O caldo do papa alemão

Numa análise ainda no calor dos fatos, parece-me que  o alemão Bento XVI tem cozinhado bem o caldo da visita à Terra Santa.  Pelo menos pra quem assiste daqui do Brasil. Bento XVI tem dosado bem a força dos passos enquanto pisa em ovos quase que de forma simultânea entre os interesses de israelenses e palestinos.

Como já era de se esperar, a visita do papa à Terra Santa causou reboliço. De um lado, parlamentares israelenses de direita e de esquerda boicotaram a viagem, relata a BBC Brasil na Folha Online.  De outro, um membro do congresso palestino ressaltou a necessidade de aproximação com o Vaticano, lembra O Estado de S. Paulo.

Apesar das críticas feitas por um rabino do Museu do Holocausto, a mensagem do papa tem seguido um tom que une denúncia e conciliação. O papa condenou de forma veemente o holocausto (como lembra matéria do G1) e manifestou em terras israelenses a necessidade de uma “terra natal” para os palestinos. Na relação inter-religiosa com o Islã, o papa tem evitado polêmicas que possam impedir a retomada do diáologo com os muçulmanos. Com os judeus, Bento XVI tem sido hábil para amenizar sua “germanidade” – que pode ser entendida como antissemitismo – e colocar-se como mediador da paz.

Um tempero especial nesse caldo está na atitude de Bento XVI para com os cristãos católicos que vivem na Terra Santa. O papa reafirmou seu pastoreio e motivou o testemunho de reconciliação dos crentes em Jesus numa terra marcada por tantes cisões históricas.

Nessa espinhosa empreitada internacional, a falta de carisma do papa alemão em relação ao antecessor polonês João Paulo II tem sido atenuada por dois grandes trunfos: a autoridade moral e a reconhecida capacidade teológica. E parece que o resultado tem sido bom. Assim se posiciona o professor Hussein Rashid, em artigo para a CNN.

Faltam ainda o encontro com as lideranças rabínicas e as audiências oficiais com os chefes de Estado de Israel e Palestina.  A tendência é de que a receita siga em fogo brando. Se assim for, o resultado pode agradar a cada vez mais paladares – judeus, cristãos e muçulmanos.

Por um novo paroquialismo

A Igreja do Brasil passa por um momento de busca por articulação. Desde 2007, com a Conferência de Aparecida, as lideranças católicas têm percebido um movimento em busca de uma revitalização da prática pastoral e da ação missionária. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (disponíveis aqui para download na versão popular), publicadas no ano passado pela CNBB, oferecem algumas pistas importantes para compreendermos o momento atual e captarmos de que forma a ação pastoral pode contribuir com o anúncio de um novo tempo – inspirado e alimentado pelo ensinamento de Jesus – e que promova uma sensível melhora da vida das pessoas.

Um aspecto fundamental do documento é a relação entre consciência do contexto e eficácia da ação pastoral. “A evangelização exige muita atenção à situação em que vivemos, bem como sincera abertura de espírito e solidariedade diante das aspirações, angústias e interrogações da nossa época” (DGAE 55). O documento recorda ainda que essa sintonia com o momento presente e esse despojamento interior só serão possíveis a partir de uma espiritualidade cultivada com carinho. “Esta vocação missionária, inerente à fé cristã, consiste primeiramente em dar testemunho e anunciar Jesus Cristo vivo, experimentado pelo fiel num encontro pessoal, que significou plenitude e alegria” (DGAE 58).

Essa proposta de ação busca ainda oxigenar a paróquia. Reorganizá-la num sentido mais aberto, mais disponível ao outro, mais acolhedor e, ao mesmo tempo, mais ousado no que tange à missão. Assim, pretende-se um maior empenho na vivência das dimensões da Evangelização: Serviço-Diálogo-Anúncio-Testemunho de Comunhão.

Talvez esteja nesta linha a preocupação dos bispos brasileiros com a formação dos padres – tema da última Assembleia Geral da CNBB, encerrada no último dia 1º de maio. Em entrevista à agência Zenit, o cardeal de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, afirmou que o sacerdote deverá se preocupar “não simplesmente com aqueles que se aproximam da Igreja”. Mas também “com aqueles que estão longe da Igreja, católicos que não frequentam; e ainda outros, porque a Igreja tem a missão de levar o Evangelho a todos”.

