Devaneios sobre os primórdios de 2010

* O ano começou agitado. Os impactos das fortes chuvas no litoral do sudeste e em cidades como Cunha e São Luiz do Paraitinga (SP) trouxeram um clima chato ao tradicional otimismo dos começos de ano. Feliz ano novo mesmo tiveram os comerciantes, que superaram – na maioria dos setores – as vendas em relação a 2008 (ainda que o impacto da crise tenha de ser considerado);

* 2010 promete ser daqueles porretas em termos de movimentação. Com Copa do Mundo e eleições o noticiário vai ferver. E, com certeza, muita gente vai usar o clima de auê da copa pra tentar ludibriar o eleitorado com vistas ao pleito de outubro. Por isso defendo a mudança das eleições para os anos ímpares. Assim, o impacto emocional da Copa e das Olimpíadas não afetaria tanto o nosso povo mais simples;

* Ainda sobre as eleições, já começaram a pulular mensagns que têm o objetivo de revelar dados sobre Dilma Rousseff, a candidatra do presidente Lula, cujo passado é desconhecido de muita gente. Hoje meu pai recebeu hoje um e-mail com a imagem a seguir, que seria da suposta ficha criminal de Dilma Rousseff:

 A ficha da Dilma

O e-mail traz, a seguir nomes e fotos de supostas vítimas do “grupo terrorista”: o jornalista Regis de Carvalho; o almirante Nelson Gomes Fernandes; o soldadoMario Keozel Filho; o tenente Alberto Mendes Junior e o capitão Charles R. Chandler, do Exército dos EUA.

Parece que a vida de Dilma como candidata oficial não vai ser tão fácil quanto parece. A estratégia do famoso “teu passado te condena” ainda funciona com muita gente. Aguardo a contribuição dos amigos sobre o tema.

Boas Festas!

Escrevo pra desejar a você um Natal cheio de luz. Que essa data repleta de significado nos traga a disposição de fazermos uma revisão de vida e nos dê o ânimo necessário para sermos pessoas melhores.

 Que o Ano Novo nos traga a oportunidade de boas realizações e que, com a nossa contribuição, possamos trazer mais alegria, justiça e paz. Desse modo, construiremos um tempo novo, com Vida em plenitude para todos, de modo especial aos que mais sofrem.

 

Boas Festas pra você e sua família!

Felipe Zangari

Este blog entra em recesso hoje. Retornamos no dia 7 de janeiro.

A você, leitor de sempre ou de quase-nunca, um Feliz Natal e um 2010 recheado de boas notícias.

Até!

Saiu o nome do primeiro colocado do Enem 2009

É bom rir da desgraça dos outros, né?

Olha o que eu recebi por e-mail hoje:

SAIU NOME DO 1° COLOCADO NO ENEM 2009,
NO ÚLTIMO FINAL DE SEMANA
 
O NOME DELE É …


 
VEJA ABAIXO:


 

 
  
…..
 
 
….
 
 
 
 
 
 
 
 
PALMEIRAS !!!!!!!!!!

- Nem foi campeão brasileiro
- E nem foi VICE-campeão brasileiro
- E nem FICOU ENTRE OS TRÊS PRIMEIROS COLOCADOS
- E nem foi pra Libertadores
- E nem foi campeão paulista
- E nem foi m***** nenhuma…

Educação e Sociedade

Atendendo a sugestão da professora Mara Salvucci, compartilho um artigo acadêmico apresentado hoje em conclusão da disciplina que ela ministra (Educação e Sociedade B) lá na PUC Campinas.

Teorias psicogenéticas na rede particular de ensino

DA SILVA JR, Antonio M.; JESUS, Carlos R. de O.; BUOSO, Diego B.; MAGALHÃES, Edson A. I.; ZANGARI, Felipe; DA COSTA, Tiago R.
Graduandos de Filosofia da PUC Campinas

e-mail: felipezangari@yahoo.com.br
 Orientadora: SALVUCCI, Mara

             Resumo

            O presente trabalho tem como objetivo identificar as relações entre as teorias psicogenéticas e de interação apresentadas no decorrer do semestre com o ambiente escolar visitado durante o período de observação de campo. Trata-se de uma pesquisa panorâmica, sem a intenção de analisar com rigor as práticas pedagógicas ou processos de socialização do conhecimento desenvolvidos nas instituições observadas.

