O jornalismo ainda é importante

Sempre haverá ditabrandas, fichas falsas pegas na internet e meninos do MEP a lamentar. Mas ao ver o nível dos críticos da mídia brasileira sinto um tremendo sono. Não há um argumento novo, uma iniciativa despida de ranço nem algum conhecimento de como as redações funcionam – exceto por ex-funcionários da Globo que, desprezados, caem no limbo edirmacediano da Record. Diante disso, só consigo concluir que estamos condenados a confiar no jornalismo. Isso é inexorável.

É verdade que no Brasil pouca gente lê e a maioria só pode acreditar naquilo que passa na TV. Por isso mesmo o jornalismo é tão necessário: na pequena parte consumidora de mídia, é a imprensa livre que nos salva do exército de puxa-sacos alucinados do nível de Paulo Henrique Amorim e Reinaldo Azevedo que há por aí. Eles têm seguidores e desprezá-los é um erro. Precisam ser respondidos à altura porque nos ameaçam com as trevas das suas convicções mal postas. E não têm compromisso com sua consciência nem com a dos outros: são aliados do Fla-Flu imbecil e fácil que os embala todos os dias.

Por mais que os playboys donos de veículos de imprensa tomem más decisões que arrisquem a credibilidade dos seus funcionários, os jornalistas são condenados a serem livres e pensar sobre o assunto – ao contrário da gente fraca que vê nos profissionais da área os defeitos que carrega em si – aproveitadores, desarrazoados, partidários, panfletários, egoístas, autoritários, picaretas e vagabundos. Sou uma pessoa mais feliz pelo fato de que esses daí não mandam nada no mundo. Mandam nadinha, mas fazem barulho.

Certamente há pessoas com esses defeitos na mídia. E que fazem seus veículos portarem mensagens ruins e contestáveis. Mas são reduzida minoria. E a maioria que se esforça para ser honesta e razoável me faz acreditar que por mais alto que eles gritem, o jornalismo resistirá para desmontar mensalões, divulgar notas na meia e mostrar o descaso das autoridades em meio às chuvas. Os que pensam que os jornalistas têm de ser bons (com eles), e não livres vão perder essa. Mesmo que esses fãs do obscurantismo não gostem, nosso trabalho ainda é importante e vocês vão ter que nos engolir. Ah, se vão.

9 Comentários

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  • Onde é que eu assino?

  • Mais um belo texto, companheiro.
    É um choque de otimismo e de dignidade.
    Parabéns!

    Abraço

  • Pra que argumentos se na primeira discussão você corre como uma dondoca mimada pra mamãe-advogada? Tenha culhões para debater honestamente, em vez de querer calar os outros com advogados.

  • Respeito a fidelidade ao seu amigo. De verdade. Mas o fato é que seu amigo me acusa de algo que não fiz, me chama de racista, de desonesto e ainda faz ameaça. Não tem o direito. Ele cruzou a barreira da crítica ao trabalho para acusar alguém que não conhece. Estou publicando seu comentário porque é o menos mal educado – incluindo os que o seu amigo fez. Opinião é uma coisa. Suposição injuriosa é outra. Todo mundo tem que ter responsabilidade por aquilo que diz. Eu tenho.

  • Prezado, o seu “jornalismo” é visivelmente partidário à direita. Qualquer pessoa minimamente sensata percebe. Mas é mais fácil tentar desqualificar os críticos do que assumir seu viés ideológico. Coisas de quem se vende ao PiG. Faz parte do jogo de “esconde-esconde” e do “faz de conta que somos imparciais” de vocês que dava certo até ontem. Felizmente, os dias desse tipo de “jornalismo” estão contados. Vocês são como dinossauros à beira da extinção. Por isso essa auto indulgência e agressividade toda. Freud explica… Você vai me processar também? Estou com medo.

  • Prezado, sou um jornalista tão partidário à direita que os ultradireitistas do blog Amigos do Presidente Lula me incluem entre os links recomendados. Inclusive seu amigo que copiou o mesmo template desse blog me xinga pessoalmente sem saber quem sou de um lado, mas no lado direito deixa escapar o link pro meu blog. Curioso demais. Mas você tem o direito de achar o que quiser. Só não tem direito, como eu também não, de fazer acusação sem provas nem de ofender de graça. Seus comentários são bem vindos. Até mais.

  • Prezado, conheço vários como você que se dizem de “esquerda” só para poderem dar maior peso à propaganda pró direita que escrevem e chamam de “jornalismo”. Tenho certeza que seu chefe, o Tavinho “Ditabranda” acha o máximo isso. Ponto pra você, conseguiu ser linkado até em blogues realmente de esquerda! Uau!!!! Estou impressionado, isso prova mesmo que você é de esquerda!

    Seu sonho de virar o próximo Diogo Mainardi ou assesor de imprensa de algum aitolá do PSDB/DEM pode estar mais perto de chegar, mas antes um conselho: para isso você tem que ter mais maturidade e estar melhor resolvido para lidar com as críticas negativas que os ódios, recalques e preconceitos que você pubica travestidos de “jornalismo” vão provocar nas pessoas que não rezam pela cartilha daqueles que você quer agradar. Se tiver problemas com isso, sugiro uma boa terapia psicológica na qual vai certamente aprender que quem se incomoda com críticas negativas das duas uma: ou é porque não tem maturidade suficiente para encará-las ou é porque vestiu a carapuça.

