Nunca fomos tão uruguaios

Eu gastei R$ 159 com uma camisa da seleção uruguaia. Oficial. Nunca, na minha vida, havia comprado uma camisa oficial nem da seleção brasileira. Só do Palmeiras. E na liquidação. Foi hoje, no shopping Paulista.  Três vezes sem juros no cartão. Devo estar louco.

Ontem, na redação assistia aos minutos finais da prorrogação de Uruguai e Gana. No último lance, bola na área uruguaia.  Depois de sair atrás, e empatar em uma falta espírita de Forlán, falta pulmão aos uruguaios. Suárez já não se aguenta em pé. Eles tentaram definir o jogo no segundo tempo e na primeira etapa da prorrogação.

Mais inteira, Gana vai para o abafa. Tenta, tenta e não consegue. Último lance.  Bola na área. Muslera defende. Gana tenta de novo. Suárez tira em cima da linha.  Outra cabeçada. Essa é fatal. Suárez espalma em cima da linha. Pênalti. O juiz dá o vermelho ao atacante. Suárez finge que não é com ele.  Deixa o campo chorando.

Assim como um pequeno país latino-americano de 3 milhões de pessoas, a redação INTEIRA de um dos principais jornais do país ( e várias Sudamerica afora) prendem a respiração.  Asamoah Gyan vai para bola. Ele já marcou três gols no mundial, dois de pênalti. A bola explode no travessão e vai para fora.  O improvável aconteceu. Barbosa? Zico? Baggio? Gyan. Gritos na redação. Brasileiros comemoram pelo carrasco de 1950.  A partida ia para os pênaltis. Suárez, o que chorava, corre louco de alegria.

Muslera defende duas vezes. Os pés dos africanos encolheram. Bateram fraco, mal. Camisa é foda.  Loco Abreu vai para bola. Pensei. Esse maluco vai bater que nem na final da Taça Rio. Não deu outra. ” É muito grande, é muito grande!”, gritavam. “Ele é louco, ele é louco”.

O futebol é lindo demais. É o único esporte na qual uma história dessas é possível. Penso comigo se Eduardo Galeano sobreviveu.  Após anos de ostracismo, o Uruguai voltou. Ressucitou. Na raça. Acreditando que o possível é impossível. Si se puede. La leyenda continua. Nunca fuimos tan uruguayos.

Pisa fuerte, sudamerica

Quem me acompanha no Twitter sabe da minha simpatia pelas seleções sul-americanas na Copa do Mundo. A razão é muito simples. Tenho muito mais identidade cultural com argentinos, paraguaios, chilenos e uruguaios do que com italianos, alemães, ingleses e portugueses.

Somos todos mestizos, filhos de pais índios, negros e brancos. Todos abraçamos de corpo e alma o futebol e gostamos de vê-lo bonito, com gols,  passes e magia Não importa se no costado oriental do continente fala-se português e no resto, o castellano. Não importa quem é o melhor, se Pelé ou Maradona.

Em abril, fiz um mochilão na europa que me ensinou algumas lições.  Apesar da rivalidade que todos gostam de propagar com os argentinos, sairam justamente do lado ocidental do Rio da Prata (Paraná para nosotros), os dois grandes amigos que fiz na viagem: a Vane e o Martín.

Em qualquer roda, ou albergue que chegávamos, os latino-americanos – uruguaios, brasileiros, argentinos, porto-riquenhos, se juntavam – unidos por um senso de não-pertencimento, ou , melhor, um vínculo em comum:  a saudade de casa, os políticos corruptos, o amor pelo futebol, pela família, as vida nas metrópoles desordenadas, tão diferentes de Paris, Amsterdã ou Barcelona.

Claro que a grande discordância era sobre quem é o melhor: Kaká ou Messi. Pelé ou Maradona, Brasil ou Argentina. Mas não importa se Pelé debutó con un Pibe, ou se Diego cheirou a linha da grande área. O que importa é o futebol bem jogado. E isso, a Copa tem mostrado, temos de sobra.

