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	<title>Blog do Savarese</title>
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	<description>Esporte e política. O Brasil e o Mundo.</description>
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		<title>Sobre os blogueiros ditos progressistas</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 20:01:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O líder fascista britânico, Nick Griffin, gosta de dizer que Winston Churchill se filiaria a seu partido se estivesse vivo. A justificativa: na juventude, o premiê criticava a pesada imigração e era algo xenófobo. Para barrar os fascistas, os partidos compromissados com a democracia no Reino Unido se uniram para acusar o &#8220;sequestro&#8221; da imagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O líder fascista britânico, Nick Griffin, gosta de dizer que Winston Churchill se filiaria a seu partido se estivesse vivo. A justificativa: na juventude, o premiê criticava a pesada imigração e era algo xenófobo. Para barrar os fascistas, os partidos compromissados com a democracia no Reino Unido se uniram para acusar o &#8220;sequestro&#8221; da imagem de Churchill. Ali, traçaram uma linha entre o que é aceitável na política local e o que não é. Atacados por todos os outros, os nazistóides se acanharam e nas últimas eleições encolheram. Isso só aconteceu porque não deram a eles o direito de se apropriar de um personagem que é bem comum dos britânicos, e não compartilha valores com o fascismo. Me lembrei dessa história ao ler o manifesto produzido após o 1º encontro de blogueiros supostamente progressistas.</p>
<p>Entre esses blogueiros, há jornalistas respeitáveis e especialistas lúcidos em política. Não cabe a mim enumerá-los, porque eles sabem quem são. Mas há também gente cujo progressismo varia conforme o ocupante do Palácio do Planalto. Que recebe dinheiro público para produzir peças supostamente jornalísticas a soldo de Brasília e do governo petista. E que sequestra a blogosfera para abusar do direito de ofender, caluniar, mentir e fazer campanha, como se estivesse fazendo jornalismo ou defendendo ideias. Os valores do jornalismo, aos quais apelam os Amorins da vida, não se entrelaçam com o que defendem. Ainda assim, tentam falar em nome da internet, como se donos dela fossem. E como se a internet toda usasse seus pensamentos de piloto de trem fantasma para acusar golpismo na imprensa, na oposição e em qualquer tentativa de espírito crítico.</p>
<p>Assim como Griffin sequestra Churchill para se dar uma relevância que não tem, grande parte dos blogueiro$ progre$$i$tas sequestra a internet para falsear a imagem de porta-vozes de uma massa amorfa e difusa, que nunca lhes deu autoridade para falar em nome dela. Ainda menos poderiam, em nome dessa blogosfera tão intangível, fazer descarada e acrítica campanha eleitoral, como acontece principalmente no espaço de ex-jornalistas promovidos a intelectuais-internéticos &#8211; incluindo aí um neoadmirador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o único que já foi processado por ele. Tem o que hoje é pago pela Empresa Brasileira de Comunicação para fazer um programa que dá traço de audiência. Tem o outro que recebeu dinheiro da TV Brasil para trabalhar em uma atração que o Brasil desconhece. Não são acusações soltas, tudo isso foi amplamente noticiado nos últimos meses. </p>
<p>Pior: essas figuras são colocadas no mesmo balaio de blogueiros honestos, que escrevem por militância sincera e acabam dividindo espaço com essas estrelas decadentes e oportunistas. Isso tem de acabar porque o interesse desses caras é empunhar bandeiras que nunca foram suas, unicamente por terem sido escanteados nos veículos que hoje chamam de golpistas. É gente que quer enriquecer às custas da Viúva e ter financiamento público. </p>
<p>É natural que haja pessoas engajadas numa causa ou na outra. E que o engajamento produza conteúdo na blogosfera, de boa e de má qualidade. O que não é natural é a insistência da suposta blogosfera progressista de atribuir a si o monopólio do espírito crítico na internet brasileira. E de se dizer dona da exclusividade do contraponto às mídias impressa e televisada. Fazem isso como se as más intenções fossem intrínsecas ao outro lado e eles, desinteressadamente, é claro, representassem um Brasil novo. Isso se chama desonestidade intelectual. E é o esporte preferido de muitos &#8220;progressistas&#8221;.</p>
<p>Se ninguém se manifestar contra esse grupo, ele tentará, como fizeram os fascistas britânicos, assumir de vez o monopólio da opinião crítica política na internet. Quem, de qualquer forma, contestar isso, poderá ser vítima da retaliação mau caráter dessa gente. Vivi isso em grau moderado, mas outros tantos colegas já se viram enredados em péssimas situações por conta do autoritarismo da parte ruim da dita blogosfera progressista. Em um espaço tão democrático quanto a internet, permitir a eles a chance de acelerar suas manipulações baratas é perigoso e equivocado. Até porque, parafraseando Bezerra da Silva, progressista que é progressista não fala que é progressista.</p>
<p>E isso muitos desses blogueiros não são, nunca foram e nunca serão. </p>
