Queria ter certeza

Queria ter certeza de que as escolhas que faço são sempre as mais corretas, de que as minhas palavras são as melhores possíveis para cada situação, de que a felicidade se constrói a partir da minha decisão pessoal.

Queria ter certeza de que todas as pessoas que me abraçam fazem isso com sinceridade no coração, de que os elogios são sempre sinônimo de bem-querer, de que essa história de falar mal pelas costas é só invenção de quem quer plantar a discórdia no universo.

Queria ter certeza de que as pessoas que vivem mal vão acordar melhores amanhã, de que o universo conspira a favor de quem tem boas intenções, de que todas as preces e vibrações cósmicas são para o bem da humanidade.

Queria ter certeza de que faço bem pra algúem, de que não vivo num universo cheio de reclaques e ressentimentos vazios, de que o futuro não me leva a mais uma armadilha no caminho. 

Queria ter certeza de que sou feliz.

Se fosse cheia de certezas, a vida não teria tanta graça.

Inquietação

No cinza do céu frio, o desatino
e a falta de paz aperta o peito.
E, por mais que o desejo repentino
tente atar de novo o nó desfeito,
soa teimoso na cabeça o tom ferino
da renúncia – consequência, mero efeito.

É forte a ânsia interna de deixar-se
abandonar pelo clarão dessa vontade.
Quisera eu fosse um barco que inundasse
pelo furor de uma enxurrada que o invade.
Fosse eu impetuoso, ou duvidasse
do livre amor, que para muitos, é uma grade.
 
“Sabedoria do sensato é a prudência”
 e se acalma o coração em desatino
qual fosse embora o desejo – indecência
que caminha como em passos de menino
acaba então em calmaria a turbulência
passos mais fortes: estou pronto, ó, meu destino! 

O Papa, a sexualidade e os preservativos

Logo que li a notícia de que Bento XVI havia declarado algo novo sobre o uso dos preservativos, lembrei-me dessa imagem:

Ela surgiu como represália após uma declaração do Sumo Pontífice durente sua visita à África, realizada em abril de 2009. Lá, Bento XVI se posicionava sobre o uso do preservativo como ferramenta contra a proliferação do vírus HIV e afirmava que “a única solução tem dois lados: o primeiro é uma humanização da sexualidade, uma renovação humana e espiritual que traz consigo uma nova forma de comportamento entre as pessoas; e o segundo é uma verdadeira amizade, especialmente pelos que estão sofrendo, uma disposição em fazer sacrifícios pessoais”.

Agora, no livro-entrevista a ser publicado ainda em novembro, o Papa pondera que, na sociedade pan-sexualizada em que vivemos,  existem situações nas quais o uso do preservativo passa a ser considerado como ferramenta de defesa da vida, quando os envolvidos na relação sexual podem oferecer ameaça à saúde do outro. O papa lembra que o uso do preservativo “não é o verdadeiro modo para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade”. 

Na minha opinião, há aqui um avanço considerável, especialmente no que diz respeito ao diálogo entre a Igreja e as ciências da saúde, e também uma prova de sensibilidade do Papa em relação ao papel quase imperativo que a sexualidade tomou na sociedade contemporânea. No entanto, usar a declaração de Bento XVI para promover o relaxamento moral é oportunismo barato. Não se pode tomar essa palavra do papa como incitação para uma vivência inconsequente da prática sexual. A sexualidade vivida com respeito, maturidade e afeto profundo ainda é – na visão da Igreja e na minha em particular – a via para uma saudável e segura realização do ser humano, por mais difícil que seja manter essa consciência nos dias de hoje.

Colóquio de Filosofia PUC-Campinas 2010

Segue convite em nome do Centro Acadêmico Pe. José Narciso Ehremberg. Estarei na banca da última conferência, com a profa. Cecília Prada.

Conto com a sua presença e divulgação!!