O Uruguai, com um time limitado, mas o melhor nos últimos anos, conseguiu se classificar para as oitavas de final pela primeira vez em 20 anos. Desde 1954 não ganhava duas partidas seguidas. Após um empate morno com a França na estreia, El Maestro Oscar Tabarez viu que seu time carecia de um armador e recuou Forlán. Na mosca. O camisa 10 decidiu contra a África do Sul e foi bem contra o México.  Agora a Celeste tem pela frente uma chave fácil, contra Coreia do Sul, e possívelmente o vencedor de EUA x Sérvia, caso os favoritismos se confirmem amanhã.

A Argentina joga, indiscutivelmente, o melhor futebol da Copa. Tem o melhor jogador, Mesis, e Diego Armando Maradona no banco. Para o bem e para o mal. O grande desafio dos hermanos será enfrentar um ataque perigoso que desafie uma defesa frágil, principalmente pelo lado direito, com Gutierrez e Demichelis.

O Paraguai tem mostrado uma defesa sólida e um ataque com lampejos de criatividade. É outro que pode ser beneficiado por uma chave fácil, uma vez que deve enfrentar a Dinamarca nas oitavas. Depois pega quem sair de 1H x 2G. Visto que a Espanha periga não passar em primeiro do seu grupo, deve vir Portugal ou Chile por aí.

O Brasil fez um jogo ruim e outro bom. Precisa de Kaká cada vez melhor para desequilibrar. Sem contar que, como diz Maradona, O Brasil não perdoa. Por isso é o favorito. Tem um lado direito muito forte, com Elano e Maicon, e precisa acertar o lado esquerdo, com Michel Bastos e Felipe Melo.

O Chile de El Loco Bielsa pode ser a surpresa da Copa. Ao lado de Holanda, Brasil e Argentina é a única seleção que venceu seus dois primeiros jogos. Valdivia tem entrado bem, mas Suazo está mal, e se a equipe quiser avançar, precisará de gols para frear a Espanha na última rodada.

Após dez vitórias e dois empates em 12 jogos, A América do Sul tem tudo pra colocar quatro times na semifinal. Pisa fuerte, sudamerica!!!!

A Dunga o que é de Dunga

Eu acho muito engraçado quando vejo um jornalista falar da seleção de 1982. Aquilo sim que era time, não é verdade. Jogava pra frente, jogava bonito. Zico, o melhor do mundo depois de Pelé e Garrincha. O Doutor Sócrates. Falcão, o Rei de Roma!.

Eu tinha apenas três meses de idade naquela época. Lembro muito pouca coisa do Zico, e praticamente nada do Sócrates ou do Falcão. Mas me lembro bem da Copa de 94. A mídia INTEIRA achincalhando o Parreira. Dizendo que  o time jogava feio. Que não ia a lugar algum.  Fomos tetra. Eu duvido que os Renato Mauricio Prado, Flavio Gomes e Juca Kfouri da vida não tenham vibrado com a defesa do Taffarel e o chute pra fora do Baggio. Sim, porque não há maior emoção do que ganhar um título nos pênaltis. Ainda mais com 24 anos de fila. E eu sou palmeirense. Acreditem, de fila eu entendo.

Em 1998 foi a vez do Zagallo. Todos queriam Romário. E Romário foi cortado. Zagallo era burro.  E a gente teve de engolir.  Em 2002, o Felipão foi o alvo da vez. O retranqueiro que teve o melhor ataque da Copa. O burro que esqueceu Romário e ressucitou Romário. Lembram-se? O Ronaldo tá gordo. Tá quebrado. Não serve mais pro futebol.

Em 2006 foi diferente, né. Tínhamos o QUADRADO MÁGICO. O único quadrado redondo que eu vi na vida. E foi uma festa. Porque jornalista ama ser amiguinho de jogador. Acha lindo ver o Ronaldinho imitar uma foca no treino. Depois encontrar os caras na balada, no Pops Drinks, ou no raio que o parta. Faz o cara se sentir um deles. Importante.

Aí veio o Zidane. Naquela que foi a maior atuação individual que eu vi em, toda minha vida. Soberano. Só se via ele em campo. ( E antes que me xinguem, quero deixar claro, nunca xinguei tanto alguem quanto o Zidane aquele dia). A perfeição dele beirava o desespero.

Então, sem o hexa, Até o Galvão Bueno reclamou da seleção.  Dizia que faltava amor a camisa. Então a CBF apostou no Dunga. Sua missão era renovar a seleção e resgatar o amor à camisa e a vontade de torcer pelo Brasil.

