Sérgio Amadeu da Silveira: uma aula de irresponsabilidade e desfaçatez

Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Dizem que é um bom professor. É também respeitado nos meios acadêmicos e na blogosfera em geral. Tenho amigos importantes que gostam dele. É militante de boas causas e realmente tenho simpatia por gente engajada como ele, seja no que for. Não tenho dúvidas de que poderia ser mais um dos muitos estudantes que lamentam por não terem tido aula com ele. Mas não sou. Bastante pelo contrário.

Há mais ou menos dois meses, um motoboy acertou meu veículo parado na web (a explicação está em “A blogosfera petista que tem complexo de motoboy”). Quando alertei que ele poderia ser processado por me chamar de racista e corrupto, publicar minha foto e meu nome em meio a uma ameaça de agressão e me atacar verbalmente porque sou jornalista, o tresloucado saiu por vários blogs gritando como se a violência viesse de mim, não dele. Desde o início imaginei que isso aconteceria porque desde sempre no mundo inteiro os idiotas se unem para evitar a civilidade.

O que eu não imaginei é que gente como o professor Sérgio Amadeu seria irresponsável ao ponto de dar crédito a esse tipo de gritaria. Foi exatamente isso que ele fez em 17 de dezembro e que só tomei conhecimento há uma semana. Pelo twitter, ele me chamou de agressor e pediu um basta ao cerceamento na blogosfera – como se eu também não fizesse parte dela. A informação de que dispunha para afirmar isso: o texto em que o alucinado chia por conta da possibilidade de ser processado. O ex-secretário da prefeita Marta Suplicy tem mais de 5.600 seguidores no microblog.

A disseminação é inevitável.

Outras 19 pessoas retuitaram o que escreveu Sérgio Amadeu. Mais algumas devem ter feito o mesmo sem usar o mecanismo automático de repassar as mensagens. Mais blogs começaram a publicar o texto do alucinado. Um show de irresponsabilidade e falta de cuidado que culminou com minha irmã me perguntando o que estava acontecendo comigo, depois de dar uma busca no Google com o meu nome e ver o caso citado várias vezes.

Até então o problema só tinha se limitado à parte mais radical do petistmo/governismo online, que centrou em mim as críticas que faz à mídia que chama de golpista. A parte razoável dessa blogosfera checou a informação. Muitos blogs receberam os urros do idiota em comentários e nada fizeram – exatamente porque notaram que o alucinado é o que é: um alucinado. Esse foi o caso, por exemplo, do blog mais acompanhado por seguidores do presidente Lula. E de vários outros que tiveram mais cuidado.

Não foi o caso do professor Sérgio Amadeu da Silveira.

Depois de saber o que tinha se passado, interpelei o professor no twitter exatamente com o que relatei acima. A resposta dele foi insípida, ao contrário do que o post em que me acusou: “@samadeu Concordo com vc @MSavarese. Rettwitei um post controverso sobre um caso que no mínimo me obrigaria a ouvi-lo antes. Errei”.

Como diria Paulo Maluf ao falar de Celso Pitta: “Eu errei. Você nunca errou?”

Pois então vamos desenhar.

1 - O professor não me ouviu ao retuitar um post controverso.
2 - Reconheceu que errou.
3 - Depois de admitir, continuou não me ouvindo, como se não fosse problema nenhum.
4 - Como não me ouviu, ele se permite concordar comigo, mas não pedir desculpas.
5 – Os posts sobre o assunto em outros blogs só surgiram depois de Sérgio Amadeu, o professor, falar a seus 5.600 seguidores.
6 - Parece que nenhum desses blogs vai se retratar, como dá (mau) exemplo o professor.
7 - O azar é só meu. Quem mandou ser jornalista e blogueiro?
8 - Sérgio Amadeu continua superlegal. Até admite que erra.

Se em algum momento ler este texto, professor, saiba que quando eu crescer não quero ser como o senhor. Ao menos nesse tipo de postura, eu serei bem melhor, estou certo. Tenho muitos defeitos, mas a irresponsabilidade e a desfaçatez não estão entre eles.

A indignação que o senhor ajudou a estimular não cabe neste texto. Porque foi posta em dúvida – graças também ao senhor – a minha forte crença na importância da liberdade de expressão. Mas com estas linhas eu encerro o episódio, que já dura dois meses e valeu pela possibilidade de discutir alguns limites. Nada além disso.

Espero que nas outras áreas da sua vida o senhor realmente seja menos mané. Porque errar todo mundo erra. Mas tem gente que se esforça para consertar. Não é o seu caso.

Tenha uma boa vida, professor.

1 Trackback

Comente

Seu email não será exibido. * Campos obrigatórios

*
*
*