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		<title>Dunga, o sequestrador da Seleção</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 14:17:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na política, nossa herança patrimonialista indica que há séculos confundimos o público com o privado. São passagens aéreas bancadas com dinheiro da Viúva que se tornam facilitadores de férias. Gráficas do Congresso que se tornam editoras pessoais. E assim por diante. A mesma comparação vale para o técnico da Seleção Brasileira, que transformou um símbolo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na política, nossa herança patrimonialista indica que há séculos confundimos o público com o privado. São passagens aéreas bancadas com dinheiro da Viúva que se tornam facilitadores de férias. Gráficas do Congresso que se tornam editoras pessoais. E assim por diante. A mesma comparação vale para o técnico da Seleção Brasileira, que transformou um símbolo nacional em um ativo supostamente seu na Copa do Mundo da África do Sul.</p>
<p>Com a anuência do presidente da CBF, Dunga distorceu critérios, beirou a defesa das ditaduras, esnobou os jornalistas e mostrou como sua noção de hierarquia se aproxima da dos tiranetes nível Hugo Chávez que estão soltos por aí. Sua pretensa inflexibilidade moral esconde um ex-jogador rancoroso e incapaz de entender não apenas o papel da Seleção Brasileira, mas também o de quem paira ao redor dela.</p>
<p>Em sua fábrica de invenção de supostos critérios, definiu que os jogadores comprometidos com ele estão comprometidos com a Seleção. Um atleta contundido que não atendesse a uma convocação poderia estar perfeitamente excluído. Teria sido o caso de Kaká, se ele não fosse acima da média. Mas pesou para a ausência de Vagner Love, que se lesionou depois de uma Copa América em que foi titular e nunca mais voltou.</p>
<p>Também decidiu Dunga que só levaria ao Mundial jogadores que testou com a camisa amarela. Mas o último amistoso da Seleção antes da Copa foi no longínquo dia 2 de março, contra a Irlanda. Dali, pinçou o atacante Grafite para o grupo final por conta de uma atuação de meia hora. Se tivesse jogado em abril ou maio uma vez mais, por que Paulo Henrique Ganso, Neymar ou Ronaldinho Gaúcho não poderiam estar na lista?</p>
<p>Não houve mais amistosos porque o sequestrador da Seleção não queria estimular mais contestações. Queria provar sua tese, e não fazer um grupo qualificado de verdade. Não interessam os títulos que ele ajudou a conquistar desde seu início no cargo: nenhum deles é novidade na sala de troféus da CBF. Serviram apenas para impedir que Dunga e Jorginho fossem demitidos, uma vez que pouca gente confiava em suas chances de se manterem.</p>
<p>Mantiveram-se às custas de um projeto de uma Copa do Mundo que pouco terá a ver com a parca experiência de Dunga como treinador. Ao enxergar lobby contra ele em qualquer crítica que lhe é feita, o treinador age como um Robert Mugabe, ditador do Zimbábue, ou um Ricardo Teixeira, autocrata da CBF. Faz sentido. São todos homens tarados por COMPROMETIMENTO. Com eles próprios, é claro.</p>
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		<title>Só conservador briga por espaço na mídia</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 04:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao notar o confronto entre petistas x tucanos na internet, nas seções de cartas dos jornais, nos comentários dos sites ou onde for, imagino como seria bom se houvesse um grupo com a articulação popular do PT e o diálogo com a intelectualidade do PSDB. Se isso existisse, talvez a política brasileira deixasse de ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao notar o confronto entre petistas x tucanos na internet, nas seções de cartas dos jornais, nos comentários dos sites ou onde for, imagino como seria bom se houvesse um grupo com a articulação popular do PT e o diálogo com a intelectualidade do PSDB. Se isso existisse, talvez a política brasileira deixasse de ser mesquinha e limitada àquilo que parece noticiável. Mas não é isso que querem os antagonistas: seu conservadorismo na construção da democracia representativa dá a eles o impulso único de alimentar o ranço contra o outro como se não houvesse amanhã. Coisa de gente muito reacionária, recalcada e atrasada.</p>
<p>Para uns, a mídia é golpista. Para outros, é leniente. Para ambos os lados, o mensalão são os outros. Não que não haja espaço para criticar a mídia, até porque no Brasil ela tem propagado cada vez mais erros que são injustificáveis, possivelmente de má-fé. Mas quando a política se submete ao noticiário para se definir diante da sociedade, é sinal de que algo vai muito mal. E nisso a culpa não é do reportariado, dos grandes grupos nem do respeitável público: é do establishment político, o mesmo que pauta a mídia que critica. </p>
<p>É muito importante que haja informação circulando e que o direito ao contraditório seja exercido onde for: jornais, blogs, twitter, rádio. Mas a política é o instrumento com o qual se muda o mundo, antes de mudar a mídia. Querem que creiamos que é o contrário.</p>
<p>Nada justifica tantos textos figadais em defesa deste ou daquele partido se quem os escreve muitas vezes mal saiu da própria casa e limita sua visão ao que oferece a tela do computador. Por que não empregar o ânimo usado para fiscalizar o noticiário em ações solidárias e em formação política de verdade, sem ranço? Parece algo distante. </p>