Dunga construiu um grupo. E deu padrão de jogo à equipe. Foi campeão. Derrotou Argentina e Itália. Se classificou para a Copa. Mas as viúvas do Sarriá continuaram amargas. Onde já se viu o Elano na seleção???

Ontem o Elano foi o melhor em campo! Jogou muito! Vocês realmente acham que o Ronaldinho iria marcar um e dar passe para outro se estivesse no lugar dele?

É claro que o trabalho do técnico deve ser criticado. O banco da seleção é fraco. Falta um meia armador de origem para substituir o Kaká. Mas não venham me convencer que se o camisa 10 do time quebra a perna, um garoto de 20 anos segura a onda de substituí-lo num jogo decisivo de Copa. O único ser humano capaz de fazer isso se chama Pelé. Maradona, o segundo melhor, fez cagada em 1982, por exemplo.

Mas tem gente comparando o Dunga com o Kim Jong-ilPelamordedeus, gente! Qual é o problema de fazer um treino secreto? Chamar o cara de ditador porque ele não gosta de jornalista? Ele não matou ninguém, só quer ganhar uma Copa do Mundo. O cara tem todo direito de não dar entrevista, se não quiser. Vocês não são deuses.

Ontem, o Brasil jogou mal no primeiro tempo. Mas melhorou. O resultado não foi bom. Mas Dunga mexeu bem e tentou golear para fazer saldo. Não conseguiu. Mas as vezes a gente esquece que não é só brasileiro que sabe jogar futebol. A nova geração da seleção alemã tá aí pra mostrar isso.

Dos Maracanazzos da vida

Os donos da casa entraram em campo cantando.  Mas dançaram no final.  Era como se o velho espírito que frequenta um velho estádio carioca soprasse no ouvido dos sopradores de vuvuzela: Vai acontecer de novo.

Jogo nervoso. Pegado. 0 a 0.  A celeste está de branco, mas o espírito charrua não morre. O chute vem de longe, pega no zagueiro, e engana o goleiro. No banco de reservas do time de amarelo está um técnico que conhece como ninguém o ‘futebol bailarino’.  Não que o coloque em prática, mas, em linhas gerais, sabe do que se trata. Vê mágica nos quadrados mais redondos.

Os amarelos pressionam, os celestes resistem. A torcida acredita e corneta sem parar. Trinta e tantos do segundo tempo. Pênalti. 2 a 0.  Os torcedores deixam o estádio. As vuvuzelas se calam.  Nos acréscimos, o golpe final. O espírito charrua resiste. O Uruguai voltou do mundo dos mortos.

Top 5 covers

Tem gente que acha, e o pessoal da minha banda é assim, que cover não serve para nada. Que legal mesmo é compor música própria. Eu penso diferente. Há, sim, muito valor, em dar uma cara nova a algo que outra pessoa escreveu. Afinal, na arte, como na vida, nada é original. Tudo são idéias que vamos aprimorando, recortando, e recombinando.

Se o cara é Músico, assim com M maiúsculo, mesmo, transforma uma música lixo em obra-prima, pega uma obra prima e consegue melhorar, ou mesmo, reconstruir algo muito ruim.

Um exemplo é o senhor John R. Cash, que conseguiu transformar esta bosta do Nine Inch Nails em uma obra-prima. A transformação da canção foi tanta que parece que foi o próprio Cash que a escreveu, antes de morrer, para que lhe servisse de epitáfio.

A versão “Chupa, Trent Reznor” 
 

A versão do Nine Inch Nails

 

Outra cover que eu gosto muito é a de Here She Comes Now, do Velvet Underground, gravada pelo Nirvana. Tudo bem, vai, sou suspeito pra falar. Mas a interpretação do Kurt, principalmente na versão acústica dá muito mais vida à música. Faz o Lou Reed parecer ’simples’.

A versão ‘atormentada’

A versão ‘barulhinho de verão’

Têm ainda outras três covers que eu gosto muito. A primeira, delas, na verdade é a versão que o Herbert Vianna fez pra Track Track, do Fito Paez. Tem uma pegada bem mais roqueira que a original e mostra a sensibilidade do Herbert de adaptar a letra sem fazer ela perder o sentido original.