            Palavras-chave: educação, inclusão, teorias pedagógicas, interação social.

 Teorías psicogenéticas en la red particular de enseño             

             Resumen

            El presente trabajo tiene como objetivo identificar las relaciones entre las teorías psicogenéticas y de interacción presentadas en el curso del semestre con el ambiente de escuela visitado durante el período de observación de campo. El estudio es una pesquisa panorámica, sin la intención de analizar con rigor las prácticas pedagógicas o procesos de socialización del conocimiento en las instituciones visitadas.

            Palabras-llave: educación, inclusión, teorías pedagógicas, interacción social.

             Introdução  

            A prática foi realizada no Colégio de Aplicação Pio XII – localizado à Rua Boaventura do Amaral, 354 – Bosque – Campinas – SP, e também no Colégio Senemby, localizado à Rua Curumim, 151 – Centro – Caieiras – SP. Ambas as instituições fazem parte da rede particular de ensino, e atendem todas as faixas da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio). Destaque-se que uma das escolas visitadas – o Colégio Pio XII – tem caráter confessional. Trata-se de uma unidade de ensino e órgão complementar da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, mantida pela Sociedade Campineira de Educação e Instrução, da Arquidiocese de Campinas. O Plano Escolar de 2009 afirma: “Escola de princípios cristãos, de fundamentação católica, respeita em sua totalidade os credos aqui existentes. As celebrações litúrgicas são propostas a todos os membros da comunidade em forma de convite com ampla participação”. O Colégio Senemby é conveniado ao Sistema Anglo de Ensino e traz, em seu Plano Pedagógico, a missão de “formar o cidadão capaz de atuar harmonicamente e conscientemente no desenvolvimento de nossa sociedade, comprometido com a justiça e aberto a Deus e ao próximo”. Sendo assim, esse artigo tem como objetivo analisar as relações entre teoria e prática no ambiente escolar. A metodologia para desenvolver esse artigo foi articulada em observação de campo, entrevistas com profissionais da área, alunos e funcionários das instituições visitadas, pesquisa bibliográfica e análise de documentos das escolas.

             Articular teoria e prática: desafios e possibilidades

A partir do contato com as teorias de desenvolvimento psicológico – tanto por meio das leituras dos textos indicados quanto pela explanação em sala de aula, o grupo teve um breve substrato para buscar as relações entre as perspectivas abordadas pelos autores e os processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos no ambiente escolar. A observação sala de aula e as entrevistas com as equipes de trabalho nas duas instituições resultaram a percepção da influência dos autores trabalhados (Piaget, Vygostsky, Wallon, os novos russos – Leontiev e Davydov, 1992) na relação professor e aluno e também entre os colegas.

            Na relação professor e aluno, percebe-se em ambas as instituições o expediente da mediação como estratégia de desenvolvimento pedagógico. A intervenção do professor e a realização de atividades em grupo entre os alunos são indicadores de uma preferência pela autonomia da criança na construção do conhecimento. A socialização da linguagem – por meio da leitura coletiva, partilha de interpretação e incentivo ao contato com o livro – é outra característica de Vygotsky (1992) muito presente nas instituições visitadas. Um detalhe marcante, na observação das turmas do Ensino Fundamental, é que todas as atividades apresentadas têm o objetivo impresso e socializado entre os alunos/as.