Portanto – segundo dom Odilo -, é uma atitude de “sair ao encontro. Não simplesmente fazer uma pastoral de manutenção, de conservação. Mas desenvolver uma pastoral que tenha sempre mais uma preocupação missionária […] e, por isso mesmo, formar também a comunidade nesse sentido”.

Entende-se, por fim, que o paroquialismo tradicional – centrado na figura do padre, com uma ação pastoral egocêntrica, de dentro para dentro, deve ser superado por um novo paroquialismo, mais atento à realidade, voltado à comunhão e, por isso, aberto à participação missionária de toda a comunidade. É o que lembra o cardeal Scherer. “Todos devem estar preocupados de estar sempre levando consigo o desejo, o ardor, a alegria de comunicar o Evangelho de Cristo. Cada um ao seu modo, os pais com os filhos, os catequistas no seu trabalho, o jovem com os jovens, as organizações pastorais através das suas competências próprias, os leigos nos seus espaços de vida, no trabalho, na sua atuação na sociedade”, afirmou.

Palmeiras!

Não ia escrever nada sobre o jogo de ontem entre Palmeiras e Colo Colo. Mas me empolguei depois da primorosa explosão de sentimentos que meu vizinho e irmão Matheus Pichonelli escreveu no Velha Margem.

Inspirado que fui, mando a minha versão dos fatos:

Não é porque é o meu time, mas eu vibrei pra burro com o jogo do Palmeiras.

Quem me conhece sabe que sou falante, que banco o narrador quando meu time não joga, que brigo com a TV em dia de jogo do Palestra, que mando os jogadores pra todos os lugares possíveis quando erram um lance.

O desafio de ontem foi aguentar tanta agonia em silêncio. Agora moro num seminário. Depois das 22h há que se manter a ordem.

Mas como ficar calado com as bolas na trave de Keirrison? Como sossegar diante da dedicação de Pablo Armero, da entrega do menino Souza, da precisão cirúrgica de Pierre nas roubadas de bola?

Como manter a boca chiusa depois de um primeiro tempo tão empolgante, em que a vitória parecia consolidada, mesmo sem o time ter balançado as redes do adversário chileno?

Na agonia do segundo tempo foi ainda mais difícil controlar os ânimos – e a língua! A expulsão de Marcão foi o golpe de misericórdia na minha empolgação. Fiquei assistindo o jogo por inércia, e graças à insistência de um irmão de seminário também palestrino.

Aos 37 minutos do segundo tempo joelhos, queixo, braços tremiam de ansiedade e medo de ver a tão sonhada – e suada – vaga ir para as cucuias. Mas aguentei firme.

Não me pergunte o que senti na hora do gol. As únicas coisas que me lembro foram os pulos desvairados na sala de TV, o abraço no irmão e a repetição do gesto que marcara o pontificado de João Paulo II ao chegar em terras estrangeiras. Beijei o chão da sala, num misto de êxtase de torcedor e de ação de graças a São Genaro.

Os cinco minutos que ainda sobraram foram de dentes cerrados, unhas maltratadas e punhos em riste, esperando o apito redentor.

Alívio. Respiro profundo de consolação.

Dormi pouco – de 0h15 até 5h35. Mas acordei novo, como se tivesse hibernado por dias.

Malhação com grana pública

É isso o que propõe o excelentíssimo senhor vereador de São Paulo, Wadih Mutran. Um projeto de autoria dele pede a criação de uma academia de ginástica nas dependências da Câmara Municipal. Os detalhes estão na matéria do Diário de S. Paulo que recebi via Twitter da equipe do  Transparência Brasil.

* Vereador, no meio dessa mobilização pra acabar com as mamatas dos parlamentares e com a farra das verbas complementares, o senhor me vem com uma dessas? Poxa vida! Bom senso e canja de galinha não fazem mal pra ninguém!