<p>Mais fácil é fiscalizar quem é pago para fiscalizar o poder. Fiscalizam a mídia como fazem as ditaduras. Os esquerdistas e liberais que querem vínculo com o povo pouco se importam com o que é ou o que deixa de ser noticiado. Estão mais preocupados com ações efetivas, não midiáticas. Se o Brasil amadureceu ao se afastar do conservadorismo econômico e social que o travava no século 18 até o início da década de 90, o mesmo não se pode dizer sobre o posicionamento dos seus agentes em relação à democracia representativa. </p>
<p>São caquéticos, mesmo os jovens.</p>
<p>Essa falta de liberalidade na discussão política, bem como a criação de antagonismos que não resistem à primeira lufada de ar, é condizente com um comportamento reacionário e recalcado, segundo o qual há bem e mal, patriotas e vendidos, dignos e escória. Cabe à mídia, na ideia desses, justificar o que pensam um sobre o outro e sobre a própria mídia. É um raciocínio que dá sono, mas que se reforça conforme se aproximam as eleições.</p>
<p>Não quero aqui cair no voluntarismo e dizer que todo mundo poderia fazer algo mais efetivo para que a política não se limite ao que sai e como sai na mídia. Não acho que em vez de escrever todos deveriam estar removendo gente das favelas afetadas pelas chuvas no Rio de Janeiro. Mas que ficar enchendo o saco do pessoal da mídia é uma posição careta e afastada daquilo que melhora a vida das pessoas, ah, isso é sim. </p>
<p>Os meios podem ser mais modernos. Mas a falta de visão dos que querem desconstruir a mídia sem construir algo concreto para a sociedade é coisa do século passado.</p>
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		<title>Dicas para evitar o Fla x Flu eleitoral</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 04:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi dada a largada para as eleições de 2010. O clima começou a se acirrar e já é possível notar os obstáculos que vão enfiar no caminho de quem quer entender as coisas direito. Os candidatos nem são o problema central por enquanto. O diabo são os assessores, aliados, eleitores, apaniguados e simpatizantes que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi dada a largada para as eleições de 2010. O clima começou a se acirrar e já é possível notar os obstáculos que vão enfiar no caminho de quem quer entender as coisas direito. Os candidatos nem são o problema central por enquanto. O diabo são os assessores, aliados, eleitores, apaniguados e simpatizantes que se esforçam para que o povo prefira votar em Cumbica para presidente (essa já é minha tentação).</p>
<p>Longe de mim querer dar manual para quem quer que seja. Mas algumas dicas, com base no que deu para notar até esta que é minha quarta cobertura eleitoral, podem ser úteis.</p>
<p><strong>1 &#8211; Quando uma declaração repercute apenas dias depois de ser dada, desconfie.</strong><br />
Na eleição 2010, a estreia foi com a declaração da candidata Dilma Rousseff sobre &#8220;não fugir da luta&#8221;. Ela fez o comentário no sábado. Nem eu nem os colegas que ouvimos o discurso percebemos nada diferente na hora. Na segunda-feira o negócio virou uma referência ao exílio de Serra durante a ditadura. Dilma pode não ser palanqueira, mas não faria um comentário que, se tivesse sido feito com essa intenção, ofenderia o coordenador de sua própria a campanha, Marco Aurélio Garcia, que revisa os textos. Toda eleição é cheia disso.</p>
<p>Quatro dias depois, a Folha publicou uma errata bem escondidinha dizendo o seguinte: &#8220;Em parte dos exemplares, foi publicado erroneamente que a pré-candidata do PT à Presidência disse, em evento em São Bernanrdo no último sábado: &#8220;Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil&#8221;. A declaração correta, publicada na maior parte dos exemplares, é: &#8220;Eu nunca fugi da luta ou me submeti. E, sobretudo, nunca abandonei o barco&#8221;.</p>
<p><strong>2 &#8211; Quando um partido fala mais da imprensa do que das propostas, desconfie.</strong><br />
Quem está perdendo reclama da mídia. Quem está ganhando reclama da mídia. A mídia é importante, mas não é ela que governa. Candidato que se preocupa mais com a imagem do que com a substância merece tomar ainda mais porrada da imprensa. O presidente Lula cabe nessa: seu governo é bem avaliado, mas seu diálogo ruim com a mídia não é culpa exclusiva de preconceito alheio. Por mais que ele se incomode com isso, nunca será uma unanimidade. O mesmo vale para o PT, que acha ok o mensalão tucano, acha ok o mensalão do DEM, mas considera o próprio mensalão uma invenção da mídia golpista. Já os tucanos acham que a imprensa comparou o rico mensalão petista com um mensalão seu menos rico para um candidato que nem sequer ganhou as eleições. Tou fora.</p>
<p><strong>3 &#8211;  Desconfie.</strong></p>
<p><strong>4 &#8211; Quando um lado chama o outro de antipatriota ou coisa do tipo, desconfie.</strong><br />
&#8220;Eles querem entregar o país&#8221; ou &#8220;Eles querem dominar o país para implantar o stalinismo&#8221; é argumento de quinta categoria. E o tempo inteiro ele aparece na internet, nas mesas de bar, na mídia, no diabo que carregue. A maioria dos caras que se xinga durante a campanha é amigo há décadas. Serra e Dilma, por exemplo, se conhecem há uns 30 anos. E têm amizade um pelo outro. Discurso eleitoral pesado pode servir para mexer com votos instáveis. E para embarcar na campanha gente mais disposta a espumar de raiva do que a discutir. Melhor é seguir o conselho de Jaiminho, o carteiro do Chaves, e evitar a fadiga.</p>