            Nas duas instituições visitadas percebeu-se um cuidado dos professores/as em respeitar os estágios de desenvolvimento apresentados por Piaget (1992). Na sala de quarto ano (com crianças de nove anos de idade), por exemplo, as atividades de matemática ainda não traziam o conceito de variável. Na conversa com a professora responsável pela sala, foi revelada a preocupação em não apresentar uma abstração que as crianças ainda não seriam capazes de acompanhar – como numa equação em que apareça a figura do “x” como elemento a ser calculado. Dá-se preferência por situações-problema em que são dados exemplos de objetos compatíveis à realidade das crianças, como frutas, balas, doces, compras no supermercado, entre outros.

            Com as crianças entre 4 e 9 anos, nas duas instituições, o horário do intervalo é feito com toda a turma, estimulando a relação interpessoal e o desenvolvimento da relação de reconhecimento do outro.  Percebeu-se, no Colégio Pio XII, uma grande interação entre desenvolvimento motor e estímulo intelectual. Foi possível visualizar essa relação num trabalho interdisciplinar desenvolvido com as crianças de segunda série. O professor de Educação Física promoveu uma atividade de salto em distância. Cada salto foi medido com um pedaço de barbante. As crianças, na semana seguinte, apresentaram o barbante com o tamanho do salto à professora, que usou esse material para trabalhar a noção de metro e a seriação entre comprimento maior e menor. Outra característica que chamou atenção nas duas instituições foi o uso da dimensão lúdica, com atividades de música, teatro, contadores de histórias, entre outras. Tal aspecto favorece a relação entre motricidade e aperfeiçoamento intelectual, apregoado por Wallon (1992), além de estimular a afetividade e a criatividade na projeção da linguagem interior.

            A partir do estudo sobre escola e inclusão, realizado na Universidade, o grupo pôde constatar, como primeiro ponto de análise, a estrutura privada das duas escolas. Ambas as instituições têm, como fonte primordial de captação de recursos, a cobrança de mensalidade. Além disso, os dois planos escolares apresentam o termo “classe média” para caracterização sócio-econômica da clientela. No caso particular do Colégio Pio XII, ganha destaque a grande quantidade de alunos bolsistas. 41% dos estudantes têm bolsa parcial (50%) por serem filhos de funcionários da PUC Campinas e do Hospital Celso Pierro (mantidos pela mesma entidade). Outros 3,9% dos alunos têm bolsa integral por serem filhos de funcionários do próprio colégio.

            Nas duas escolas visitadas ficou visível a preocupação em incluir pessoas com deficiência ou necessidades especiais no processo pedagógico, possibilitando inclusive a conscientização dos alunos para acolher as limitações de cada criança. Em duas turmas acompanhadas, havia alunos em condição especial – um menino autista e uma garota com Síndrome de Dawn. Nas duas instituições, o acompanhamento dos pais e responsáveis – especialmente dos alunos incluídos – é incentivado, inclusive com a intervenção de profissionais especializados (fonoaudiólogo, psicólogo, entre outros), tanto dentro da escola quanto no ambiente familiar. O Colégio Pio XII, em parceria com a PUC Campinas, mantém ainda uma sala do CIAD (Centro Interdisciplinar de Atenção ao Deficiente) em que é realizado um trabalho gratuito de inclusão de pessoas da comunidade que tenham alguma deficiência mental ou motora.

           Considerações Finais

            Tendo em vista que o objetivo desse trabalho é estabelecer relações entre as teorias analisadas em sala e os processos desenvolvidos no ambiente escolar, conclui-se que muitas das contribuições dos teóricos são, de fato, aplicadas no ambiente de campo visitado. Além disso, percebe-se na formação do professorado que atua nos espaços citados a consciência sobre a importância dessas teorias e o caráter socializante do trabalho com os estudantes.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICACOLÉGIO PIO XII. Regimento Escolar. 2009
_____________. Projeto pedagógico. 2009
COLÉGIO SENEMBY. Regimento Escolar. 2009
_______________. Projeto Pedagógico. 2009
DUBET, François. Tema em destaque currículo, exclusão, inclusão. A escola e  exclusão. Cad. de Pesquisa, n º 119. São Paulo. 2003.
LA TAILLE, Yes de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Yes de La Taille, Marta Kohl de Oliveira, Heloysa Dantas. São Paulo, Summus, 1992.
LIBÂNEO, José Carlos. A didática e a aprendizagem do pensar e do aprender: a Teoria Histórico-cutural da Atividade é a contribuição de Vasili Davydov. Revista Brasileira de Educação. Nº 27, set/out/nov/dez 2004.
_________ (org.); FREITAS, Raquel A. M. da M. Vygostsky, Leiontiev, Davydov – Três aportes teóricos para a teoria histórico-cultural e suas contribuições para didáticas.