Agora, os pitacos eclesiais:

* A CNBB aprovou agora hoje, por unanimidade, o documento final sobre a formação dos sacertodes no Brasil. O documento tem cerca de 300 páginas e foi referendado pela Assembleia dos Bispos na quarta versão. O conteúdo das novas diretrizes só será divulgado depois da aprovação pela Congregação para a Educação Católica, no Vaticano;

* Depois de 33 anos, Itaici deixará de ser a sede da Assembleia da CNBB. Os bispos decidiram transferir o encontro para a cidade de Aparecida, por conta do aumento da infraestrutura neessária. Os detalhes no portal da CNBB.

Virose

Depois de seis dias impossibilitado de publicar – por conta de uma virose virtual que atacou o painel publicador deste blog – aqui estamos nós pra discutir alguns assuntos:

* Essa tal gripe suína parece ter pegado o povo de jeito. E o povo já tá fazendo piada! Eu recebi uma no Twitter hoje: “Se um palmeirense espirrar, evacuem o prédio!”;

* O Ronaldo deu show ontem. Já critiquei aqui neste espaço o ufanismo da imprensa esportiva quanto ao Fenômeno, mas ontem o cara mostrou que reaprendeu a ser craque com uma nova condição física. O segundo gol dele contra o Santos  foi uma prova de que ele é fora do comum;

* Os Bispos do Brasil estão reunidos em Assembleia da CNBB. O encontro está acontecendo em Itaici (Indaiatuba-SP). Confesso que não vou ter tempo de comentar tudo o que estiver rolando por lá. Entretanto, indico o Portal da CNBB para os artigos e as reportagens referentes ao evento;

* Já saiu por lá o assunto do presidente paraguaio, Fernando Lugo. Ele assumiu a paternidade de uma criança que fora concebida enquanto ele ainda exercia o ministério de bispo. Outras duas mulheres já reivindicaram a paternidade de seus filhos ao ex-clérigo. Sobre o assunto, me parece muito coerente o parecer do bispo auxiliar de São Paulo, dom Pedro Luiz Stringhini: “Tudo que extrapola o comportamento normal de um celibatário, sem dúvida alguma, arranha a imagem da Igreja, mas principalmente da pessoa, pois ela é responsável por seus atos, ainda mais no caso dele [Fernando Lugo], por se tratar do presidente de uma nação. Esperamos que esse fato não o prejudique em sua vida política e que a população desse país possa perdoá-lo”.

Dia paulistano

Quatro ônibus, uma passada pela redação em que vivi ótimos momentos, um papo com os colegas de TV, uma sessão de cinema na Paulista, um café expresso, uma cervejada com os amigos.

Neste dia paulistano, um brinde às recordações e às alegrias que a vida nos oferece!

Uma noite no Shopping

Confesso que sempre fui meio avesso a shopping center. Talvez porque minhas primeiras visitas a esses centros de compras foram, em sua maioria, para acompanhar mulheres – mãe, tias – em busca de roupas e acessórios.

Mas hoje a minha noite de folga mexeu bastante com meu conceito sobre o shopping. O seminário onde moro fica a quatro quateirões do Parque Dom Pedro – considerado o maior do gênero na América Latina. Sabendo disso, minha mãe marcou uma ressonância magnética numa clínica médica que está instalada dentro do shopping.

Meus pais passaram por aqui, me pegaram e lá fomos nós. Enquanto minha mãe passava pelo exame, meu pai e eu aproveitamos para resolver pequenos problemas. Eu fui à lotérica colocar créditos no celeular. Meu pai aproveitou, comprou bilhetes da loteria estadual e fez uma aposta na Mega Sena, que deve parar R$ 21 milhões neste fim de semana.

Depois, enquanto passava no caixa eletrônico pra ver o saldo da conta, meu pai foi ao orelhão para consultar o preço do jantar numa churrascaria não muito distante do seminário. Caro demais. Decidimos então jantar no shopping mesmo – apesar da aversão do meu pai a fast food.

