Sobre a volta do diploma

No meu último post, falei de nostalgia, dos sonhos frequentes em relação a voltar ao trabalho nas redações, e tudo o mais. Teria sido um presságio? Acabo de ler que o Senado Federal aprovou a PEC 033, que inclui na Carta Magna a obrigatoriedade do diploma de ensino superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.

Nos idos de 2009, quando o diploma caiu, escrevi dizendo que a não-obrigatoriedade do diploma não iria fazer grande diferença, no frigir dos ovos. Dois anos e meio, praticamente, se passaram. Pelo visto, o impacto da queda do diploma não foi tão sentido – com algumas exceções. Cito duas. No campo do esporte, a porteira abriu pros ex-atletas virarem comentaristas, se infiltrarem nos meandros do mundo da bola e passarem a veicular especulação de bastidores como notícia (OK, tem jornalista diplomado que faz pior… ) A outra, mais complicada, surge com a confusão que o modelo CQC trouxe, estabelecendo um terreno pantanoso entre jornalismo e humor.

É claro que a decisão vai ser contestada e deverá levantar muitas questões, especialmente no meio digital. Como definir o que é produção jornalística dentro da blogosfera ou na pulverizada gama de informações disponíveis nas redes sociais? Temos muito a avançar, é fato. No entanto, fica assegurado que os cargos de chefia, coordenação e organização de conteúdo nos veículos de mídia estejam nas mãos de gente que se capacitou para tal.

Isso tudo pra dizer o seguinte: o ofício de jornalista, historicamente associado ao submundo, boemia, fumo compulsivo e desestabilidades psíquicas diversas, ganha um alicerce importante com a regulamentação constitucional. Ponto pra nós!

Ainda assim, penso que as entidades de classe deveriam ser mais contundentes, tanto na defesa dos direitos dos trabalhadores quanto na atenção ao exercício da profissão – os abusos, tanto na mídia quanto nas assessorias de imprensa, ainda são diários e difíceis de coibir.

Foi dado um passo importante. O meio dos jornalistas, agora, precisa entrar em consenso para fortalecer a categoria e dar um caráter mais sólido ao perfil da profissão. Inclusive no que se refere à qualidade no ensino das faculdades. Por que não, por exemplo, a Fenaj ranquear as insitiuições, como faz a OAB? É só uma sugestão para um jornalismo mais organizado, sem perder a ousadia esperada de todo bom jornalista.

1 comentário

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  • Ponto para nós jornalistas, mas o caminho ainda é longo. Precisamos, também, reavaliar o que estudamos na faculdade e o que podemos fazer tornar o ensino ainda mais eficaz. Os passos são lentos, mas são dados. Beijos querido.

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