Partilha de fim de ano

Como é boa essa sensação de dever cumprido. Hoje fiz a última prova do ano. Confesso que poderia ter me saído melhor, mas acho que vai ser o suficiente pra ser aprovado.

Talvez ainda seja cedo pra fazer um super balanço de 2009. Mas estou especialmente empolgado pra escrever algumas coisas hoje…

Parece que quando as últimas pendências do ano vão sendo resolvidas, a gente fica mais leve.  A alegria é grande quando a gente vê aquele sinalzinho bonito, tipo um “V”, no checklist, e percebe que a lista de compromissos traz mais momentos de confraternização para celebrar do que atividades para terminar.

É fim de ano! E, ao contrário do que eu pensava do primeiro semestre, vejo que 2009 deixa o gramado com um saldo positivo. E, principalmente, como um belo presságio para os desafios e alegrias que estão por vir.

Reflexão sobre Lula e os Mahmuds

Lula e os Mahmuds:
Ontem o do Irã, depois do da Palestina,
Bibi Netanyahu não deu as caras
Ainda assim, seu nome surge: uma sina.

Muito se fala, muito se repercute, muito se comenta.
Nervos se exaltam, urânio se enriquece, A ONU se amedronta.
E o povo, coitado: lê, ouve, assite…
E, por fim, pergunta: em quem a razão se sustenta?

Muito se escreve, muito se copia…
Tenho certeza que a culpa é minha:
Política externa não é minha praia.
A ignorância, ao fim, me aninha.

Talvez seja ousadia minha,
mas vou pedir, de coração contrito:
Alguém me traz um mojito,
ou então, uma caipirinha?

Recado ao Palmeiras: “Deu pra ti, baixo astral”

Hoje de manhã acordei lembrando da fanfarrona atuação do Palestra ontem, contra o Sport. Enquanto escovava os dentes, naquela clássica cena do despertar matutino, me veio à mente o clássico de Kleiton e Kledir: “Deu pra ti, baixo astral / vou pra Porto Alegre, tchau!”.

Acho que, depois da entrevista do Marcos, fica claro que o time do Palmeiras deixou a peteca cair. Só faltou o arqueiro verde dizer “fulano não tá mais a fim; sicrano perdeu o tesão; beltrano é mercenário” (mas é fato que o torcedor mais atento já é capaz de dar nome aos bois).  

Assim como meu amigo e irmão Leandro, estou descrente. Perdi o ânimo de torcer. Vão dizer: “É, mas quando o time tava na liderança era fácil”. De fato era.  Perdi o ânimo justamente porque não consigo entender um time conseguir – jogando de forma consistente – 15 vitórias em 27 jogos e, de repente, cair de produção de tal modo que conquista apenas 6 pontos em 24 disputados.

Mas o futebol é isso mesmo. É feito de oscilações emocionais. Mas, juro: dessa vez, achei que ia ser diferente. E me decepcionei com o Palestra. Por isso, pelo menos por enquanto, digo: “Verdão, deu pra ti”.

PS – Um recado ao querido Belluzzo:  Presidente, tá na hora de também chamar de “covardes” umas pessoas de dentro do clube, especialmente no elenco profissional de futebol.

Íntegra da Constituição Apostólica “Anglicanorum coetibus”

Publicamos a constituição apostólica Anglicanorum coetibus, de Bento XVI, sobre a instituição de ordinariados pessoais para os anglicanos que entram em plena comunhão com a Igreja Católica.

CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA ANGLICANORUM COETIBUS

DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI

 Sobre a instituição de ordinariados pessoais para os anglicanos que entram em plena comunhão com a Igreja Católica

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Nestes últimos tempos, o Espírito Santo conduziu grupos de anglicanos a pedirem, em várias ocasiões e insistentemente, para serem recebidos, inclusive corporativamente, na plena comunhão católica e esta Sé Apostólica acolheu benevolamente sua petição. O sucessor de Pedro, de fato, que tem do Senhor Jesus o mandato de garantir a unidade do episcopado e de presidir e tutelar a comunhão universal de todas as igrejas [1], não pode deixar de predispor os meios para que este santo desejo possa ser realizado.

A Igreja, povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo [2], foi, de fato, instituída por nosso Senhor Jesus Cristo como “um sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” [3]. Toda divisão entre os batizados em Jesus Cristo é uma ferida ao que a Igreja é e àquilo para o que a Igreja existe; de fato, “contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura” [4]. Precisamente por isso, antes de derramar seu sangue pela salvação do mundo, o Senhor Jesus rezou ao Pai pela unidade dos seus discípulos [5].

O Espírito Santo, princípio de unidade, constitui a Igreja como comunhão [6]. Ele é o princípio da unidade dos fiéis no ensinamento dos Apóstolos, na fração do pão e na oração [7]. Contudo, a Igreja, por analogia com o mistério do Verbo encarnado, não é somente uma comunhão invisível, espiritual, mas também visível [8]; de fato, “a sociedade organizada hierarquicamente, e o Corpo místico de Cristo, o agrupamento visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a Igreja ornada com os dons celestes não se devem considerar como duas entidades, mas como uma única realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e divino” [9]. A comunhão dos batizados no ensinamento dos Apóstolos e na fração do pão eucarístico se manifesta visivelmente nos vínculos da profissão da integridade da fé, da celebração de todos os sacramentos instituídos por Cristo e do governo do Colégio dos bispos com sua própria cabeça, o Pontífice Romano [10].

A única Igreja de Cristo, de fato, que no Símbolo professamos como una, santa, católica e apostólica, “é na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele, que se encontra, embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica” [11].

À luz destes princípios eclesiológicos, com esta constituição apostólica se oferece uma normativa geral que regula a instituição e a vida dos ordinariados pessoais para aqueles fiéis anglicanos que desejam entrar corporativamente em plena comunhão com a Igreja Católica. Esta normativa está complementada pelas “Normas Complementares” emanadas pela Sé Apostólica.

I. § 1. Os ordinariados pessoais para anglicanos que entram na plena comunhão com a Igreja Católica são erigidos pela Congregação para a Doutrina da Fé, dentro dos confins territoriais de uma determinada conferência episcopal, depois de ter consultado a própria conferência.

§ 2. No território de uma conferência de bispos, podem ser erigidos um ou mais ordinariados, segundo as necessidades.

§ 3. Cada ordinariado ipso iure goza de personalidade jurídica pública; é juridicamente equiparável a uma diocese [12].

§ 4. O ordinariado está formado por fiéis leigos, clérigos e membros de institutos de vida consagrada ou de sociedades de vida apostólica, originariamente pertencentes à Comunhão Anglicana e agora em plena comunhão com a Igreja Católica, ou por aqueles que recebem os sacramentos da iniciação na jurisdição do próprio ordinariado.

§ 5. O Catecismo da Igreja Católica é a expressão autêntica da fé católica professada pelos membros do ordinariado.

II. O ordinariado pessoal é regido pelas normas do direito universal e da presente constituição apostólica e está sujeito à Congregação para a Doutrina da Fé e aos demais dicastérios da Cúria Romana, segundo suas competências. É regido também pelas “Normas Complementares” e outras eventuais normas específicas dadas para cada ordinariado.

