2010: o ano da inércia eleitoral em SP

Certamente você já viu, pelo menos uma vez na vida, como se realizam os processos de votação dos projetos considerados “menos importantes” em alguma Casa Legislativa deste País. Pra quem não teve essa empolgante experiência, explicarei:

Um sujeito lê o teor do projeto. O presidente diz “em discussão!”. Meio segundo se passa, e o presidente emennda: “Encerrada a discussão! Em votação! Aqueles que são a favor permaneçam como se encontram!” Mesmo que alguém ensaie se levantar, ou erguer a mão em contrário, não há tempo suficiente, pois já vem a sentença da apuração:  ”Aprovado!”

Me parece que essas Eleições - especialmente aqui em São Paulo – estão com cara de projeto sem importância. A população paulista segue rumo às urnas para dar um voto de “Aprovado!” a dois modelos de gestão que se dizem diametralmente opostos, mas que se coadunam na acomodação popular: no campo macro, 8 anos de Lula – com inegáveis avanços sociais e tantos deslizes morais igualmente visíveis.

Por aqui, um modelo de gestão que se perpetua há 16 anos – sem um grande contraponto convincente, é verdade.  Em São Paulo, não há questionamentos ferinos sobre a gestão das autarquias, sobre os escorchantes pedágios, sobre as mazelas educacionais, sobre os degringolantes índices de criminalidade. Tudo parece andar harmoniosamente bem na paulicéia.

Não quero ser palanqueiro aqui, mas é hora de as forças de oposição (hã?) a estes dois modelos de gestão apresentarem propostas mais empolgantes, que levem o paulista a enxergar um novo jeito de tocar esse Estado – e por que não o País. Quero confiar no poder da democracia e do debate eleitoral. E, de minha parte, desejo, pelo menos que esta eleição paulista siga para o segundo turno.

Que esse debate sirva, além de propor uma pauta progrmática mais decente, para discutirmos com mais serenidade esta onda de fisiologismo e da acomodação política com o poder vigente – simbolizada institucionalmente pelo PMDB, que levanta a bandeira petista na esfera federal, mas não se esquiva do alinhamwnto ao tucanato em São Paulo.

Israel: pitacos antropológicos

Algumas coisas interessantes (e outras nem tanto) sobre minha experiência em Israel:

* A segurança para entrar e sair do país é tanta que chega perto do limite do constrangedor. No aeroporto de Guarulhos, por exemplo, pessoas que se identificaram como “funcionários da El-Al” fizeram perguntas como “Quem fez suas malas?’, “Vocês, do grupo, se conhecem há quanto tempo?”, “Você acompanhou sua mala desde a hora em que você a fechou até agora?”, “você viu alguma movimentação suspeita ao redor do ônibus que trouxe vocês?”.

Tudo bem, pode perguntar, não tem problema.  Se é pra zelar pela nossa tranquilidade e evitar que alguém sequestre o avião ou exploda um artefato no meio do voo…

Só faço duas ressalvas:

1) Depois de passar por uma sabatina muito parecida na volta, em Tel-Aviv, por uma moça identificada como membro do “Serviço de Segurança do Aeroporto Ben Gurion”, ficou forte em mim a impressão de que os funcionários da El-Al no Brasil são muito bem treinados pelo governo de Israel ou são, na verdade, agentes de segurança israelenses que se passam por funcionários da companhia aérea.

2) Gostaria de saber se existe amparo legal no Brasil para que perguntas como essa sejam feitas na fila do check-in da empresa aérea.

* Como é difícil pra nós compreendermos a diversidade religiosa. Em Israel tem judeu de todo tipo: ortodoxo, tradicionalista, tradicional, aquele que vive a tradição “mais ou menos” e os que já jogaram a tradição religiosa pra longe. Numa noite de sexta-feira (início do dia sagrado dos judeus, o Shabbat), em Tiberíades, era possível ver, no saguão do hotel, senhores muito bem trajados, com terno (sem gravata), chapéu, aqulas trancinhas pendentes, convivendo ao lado de adolescentes e jovens em trajes sumários. Todos se hospedando para cumprir a tradição de “não fazer esforço no dia sagrado”. Como não pode cozinhar, vamos ao hotel!

* Ainda nos hotéis, um outro detalhe. Entre o por-do-sol da sexta-feira e o por-do-sol do sábado, nenhum judeu trabalha. Os judeus que se hospedam são, então, atendidos por não judeus – a menos que haja autorização rabínica para trabalhar. Além disso, um dos elevadores do hotel fica programado pra parar de andar em andar. Afinal, como a tradição fala de não fazer esforço, não se pode apertar o botão do andar desejado.

* Jerusalém é incrivelmente pacífica. Apesar de, às vezes, membros de uma mesma crença saírem no tapa – como o episódio entre armênios e gregos ortodoxos dentro da Igreja do Santo Sepulcro - a convivência entre as diversas manifestações de fé nas ruas e vielas da cidade velha é pacífica. Nosso grupo, que fazia a via crucis – hoje cercada por lojinhas – pôde, por várias vezes perceber a manifestação de respeito dos comerciantes, que abaixavam o volume das TVs ou aparelhos de som quando nos aproximávamos de alguma das estações para rezar.