Versão made in brasil

Versión hermanita


Outra cover que me arrepia é a que o Eddie Vedder fez pra “You got to hide your love away”, dos Beatles.  O Chris Cornell tentou tb, mas não ficou tãaaaao boa.

Eddie

Chris

 

Beatles

Pra terminar, tem o cover que o Foo Fighters fez pra Rock’n'roll, do Led. Não contaria mto, pq o Jimmy Page e o John Paul Jones tocam junto, mas vale pra ouvir o Dave ‘mão pesada’ Ghrol fazendo as vezes de John Boham e o Taylor Hawkins com uma imitação bem honesta de Robert Plant.

Tocar com o Led: o sonho de qualquer moleque

 

 

Quem sabe faz ao vivo

Universos paralelos

“Em um universo alternativo, a gente seria o casal perfeito”, ela disse, assim casualmente, como quem fala do tempo, após uma discussão irrelavante sobre a pertinência ou não de um determinado corte de cabelo.

Qualquer um que já leu o mínimo de histórias em quadrinhos já imaginou em um universo paralelo, ou realidade alternativa. A Marvel, em 1977, criou a série What If, que narrava o que aconteceria se a trajetória de alguns personagens tivesse sido alternada. A mesma editora criou um universo paralelo para os X Men em ‘ A Era do Apocalipse’, uma série na qual o professor Xavier é morto por acaso por um mutante vindo do futuro, cujo objetivo, na verdade, era assassinar Magneto. As consequências para um mundo sem Xavier são devastadoras. Só para se ter uma ideia, quem lidera os X Men é o próprio Eric Lensherr. Wolverine é maneta e pega a Jean Grey.

Em De volta para o futuro II, Biff Tannen rouba a máquina do tempo de Martin McFly e do doutor Brown e dá a si mesmo um almanaque com o resultado de todos os esportes do século. Com isso, o vilão da série se torna milionário e cria uma realidade alternativa na qual casa com a mãe de Marty e mata seu pai.

E se tivéssemos o poder de voltar no tempo? Tomaríamos as mesmas decisões que nos levaram até aqui? Chegaríamos a outros caminhos por outras vias? Se tivéssemos o poder de recriar uma realidade distinta da que o destino nos deu, faríamos nossa vida melhor? Haveria menos corações partidos? Amizades importantes nunca aconteceriam? Teríamos outros amores? Faríamos as mesmas escolhas?

Para mim, tudo regrediria a um dia no qual resolvi escrever um maldito poema. Eu tinha 17 anos e nunca havia escrito um poema na vida. Mas a menina pela qual eu era apaixonado gostava. Parecia a tática perfeita. Obviamente, deu errado. Ela preferiu namorar com um cara que tirou 29 na Fuvest. E na época a prova valia 160. Poesia não era o negócio da moça.

Se eu não tivesse escrito aquela merda, provavelmente teria sacado bem mais cedo que a mulher ideal não existe, o que teria poupado, no mínimo, uns seis meses de dor de cotovelo. Com isso, muito provavelmente, eu poderia ter arrumado uma namorada no começo da faculdade ou no cursinho.

O namoro teria sobrevivido os anos da faculdade, mas provavelmente estaria fadado ao término no começo de 2005. Com isso, eu estaria muito pouco disposto a começar um novo relacionamento em seguida. Ou seja, não teria começado a namorar em meados daquele ano, como aconteceu no ‘universo real’.

Seriam quatro anos sem ela. Muito provavelmente nem teríamos nos conhecido, uma vez que muito dificilmente eu procuraria no orkut uma menina que havia estudado comigo durante o primário, e acabasse, acidentalmente, topando com ela. Não teríamos namorado, casado e se separado.

Talvez eu tivesse morado na Europa, talvez trabalhado em outros empregos. Muito possivelmente eu tivesse até conhecido, por um meio ou outro, essa minha amiga do cabelo que abriu o texto. E poderíamos estar namorando hoje.

De qualquer forma, erradas ou não, essas foram as minhas escolhas. Foram elas que me levaram até aqui e construíram minha personalidade. Elas não vão mudar. Eu, sim. Não vou mais escrever poemas.