<p><strong>5 &#8211; Desconfie.</strong></p>
<p><strong>6 &#8211; Não confie em apenas uma fonte para se informar.</strong><br />
O contraditório é mais do que obrigatório em discussão eleitoral. Quem só fala de um lado pode saber muito sobre aquele lado. Mas não ajuda a entender o quadro todo com a complexidade que ele merece. Nesses nossos tempos, como mostram várias pesquisas, as pessoas tendem a preferir argumentos fáceis para acelerar sua tomada de posição. Isso pode ser bom para alguns candidatos, mas para quem é cidadão comum, só atrapalha.</p>
<p><strong>7 &#8211; A verdade merece ser prezada.</strong><br />
O terreno daquilo que é ético discutir em uma campanha é pantanoso. Figuras públicas estão na arena para debaterem e serem debatidas. Mas o respeito à verdade é fundamental. Assim como não havia verdade no dossiê da pasta rosa, que apontava uma suposta conta de tucanos &#8211; incluindo Serra &#8211; no exterior, também era ridiculamente falsa a suposta ficha criminal de Dilma publicada na imprensa. Quem revigora na campanha mentiras desse tipo, merece desprezo. E quem lembra o que é verdadeiro, ajuda na discussão.</p>
<p><strong>8 &#8211; Eleições são sobre o futuro</strong><br />
Os tucanos têm razão nisso: o passado ajuda a indicar caminhos, mas não resolve. Uma disputa eleitoral trata do que será feito, não do que já foi. Quem fica preso demais ao que já foi não consegue fazer mais. Se alguém chega dizendo que o terror comunista vai voltar ou que vão alugar sua avó para o capital financeiro especulativo internacional, tenha sono.</p>
<p><strong>9 &#8211; Desconfie.</strong></p>
<p><strong>10 &#8211; Desconfie muito. </strong></p>
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		<title>Serra zomba da imprensa ao anunciar candidatura para Datena</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 01:23:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O apresentador José Luiz Datena cansou de figurar entre os reis da baixaria na televisão. Suas companhias são Jorge Kajuru, Marcelo Resende e Carlos Ratinho – tão adeptos da porcaria na televisão quanto ele próprio. Assim como os colegas, gosta de se dizer independente, chamar adversários para a briga e lamentavelmente ocupar horários vespertinos na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O apresentador José Luiz Datena cansou de figurar entre os reis da baixaria na televisão. Suas companhias são Jorge Kajuru, Marcelo Resende e Carlos Ratinho – tão adeptos da porcaria na televisão quanto ele próprio. Assim como os colegas, gosta de se dizer independente, chamar adversários para a briga e lamentavelmente ocupar horários vespertinos na TV, diante de milhares de crianças que ajuda a deseducar. A tudo isso se associou o governador de São Paulo, José Serra, ao admitir a essa triste figura: será candidato à Presidência da República pelo PSDB.</p>
<p>Depois o tucano negou o inegável, disse que quem o lançou candidato foi o apresentador. Balela. Passou semanas evitando admitir a óbvia campanha a jornalistas que se esforçam para levá-lo a sério. Com exclusividade, entregou o anúncio a um fanfarrão que passou 25 minutos fazendo-lhe elogios, entregando abraços e desejando boa sorte. Em troca, Serra ainda conseguiu louvar a (im)postura de Datena e o classificou como jornalista “independente”. Uma zombaria inaceitável para quem quer se eleger presidente.</p>
<p>Serra se esforça para dizer que não mistura governo com eleição. Mas ao usar Datena para passar seu recado, confundiu porcaria com notícia. Vá lá que ele goste de posar para o apresentador como xerife da segurança pública de São Paulo. É até legítimo. O que não parece razoável é enfiar-se na disputa pelo mais alto cargo do país – depois de meses de hesitação – falando a um bufão. É um mau sinal para quem deseja tomar a sério as suas palavras como candidato. E espero que os jornalões brasileiros, que passaram tempos defendendo o rapaz, compreendam a mensagem.</p>
<p>O homem a quem entregou o furo jornalístico é tão pequerrucho que consegue reclamar pelo fato de eu, no texto que escrevi para o site onde trabalho, não ter incluído seu nome logo no início da reportagem. Citei a TV onde a entrevista foi veiculada, que tem mais prestígio e credibilidade do que esse senhor. Disse ele que não lhe atribuir os louros pela inacreditável vitória da baixaria é atitude de repórter magoado, de quem tem rancor no coração. </p>
<p>Pode até ser que ele esteja certo. Eu realmente tenho um problema com gente que não honra o ofício que diz ter escolhido. Esse é o caso de Datena. Será o de Serra também?</p>
