Ser completo x estar inteiro

Esses dias tive uma série de boas conversas, com muitas pessoas especiais. Pareço meio destinado a revisões periódicas de rota, a momentos de alinhamento de projetos, a paradas sistemáticas para reflexão…

E, numa dessas várias conversas, fui surpreendido com uma pergunta intrigante: “o que te completa?”. Confesso que, por alguns instantes, fiquei paralisado. Sem resposta. Demorou um bom tempo pra processar esse questionamento. Imagino que você, agora, lendo isso, dê risada. Ou também fique um tanto incomodado. E essa pergunta me fez pensar um bocado.

Será que é possível, aqui, nesse mundo, encontrar algo (ou alguém, ou um projeto ou uma via de vida) que, de fato, te complete? Que te faça 100% repleto, sem necessidades, sem angústias, sem impulsos por algo mais?

A resposta que me veio à cabeça surgiu com a Teologia, com o suporte da fé. Eu disse à pessoa que me perguntou: “olha, acho que, nessa existência, eu jamais vou me ver completo. Porque esse é o mundo da parcialidade, da imperfeição, é o espaço do imponderável. Penso que a completude está naquilo que me move nesta vida, que é a contemplação da Eternidade”. Lá – divago agora – teremos a oportunidade de ver tudo face a face, como lembra o apóstolo Paulo aos coríntios.

Então, se aqui não podemos ser completos, o que nos atrai às pessoas, aos projetos, às propostas de vida? Aqui entra a questão fundamental desse post. Parece que aquilo que nos move é a compreensão de que ali, naquele caminho, naquela proposta de vida, junto àquela pessoa, teremos mais condição de estar inteiros, dedicando tudo o que temos construído em nossa vivência humana.

E, inteiros neste mundo, antevemos a completude que. um dia, com a graça divina, contemplaremos.

2 Comentários

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  • Uau, me soou meio familiar esta conversa.

    =)

  • sentimento oceânico é o que pega.
    adorei o texto, flor!

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