State of love and trust

Em ‘Amor sem Escalas’, a personagem de George Clooney defende que a vida é mais leve sem bagagem. No filme, ele, um executivo de RH responsável por demitir pessoas, viaja os EUA, sem raízes, sem família, sem casa e sem amores. Nas palestras que ele dá paralelas ao trabalho, diz que as amarras sociais te impedem de ser verdadeiramente livre. Anos de uma vida sem laços acabam levando ele a perceber e a sentir a solidão.

Nossa vida é feita de começos, fins e recomeços. Mas será mesmo que podemos simplesmente largar a bagagem para trás, como pede Clooney? Nossas atitudes são reflexo de um somátório de experiências, boas e ruins, que vão construindo nossa personalidade. Cabe somente a nós usar isto de uma maneira construtiva, ou em alguns casos, destrutiva.

Por mais que a gente queira que tudo dê certo em um recomeço são as lições aprendidas e a bagagem adquirida ao longo do tempo que vão, ou ao menos deveriam, nos mostrar os caminhos para evitar novos erros. Em outras palavras, o autoconhecimento impede que experiências traumáticas se tornem um fardo. E que se repitam.

Para ler ouvindo: State of love and trust

De volta à nossa programação normal

Foram dois terremotos e quase dois meses sem computador em casa. Espero, agora, retomar o ritmo de postagens.

Invictus

Pela noite que me protege,

escura como todos os cantos do inferno,

Eu agradeço a quaisquer os deuses que possam existir

 pela minha alma inconquistável

 

Nas garras cruéis das circunstâncias

 eu não dei nem um grito ou um recuo

 Sob os golpes do acaso

minha cabeça sangra insubmissa

 

Para além deste lugar de ira e lágrimas

Avulta-se tão somente o horror das sombras

E ainda assim a ameaça do passar dos anos

 Me encontra e me encontrará sempre destemido

 

Não importa o quão estreito o portão

Ou quão carregada de castigos seja a sentença

Eu sou o mestre do meu destino

Eu sou o senhor da minha alma

William Ernest Henley

A volta de Robinho

E Robinho voltou ao clube de onde forçou a barra para sair como criança mimada. Lembram? Foi em 2005. Ele foi para a Copa das Confederações. Era a última estrela de uma geração de ouro do Santos. Todos já haviam sido vendidos. Robinho voltou do título da Alemanha, quando mídia e torcida exultavam o famoso ‘quarteto mágico’ formado também por Kaká, Ronaldinho e Adriano,  e se recusou a treinar. Disse que queria jogar no Real Madrid e que não ia sossegar enquanto não fosse vendido.

Passaram-se três anos. Insatisfeito no Real, Robinho queria ir para o Chelsea de Felipão. Fez o mesmo dengo. Bateu o pé. Queria porque queria. Acabou chupando o dedo, como em tantos gols que comemorou. Foi vendido ao Manchester City, um obscuro time médio inglês controlados por árabes cheios da grana.

Passou mais um ano e meio. Insatisfeito no City, na reserva, jogando um futebol medíocre, aos 26 anos, idade onde os grandes explodem, Robinho voltou ao Santos. Precisa garantir um lugar na Copa. Tem medo de que Nilmar e Ronaldinho Gaúcho lhe roubem a vaga, apesar de todo amor que Dunga tem por ele, devido à sua lealdade à seleção.

Vágner Love tentou fazer a mesma coisa ano passado, com a volta ao Palmeiras. Queria a seleção. Não sei se amava o clube que o revelou. Afinal, falamos aqui de um cidadão que já vestiu a camisa daquele time de merda da marginal sem número sem ser contratado. O artilheiro do amor chegou com pompa, para ser campeão brasileiro e da Libertadores.

No Palmeiras, ganhando uma grana preta, preocupou-se apenas com seus gols. Fez só cinco. Os companheiros lhe viraram a cara e seguraram-lhe a bola. Apanhou dos torcedores. A piada na boca do povo palestrino dizia, à época: “Olha, a Mancha pode não saber por que tá batendo, mas o Love sabe porque tá apanhando”.  Love pediu pra sair. Foi pro Flamengo, onde Adriano é o Imperador.

Robinho chega para ganhar, segundo a imprensa especializada, R$ 1 milhão por mês. O teto salarial da equipe é de R$ 160 mil. O ‘Rei das Pedaladas” vem para alcançar um objetivo pessoal: a Copa. Mimado como é, vai criar caso com a molecada e os donos do time, se não sair tudo conforme deseja.

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