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		<title>O exemplo que a torcida do São Paulo deu</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 13:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Richarlyson]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não li sobre isso em nenhum jornal. E muito menos tomei conhecimento por ter ido ao jogo, porque, como já escrevi antes, considero o São Paulo Futebol Clube a entidade mais antipática do hemisfério Sul. Mas a torcida tricolor, sem nenhum repórter noticiar, deu o melhor exemplo de como se trata intolerância no estádio. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não li sobre isso em nenhum jornal. E muito menos tomei conhecimento por ter ido ao jogo, porque, como já escrevi antes, considero o São Paulo Futebol Clube a entidade mais antipática do hemisfério Sul. Mas a torcida tricolor, sem nenhum repórter noticiar, deu o melhor exemplo de como se trata intolerância no estádio. O relato que transcrevo é de um amigo que foi ao Morumbi para assistir à vitória por 2 x 0 sobre o mexicano Monterrey, pela Taça Libertadores. O pivô é o controvertido Richarlyson.</p>
<p>Como de costume, a torcida organizada Independente não gritou o nome do jogador, vítima de preconceito inclusive de parte da diretoria do São Paulo (“Por que o Ronaldinho pode e eu não?”, questionou o volante quando requisitado a cortar o aplique que fez no cabelo). Os torcedores que não dependem de ajuda da diretoria são-paulina nas cadeiras azuis replicaram gritando o nome do jogador, que, em campo, aplaudiu. A Independente vaiou. </p>
<p>Eis que surge a insurgência.</p>
<p>Os torcedores das cadeiras azuis gritam “Independente! Vai ser foder! O meu São Paulo não precisa de você!” Choque generalizado. A Independente responde: “Ei, azul! Vai tomar no cu!” A batalha verbal prossegue e os torcedores desistem de cantar o hino do clube por isso. Não tenho notícia de outra torcida organizada que tenha sido desafiada dessa maneira dentro do estádio e por um motivo tão nobre e justo. Aplaudi quando fiquei sabendo.</p>
<p>No meio da partida, quando Richarlyson errou seus passes de três metros e deu carrinhos desnecessários, os mesmos torcedores do setor azul o vaiaram e reclamaram. Não era isso que estava em jogo no confronto com a Independente. Tem gente que acha que importante no futebol é só a arte ou o resultado. Futebol é muito mais do que isso. É também uma questão de honra, de tolerância e humanismo. Coisa que os torcedores do setor azul do Morumbi naquela partida de um mês atrás souberam expressar melhor do que ninguém.</p>
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		<title>Sérgio Amadeu da Silveira: uma aula de irresponsabilidade e desfaçatez</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 14:49:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Dizem que é um bom professor. É também respeitado nos meios acadêmicos e na blogosfera em geral. Tenho amigos importantes que gostam dele. É militante de boas causas e realmente tenho simpatia por gente engajada como ele, seja no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Dizem que é um bom professor. É também respeitado nos meios acadêmicos e na blogosfera em geral. Tenho amigos importantes que gostam dele. É militante de boas causas e realmente tenho simpatia por gente engajada como ele, seja no que for. Não tenho dúvidas de que poderia ser mais um dos muitos estudantes que lamentam por não terem tido aula com ele. Mas não sou. Bastante pelo contrário.</p>
<p>Há mais ou menos dois meses, um motoboy acertou meu veículo parado na web (a explicação está em <a href="http://anivelde.org/blogdosavarese/2010/01/05/a-blogosfera-petista-que-tem-complexo-de-motoboy.htm">“A blogosfera petista que tem complexo de motoboy”</a>). Quando alertei que ele poderia ser processado por me chamar de racista e corrupto, publicar minha foto e meu nome em meio a uma ameaça de agressão e me atacar verbalmente porque sou jornalista, o tresloucado saiu por vários blogs gritando como se a violência viesse de mim, não dele. Desde o início imaginei que isso aconteceria porque desde sempre no mundo inteiro os idiotas se unem para evitar a civilidade. </p>
<p>O que eu não imaginei é que gente como o professor Sérgio Amadeu seria irresponsável ao ponto de dar crédito a esse tipo de gritaria. Foi exatamente isso que ele fez em 17 de dezembro e que só tomei conhecimento há uma semana. <a href="http://twitter.com/samadeu/status/6783209236">Pelo twitter, ele me chamou de agressor e pediu um basta ao cerceamento na blogosfera – como se eu também não fizesse parte dela</a>. A informação de que dispunha para afirmar isso: o texto em que o alucinado chia por conta da possibilidade de ser processado. O ex-secretário da prefeita Marta Suplicy tem mais de 5.600 seguidores no microblog. </p>
<p>A disseminação é inevitável.</p>
<p>Outras 19 pessoas retuitaram o que escreveu Sérgio Amadeu. Mais algumas devem ter feito o mesmo sem usar o mecanismo automático de repassar as mensagens. Mais blogs começaram a publicar o texto do alucinado. Um show de irresponsabilidade e falta de cuidado que culminou com minha irmã me perguntando o que estava acontecendo comigo, depois de dar uma busca no Google com o meu nome e ver o caso citado várias vezes.</p>
<p>Até então o problema só tinha se limitado à parte mais radical do petistmo/governismo online, que centrou em mim as críticas que faz à mídia que chama de golpista. A parte razoável dessa blogosfera checou a informação. Muitos blogs receberam os urros do idiota em comentários e nada fizeram – exatamente porque notaram que o alucinado é o que é: um alucinado. Esse foi o caso, por exemplo, do blog mais acompanhado por seguidores do presidente Lula. E de vários outros que tiveram mais cuidado. </p>
<p>Não foi o caso do professor Sérgio Amadeu da Silveira. </p>