III. Sem excluir as celebrações litúrgicas segundo o Rito Romano, o ordinariado tem a faculdade de celebrar a Eucaristia e os outros sacramentos, a Liturgia das Horas e as demais ações litúrgicas, segundo os livros próprios da tradição anglicana aprovados pela Santa Sé, com o objetivo de manter vivas no interior da Igreja Católica as tradições espirituais, litúrgicas e pastorais da Comunhão Anglicana, como dom precioso para alimentar a fé dos seus membros e riqueza que deve ser compartilhada.

IV. Um ordinariado pessoal se confia ao cuidado pastoral de um ordinário nomeado pelo Pontífice Romano.

V. A potestade (potestas) do ordinário é:

a. Ordinária: unida pelo mesmo direito ao ofício conferido pelo Pontífice Romano, para o foro interno e o foro externo;

b. Vigária: exercida em nome do Pontífice Romano;

c. Pessoal: exercida sobre todos aqueles que pertencem ao ordinariado.

Esta é exercida de maneira conjunta com a do bispo diocesano local nos casos previstos pelas “Normas Complementares”.

VI. § 1. Aqueles que exerceram o ministério de diáconos, presbíteros ou bispos anglicanos, que respondem aos requisitos estabelecidos pelo direito canônico [13] e não estão impedidos por irregularidades ou outros impedimentos [14], podem ser aceitos pelo ordinário como candidatos para as sagradas ordens na Igreja Católica. Para os ministros casados, devem-se observar as normas da encíclica de Paulo VI Sacerdotalis Coelibatus, n. 42, [15] e da declaração In June [16]. Os ministros não-casados devem ater-se à norma do celibato clerical segundo o cân. 277, § 1.

§ 2. O ordinário, em plena observância da disciplina do celibato clerical na Igreja latina, pro regula admitirá somente homens celibatários à ordem do presbiterado. Poderá pedir ao Pontífice Romano, como uma derrogação do cânon 277, § 1, admitir, caso por caso, à Ordem Sagrada do presbiterado também homens casados, segundo os critérios objetivos aprovados pela Santa Sé.

§ 3. A incardinação dos clérigos estará regulada segundo as normas do direito canônico.

§ 4. Os presbíteros incardinados em um ordinariado, que constituem seu presbitério, devem cultivar também um vínculo de unidade com o presbítero da diocese em cujo território desenvolvem seu ministério; deverão favorecer iniciativas e atividades pastorais e caritativas conjuntas, que poderão ser objeto de acordos estipulados entre o ordinário e o bispo diocesano local.

§ 5. Os candidatos às ordens sagradas em um ordinariado se formarão junto aos outros seminaristas, especialmente nos âmbitos doutrinal e pastoral. Para levar em consideração as necessidades particulares dos seminaristas do ordinariado e de sua formação no patrimônio anglicano, o ordinário pode estabelecer programas para desenvolver no seminário ou também erigir casas de formação unidas às faculdades de teologia já existentes.

VII. O ordinário, com a aprovação da Santa Sé, pode erigir novos institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica e promover os membros às ordens sagradas, segundo as normas do direito canônico. Institutos de vida consagrada provenientes do anglicanismo e agora em plena comunhão com a Igreja Católica podem ser submetidas à jurisdição do ordinário por acordo mútuo.

VIII. O ordinário, segundo a norma do direito, depois de ter ouvido o parecer do bispo diocesano do lugar, pode, com o consentimento da Santa Sé, erigir paróquias pessoais, para o cuidado pastoral dos fiéis pertencentes ao ordinariado.

§ 2. Os párocos do ordinariado gozam de todos os direitos e estão sujeitos a todas as obrigações previstas no Código de Direito Canônico, que, nos casos estabelecidos nas “Normas Complementares”, são exercidos em mútua ajuda pastoral com os párocos da diocese em cujo território se encontra a paróquia pessoal do ordinariado.

