As perguntas sobre “Lula”

Na faculdade, sempre fui um fiasco nas disciplinas de opinião. Não tenho dom pra editorialista, articulista… pra crítico cultural então, menos ainda. Mas ontem eu fui assistir ao filme “Lula, o filho do Brasil” e saí do cinema com um sonoro “e aí?” ecoando na cachola.

Não entendo lhufas de técnica cinematográfica, mas fiquei positivamente surpreso com a fotografia nas cenas iniciais, na Caetés de 1945. A transição entre filmagem e imagens jornalísticas de arquivo também foi uma sacada bacana. O pseudo-locutor-de-rádio-tipo-dalmácio-jordão também mandou bem, apesar de os textos estarem um pouco fora do estilo de rádio de notícias que havia naquele tempo.

Mas o que importa mesmo é que o filme poderia ter respondido perguntas. Por exemplo: afinal, a greve de 1979 foi tão fracassada assim? Como foi a negociação dos sindicalistas do ABC para ocupar as Igrejas e fazer delas instrumentos de mobilização? De onde surgiu Lurian? Como foi esse episódio da vida de Luiz Inácio? Lula, pelo que me lembre, foi deputado constituinte. Nem nas letrinhas do final do filme colocaram essa informação.

“Larga de ser chato, pô! É uma obra de ficção!”, vai dizer o astuto leitor. Concordo. Mas o tom documental percorre toda a fita. E informações relevantes como essa – e fundamentais para entender a biografia de Lula – não poderiam ter faltado.

Fica, no fim, uma sensação meio propagandesca. O filme peca por excesso ao mostrar um Lula ”que teimou”. E peca pela falta ao inculcar um Lula que nunca errou. E errar é condição primeira para ser plenamente humano.

1 comentário

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  • Bingo, Florzão. E acho até que se a ideia era mitificar um personagem tão interessante como o presidente, o filme fracassou. Não chega a ser ruim, mas vale só meia entrada.

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