O Palmeiras caiu. E o diploma de jornalista também.
O Palmeiras caiu diante do Nacional, um time demasiado competente na arte de catimbar. Tá certo que os uruguaios conseguiram matar boa parte do segundo tempo com cera, valorizando as faltas… mas o Palmeiras teve pelo menos 70 minutos pra fazer a bola ultrapassar a linha fatal. Não conseguiu.
Não vou cornetar. Já fiz isso em demasia no Twitter. O time não conseguiu cumprir a meta de fazer um gol fora de casa. E viaja de volta eliminado.
Deixo para os companheiros da mídia esportiva as especulações, os pormenores, as ilações. Falo aqui só como torcedor. Estou triste, mas menos revoltado do que em outras derrotas. O time teve vontade. Isso já acalma bastante o coração do apaixonado palmeirense que acompanhou a partida.
Outro que caiu nesta quarta, mas mais cedo, foi o diploma de jornalista para o exercício da atividade profissional. Essa queda, confesso, foi menos sofrida.
É fato que não mais milito nas redações, mas vi muita gente não formada atuando como repórter de rádio, por exemplo. Ainda mais aqui no interior de São Paulo, onde quem fica maior tempo falando “na latinha” é quem apresenta as cotas comerciais mais polpudas aos coordenadores das equipes ou aos diretores de muitas emissoras. Pro mercado, creio eu, isso não vai fazer diferença.
O fato de o diploma não ser mais obrigatório não me abala e tampouco desvaloriza os anos que passei estudando pra ser jornalista. Mais do que informações técnicas, a faculdade de Jornalismo me ensinou os meandros da política e a riqueza de se construir relações honestas.
Em suma: meu certificado vai continuar pendurado no meu quarto, as redações vão continuar contratando gente formada (porque a grande mídia e as assessorias ainda precisam dos conceitos técnicos ensinados nas faculdades) e eu vou poder dizer, lá no futuro: “Eu fui jornalista no tempo em que ainda se precisava cursar faculdade pra se trabalhar dentro da lei”.
* Ao som de: More than Words, Extreme.

Oi, Felipe!
Confesso que não gostei de nenhuma das quedas, principalmente a da obrigatoriedade do diploma. Sei que meu posicionamento pode ser pequeno, mas já sofremos com a falta de registro e piso salarial baixo, sem o diploma tende a virar um carnaval fora de época!
Espero estar errada, sinceramente…
Pelo menos o que aprendemos nunca nos será tirado…
Um beijo enorme,
Gabi.
Gabi, concordo contigo sobre a precarização do ofício, mas acho que, com ou sem diploma, as coisas não mudam muito. O bicho pega mesmo porque a profissão não é regulamentada de forma clara e a fiscalização sobre os empregadores é quase nula. Mas não é o diploma que vai assegurar mais rigor na relação trabalhista. São outras medidas que vão garantir a valorização do profissional. Agora, notadamente isso passa por uma remodelação no que diz respeito ao registo profissional e ao amparo legal à profissão – com ou sem diploma.