* Por último, no supermercado, alguas dicas:
- Compre o wafer de chocolate da caixa grande – é barato e bem gostoso;
- O café solúvel é mais negócio que o café em pó – especialmente pro nosso paladar; 
- Prefira água mineral  - mesmo com a garantia de que a água do hotel é potável;
- Top 3 de cervejas pra beber em Israel: Goldstar, Tuborg Red e Heineken.

Israel: primeiras fotos

A viagem tem tido belas imagens. 628 fotos em 7 dias. Aqui, uma pequena prévia, por conta da baixa velocidade da conexão e pelo fato de estar usando um computador coletivo do hotel. Quando tiver outra chance de usar internet free, posto mais imagens. E, quando eu voltar pro Brasil, reabro a conta no Flickr e posto mais imagens.

Além da dimensão religiosa, a viagem de me ajudado muito a perceber detalhes da cultura judaica e a ajustaar alguns conceitos sobre questão palestina. Mas isso a gente comenta com mais calma no Brasil. Por enquanto, as fotos!

Avião da El-Al. 13h20 de voo entree São Paulo e Tel-Aviv

Vista da avenida beira-mar de Tel-Aviv, na sacada do hotel.

 

No caminho para Cesareia marítima, a maior usina termoelétrica de Israel, alimentada a carvão

Em Haifa, com vista para a cidade e, mais próximos, os jardins da sede mundial dos Baha´i

Na fortaleza de Massada. Ao fundo, o Mar Morto

 

Até!

Israel: primeiras palavras

Israel se mostra um lugar especial, intrigante…. encantador.

Uma terra muito bonita, agraciada pela Natureza e que esconde tesouros da arqueologia. Um lugar que, pelas suas paisagens, rende boas fotos e fortes sentimentos.

Estou no meu quinto dia de viagem. Ficarei por aqui por mais 6 dias.

Desde o dia 6 de julho, tive algumas grandes felicidades: cruzar de barco o mar da Galileia,  subir a fortaleza de Massada, celebrar com o grupo na gruta onde Maria recebeu a visita do anjo Gabriel, segundo o relato sagrado, sem contar os novos amigos e os “causos” com o povo que mora aqui.

A viagem tem sido espetacular. Bendito deja Deus!

Em breve tentarei publicar algumas fotos…

Shalom!

Fé e razão – caminhos abertos

“Pois não me é dada a liberdade de conceber um Deus sem existência (isto é, um ser supremamente perfeito sem uma suprema perfeição), como me é dada a liberdade de imaginar um cavalo sem asas ou com asas”

René Descartes, Meditações, 5

Obrigado, Fernando Vives

Já faz algum tempo que eu venho pensando sobre o que move a minha vocação, o que me fez largar as redações e entrar num seminário católico, o que me atraiu para uma vida em comunidade. E vinha construindo verdade porvisória – que vai prevalecer até que algo menos falso se apresente: minha vocação só tem sentido verdadeiro se for acompanhada de uma partilha de vida.

Hoje, essa verdade ganhou mais uma confirmação. O texto do meu amigo Fernando Vives me mostrou o que a vida pós-moderna parece querer velar todos os dias: um sujeito jamais conseguirá enxergar covardia, coragem, galhardia, medo e orgulho em suas atitudes se não se abrir para elas! Uma vida pautada por isolamento,  auto-suficiência e pseudo-relações está fadada ao fracasso humano.

Tá bom. Mas, isso tudo, o que tem a ver com a minha vocação? Tem a ver que Jesus – nossa referência – só conquistou a simpatia, a confiança e o amor da humanidade porque foi ao encontro dela, doou a sua vida – não só corporalmente, mas, estabeleceu uma convivência plena com o mundo. Mostrou um caminho de vida. E, graças a esse despojamento, revelou a bondade que brota do coração de Deus.

Colocar esse propósito na vida é um caminho longo. Uma pedagogia diária. Por isso, obrigado, Fernando Vives. Seu texto me ajudou hoje a me converter um pouco mais.

And I think to myself….

…what a wonderful world!

* uma breve ação de graças nessa cinzenta e preguiçosa manhã: Obrigado, Deus. Três vezes obrigado.

Uma Sociologia do fenômeno neopentecostal

Li no último sábado, no caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, um texto muito interessante do socoólogo Ricardo Mariano sobre a conmfiguração social da Igreja Universal do Reino de Deus. Uma análise consistente, livre de juízos de valor – coisa rara hoje em dia – e que aponta aspectos pouco refletidos pela maioria das pesoas que se aventuram a discutir o fenômeno religioso neopentecostal.

Coincidência ou não, no próprio sábado, pela manhã – antes de ler o artigo – passei em uma livraria e me deparei com um livro intitulado Neopentecostais, de autoria do próprio Ricardo Mariano (Editora Loyola). Confesso que, num primeiro momento, fiquei em dúvida da consistência daquela obra literária. Mas o artigo dele para a Folha me convenceu: vou comprar o livro. E vou fazê-lo justamente pra poder me aprofundar sobre esse tema.