    Depois de ler esse texto primário, que publicou para se auto afirmar, dá a impressão que no seu caso é a segunda opção…

    Por sinal, eu já escrevi sobre isso antes: “Infelizmente, existem muitos profissionais do jornalismo que se prestam ao degradante serviço de distorcer as informações no PiG e depõe contra sua própria profissão. Alguns fazem por medo ou falta de opção, outros por acreditarem realmente na ideologia de seus patrões, enquanto muitos o fazem em troca de saquinhos de moeda, tapinhas nas costas e convites para festinhas nas mansões do Morumbi.” Dá uma lida no texto completo, se tiver coragem: http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/09/esclarecendo-de-uma-vez-por-todas.html

    Enfim, desculpe se te ofendi. Foi sem querer. Por favor, não mande seus jagunç… digo, advogados me ameaçarem também. Eu tenho medo.

  • Temos opiniões diferentes, mas como você é respeitoso faço um último comentário sobre esse assunto. Não vou nem entrar na discussão ideológica, porque isso se faz melhor com outros debates. Você é bem vindo para fazê-los em outros posts meus se quiser, contanto que o respeito à civilidade seja mantido.

    Agora me diga: não haveria problema se eu o citasse no meu blog e escrevesse, mesmo sem conhecê-lo, que você não gosta de pobre e de nordestino? É uma acusação séria, em especial no caso dos nordestinos: racismo. E esse é crime inafiançável. A outra acusação é de elitismo, mas essa não é crime e aceito que a façam os que não me conhecem.

    Uma coisa é debater, como estamos fazendo. Pode ser com dureza, mas é preciso que haja boa fé. Outra coisa, como fez o seu amigo, é acusar uma pessoa de ter cometido um crime. Sem provas. Não cometi crime, não tenho passagem na polícia nem dívidas que me desabonem. Não sei se ele pode dizer o mesmo. Por mais que o blog do seu amigo seja pouco conhecido, embora provavelmente mais do que o meu, a referência é inaceitável.

    Não posso chamar alguém de antissemita ou de simpático à Ku Klux Klan, por exemplo, só porque não gosto do que a pessoa escreve no lugar onde trabalha. Ou porque suspeito que deixou um comentário insultuoso no meu blog – o que não fiz, e seu amigo não tem como provar o contrário. Mesmo que tivesse feito, a postura é inaceitável. E a gritaria, coisa de quem quer chamar a atenção e envolver gente bem intencionada numa vendeta.

    Só para encerrar, para mim os comentários do seu amigo – que de tão alucinado não notou ainda que dá link para o meu blog – são um problema maior para alguém que cresceu pobre e é filho de nordestina. Uma nordestina do Maranhão que também cresceu pobre. E que corre risco de ver esse tipo de referência no Google quando procura saber o que o filho dela tem feito no trabalho. Críticas ao trabalho, à vontade. Pessoais, sem prova, não.

    Se não concordar com os argumentos, espero que ao menos esteja claro o ponto de vista. Repare que nem faço menção aos xingamentos rococós do seu amigo. São até engraçados. O problema é a acusação de crime.

    Até mais

  • Prezado, também não pretendo me estender no assunto. Apenas reafirmo o óbvio: se você se incomodou com o que o pobre blogueiro escreveu sobre você é porque não tem maturidade para lidar com críticas ou porque vestiu a carapuça. O “jornalismo” partidário à direita que você pratica no esgoto dos Frias é do tipo que ofende pessoas que não rezam pela cartilha daquela famiglia. Portanto, nada mais natural que vá provocar o tipo de reação inversamente proporcional daqueles que se sentiram ofendidos. Quem fala (ou escreve) o que quer, ouve (ou lê) o que não quer. Ação e reação. Princípios básicos da democracia e da física.

    Falo isso por experiência própria. Já fui agredido pelas costas por dois críticos de cinema que não gostaram de eu ter apontado erros factuais grosseiros em seus textos. Infelizmente, naquela época eu não tinha maturidade suficiente para lidar com esse tipo de coisa e reagi mal. Tenho certeza que algum advogado de porta de cadeia teria achado mil motivos para que eu contratasse seus serviços para ameaçar os sujeitos. Mas por sorte não levei o caso adiante e hoje aprendi que é melhor que gente assim fale mal de mim mesmo. Já pensou se falassem bem?

    Se foi você ou não que postou o comentário ofensivo anônimo contra o blogueiro já é outra discussão. Mas, mesmo que não tenha sido você, veja só o tipo de pessoa que te defende. Só esse fato já deveria servir de alerta caso você seja alguém realmente preocupado com valores éticos…

    Sobre o debate ideológico, fico feliz que prefira se abster. Realmente, não tem sentido mesmo alguém que se declara de esquerda, mas sai por aí mandando jagunços ameaçarem os outros, querer falar de ideologia. Afinal, ameaça e censura são coisas de direitista.

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