Pisa fuerte, sudamerica
Quem me acompanha no Twitter sabe da minha simpatia pelas seleções sul-americanas na Copa do Mundo. A razão é muito simples. Tenho muito mais identidade cultural com argentinos, paraguaios, chilenos e uruguaios do que com italianos, alemães, ingleses e portugueses.
Somos todos mestizos, filhos de pais índios, negros e brancos. Todos abraçamos de corpo e alma o futebol e gostamos de vê-lo bonito, com gols, passes e magia Não importa se no costado oriental do continente fala-se português e no resto, o castellano. Não importa quem é o melhor, se Pelé ou Maradona.
Em abril, fiz um mochilão na europa que me ensinou algumas lições. Apesar da rivalidade que todos gostam de propagar com os argentinos, sairam justamente do lado ocidental do Rio da Prata (Paraná para nosotros), os dois grandes amigos que fiz na viagem: a Vane e o Martín.
Em qualquer roda, ou albergue que chegávamos, os latino-americanos – uruguaios, brasileiros, argentinos, porto-riquenhos, se juntavam – unidos por um senso de não-pertencimento, ou , melhor, um vínculo em comum: a saudade de casa, os políticos corruptos, o amor pelo futebol, pela família, as vida nas metrópoles desordenadas, tão diferentes de Paris, Amsterdã ou Barcelona.
Claro que a grande discordância era sobre quem é o melhor: Kaká ou Messi. Pelé ou Maradona, Brasil ou Argentina. Mas não importa se Pelé debutó con un Pibe, ou se Diego cheirou a linha da grande área. O que importa é o futebol bem jogado. E isso, a Copa tem mostrado, temos de sobra.
O Uruguai, com um time limitado, mas o melhor nos últimos anos, conseguiu se classificar para as oitavas de final pela primeira vez em 20 anos. Desde 1954 não ganhava duas partidas seguidas. Após um empate morno com a França na estreia, El Maestro Oscar Tabarez viu que seu time carecia de um armador e recuou Forlán. Na mosca. O camisa 10 decidiu contra a África do Sul e foi bem contra o México. Agora a Celeste tem pela frente uma chave fácil, contra Coreia do Sul, e possívelmente o vencedor de EUA x Sérvia, caso os favoritismos se confirmem amanhã.
A Argentina joga, indiscutivelmente, o melhor futebol da Copa. Tem o melhor jogador, Mesis, e Diego Armando Maradona no banco. Para o bem e para o mal. O grande desafio dos hermanos será enfrentar um ataque perigoso que desafie uma defesa frágil, principalmente pelo lado direito, com Gutierrez e Demichelis.
O Paraguai tem mostrado uma defesa sólida e um ataque com lampejos de criatividade. É outro que pode ser beneficiado por uma chave fácil, uma vez que deve enfrentar a Dinamarca nas oitavas. Depois pega quem sair de 1H x 2G. Visto que a Espanha periga não passar em primeiro do seu grupo, deve vir Portugal ou Chile por aí.
O Brasil fez um jogo ruim e outro bom. Precisa de Kaká cada vez melhor para desequilibrar. Sem contar que, como diz Maradona, O Brasil não perdoa. Por isso é o favorito. Tem um lado direito muito forte, com Elano e Maicon, e precisa acertar o lado esquerdo, com Michel Bastos e Felipe Melo.
O Chile de El Loco Bielsa pode ser a surpresa da Copa. Ao lado de Holanda, Brasil e Argentina é a única seleção que venceu seus dois primeiros jogos. Valdivia tem entrado bem, mas Suazo está mal, e se a equipe quiser avançar, precisará de gols para frear a Espanha na última rodada.
Após dez vitórias e dois empates em 12 jogos, A América do Sul tem tudo pra colocar quatro times na semifinal. Pisa fuerte, sudamerica!!!!
Luiz, realmente muy emocionante tu post. Muchas gracias y sinceramente da gusto haber conocido a gente como vos en esta vida. Sos una gran persona!
No pude evitar leer esto, realmente con una narracion digna de un periodista… se me puso la piel de gallina (soy de boca juniors). Me parecio un excelente resumen, y estoy 100% de acuerdo en todo… gracias amigo por tus palabras… ya nos volveremos a encontrar, aqui o alla… sin importar el lugar, sin importar los colores de la camiseta, a pesar del idioma, buscaremos la forma de entendernos siempre… gracias por esta caricia a la distancia… Abrazo de gol como decimos en Argentina.
Martin