IX. Tanto os fiéis leigos como os institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica que provêm do anglicanismo e desejam fazer parte do ordinariado pessoal devem manifestar esta vontade por escrito.

X. § 1. O ordinário é assistido em seu governo por um Conselho de Governo, regulado por estatutos aprovados pelo ordinário e confirmados pela Santa Sé. [17]

§ 2. O Conselho de Governo, presidido pelo ordinário, está composto por pelo menos seis sacerdotes e exerce as funções estabelecidas no Código de Direito Canônico para o Conselho Presbiteral e o Colégio de Consultores e aquelas especificadas nas “Normas Complementares”.

§ 3. O ordinário deve constituir um Conselho para os Assuntos Econômicos, segundo a norma do Código de Direito Canônico e com as funções estabelecidas por este. [18]

§ 4. Para favorecer a consulta dos fiéis, no ordinariado deve ser constituído um Conselho Pastoral. [19]

XI. O ordinário deve ir a Roma a cada cinco anos para a visita ad limina apostolorum e, através da Congregação para a Doutrina da Fé, em comunicação também com a Congregação para os Bispos e a Congregação para a Evangelização dos Povos, deve apresentar ao Pontífice Romano um informe sobre o estado do ordinariado.

XII. Para as causas judiciais, o tribunal competente é o da diocese em que tem domicílio uma das partes, a não ser que o ordinariado tenha constituído um tribunal próprio, em cujo caso o tribunal de segunda instância será o designado pelo ordinariado e aprovado pela Santa Sé.

XIII. O decreto que erigirá um ordinariado determinará o lugar da sede do mesmo ordinariado e, se o considerar oportuno, também sua igreja principal.

Queremos que estas disposições e normas nossas sejam válidas e eficazes, agora e no futuro; não obstante, se necessário, as constituições e ordenanças apostólicas emanadas por nossos predecessores, e toda outra prescrição, inclusive as dignas de particular menção e derrogação.

Dado em Roma, junto a São Pedro, em 4 de novembro de 2009, memória de São Carlos Borromeu.

BENEDICTUS PP . XVI

NOTAS

[1] Cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, constituição dogmática Lumen gentium, 23; Congregação para a Doutrina da Fé, carta Communionis notio, 12; 13.

[2] Cf. Constituição dogmática. Lumen gentium, 4; Decr. Unitatis redintegratio, 2.

[3] Constituição dogmática Lumen gentium 1.

[4] Decreto Unitatis redintegratio, 1.

[5] Cf. João 17,20-21; decreto Unitatis redintegratio, 2.

[6] Cf. Constituição dogmática Lumen gentium, 13.

[7] Cf. Ibidem; At 2,42.

[8] Cf. Constituição dogmática Lumen gentium, 8; carta Communionis notio, 4.

[9] Constituição dogmática Lumen gentium, 8.

[10] Cf. Código de Direito Canônico (CIC, segundo suas siglas em latim), cân. 205; constituição dogmática Lumen gentium, 13; 14; 21; 22; decreto Unitatis redintegratio, 2; 3; 4; 15; 20; decreto Christus Dominus, 4; decreto Ad gentes, 22.

[11] Constituição dogmática Lumen gentium, 8; decreto Unitatis redintegratio, 1; 3; 4; Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Dominus Iesus, 16.

[12] Cf. João Paulo II, constituição apostólica Spirituali militum curae, 21 de abril de 1986, I § 1.

[13] Cf. CIC, cânones 1026-1032.

[14] Cf. CIC, cânones 1040-1049.

[15] Cf. Acta Apostolicae Sedis (AAS) 59 (1967) 674.

[16] Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, declaração de 1º de abril de1981, em Enchiridion Vaticanum 7, 1213.

[17] Cf. CIC, cânones 495-502.

[18] Cf. CIC, cânones 492-494.

[19] Cf. CIC, cânon 511.

