Sobre os blogueiros ditos progressistas
O líder fascista britânico, Nick Griffin, gosta de dizer que Winston Churchill se filiaria a seu partido se estivesse vivo. A justificativa: na juventude, o premiê criticava a pesada imigração e era algo xenófobo. Para barrar os fascistas, os partidos compromissados com a democracia no Reino Unido se uniram para acusar o “sequestro” da imagem de Churchill. Ali, traçaram uma linha entre o que é aceitável na política local e o que não é. Atacados por todos os outros, os nazistóides se acanharam e nas últimas eleições encolheram. Isso só aconteceu porque não deram a eles o direito de se apropriar de um personagem que é bem comum dos britânicos, e não compartilha valores com o fascismo. Me lembrei dessa história ao ler o manifesto produzido após o 1º encontro de blogueiros supostamente progressistas.
Entre esses blogueiros, há jornalistas respeitáveis e especialistas lúcidos em política. Não cabe a mim enumerá-los, porque eles sabem quem são. Mas há também gente cujo progressismo varia conforme o ocupante do Palácio do Planalto. Que recebe dinheiro público para produzir peças supostamente jornalísticas a soldo de Brasília e do governo petista. E que sequestra a blogosfera para abusar do direito de ofender, caluniar, mentir e fazer campanha, como se estivesse fazendo jornalismo ou defendendo ideias. Os valores do jornalismo, aos quais apelam os Amorins da vida, não se entrelaçam com o que defendem. Ainda assim, tentam falar em nome da internet, como se donos dela fossem. E como se a internet toda usasse seus pensamentos de piloto de trem fantasma para acusar golpismo na imprensa, na oposição e em qualquer tentativa de espírito crítico.
Assim como Griffin sequestra Churchill para se dar uma relevância que não tem, grande parte dos blogueiro$ progre$$i$tas sequestra a internet para falsear a imagem de porta-vozes de uma massa amorfa e difusa, que nunca lhes deu autoridade para falar em nome dela. Ainda menos poderiam, em nome dessa blogosfera tão intangível, fazer descarada e acrítica campanha eleitoral, como acontece principalmente no espaço de ex-jornalistas promovidos a intelectuais-internéticos – incluindo aí um neoadmirador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o único que já foi processado por ele. Tem o que hoje é pago pela Empresa Brasileira de Comunicação para fazer um programa que dá traço de audiência. Tem o outro que recebeu dinheiro da TV Brasil para trabalhar em uma atração que o Brasil desconhece. Não são acusações soltas, tudo isso foi amplamente noticiado nos últimos meses.
Pior: essas figuras são colocadas no mesmo balaio de blogueiros honestos, que escrevem por militância sincera e acabam dividindo espaço com essas estrelas decadentes e oportunistas. Isso tem de acabar porque o interesse desses caras é empunhar bandeiras que nunca foram suas, unicamente por terem sido escanteados nos veículos que hoje chamam de golpistas. É gente que quer enriquecer às custas da Viúva e ter financiamento público.
É natural que haja pessoas engajadas numa causa ou na outra. E que o engajamento produza conteúdo na blogosfera, de boa e de má qualidade. O que não é natural é a insistência da suposta blogosfera progressista de atribuir a si o monopólio do espírito crítico na internet brasileira. E de se dizer dona da exclusividade do contraponto às mídias impressa e televisada. Fazem isso como se as más intenções fossem intrínsecas ao outro lado e eles, desinteressadamente, é claro, representassem um Brasil novo. Isso se chama desonestidade intelectual. E é o esporte preferido de muitos “progressistas”.
Se ninguém se manifestar contra esse grupo, ele tentará, como fizeram os fascistas britânicos, assumir de vez o monopólio da opinião crítica política na internet. Quem, de qualquer forma, contestar isso, poderá ser vítima da retaliação mau caráter dessa gente. Vivi isso em grau moderado, mas outros tantos colegas já se viram enredados em péssimas situações por conta do autoritarismo da parte ruim da dita blogosfera progressista. Em um espaço tão democrático quanto a internet, permitir a eles a chance de acelerar suas manipulações baratas é perigoso e equivocado. Até porque, parafraseando Bezerra da Silva, progressista que é progressista não fala que é progressista.
E isso muitos desses blogueiros não são, nunca foram e nunca serão.