dedica-se à educação popular sobretudo através de escolas radiofônicas, sendo presente especialmente nas regiões mais carentes do Nordeste e na Amazônia brasileira.

Outra forma de organização da ação social da Igreja se dá através de Pastorais sociais específicas, que atualmente são em número de 14, em âmbito nacional. Diversas dessas pastorais tiveram origem em uma campanha da Fraternidade. Agrupando essas pastorais por afinidade, temos o seguinte quadro:

Pastoral da Criança, com 20 anos de existência e presença nacional, que atende sobretudo mães gestantes e crianças até 6 anos de idade, cuja atuação conseguiu reduzir significativamente a mortalidade infantil no Brasil;

Pastoral da Saúde, junto aos que se dedicam a servir os doentes, na medicina preventiva e popular.

Pastorais por setores sociais: Pastoral da Terra (mediando em conflitos pela terra e na promoção da Reforma Agrária), Pastoral dos Pescadores, Pastoral Operária.

Pastoral de pessoas em situação de especial vulnerabilidade: Pastoral do Menor (menores infratores), da Mulher Marginalizada, dos Nômades, Carcerária, Migrantes, da Sobriedade, da Pessoa Idosa.

Pastoral de minorias étnicas: Pastoral afro-brasileira, e com Indígenas (através do CIMI – Conselho Indigenista Missionário).

Em todas essas pastorais, o foco central é a animação da fé e de uma mística de serviço que se expressa num serviço qualificado aos que sofrem, ou são vítimas de injustiças, pobreza e exclusão social. Busca-se também que a caridade seja uma dimensão de toda ação da Igreja, que se lute pela moral pública e pela colaboração internacional.

Depois desse breve lembrete sobre o que fazem as mãos católicas do Brasil, vamos às respostas:

Se o padre dá um calote na tia que limpa a Igreja por 50 conto, a quem ela recorre? Ou ela vai trabalhar de graça em troco da graça divina?
Se a paróquia ou entidade for bem administrada, de duas uma: ou a tia que limpa a Igreja é registrada em carteira e, por isso, tem todas as prerrogativas trbalhistas asseguradas, ou assinou um termo de trabalho voluntário conforme a legislação em vigor. E, porvavelmente, a tal tia deve acreditar na gaça de Deus e, por isso, trabalha em prol da comunidade da qual faz parte, para que se mantenha a estrutura na qual ela encontra assistência espiritual e o carinho dos irmãos e irmãs que professam com ela a mesma fé.

Vão chamar o padre pra dar aula em colégio público? De graça? Ou com dinheiro dos meus impostos?
Como está bem claro no acordo, a questão do ensino religioso está posta apenas como um reconhecimento mútuo da sua legalidade e da sua inclusão na lei nacional. O acordo, ao contrário do que induz a sua pergunta, não obriga o governo a contratar padre ou freira pra dar aula, ou mesmo diz que os padres vão se dipor a isso. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) é clara:

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)

§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.

§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.”

 E como fica  a caixinha que decoradoras de casamento dão para os padres para poder disputar a preferência dos noivos que vão casar na paróquia? Isto é uma relação trabalhista, de fé ou de picaretagem mesmo?
Se isso acontece, é picaretagem mesmo. Padre nenhum precisa de caixinha de decoradora pra sobreviver.

E  quem fiscaliza se os lucros de colégios e outras instituições mantidas por entidades religiosas vão ser revertidos pra comunidade, se eles são declarados isentos pela lei?
As entidades são isentas do pagamento de impostos, mas não de prestação de contas sobre a destinação dos seus recursos. A Receita Federal recolhe, todo mês de abril, as planilhas de contabilidade de todas essas entidades. Essa documentação fica à disposição das autoridades para autidorias, como em qualquer outro CNPJ do Brasil.