<p>Depois de saber o que tinha se passado, interpelei o professor no twitter exatamente com o que relatei acima. A resposta dele foi insípida, ao contrário do que o post em que me acusou: “@samadeu Concordo com vc @MSavarese. Rettwitei um post controverso sobre um caso que no mínimo me obrigaria a ouvi-lo antes. Errei”.</p>
<p>Como diria Paulo Maluf ao falar de Celso Pitta: &#8220;Eu errei. Você nunca errou?&#8221;</p>
<p>Pois então vamos desenhar. </p>
<p><strong>1 -</strong> O professor não me ouviu ao retuitar um post controverso.<br />
<strong>2 -</strong> Reconheceu que errou.<br />
<strong>3 -</strong> Depois de admitir, continuou não me ouvindo, como se não fosse problema nenhum.<br />
<strong>4 -</strong> Como não me ouviu, ele se permite concordar comigo, mas não pedir desculpas.<br />
<strong>5 –</strong> Os posts sobre o assunto em outros blogs só surgiram depois de Sérgio Amadeu, o professor, falar a seus 5.600 seguidores.<br />
<strong>6 -</strong> Parece que nenhum desses blogs vai se retratar, como dá (mau) exemplo o professor.<br />
<strong>7 -</strong> O azar é só meu. Quem mandou ser jornalista e blogueiro?<br />
<strong>8 -</strong> Sérgio Amadeu continua superlegal. Até admite que erra.</p>
<p>Se em algum momento ler este texto, professor, saiba que quando eu crescer não quero ser como o senhor. Ao menos nesse tipo de postura, eu serei bem melhor, estou certo. Tenho muitos defeitos, mas a irresponsabilidade e a desfaçatez não estão entre eles. </p>
<p>A indignação que o senhor ajudou a estimular não cabe neste texto. Porque foi posta em dúvida &#8211; graças também ao senhor &#8211; a minha forte crença na importância da liberdade de expressão. Mas com estas linhas eu encerro o episódio, que já dura dois meses e valeu pela possibilidade de discutir alguns limites. Nada além disso.</p>
<p>Espero que nas outras áreas da sua vida o senhor realmente seja menos mané. Porque errar todo mundo erra. Mas tem gente que se esforça para consertar. Não é o seu caso. </p>
<p>Tenha uma boa vida, professor.</p>
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		<title>Os amiguinhos dos jornalistas de cultura</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 12:32:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<category><![CDATA[jornalismo cultural]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma pesquisadora desenvolveu uma tese de mestrado sobre crítica literária nos jornais paulistanos há algumas décadas. Diz ela que até o surgimento da USP, em 1934, esse trabalho foi feito basicamente por intelectuais que se tornariam professores universitários. Depois disso, a labuta passou a ser dividida com advogados em busca de um troco a mais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pesquisadora desenvolveu uma tese de mestrado sobre crítica literária nos jornais paulistanos há algumas décadas. Diz ela que até o surgimento da USP, em 1934, esse trabalho foi feito basicamente por intelectuais que se tornariam professores universitários. Depois disso, a labuta passou a ser dividida com advogados em busca de um troco a mais, médicos fãs de poesia e historiadores engajados. O nível caiu. Até que o golpe militar de 1964 feriu de morte e afastou todo esse povo da imprensa. No lugar, gente inexperiente – oriunda das recém criadas faculdades de jornalismo. Talvez isso ajude a explicar a baixa qualidade do jornalismo cultural na cidade, visível principalmente no relacionamento dos repórteres dessa área com suas fontes. Afinal, quem fala mal de amigo ególatra? Ninguém.</p>
<p>Há poucas semanas o colega <a href="http://mauriciostycer.blog.uol.com.br/">Maurício Stycer</a>, professor e jornalista renomado, escreveu em seu blog um texto sobre o dramaturgo <a href="http://atirenodramaturgo.zip.net/">Mário Bortolotto</a>. A postagem era curta, mas feriu o microcosmo do teatro alternativo de São Paulo porque em vez defendê-lo relatou jornalisticamente, sem tom de denúncia, o trabalho de investigação sobre a tentativa de assassinato do artista local. Como referência foi usada uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, escrita por um repórter que não é amigo de Bortolotto. Isso bastou para que o artista escrevesse em seu espaço na Internet um texto refutando as suspeitas levantadas pela polícia e, com uma dose de confusão, acusando o blogueiro de tentar se vingar dele, supostamente porque se recusou a dar uma entrevista. </p>
<p>Foi aí que li uma frase que me chamou a atenção. “O Estadão tem dois jornalistas que são meus amigos e para quem eu jamais recusaria qualquer declaração”, escreveu. </p>
<p>Curioso.</p>
<p>Eu trabalho com política há cinco anos. O que aconteceria comigo se o petista Aloizio Mercadante ou o tucano Arthur Virgílio dissessem que são meus amigos? E se o presidente da República elogiasse meu trabalho diante de outras pessoas? E se um jornalista de economia admitir que é amigo de Abílio Diniz ou da família Setúbal? E se todos fôssemos beber juntos em um evento público? E me confessassem que o mensalão rolou bonito, que a empresa adultera balanços, que os resultados do ano serão piores que o previsto?</p>
<p>Mas em cultura pode. É bonito ser amigo de artista. Como se eles não se metessem com política e economia. Como se eles não tivessem interesses a defender. Como se eles não fossem capazes de mentir. Como se eles fizessem um trabalho cuja relevância é inquestionável. Como se fossem fundamentais para o próprio jornal manter seu público. </p>
