Silêncio x Palavra: O Papa e a Revelação de Deus
A mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012 traz como título “Silêncio e palavra: caminho de evangelização”. Após três anos consecutivos abordando as novas tecnologias, o papel dos sacerdotes no universo digital, e a importância da autenticidade de vida e de testemunho na esfera virtual, o Papa mergulha mais fortemente na Teologia da Revelação para falar de comunicação.
E é justamente para recolocar a primazia da Palavra de Deus no universo da Revelação que o Papa articula a mensagem deste ano. É pela Palavra que Deus criou o universo; a Palavra manifestada pelos patriarcas e profetas guiou o povo de Israel; e Cristo é a Palavra encarnada entre nós.
Todavia, recorda o pontífice, O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: “Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (…) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio” (Verbum Domini, 21).
Usar do contraste entre silêncio e palavra para reafirmar a importância da comunicação é, numa perspectiva contextual, algo inusitado. Afinal de contas, a palavra vem perdendo espaço numa sociedade que pode ser considerada pós-imagética, na qual a combinação de signos no menor espaço de tempo possível é o grande motor das relações, do mercado, da vida contemporânea. Isso pode gerar, como lembra Bento XVI, um estado de euforia, de inquietação exacerbada, que impede o homem de centrar-se, de avaliar seus atos com a profundidade necessária, de desenvolver relações verdadeiramente sólidas.
O Papa faz menção aos modos pelos quais Deus fala à humanidade justamente para chamar os homens a reencontrarem com a fonte da Vida, a Origem, o Princípio Fundamental que deve reger e orientar os corações e as atitudes daqueles que professam a fé e, em última análise, de todos os homens e mulheres de boa vontade. Ao reafirmar as modalidades da revelação divina,Bento XVI exorta todos a se manterem fieis à referência ética para o bom uso da mídia, que vive em constante dinamismo.