E os direitos autorais dos cds do  Padre Marcelo, do padre zezinho, do padre zeca , dos livros do  Gabriel Chalita?
Tudo isso entra como relação de direitos autorais comum, da mesma forma como um CD do Chiclete com Banana ou um livro do Içami Tiba. Os valores das vendas passam para o Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos) e são repassados a quem de direito. Posso dizer que os direitos dos Cds do Padre Zezinho, por exemplo, são repassados por ele à Congregação do Sagrado Coração de Jesus, da qual ele faz parte. 

Desculpe-me o desabafo. Respeito seu direito de inqurir. E me reservo o direito democrático de contra-argumentar.

Um abraço fraterno desse amigo palestrino e fanfarrão.

Papa nomeia Arcebispo de Belo Horizonte como auxiliar para a Doutrina da Fé

Conforme noticiou agora há pouco o portal Zenit.org, o Arcebispo de Belo Horizonte Dom Walmor Oliveira de Azevedo foi nomeado pelo papa Bento XVI como membro da Congregação para a Doutrina da Fé. Pelos próximos cinco anos, ele será um dos auxiliares do pontífice na gestão das questões doutrinais sobre o ensino teológico, a proclamação da fé e a fidelidade aos seus princípios.

Em decalaração ao Zenit.org, Dom Walmor reconheceu que terá de “estudar muito, pesquisar mais ainda para auxiliar o Papa, dar pareceres e examinar as matérias que tratam de moral, fé e das relações com um mundo plural”.

Perfil – Dom Walmor é , desde 2003, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Nascido em Côcos (BA) no dia 26 de abril de 1954, foi ordenado sacertode em 1977 e bispo em 1998, para auxiliar na Arquidiocese de Salvador (BA). É Arcebispo de Belo Horizonte desde janeiro de 2004.

A pertença religiosa no mundo globalizado

O texto a seguir é a síntese de uma aula que vou ministrar na próxima segunda-feira, na Escola de Teologia Pastoral da Forania Santa Cruz (Valinhos e Vinhedo) - Arquidiocese de Campinas . É o segundo módulo da disciplina Fundamentos da Realidade. Espero que seja de valia.

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A globalização da economia e da cultura trouxe consigo uma concepção mercadológica de sociedade, promovendo o fenômeno da fragmentação de valores, acompanhado do pluralismo cultural. A rapidez e a velocidade do fluxo de informações leva-nos a uma atitude de perplexidade, de espanto com a vida. Desperdiçamos a contemplação para correr atrás das últimas notícias, da novidade, do instantâneo. E, claramente, a participação na vida religiosa sofre influência deste processo. Perguntamos então: onde fica a religião nesse contexto?

A religião é tão afetada quanto a família. Ambas deixaram de ser tradição – e instituição. A perspectiva histórica e afetiva tem sido gradualmente suplantada por uma postura de opção pessoal livre. A pertença a uma família e a uma comunidade passa a ser uma escolha pessoal, livre de laços simbólicos. Surgem, deste modo, novas configurações de participação religiosa:

- Pluralismo religioso na família: Hoje é muito comum vermos, numa mesma casa, o pai participar de uma igreja (ou ser totalmente alheio à religiosidade), a mãe congregar em outra comunidade, e os filhos em contextos diferentes dos vivenciados pelos pais;

- Adesão parcial: Esse fenômeno é muito presente nas comunidades, especialmente nas matrizes paroquiais. Nele, a pertença fica restrita a determinados momentos ou a casos de necessidade (batizados, casamentos, missas de sétimo dia);

- Mosaico de crenças: Este fenômeno merece uma atenção especial. Costumo chamá-lo de “self-service da fé”. O sujeito pega o que tem de melhor em cada religião ou igreja e monta a sua própria configuração doutrinal e mística. Esse ponto gera uma série de divergências na condução dos nossos processos pastorais. Sobre isso, o cônego Pedro Cipolini escreveu com propriedade na reflexão do bloco Eclesiologia do 7º Plano de Pastoral Orgânica da Arquidiocese de Campinas:

“Aqui seria bom perguntar se há uma compreensão clara do que é Igreja e o que implica na vida de cada um fazer parte dela. Constatou-se que há uma privatização da fé. Eu recebo a fé da Igreja, mas a vivo como quero. Onde fica a comunidade como compromisso de fé e vida? Constatou-se que sem compreender o que é Igreja, existe um conflito na hora de exercer a pastoral, pois cada um parte de uma visão muito diferente de Igreja”.