Não pesquisamos muito pra escolher o menu. Uma grata surpresa foi o restaurante Ragazzo – o rosto italiano do Habib’s. Comidinha leve, gostosa, com preço justo e atendimento atencioso – ainda que um pouco atrapalhado. 

Depois do jantar, um cafezinho. A cafeteria fica de frente para a superentrada do Wal Mart. E lá foi meu pai pesquisar preços… Achou azeite e arroz em oferta. Enquanto ele foi pras compras, eu e minha mãe fomos passear pelos corredores próximos. Deparei com uma oficina de óculos. Há tempos a armação dos meus óculos estava torta – talvez por eu ter dormido com eles certa vez. Em menos de cinco minutos saí da loja vendo o mundo com outros olhos.

Em suma: chegamos ao shopping pouco antes das seis e meia. Em quase três horas minha mãe fez um exame, resolvi problemas de banco, fizemos uma fezinha na loteria, carreguei o celular, jantamos, tomamos café e ainda descolei um conserto para os meus óculos.

Fiquei rendido: virei fã do shopping center. Menos pra comprar roupa com mulher…

A ressurreição nos dias de hoje

Tive a oportunidade de celebrar o Tríduo Pascal com as comunidades de Sumaré, onde faço meu estágio pastoral. Um povo simples, extremamente acolhedor e que sente no hoje da vida as dores da paixão de Cristo: violência urbana, violência doméstica, pobreza, desemprego, tráfico de drogas, alcoolismo, desagregação familiar…

Como falar de ressurreição numa realidade sofrida, tão marcada por injustiças?

Proclamar a ressurreição de Jesus Cristo é muito mais do que um discurso teológico. É anunciar que o amor, o perdão, a esperança, a partilha são mais fortes que o egoísmo, a vaidade, a soberba, o desalento. A pedra que guardava o túmulo foi removida e, junto com o Cristo, ressuscita o sol da justiça, a certeza de um tempo novo!

Anunciar que Cristo está vivo e presente entre nós é dizer que nossa felicidade só será completa se for construída a partir da felicidade do próximo.

Isso é possível! Esta é a nossa fé!

Feliz Páscoa!

Deram um sossega-leão no mercado. Até quando?

Quando comecei a tomar contato com o noticiário econômico, achei um barato os textos que acompanham os indicadores do mercado financeiro. Os jornalistas colocavam – e ainda colocam – caracteres humanos para representar as oscilações dos níveis de compra e venda de ações. Exemplos? Vamos a eles!

Em 11 de março de 2008 , o portal Jornale, de Curtiba, falava em “otimismo do mercado”.

Hoje mesmo, o portal da RPC registra mais um dia de “mau humor do mercado”

Tem coisas mais esquisitas, como no Jornal Nacional de 17 de agosto de 2007, que  chegou a citar a “enxaqueca do mercado”. Sem falar na “ressaca do mercado”, destacada em 24 de abril de 2008 pelo Serviço de Resenha Eletrônica do Ministério da Fazenda.

Tudo isso pra mostrar que a imprensa especializada “humanizou” o mercado. Deu a ele status de gente. E agora, com a recente crise?

Pra mim, o que aconteceu foi uma “crise afetiva” do mercado, que ficou carente de novos ativos e por isso, entrou em depressão até cair num “surto psicótico”.

Aí os doutores do G-20 arrumaram um sossega-leão. Deram uma injeção de US$ 1 trilhão no bumbum do garoto chorão. Logo de cara. Se o menino rebelde não sossegar, podem até quintuplicar a dose.

Será que ele sara? Tomara… mas que os efeitos colaterais desse remedinho não sejam sentidos no nosso bolso.

* Ao som de: Tanto Mar, Chico Buarque

Casa nova!

Chegamos ao anivelde.org para criar um condomínio de ideias ao lado de grandes amigos jornalistas e publicitários.

Este espaço pretende manter a liberdade e a amizade que nos unem há bons anos, tanto nos corredores da Faculdade quanto na convivência em São Paulo.

Espero que você leitor aproveite este turbilhão de assuntos e interaja com os nossos devaneios.

Agradeço ao Mateus – nosso webmaster – e aos amigos do condomínio.

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