Tuitada eleitoral

Curtinho e direto, como no Twitter.

É Dilma presidenta! Recados das urnas:
1) O fiel da balança mudou de lugar – Norte e Nordeste definindo a eleição.
2) O Padroado já acabou.


Parabéns, Brasil! E que esta camapnha sirva de lição contra a baixaria e o terrorismo eletoral, especialmente em nome da fé. Que Deus nos ajude.

Comunhão em crise?

Os bispos, coordenadores de pastoral e diversos religiosos e leigos representantes das 47 dioceses do Estado de São Paulo (Regional Sul 1 da CNBB) estiveram reunidos no último fim de semana em Indaiatuba, para uma Assembleia. O tema central do encontro era a dimensão missionária na vida da Igreja. Era.

A discussão sobre as consequências dessa enxurrada de elegias e esconjuros a candidatos, partidos e programas de governo ganhou relevo e, segundo relatos, esquentou o clima da reunião. Uma tentativa de acalmar os ânimos foi a divulgação de uma nota oficial por parte da Presidência do Regional Sul-1, na qual os bispos paulistas “esclarecem que não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor”.

A nota foi aprovada e divulgada sábado, 16 de outubro. E hoje, 18, continuam as manifestações de membros da hierarquia católica demonizando candidaturas e enaltecendo os feitos e perspectivas de uma ou de outra.

Não, senhores. Não sou antidemocrático. Prezo pela liberdade de expressão de quem quer que seja. O que me mata interiormente é ver gente usando o altar, a batina e o nome da Igreja como bandeira de campanha política. Formar consîência é bem diferente de fazer terrorismo eleitoral.

O franco tiroteio entre as posições políticas dos bispos católicos, especialmente em São Paulo, já virou caso de polícia (a apreensão do manifesto contra o PT assinado por bispos do Regional Sul 1 da CNBB, entre eles o próprio Dom Nelson Westrupp, presidente do Regional).  Tomara que sirva também como um convite à reflexão sobre a raquítica situação em que hoje se encontra a comunhão eclesial.

Um convite à sanidade

Este post é um convite à reflexão madura e racional, sem paixonites agudas ou ranços de adolescente. Infelizmente, a péssima conscientização política de setores da nossa Igreja está nos levando a um clima de Jihad islâmica. O “debate” político-eleitoral chegou ao mais deplorável dos níveis. Alguns dos nossos sacerdotes perderam a noção da justa medida. Aos fatos: 

a) Na eleição para deputado, a Canção Nova (entidade católica de reconheicmento pontifício) – juntamente com a Obra de Maria – enviou a correspondência a seguir aos seus sócios pernambucanos, indicando nomes para a votação (não tenho a informação de que essa prática tenha se repetido em outros estados); 

  

b) Passaram-se as eleições e, com a confirmação do segunto turno, vieram mais manifestações partidárias na Canção Nova. Desta vez, ao vivo, na TV, no último dia 5 de outubro, durante a Missa presidida pelo padre José Augusto: 

 

c) Depois do pronunciamento, a entidade buscou a retratação, numa nota oficial

 

A Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação vem a público para reafirmar que não apóia, não subsidia e não possui vínculos com partidos e candidatos.

É necessário ressaltar que não autorizamos, bem como não aprovamos manifestações isoladas de apresentadores, colaboradores e engajados.

E, em especial, sobre o episódio desta manhã, 05 de outubro, não autorizamos o pronunciamento público do sacerdote Padre José Augusto Souza Moreira sobre o Partido dos Trabalhadores, bem como a opinião do mesmo representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição.

Lamentamos o ocorrido e manifestamos mais uma vez nossa obediência aos princípios democráticos, na legislação eleitoral em vigor e na crença de que o povo brasileiro saberá, com critério e sabedoria determinar o seu futuro nas urnas.