- Teologia da Prosperidade: Apresentada como uma mistura do calvinismo tradicional com a individualidade pós-moderna, está configurada a partir da eficiência da fé manifestada no sucesso material e no progresso econômico. A salvação passa a ser entendida como fenômeno individual e momentâneo, enfraquecendo a relação com o transcendente comunitário e com a dimensão escatológica.

Esse tema tem sido amplamente discutido nas universidades e já foi objeto de diversos artigos acadêmicos. Coloco, a título de sugestão, a leitura da dissertação de mestrado do professor Walter Barbieri Junior, defendida na PUC-SP, que traz como tema “A Troca Racional com Deus: A Teologia da Prosperidade praticada pela Igreja Universal do Reino de Deus analisada pela perspectiva da Teoria da Escolha Racional”.

Este é o resumo escrito pelo próprio autor:

“Analisando o campo religioso brasileiro contemporâneo, notam-se grandes transformações no mapa religioso do país, numa tendência de queda de fiéis das religiões tradicionais como a católica e a protestante histórica e a ascensão das igrejas evangélicas, particularmente as neopentecostais. Um dos fatores responsáveis por essa transformação é a adoção da Teologia da Prosperidade praticada pelos pastores das igrejas neopentecostais. Este trabalho propõe construir um estudo da Teologia da Prosperidade, apontando-a como um instrumento de sucesso utilizado pela igreja Universal do Reino de Deus para aumentar o seu quadro de fiéis. A análise do fenômeno religioso vai se dar sob a perspectiva teórica da Sociologia da Religião, conhecida por Teoria da Escolha Racional de Rodney Stark. Essa Teoria propõe a aplicação de teorias econômicas e da escolha racional para os fenômenos religiosos, levando em conta o pluralismo religioso presente no Brasil, onde a presença de um Estado laico garante a livre concorrência entre as firmas que oferecem serviços religiosos. Assim, criam-se condições para a explosão religiosa no país, e os especialistas devem oferecer um serviço que atenda à necessidade daquele que busca esse tipo de oferta, para sobreviverem à concorrência. A análise leva em consideração não apenas a demanda religiosa no campo religioso brasileiro, mas principalmente a oferta de bens religiosos dos especialistas da IURD.”

O texto na íntegra está disponível na Internet aqui.

Nossa Igreja está atenta a esse contexto desafiador. Assim aponta o Celam, no Documento de Aparecida:

“Na evangelização, na catequese e, em geral, na pastoral, persistem linguagens pouco significativas para a cultura atual e em particular para os jovens. Muitas vezes as linguagens utilizadas parecem não levar em conta a mutação dos códigos existencialmente relevantes nas sociedades influenciadas pela pós-modernidade e marcadas por um amplo pluralismo social e cultural. As mudanças culturais dificultam a transmissão da Fé por parte da família e da sociedade” (DA, 100d).

Cabe a nossas comunidades encontrarem um caminho pastoral capaz de adequar-se à nova linguagem, manter a fidelidade à doutrina e, por fim, promover a vivência das relações pessoais para a construção de tempos melhores.

 Referências Bibliográficas

 BARBIERI JUNIOR, Walter. A Troca Racional com Deus: A Teologia da Prosperidade praticada pela Igreja Universal do Reino de Deus analisada pela perspectiva da Teoria da Escolha Racional. São Paulo: PUC-SP, 2007.

 CNBB. Diretrizes gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil - 2008-2010.  Brasília: Edições CNBB, 2008.

 CELAM. Documento de Aparecida. Brasília: Edições CNBB, 2008.

 CIPOLINI, Pedro. Texto de Contribuição para o bloco Eclesiologia. Campinas: 2009.

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