[Tradução: Aline Banchieri

© Libreria Editrice Vaticana]

* Texto recolhino no portal Zenit.org

Igreja Católica cria estrutura de aproximação com anglicanos

Foi anunciada ontem pelo Vaticano a criação de estruturas canônicas – chamadas tecnicamente de ordinariatos pessoais – para a acolhida de anglicanos que desejem abraçar a fé católica. O anúncio foi feito em uma coletiva de imprensa convocada ontem mesmo pelo cardeal William Joseph Levada. Há detalhes interessantes sobre os bastidores desse evento na matéria do portal Zenit.org.

Só será possível conhecer plenamente o funcionamento dessas estruturas a partir da publicação de uma constituição apostólica, jé em fase final de elaboração. O que se sabe é que a iniciativa da Igreja Católica visa a acolher aqueles que estão insatisfeitos com algumas mudanças que ocorreram no seio da Comunhão Anglicana – como a ordenação de mulheres  e a bênção para uniões de pessoas do mesmo sexo. Aqueles que desejarem assumir a fé católica, serão acompanhados neste processo e poderão manter, de acordo com a norma a ser publicada, algumas tradições da liturgia e da espiritualidade englicanas.

A medida foi bem acolhida também pelos dirigentes anglicanos, como se pode ler nesta declaração conjunta do arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja da Inglaterra, Rowan Williams e do arcebispo católico de Westminster, Vincent Gerard Nichols.

*Agora, o pitaco:

Não há, neste movimento da Igreja, uma tendência de desarticular a Comunhão Anglicana, como alguns possam cogitar. Pelo contrário: os católicos oferecem uma abertura àqueles que não mais se sentem membros da família anglicana com as alterações estruturais promovidas.

Haverá, como antecipou o cardeal Levada, a possibilidade de admissão de pastores e bispos anglicanos casados ao clero católico – todos eles na condição de presbíteros (padres). Já existe um temor de que possa haver reações dentro da estrutura católica a esta abertura – visto que os cânones católicos são exigentes no que diz respeito ao celibato sacerdotal.  Entretanto, o cardeal norte-americano ponderou que, por se tratar de uma medida de acolhimento pastoral, esta excepcionalidade será bem recebida pela comunidade católica.

Os celulares e a paz nos ônibus

Há uns quinze dias aconteceu comigo um “causo” que que me deixou extremamente chateado. Voltava eu para Campinas depois de dois dias de trabalho na paróquia, em Sumaré. Era domingo à tarde. No ônibus (um daqueles pequenos da Ponte Orca) estavam, no máximo, dez pessoas. Todos em silêncio. Uns cansados, outros distraídos ouvindo o som de MPB que o rádio do ônibus toacava.

Numa das paradas, subiu  um jovem com pinta de rapper. Ele entrou, sentou-se e, sem mais delongas, tirou do bolso da calça um desses aparelhos celulares que têm uma baita caixa de som. E, na maior tranquilidade, o cidadão mandou ver uma seleção de rap e de outras músicas que o pessoal costuma chamar de black music. Nada contra o gênero musical. Afinal, cada um ouve o que mais lhe agrada.  O problema foi o distúrbio causado pelo garoto que não viu problema nenhum em ouvir aquele som, no último volume, dentro do ônibus.

Vale lembrar daus coisas – uma técnica e outra filosófica. Primeiro: é proibido ouvir rádio no ônibus (a não ser que seja com fone de ouvido). Tem uma bela placa bem pertinho da porta de entrada de cada coletivo. Se você ainda não notou, repare. Segundo: para a boa convivência entre as pessoas, a sua liberdade termina quando começa a do outro.

Pensei em chamar a atenção do rapaz, talvez pedir para que ele usasse um fone, mas fiquei com receio de ser mal interpretado. Pensei em pedir para a cobradora advertir o jovem, mas a expressão facial dela revelava tamanha disposição em trabalhar numa tarde de domingo que fiquei com medo de estragar tanta boa vontade.

Não é por isso que a gente vai se estreessar, né?  Mas coisas pequenas como essa mostram que nossa dívida cultural ainda está longe de ser quitada.

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