Wellington Silva Jardim
Presidente da Fundação João Paulo II

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Esta é uma parcela das manifestações abertamente direcionadas a partidos políticos e candidaturas promovidas por membros da Igreja. Esta prática é reflexo de uma consciência democrática frágil, que precisa ser urgentemente fortalecida.

Rapidamente, faço uma consideração em cinco pontos:
 
– O padre José Augusto, por mais bem-intencionado que esteja, feriu com a comunhão eclesial, assim como a Canção Nova, os padres que saíram candidatos – à revelia dos seus Bispos – e todos os bispos e padres que publicaram material de apoio ou repúdio nominal a partidos e candidatos em nome da Igreja.  Aqui, cito trecho da orientação da CNBB (entidade organizadora da vida da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil): 

Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. O único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 é a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País. 

Nessa Declaração, a CNBB, em consonância com sua missão histórica, mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós. 

–  A Igreja deve afirmar princípios, sem apoiar nem condenar publicamente pessoas ou partidos. Esta deve ser a expressão de nossa crença na liberdade democrática e na defesa intransigente da autonomia de consciência. A Igreja precisa estar atenta os problemas, despertar para a criticidade no voto, mas sem arroubos tresloucados de messianismo ou demonização; 

– Todos deveríamos nos posicionar diametralmente contra o uso da autoridade sacerdotal – e, especialmente, no espaço litúrgico da missa – para doutrinação eleitoral, independente de partido político. Isso fere a comunhão da Igreja e traz dificuldades ao diálogo – exigência fundamental da evangelização;  

– Por fim, é necessário acordamos, de forma deifintiva, para o seguinte: criar consciência é diferente de promover terrorismo eleitoral.

Valinhos FM na cobertura das Eleições 2010

Neste domingo, 3, a Rádio Valinhos FM 105,9 (também na internet no www.valinhosfm.com.br) estará nos postos de votação acompanhando o andamento do processo eleitoral a partir das às 8:00  com uma equipe de mais de 70 voluntários, trazendo as principais informações ao vivo sobre boca de urna, possíveis problemas em urnas, trânsito, ocorrências policiais, entre outros.

A partir das 16:00, a Rádio Valinhos FM acompanha o fechamento das urnas, seguido da apuração paralela dos votos, como em 2008, quando a emissora já havia feito a apuração, enquanto que a justiça eleitoral divulgou os resultados apenas às 23:00. O mesmo trabalho ocorrerá neste ano com o acompanhamento dos resultados para presidente da República, governador, senadores, deputados estaduais e federais, além dos candidatos de Valinhos aos cargos legislativos.

Votação – Os colégios eleitorais serão abertos às 8:00 e o encerramento está marcado para às 17:00. Para o pleito deste ano, a Justiça Eleitoral determinou alterações na apresentação de documentos nas sessões eleitorais. Agora, o eleitor, além do título, deve apresentar um documento com foto, que pode ser o RG, passaporte, CNH, certificado de reservista, alistamento militar ou carteira funcional, como da OAB ou CREFIS.

Outra modificação estabelecida é o voto em trânsito. O eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral no domingo pode votar em presidente em qualquer capital do país desde que tenha feito o pedido até 21 de agosto. Já o cidadão que tem o título eleitoral em outro município e não votará em trânsito deve justificar seu voto em qualquer sessão. O formulário pode ser entregue preenchido e está disponível no site www.tse.gov.br.

Em Valinhos, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, transferiu as sessões 16 a 21, 81, 86, 100 e 135, que estavam concentradas na Escola Municipal de Educação Básica Padre Leopoldo Von Liempt, para as Faculdades Anhanguera de Valinhos. O órgão ainda autorizou a venda e consumo de bebida alcoólica no dia. De acordo com a entidade, o bom comportamento dos eleitores em 2008, quando o comércio de bebida foi liberado, serviu de prerrogativa para o cancelamento da Lei Seca no dia 3 de outubro.