O texto publicado no Mais! me fez recordar outras leituras interessantes: o livro Mídia e Poder Simbólico, de autoria do professor e amido Luís Mauro Sá Martino (Paulus) e a tese do professor Walter Barbieri Junior, com o tema  A Troca Racional com Deus: A Teologia da Prosperidade praticada pela Igreja Universal do Reino de Deus analisada pela perspectiva da Teoria da Escolha Racional (2007).

Nas formações sobre a análise da realidade das quais participo, o tema do pluralismo religioso dentro dos lares é algo recorrente. E a ocorrência desse mosaico religioso nas casas é fruto, em grande parte, da presença midiática massiva dessas denominações evangélicas, aliada a um discurso que ataca o cerne dos sofrimentos – num diálogo que é pra todos e, ao mesmo tempo, pra cada um em particular.

Estou empolgado pra ler mais sobre isso. E, se você leitor, tiver mais alguma dica ou puder compartilhar alguma ideia sobre esse tema, não se acanhe, por favor.

Comunicação na Igreja: desafio e esperança

Começamos hoje – juntamente com uma grande equipe – a rearticulação da Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de Campinas. É um desafio pessoal muito grande, um serviço que espero prestar com simplicidade e competência.

Este trabalho é parte de um grande projeto de comunicação institucional da Arquidiocese, em sintonia com as metas estabelecidas no 7° Plano de Pasoral Orgânica. São seis equipes distintas, atuando em diferentes pólos. A Pascom é um desses grupos.

Enquanto preparava o material para a primeira reunião de articulação, pensava na grande necessidade que a Igreja ainda tem de organizar suas estratégias de comunicação de uma forma profissional e eficaz.  São muitas as iniciativas – algumas com renome, inclusive – mas institucionalmente ainda se peca em articulação, cooperação, partilha de recursos e ideias.

CNBB tem tido uma preocupação importante nessa direção e, por isso, vai promover mais um Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação, de 21 a 24 de julho, em Aparecida-SP.

Penso que será uma excelente oportunidade para os que trabalham com comunicação na Igreja ampliarem o conhecimento, a visão da realidade e o alcance sobre os desafios que nos cercam. Mas é também uma oportunidade importante para os profissionais de mídia que só tomam contato com a Igreja em tempos específicos – como agora, nos casos de pedofilia. Estes vão perceber que, na Igreja – apesar dos pesares – ainda existe muita gente (a imensa maioria!) que busca a fraternidade, a justiça e a paz, usando a Comunicação Social para anunciar os valores cristãos e denunciar as violações contra a vida humana.

Espero que Deus nos ajude na realização dessa tarefa.

Carta a um articulista renomado

Não quero esrever pra você, articulista anônimo, que tem assistido, lido, ouvido tanto sobre os casos de pedofilia na Igreja e já concluiu que a atitude mais prudente a tomar quando encontrar um clérigo na sua frente é desconfiar.

Não quero também me reportar a você, prezado profissional de imprensa, que passa no mínino 1/3 dos seus finais de semana dentro de uma redação, esperando que nada de mais grave aconteça para que seu chefe imediato – de folga - te dê sossego durante o plantão, e que precisa tirar leite de pedra pra encher uma página impressa ou rechear o tempo de produção do seu telejornal num sábado sonolento.

Quero aqui me digirir a você, amigo articulsta, que é renomado, que escreve semanalmente para jornais de grande ciruculação e ou que tem sua coluna reservada em revistas de prestígio, e que sabe como é gostoso entrar na onda da moda, pegar carona no assunto do dia, na pauta que fervilha.

Você sabe, caro articulista, que a liberdade de opinião é um direito sagrado – mais respeitado hoje do que os valores do Evangelho (tradições servem pra ser quebradas, não é mesmo?). O problema, prezado articulista, é quando essa sede de tomar partido de um tema, de entrar no “coro dos antenados” fere a dignidade do outro, achincalha a boa intenção das pessoas, destrona a humanidade do lugar mais nobre entre os sentimentos.

Quando a opinião faz uso de meias-verdades, ela fere a reta intenção de mostrar a amplitude dos temas a serem tratados. Essas linhas pobres e maltrapilhas só estão aqui pra lembrar a você, querido “formador de opinião”, que é necessário carinho pelo que se escreve.

Cuidado pra não querer entender o boi a partir de um bife.  Talvez pra você, querido articulista, que padece com a febre individual-narcisista-pós-humana, seja difícil entender, custoso admitir e impraticável noticiar que  a Igreja – mesmo com todos os erros que comete, com todos os desvios morais de alguns membros mal-intencionados - merece respeito.

Não defendo censura. Ninguém pode ser calado. O que se espera é correção, retidão, zelo com a informação. Escrevo só pra lembrar a você, amigo articulista, que dentro da Igreja – pra quem a ama de verdade, “Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele” (1Cor 12,26a). Acho que você vai entender melhor quando a sua gastrite atacar de novo.

Uma Santa Páscoa pra você.

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