<p>Se eu fosse um dos jornalistas citados por Bortolotto, escreveria um texto refutando a amizade. Nada menos profissional do que redigir para um veículo de mídia sobre um amigo seu. O que em outros ramos é comprometimento inaceitável, no jornalismo cultural vira bagagem, repertório e agenda. Nem no jornalismo esportivo, tão criticado por comprometimento dos repórteres com seus clubes, há relação tão promíscua.</p>
<p>No fim das contas o dramaturgo mira em uma coisa e acerta em outra: ao mesmo tempo em que critica a mídia nada alternativa, que ajuda a divulgar seu trabalho, ele estreita vínculos com repórteres que supostamente deveriam se esforçar para julgar sua obra com mais distância. Isso nada tem a ver com jornalismo. Se os próprios jornalistas não condenarem esse tipo de postura, será ainda mais difícil que o ramo cultural, que no começo do século chamava pessoas para as bancas, mereça respeito dos seus leitores. Hoje, com poucas exceções, não merece dos leitores e muito menos dos colegas de ofício.</p>
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		<title>Cuidados com o programa de direitos humanos</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 13:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[patriotismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Jarbas Passarinho foi um dos piores ministros da história do Brasil. Mandou “às favas os escrúpulos de consciência” quando a ditadura brasileira se aprofundou em 1968. É um dos arquitetos, na pasta da Educação, deste país analfabeto funcional que temos hoje. Mas guardei uma boa frase dele, dita em entrevista pouco após a vitória do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jarbas Passarinho foi um dos piores ministros da história do Brasil. Mandou “às favas os escrúpulos de consciência” quando a ditadura brasileira se aprofundou em 1968. É um dos arquitetos, na pasta da Educação, deste país analfabeto funcional que temos hoje. Mas guardei uma boa frase dele, dita em entrevista pouco após a vitória do presidente Lula em 2002. Serve para mostrar que na alta cúpula do regime não havia apenas o simplismo de “somos nós contra esses vagabundos comunistas”.</p>
<p>“O principal problema dos nossos adversários é que eles se achavam mais patriotas do que nós. Aquilo era uma guerra. Mas era gente que amava o Brasil de um lado e gente que amava o Brasil do outro”, disse ele. Me recordei disso ao ler sobre a tardia discussão do programa nacional de direitos humanos, chancelado por petistas e tucanos. Sabendo que do outro lado há gente tão patriota quanto você, o que raios lhe dá direito de se apropriar do Estado e cometer crimes pelos quais qualquer preso atual é sodomizado pelos colegas? Ou de perpetrar violações previstas pela Convenção de Genebra?</p>
<p>O fato de ter sido uma guerra e de haver patriotas dos dois lados não autoriza os vencedores a estuprar as mulheres vencidas. Tampouco legitima tortura, método tão desumano quanto impreciso para se recolher evidências de qualquer coisa. Muito menos autoriza assassinatos sumários de inocentes – nem o de culpados em um país sem pena de morte prevista em lei.</p>
<p>Vários vizinhos com ditaduras ainda mais brutais do que a brasileira já fizeram essa revisão. E membros das próprias forças armadas desses países não chancelaram crimes cometidos por seus antecessores. Por que no Brasil isso seria simples revanchismo? Por acaso o coronel Brilhante Ustra é a favor do estupro? Ou acha tortura um método humano e eficiente para extrair informações?</p>
<p>Os patriotas militares que em posições de comando exacerbaram essas premissas merecem ser responsabilizados por crimes que só estavam esquecidos para quem bateu, não para quem apanhou da mão forte e do braço amigo das Forças Armadas. Vá lá que tenha sido uma guerra, mas guerras também têm regras. Uma coisa é confronto – de um lado e do outro imagino que as pessoas soubessem que poderiam morrer a qualquer momento. Outra é abuso. Estuprar mulheres nunca fez parte de nenhum manual sobre como vencer uma batalha. Torturar desde aquela época é visto mais como um meio de humilhar o adversário do que de extrair confissões pouquíssimo confiáveis. </p>
<p>Esses são crimes sem prescrição para patriotas de um lado e do outro. Mas ao que consta não houve rebelde contra a ditadura que aplicasse nos militares os mesmos métodos dos quais foi vítima. Risco maior do que o do revanchismo é o da dissimulação.</p>
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		<title>Paulo Henrique Amorim, monopolista da esquerda e ex-PIG</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 16:52:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Savarese</dc:creator>
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		<category><![CDATA[FHC]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Henrique Amorim]]></category>
		<category><![CDATA[PIG]]></category>

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		<description><![CDATA[O ex-jornalista Paulo Henrique Amorim (PT-RJ) gosta de apontar para a mídia e acusar colegas que nunca viu de serem pagos pelo PSDB, pelo presidente do Supremo, pelo Inri-Cristo, por qualquer um que não comungue das suas confusas teses sobre jornalismo e sobre o que é ser esquerdista no Brasil.