O TSE recomenda que o eleitor leve uma cola para facilitar e agilizar a votação, porém está proibida a entrada na cabine com máquina fotográfica e celular. Haverá cartazes espalhados pelas escolas informando a cidadão.

Com informações da Rádio Valinhos FM

*Estarei nesta cobertura, entre 8h e 12h. Convido você a ouvir, interagir e comentar.

Reclamando de barriga cheia

Gostaria de dedicar o meu post n° 200 a um tema menos denso, mas “a boca fala daquilo que o coração está cheio”. Então, vamos nessa.

Desde que ingressei na vida de seminário, há dois anos e meio, tenho feito um exercício quase que diário de pesar os prós e contras da vocação religiosa, da opção pela vivência em comunidade, das renúncias que esse modo de vida me apresenta. Colocar isso tudo na balança, de maneira consciente, com tranquilidade, não é tarefa fácil. Isso porque são muitas as tensões, as carências, as incoerências que são vistas e vividas ao longo de um processo como este.

Existe um grande esforço psicológico da minha parte para manter as coisas em harmonia. Essa demanda de energia é ainda maior quando a espiritualidade está fragilizada, quando vacilo na fé, quando deixo de lado a bandeira da esperança.

É necessário tomar um chacoalhão da vida em momentos como esse. Hoje, numa conversa com um irmão de caminhada, tomei. Um momento pedagógico, pra perceber como reclamo de barriga cheia. A vida caminha bem, a família tem saúde, a atividade pastoral anda dentro do possível, tenho o necessário para uma vida digna (e até mais do que preciso!). Que outra prova preciso pra ver como Deus é bom?? 

Culpa da vaidade – inimiga da bênção, traidora da fé.

A conversão é dolorosa, mas a luz definitiva cura todas as feridas.

2010: o ano da inércia eleitoral em SP

Certamente você já viu, pelo menos uma vez na vida, como se realizam os processos de votação dos projetos considerados “menos importantes” em alguma Casa Legislativa deste País. Pra quem não teve essa empolgante experiência, explicarei:

Um sujeito lê o teor do projeto. O presidente diz “em discussão!”. Meio segundo se passa, e o presidente emennda: “Encerrada a discussão! Em votação! Aqueles que são a favor permaneçam como se encontram!” Mesmo que alguém ensaie se levantar, ou erguer a mão em contrário, não há tempo suficiente, pois já vem a sentença da apuração:  “Aprovado!”

Me parece que essas Eleições – especialmente aqui em São Paulo – estão com cara de projeto sem importância. A população paulista segue rumo às urnas para dar um voto de “Aprovado!” a dois modelos de gestão que se dizem diametralmente opostos, mas que se coadunam na acomodação popular: no campo macro, 8 anos de Lula – com inegáveis avanços sociais e tantos deslizes morais igualmente visíveis.

Por aqui, um modelo de gestão que se perpetua há 16 anos – sem um grande contraponto convincente, é verdade.  Em São Paulo, não há questionamentos ferinos sobre a gestão das autarquias, sobre os escorchantes pedágios, sobre as mazelas educacionais, sobre os degringolantes índices de criminalidade. Tudo parece andar harmoniosamente bem na paulicéia.

Não quero ser palanqueiro aqui, mas é hora de as forças de oposição (hã?) a estes dois modelos de gestão apresentarem propostas mais empolgantes, que levem o paulista a enxergar um novo jeito de tocar esse Estado – e por que não o País. Quero confiar no poder da democracia e do debate eleitoral. E, de minha parte, desejo, pelo menos que esta eleição paulista siga para o segundo turno.

Que esse debate sirva, além de propor uma pauta progrmática mais decente, para discutirmos com mais serenidade esta onda de fisiologismo e da acomodação política com o poder vigente – simbolizada institucionalmente pelo PMDB, que levanta a bandeira petista na esfera federal, mas não se esquiva do alinhamwnto ao tucanato em São Paulo.

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