Compartilho então dois textos libertados pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ex-jornalista Paulo Henrique Amorim (PT-RJ) gosta de apontar para a mídia e acusar colegas que nunca viu de serem pagos pelo PSDB, pelo presidente do Supremo, pelo Inri-Cristo, por qualquer um que não comungue das suas confusas teses sobre jornalismo e sobre o que é ser esquerdista no Brasil.</p>
<p>Compartilho então dois textos libertados pela Folha de S.Paulo nos últimos dias. Ambos de setembro de 1994.</p>
<p>O primeiro, da colunista Joyce Pascowitch:</p>
<p>&#8220;<strong>Campainha</strong><br />
A princípio ele viraria um tipo de George Stephanopoulos, que fez o mesmo na campanha de Bill Clinton.<br />
Mas Paulo Henrique Amorim acabou não vingando para ser porta-voz da campanha de Fernando Henrique Cardoso –mesmo porque a função não chegou a existir.</p>
<p>Seu nome continua na roda para o Planalto.<br />
O de Carlos Monforte chegou a ser cogitado –e não foi totalmente descartado.<br />
Nem o de uma mulher.&#8221;</p>
<p>Para assinantes do UOL e da Folha</p>
<p>http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/9/21/ilustrada/3.html</p>
<p>O segundo:</p>
<p><strong>&#8220;FHC ataca imprensa e diz que uso ilegal de verba pública é &#8220;fofoca&#8221;</strong></p>
<p>FERNANDO DE BARROS E SILVA<br />
O candidato tucano Fernando Henrique Cardoso voltou ontem a atacar a imprensa. Em Ribeirão Preto (319 km ao norte de São Paulo), FHC atribuiu a &#8220;fofocas&#8221; a revelação da Folha de que o governo do Ceará gastou dinheiro público na convenção que homologou sua candidatura.<br />
&#8220;Não vou responder essas coisas mais, não. Chega&#8221;, afirmou. &#8220;Pergunte ao Ciro Gomes. Eu não tenho nada a ver com isso&#8221;.<br />
O tucano ficou mais contrariado ainda quando a Folha lembrou que o gasto –US$ 6.700– foi feito por um governador do seu partido: &#8220;Levante o nível da Folha&#8221;.<br />
Na última terça-feira, ao ser abordado sobre o uso da máquina do governo federal em sua campanha, FHC afirmou que a imprensa &#8220;deseduca&#8221; o eleitorado.<br />
Ontem, em Ribeirão, FHC fez uma carreata pelas ruas principais da cidade, em cima de uma caminhonete, ao lado do deputado José Serra, candidato do PSDB paulista ao Senado, e do prefeito Waldir Trigo (PSDB), de Sertãozinho.<br />
Ribeirão é administrada pelo PT. Foi fraca a recepção ao candidato. Houve queima de fogos em várias ruas, além de distribuição de bandeiras.<br />
FHC não deu maior importância ao provável benefício à sua candidatura decorrente do acordo anunciado por empresários para controlar preços até dezembro.<br />
&#8220;Você não acha que é boa a baixa dos preços?&#8221;, indagou: &#8220;Se a baixa de preços é boa para a minha candidatura e boa para o Brasil, o que é que eu vou fazer?&#8221;.<br />
Em Campinas (100 km a noroeste de SP), onde participou de outra carreata, FHC disse que o uso eleitoral da máquina do governo é parte da &#8220;cultura brasileira&#8221;.<br />
&#8220;É preciso ir modificando isso progressivamente. Eu sou contra, mas lá sei o que um fez ou o outro faz. Isso é da cultura brasileira.&#8221;<br />
&#8220;Estão procurando agulha no palheiro porque não têm como criticar o plano. Querem ganhar no tapetão&#8221;, disse.<br />
Ontem à noite, FHC fez um comício em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, no Rio. Segundo a PM, havia cerca de 2.500 pessoas. O comício foi organizado pelo senador Hideckel Freitas, do PPR.<br />
<strong>Porta-voz<br />
O correspondente da TV Globo em Nova York, Paulo Henrique Amorim, disse ontem à Folha que recusou o convite para ser porta-voz de FHC, se eleito.<br />
Em entrevista por telefone, de Nova York, Amorim confirmou que foi convidado há aproximadamente dois meses, na época da crise que resultou na saída do então candidato a vice de FHC, Guilherme Palmeira.<br />
Ele disse que recusou o cargo porque está &#8220;muito bem&#8221; como correspondente da TV Globo.&#8221;</strong></p>
<p>Para assinantes do UOL e da Folha:</p>
<p>http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/9/10/caderno_especial/27.html</p>
<p>Ser procurado por aquele que viria a ser presidente não condena ninguém. Mas tampouco parece que um debate desse tipo &#8211; ser ou não ser porta-voz &#8211; chegaria aos jornais se o mocinho não tivesse mínima simpatia por FHC. Ah, mas no governo dele foi tudo diferente do que esperávamos, pode dizer ele.</p>
<p>Pode ser. O fato é que a simpatia estava lá. E que em 1994 PHA não achava que Lula é maior do que o Brasil, como escreveu outro dia em seu site.</p>
<p>Paulinho, tu é falso que nem nota de três real.</p>
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